segunda-feira, 2 de junho de 2014

ORGANON INTRODUÇÃO À HOMEOPATIA





Parágrafo 14 do Organon:
“Não há, no interior do Homem, nada mórbido que seja curável, nem alteração mórbida invisível curável, que não se revele ao médico observador por meio de sinais e sintomas mórbidos, o que está em perfeita concordância com a bondade infinita do sábio Preservador da vida humana” Samuel Hahnemann

“Encontramos aqui o reconhecimento de Hahnemann à Divina Providência. E foi precisamente o reconhecimento desta Providência  que possibilitou a Hahnemann a capacidade de perceber a Lei. Em toda a sua experiência ainda que vivos até idades avançadas, encontrará poucos homeopatas que não reconheceram a Ordem Divina”. (James Tyler Kent).

Parágrafo 9 do Organon da Arte de Cura.

“Desta forma o espírito dotado de razão que reside em nós (Componente Espiritual Pensante), pode empregar livremente este instrumento vivo e sadio para atender os mais Altos Fins de nossa Existência”. Organon Samuel Hahnemann.

“ A ideia de  que a força não tenha nada anterior a ela, conduz o homem a loucura...O Materialista para ser consistente com seus princípios é obrigado a negar a alma, e negar um Deus substancial, por que a energia em que ele insiste tanto, não é nada, e deve supor que Deus não é nada, e portanto não existe. Porém aquele que é racional se verá induzido a crer que existe um Deus supremo.” (James Tyler Kent).

“Todas as ações e todas as imaginações humanas tem em vista satisfazer as necessidades dos homens e trazer lenitivo a suas dores. Recusar esta evidência é não compreender a vida do espírito e seu progresso. Porque experimentar e desejar constituem os impulsos primários do Ser, antes mesmo de considerar a majestosa criação desejada. Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra?....”
“O espírito científico, fortemente armado com seu método, não existe sem a religiosidade cósmica. Ela se distingue da crença das multidões ingênuas que consideram Deus um Ser de que esperam benignidade e do qual temem castigo – uma espécie de sentimento exaltado da mesma natureza que os laços do filho com o pai, um ser com quem também estabelecem relações pessoais,por respeitosas que sejam. Mas o sábio, bem convencido da lei de causalidade de qualquer acontecimento, decifra o futuro e o passado submetidos às mesmas regras de necessidade e determinismo. A moral não lhe suscita problemas com os deuses, mas simplesmente com os homens. Sua religiosidade consiste em espantar-se, em extasiar-se diante da harmonia das Leis da Natureza, revelando uma inteligência tão superior que todos os pensamentos humanos e todo o seu engenho não podem desvendar, diante dela, a não ser seu nada irrisório. Este sentimento desenvolve a regra dominante de sua vida, de sua coragem, na medida em que supera a servidão dos desejos egoístas. Indubitavelmente, este sentimento se compara àquele que animou os espíritos criadores religiosos em todos os tempos.” Albert Einstein – Como vejo o Mundo. Ed. Nova Fronteira Rio de Janeiro 1981.

Fundamentos da Homeopatia
1.   Lei dos Semelhantes:
Uma ideia bastante antiga, muitos séculos antes de Hahnemann, já se falava nesta teoria. Hipócrates o “Pai da Medicina”, já tentava a cura dos males com semelhantes.
Associava-se o formato, cor, entre outros e principalmente observava-se os agentes da natureza, comparando-os com o comportamento humano. Como exemplo o aforismo 46 de Hipócrates:

“Quando uma pessoa sente ao mesmo tempo duas dores, em partes diferentes do corpo, a dor mais forte oblitera a mais fraca”

Assim, uma manifestação similar (no caso, a dor) tem capacidade de apagar a mesma, através de sua intensidade. Dor, apagando outra dor, é igual ao semelhante curando o semelhante.
Foi Hahnemann, quem desenvolveu as bases para a utilização da Lei dos Semelhantes através de métodos científicos. Ele experimentava as substâncias, anotava os efeitos despertados e passava a utilizar as mesmas, em doentes com sintomas semelhantes aos observados.

“Similia Similibus Curantur” – O Semelhante será curado pelo Semelhante , Hipócrates (486 aC – 377 aC)

O mesmo agente  que é capaz de desencadear sintomas,também tem competência de curá-los.

“quem faz o bem aos outros, a si mesmo o faz; o homem cruel causa o seu próprio mal”. (provérbios 11:17)
“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhe façam; pois esta é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7:12)

Nestes versículos, encontra-se uma das leis mais importantes do relacionamento do homem com o homem: o bem trazendo o bem e o exercício do mal, acarretando como consequência, o mal a si mesmo. Identifica-se aqui, o princípio da Semelhança.


