domingo, 3 de março de 2013

SAÚDE/ PROJEÇÃO/MIASMA





HOLISMO E SAÚDE

Medicina Hipocrática está a convicção de que as doenças não são causadas por demônios ou forças sobrenaturais, mas são fenômenos naturais que podem ser cientificamente estudados e influenciados por procedimentos terapêuticos e pela judiciosa conduta de vida de cada indivíduo. Assim, a medicina devia ser exercida como uma disciplina científica, baseada nas ciências naturais, abrangendo tanto a prevenção de doenças como seu diagnóstico e terapia. Essa atitude formou a base da medicina científica, embora os sucessores de Hipócrates, em sua maioria, não tenham atingido a amplitude da visão e a profundidade filosófica manifestas nos escritos hipocráticos.
“Ares, águas e lugares”, um dos mais significativos livros do Corpus hippocraticum, representa o que chamaríamos hoje de um tratado sobre ecologia humana. Mostra em detalhes como o bem estar dos indivíduos é influenciado pelos fatores ambientais: a qualidade do ar, da água e dos alimentos, a topografia da terra, os hábitos gerais de vida. A correlação entre mudanças súbitas nesses fatores e o aparecimento de doenças é enfatizada, sendo a compreensão de efeitos ambientais considerada a base essencial da arte médica. Esse aspecto da medicina hipocrática foi seriamente negligenciado com a ascensão da ciência cartesiana, e só agora está sendo apreciado de novo. De acordo com René Dubos: “A importância das forças ambientais para os problemas da biologia, da medicina e da sociologia humana nunca foi formulada com maior amplitude ou com visão mais penetrante do que na aurora da história”. (Dubos, René Mirage of health, Haper, Nova York, 1959)
A saúde de acordo com os escritos hipocráticos, requer um estado de equilíbrio entre influências ambientais, modos de vida e os vários componentes da natureza humana. Esses componentes são descritos em termos de “humores” e “paixões”, que tem de estar em equilíbrio. A doutrina hipocrática dos humores pode ser renunciada em termos de equilíbrio químico e hormonal, referindo-se a importância das paixões à interdependência da mente e do corpo. Hipócrates não era só um observador perspicaz dos sintomas físicos, mas também deixou excelentes descrições de muitas perturbações mentais
Quanto ao processo de cura, Hipócrates reconheceu as forças curativas inerentes aos organismos vivos, forças a que chamou o “poder curativo da natureza”. O papel do médico consistia em ajudar essas forças naturais mediante a criação de condições mais favoráveis para o processo de cura. Esse é o significado original da palavra “terapia” que deriva do grego therapeuin (“dar assistência, cuidar de”). Além de definir o papel do terapeuta como o de um assistente para o processo de cura natural, os escritos hipocráticos também contém um rigoroso código de ética médica, conhecido como o Juramento Hipocrático, que permaneceu até os dias de hoje com o ideal da profissão médica.
O universo inteiro, natural e social, encontra-se em estado de equilíbrio dinâmico, com todos os seus componentes oscilando entre os dois pólos arquetípicos. O organismo humano é um microcosmo do universo; as suas partes são atribuídas qualidades yin e yang; assim, o lugar do indivíduo na grande ordem cósmica é firmemente estabelecido.

“As coisas comportam-se de certas maneiras não necessariamente por causa de ações ou impulsões prévias de outras coisas, mas porque sua posição no universo cíclico em constante movimento era tal que elas foram dotadas de naturezas intrínsecas que tornaram esse seu comportamento inevitável. Se não se comportassem dessas maneiras particulares, perderiam suas posições em relação ao todo, e passariam a ser outras coisas que não elas próprias.”(Needham,Joseph: Man a Machine, Norton, Nova York, 1928. Science and civilization in China, vol. 2, Cambridge University Press, Cambridge, 1962).

O indivíduo saudável e a sociedade saudável são partes integrantes de uma grande ordem padronizada, e a doença é a desarmonia no nível individual ou social.
A doença não é considerada um agente intruso, mas o resultado de um conjunto de causas que culminam em desarmonia e desequilíbrio. Entretanto, a natureza de todas as coisas, incluindo o organismo humano, é tal que existe uma tendência natural para se retornar a um estado dinâmico de equilíbrio. As flutuações entre equilíbrio e desequilíbrio são vistas como um processo natural que ocorre ao longo de todo o ciclo vital.
É fácil perceber que um sistema de medicina que considere o equilíbrio e a harmonia com o meio ambiente a base da saúde enfatiza as medidas preventivas.

“Administrar remédios para doenças que já se desenvolveram (...) é comparável ao comportamento daquelas pessoas que começam a cavar um poço muito depois de terem ficado com sede, daquelas que começam a fundir armas depois de já terem entrado na batalha. Não seriam essas providências excessivamente tardias?”Veith, Ilza: The yellow emperor’s classic of internal medicine, University of California Press, Berkeley, 1972. Pág: 105.