2.   Experimentação no homem são:   

Ao invés de testar as drogas em animais ou em testes laboratoriais, Hahnemann selecionou voluntários, aparentemente saudáveis para experimentar as substâncias e descrever com precisão os sintomas (inclusive os mentais), obtendo assim, o “retrato” de cada medicamento. Em seu método, a prescrição homeopática deve basear-se na comparação entre os sintomas apresentados pelo paciente e os sintomas que a droga a ser prescrita, produziu nos indivíduos sadios.

3.   Doses infinitesimais:
Consciente do perigo do uso de grandes quantidades de plantas tóxicas e venenos, Hahnemann sempre preferiu usar doses pequenas de medicamentos, para que somente o efeito benéfico aparecesse no decorrer do tratamento. Na tentativa de amenizar os efeitos colaterais dos medicamentos e procedimentos de sua época, Hahnemann começou a atenuar esses efeitos, através da diluição, dissolução e trituração.
Na atualidade, sabe-se que a capacidade que uma pessoa tem, de responder a uma substância, está diretamente relacionada à sua sensibilidade a mesma. Como por exemplo, o fenômeno alérgico, onde o indivíduo é capaz de responder a estímulos infinitamente pequenos, quando carrega dentro de si uma sensibilidade a estes. Assim uma pessoa alérgica a determinado perfume, pode desencadear uma crise, apenas ao sentir o odor deste, num determinado ambiente, enquanto os não alérgicos, toleram quantidades maiores, sem que nada ocorra.
O mesmo ocorre com o medicamento homeopático. Se uma pessoa tem identidade ou semelhança aos efeitos deste medicamento, é sensível. Assim, mínimas doses, podem desencadear manifestações físicas ou até mesmo, a cura.
Hahnemann tinha conhecimento de que os metais, depois de serem manipulados, adquiriam uma carga magnética, a exemplo do ímã. Então, passa a aplicar essa mesma teoria, agitando vigorosamente os medicamentos líquidos e sólidos, observando que, esses medicamentos, mesmo extremamente diluídos, se apresentam com algum tipo de carga energética, como que se imantados, e começa a concluir que, quanto menos concentrados, mais diluídos e quanto mais agitados, muito maior competência terapêutica adquiriam.
Segundo Pachero, falecido médico homeopata argentino, o homem é um dos seres mais indefesos dentro do reino animal. Ao se comparar com outras espécies, especialmente nos primeiros anos de vida, quando existe uma total dependência de sua mãe, ou de seu pai, verifica-se que ele necessita de um cuidado muito especial e de proteção, não só na alimentação, mas no vestuário e também na formação de sua personalidade.
Sabe-se que em homeopatia, através do processo de dinamização desenvolvido por Hahnemann, as pequenas partículas das substâncias diluídas no solvente, adquirem um poder muito maior, que a anterior a essa dinamização. Hahnemann ao dinamizar(resumidamente: diluir as partículas e agitá-las) estava extraindo a essência, o poder curativo daquele medicamento. Lembre-se que esta ideia ocorreu centenas de anos antes de Einstein enunciar sua teoria, provando que havia uma relação inversa entre Matéria e Energia (E=mc²), ou seja quanto menos matéria, mais energia e vice-versa.

Mediante um procedimento próprio (dinamização = diluição e sucussão) e que antes nunca houvera sido tentado, o método homeopático de cura libera a um grau até hoje nunca visto, os poderes medicamentosos intrínsecos das substâncias cruas.
Através desta técnica (dinamização) as substâncias tornam-se imensurável e “penetrantemente” eficazes e benéficas, mesmo aquelas que no estado cru não demonstram a menor ação medicamentosa sobre o organismo humano.
Essa notável mudança na qualidade dos corpos naturais é obtida:
·        Pela ação mecânica sobre as menores partículas da substância do atrito e sucussão;
·        Pelo acréscimo de uma substância neutra, sólida ou líquida, que sirva de veículo, permitindo que as partículas da matéria transformada permaneçam separadas.

Este procedimento é chamado de Dinamização ou potencialização(desenvolvimento do poder medicamentoso), sendo seus produtos as Dinamizações ou potências, em diferentes graus.
Esta mudança notável na qualidade dos corpos naturais   percebidos, como se estivessem adormecidos, ocultos, que afetam o princípio vital e alteram o bem estar da vida animal.


§ 269 – Organon

A experiência já havia demonstrado muito antes desta minha descoberta várias mudanças que a fricção pode provocar em diversas substâncias naturais, como por exemplo:
Calor; fogo; desenvolvimento de odor em corpos inodoros; magnetização do aço; etc.