O papel ideal de um médico, para a total compreensão teria que ter uma visão de que todos os modelos do Universo funcionam em “conjunto”, tratando individualmente a cada paciente; cujo diagnóstico não classifica o paciente como portador de uma doença específica, mas que registra o mais completamente possível o estado total da mente do corpo em sua relação com o meio ambiente natural e social. Esses conceitos e atitudes demonstram que o papel do médico é bem diferente daquele desempenhado. O médico que goza de mais alta reputação é o especialista, com um conhecimento detalhado sobre “uma parte específica do corpo”. Quem comanda essa parte do corpo? E o restante, não faz parte?
A concepção sistêmica de saúde baseia-se na concepção sistêmica da vida. Os organismos vivos, são sistemas auto- organizadores que exibem um alto grau de estabilidade. Essa estabilidade é profundamente dinâmica e caracterizada por flutuações contínuas, múltiplas e interdependentes. Para ser saudável, tal sistema precisa ser flexível, dispor de um grande número de opções para a interação com seu meio ambiente. A flexibilidade de um sistema depende de quantas de suas variáveis se mantêm flutuando dentro de seus limites de tolerância: quanto mais dinâmico é o estado do organismo, maior será sua flexibilidade espiritual, física, mental, social, tecnológica, econômica; é essencial para a capacidade do sistema que se adapte às mudanças. Perda de flexibilidade, significa perda da saúde.
O organismo também pode passar por um processo de autotransformação e auto transcendência, envolvendo estágios de crise e transição, e resultando num estado inteiramente novo de equilíbrio. Importantes mudanças no estilo de vida de uma pessoa, induzidas por uma grave doença, são exemplos de tais respostas criativas que freqüentemente deixam a pessoa num nível de saúde superior àquela que usufruía antes do desafio. Estar em equilíbrio dinâmico significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender e crescer.
O equilíbrio natural dos organismos vivos inclui um equilíbrio entre suas tendências auto-afirmativas e integrativas. Para ser saudável um organismo tem que preservar sua autonomia individual, mas ao mesmo tempo, estar apto a integrar-se harmoniosamente em sistemas mais vastos. Esta capacidade de integração está relacionada com a flexibilidade do organismo e o conceito de equilíbrio dinâmico. A doença é uma conseqüência de desequilíbrio e desarmonia e pode ser vista como decorrente de uma falta de integração.
A noção de doença como resultante de uma falta de integração parece ser especialmente aplicável às abordagens que tentam entender os organismos vivos em termos de padrões rítmicos. A partir desta perspectiva, a sincronia torna-se uma importante medida de saúde. Os organismos individuais interagem e comunicam-se mutuamente mediante a sincronização de seus respectivos ritmos, integrando-se no ritmo do meio ambiente. Ser saudável significa estar em sincronia consigo mesmo espiritual, mental e físico mas também com o mundo que o circunda. Doença é a ausência de si mesmo, estando em desarmonia com o mundo e consigo mesmo.
Quando é adotada a visão sistêmica da mente, torna-se óbvio que qualquer doença tem aspectos mentais, comportamentais e espirituais. Adoecer e curar-se são partes integrantes da auto – organização de um organismo, e, como a mente e o comportamento humano bem como ações mal direcionadas  representam  a dinâmica dessa auto – organização, os processos de adoecer e curar-se.
A interação entre mente,corpo e espírito precisa ser relacionada com a saúde do Ser como um todo.
O termo “psicossomático” na medicina  convencional,é usado para referir-se a um distúrbio sem uma base orgânica “claramente diagnosticada”. Os “distúrbios psicossomáticos” eram considerados imaginários do que reais.A acepção do termo deriva do reconhecimento de uma interdependência fundamental entre “espírito que habita o corpo e a mente que controla o corpo” em todos os estágios de doença e saúde. Contudo, doenças mentais envolvem causas comportamentais, familiares, ambientais e um histórico latente trazido individualmente em sua genética e biológica, com uma predominância na causa da doença. Percebemos que fatores externos não são a causa primária do distúrbio e sim fatores internos trazidos individualmente em seu histórico, o terreno fica suscetível ao adoecimento, das muitas vezes em alto grau.
Essas concepções de saúde e doença subentendem um certo número de diretrizes para a assistência a saúde possibilitando uma estrutura para a nova abordagem holística. Assistência à saúde consistirá em restaurar e manter o equilíbrio dinâmico de indivíduos, famílias e outros grupos sociais. Mudança de “Valores”. Significará pessoas cuidando de sua própria saúde com um nível de entendimento, compreensão e amadurecimento de si mesmo e dos verdadeiros valores morais e éticos construídos em bases sólidas. Para isso, profissionais da área da saúde precisam estar preparados com uma visão aberta da vida; não só a vida material construída em bases distorcidas, verdades fundadas em vícios, medos, belezas extremas. A mudança se tornará completa quando verdadeiramente criarmos um mundo a nossa volta sem a ilusão de separação. Se educar para uma nova vida uma nova realidade de quem realmente somos e o que estamos fazendo aqui neste planeta. Qual é nossa finalidade?
A abordagem mais intrigante e fascinante dos padrões dinâmicos fundamentais do organismo humano é a Homeopatia. As raízes da filosofia homeopática remontam aos ensinamentos de Paracelso e Hipócrates, mas o sistema terapêutico formal foi fundado no final do século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann. Embora “vigorosamente” antagonizada pelas instituições médicas, a homeopatia propagou-se rapidamente no século XIX, tornando-se popular na Europa, Estados Unidos e logo ao Brasil bem como a Ásia.
A concepção homeopática, a enfermidade é o resultante de mudanças num padrão de energia ou “força vital”, sendo a base de todos os fenômenos físicos, emocionais e mentais, é a característica de cada indivíduo. Estimular os níveis de energia para o restabelecimento individual do ser humano.
Hahnemann concebia a força vital pela qual somos governados como superior à natureza inanimada de outros corpos, porém ela seria inacessível aos sentidos. A sua afirmação de que a doença é “dinâmica e imaterial” prova simultaneamente que ela é cognoscível, “a natureza íntima desta perturbação”, e que somente os efeitos desta perturbação “nas nossas funções e sentimentos” podem ser detectados para possibilitar a cura. Deste raciocínio depreende-se que somente uma oposição de força “igualmente energética” poderá promover a cura por meio da Lei dos Semelhantes. Para Hahnemann e para os vitalistas do século XIX, a energia corresponde ao primeiro movimento das atividades dos seres vivos que regem suas sensações e funções. Hahnemann recusa-se e entregar todo o seu projeto vitalista, como constatamos em seu texto de 1813 traduzido como “O Espírito Da Doutrina Médica Homeopática”.
 “A vida humana não é, de forma alguma, regulada por leis puramente físicas que só imperam entre as substâncias inorgânicas.”
“Aqui um poder fundamental inominável reina onipotente e suspende toda tendência das partes componentes do corpo para obedecer às leis de gravitação, do momentum, das vis inertiae, da fermentação da putrefação, etc. e as coloca sob as maravilhosas leis da vida, sozinha. Em outras palavras, mantém-nas sob as condições de sensibilidade e atividade necessárias para a preservação do ser vivo completo, uma condição quase espiritualmente dinâmica...”
“Então torna-se óbvio que as doenças excitadas pela influencia especial e dinâmica dos injuriosos agentes morbíficos podem somente ser originadas dinamicamente(causadas quase unicamente por um processo espiritual) perturbando o caráter vital de nosso organismo.”