Porém todas estas propriedades impostas pela fricção até então estavam relacionadas apenas ao mundo físico e inanimado.
Entretanto, há uma Lei da Natureza pela qual as mudanças fisiológicas e patogênicas ocorrem no organismo vivo por meio de forças capazes de alterar a matéria crua dos meis medicamentosos, mesmo nas que jamais mostraram propriedades terapêuticas. Isto é conseguido pela trituração (uma forma de diluição) e pela sucussão, porém com a condição de se interpor um veículo não medicamentoso (um solvente inócuo: água, água + álcool ou lactose) em certas proporções (1 parte do agente medicamentoso em cada 100 partes da mistura com o solvente).
Esta maravilhosa “lei física” (mais propriamente: fisiopatogênica) da Natureza não havia sido descoberta antes de meu tempo. Não é de se admirar, portanto, que até agora os naturalistas e médicos (que ignoravam esta lei) acreditassem no poder mágico curativo das doses mínimas dos medicamentos preparados conforme os ensinamentos homeopáticos.
Ouvimos diariamente as potências medicamentosas homeopáticas serem chamadas de “meras diluições”. Mas, ocorre exatamente o contrário, ou seja, o que existe é um verdadeiro aumento das substâncias naturais que trazem a luz (revelam) seus poderes medicamentosos específicos intrínsecos (ocultos). E, como já foi dito, isto é conseguido por meio da fricção e da sucussão, contando com a ajuda de um “meio de diluição” não medicamentoso que ocorre apenas como uma condição secundária.
A simples diluição de um gão de sal de cozinha, por exemplo, redundará apenas em água: “o grão de sal” desaparece no grande volume de água e jamais se transforma num medicamento.
Entretanto, a fricção e sucussão desta mesma mistura, este grão de sal tem sua força elevada a um grau de assombroso.
A mesma coisa pode ser observada numa barra de ferro ou aço na qual não podemos enxergar em seu interior qualquer vestígio da força magnética oculta. Mas, ambas as barras, depois de forjadas, colocadas em posição vertical, com sua extremidade inferior repelem o polo norte e atraem o polo sul de uma agulha magnética, enquanto que a extremidade superior comporta-se como o polo sul da agulha magnética. Mas, esta é apenas uma “força latente”.
Por isso, nenhuma partícula de ferro, mesmo a mais fina, pode ser atraída magneticamente ou segura a cada uma das extremidades de tal barra. Unicamente depois que a barra de aço é dinamizada pela fricção(feita em um único sentido de uma lima não muito afiada) é que ela se transforma num poderoso e verdadeiro ímã, capaz de atrair o ferro e o aço; e de transmitir seu poder magnético a outra barra de aço por contato ou a alguma distância e isto num grau tanto maior quanto maior tiver sido a fricção (diretamente proporcional ao atrito).
Da mesma forma, a trituração de uma substância e a sucussão de sua diluição (dinamização, potencialização) é capaz de desenvolver sua força medicamentosa latente, manifestando-a cada vez mais: desmaterializando-a, se é que podemos falar deste modo!
Por isso, referem-se apenas ao aumento e desenvolvimento mais intenso de seu poder para causar alterações no estado de saúde do Homem e dos animais, quando estas substâncias naturais, neste estado melhorado, forem aproximadas das fibras sensitivas vivas ou entrem em contato com elas (pela ingestão ou olfação). Assim como uma barra imantada, pode mostrar poder magnético somente em uma agulha de aço que esteja próxima de seu polo ou em contato com ela(o aço propriamente dito permanece inalterado em suas propriedades químicas e físicas remanescentes e não podem produzir alterações em outros metais, como por exemplo, no bronze), tampouco os medicamentos dinamizados podem exercer qualquer ação sobre coisas inanimadas.

4.   Remédio único:
Hahnemann e seus voluntários experimentavam uma droga de cada vez, para não mascarar seus efeitos no organismo sadio. Ele não admitia que no processo curativo o médico misturasse duas ou mais substâncias ao mesmo tempo, pois achava que o resultado era imprevisível, uma vez que o doente  já estava bastante enfraquecido pela doença em si.

O homeopata procura entender as diferenças peculiares de cada ser, o seu sentir, sua maneira de vivenciar as emoções, os medos, as alegrias, suas predileções, entre outras. O modo de ser de cada um é sempre levado em consideração, na escolha de um determinado medicamento.
Uma mesma doença quando acomete mais deum indivíduo, é homeopaticamente tratada, de maneira diferenciada em cada um. Não existindo portanto uma fórmula fixa ou receita pronta, pois cada um adoece à própria maneira.
Hahnemann recomenda que se busque a individualidade ou melhor, o conhecimento do universo interior e particular de cada um:


§86 e 87 – Organon da Arte de Curar:

“Quando os narradores tiverem terminado o seu relato, o médico retorna, então a cada sintoma em particular, e obtém informações mais precisas sobre eles lendo-os na ordem em que lhe forem relatados, procurando obter mais detalhes. E assim, o médico obtém informações mais precisas sobre cada detalhe em particular.”



Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata
Hipnóloga Condicionativa






      



  


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