Hahnemann identifica, na nota do § parágrafo 22 do “Organon”, a energia vital como a única possibilidade de expressão e de produção de sintomas.

“A energia vital, deprimida morbidamente, possui tão pouca habilidade curativa digna de imitação, posto que todas as mudanças e sintomas produzidos por ela no organismo são a própria doença.”


O vislumbramento de uma totalidade viva pressupunha um modelo de organização cósmica inteligente e ordenadora; e a idéia do Criador, além da possibilidades humanas de apreensão, integravam este entendimento. Hahnemann critica no parágrafo 13 aquilo que definiu como os “entendimentos materialistas” que baniram o entendimento correto das propriedades medicinais das substâncias para um pesado ostracismo, condenando a medicina a 2.000 anos de obscuridades e irracionalismos.
A variabilidade e multiplicidade das formas de seres vivos e até dos seres aparentemente não animados fez com que não só os gregos, mas todos os pensadores da Antigüidade clássica, concentrassem suas observações nos fenômenos qualitativos destes seres; que terminam transformando-se numa tentativa de acercar-se ou entender quem os criou. Estas manifestações qualitativas, estas concentrações especiais de forças, são “as essências” independentes e soberanas que governam os seres vivos; além de possuírem como Hahnemann expõe no parágrafo 9, a propriedade da autocracia.
Estas forças estariam além, no sentido de superioridade e precedência, das outras forças de natureza cósmica, conhecidas até então como mecânica, térmica, elétrica, magnética e química. Estas forças segundo Hahnemann, ainda estariam representadas por sua imaterialidade(“immaterellen”, como o autor escreveu no original).
As escolas filosóficas apresentam os mesmos aparentes contra-sensos que a história dos movimentos científicos; na verdade, as crises do pensamento filosófico são mais sérias na medida em que é no seu esteio que outras são desencadeadas em revoluções constantes, em direção às transições para novas etapas de raciocínio.
No entanto, percebe-se uma linha mestra que conecta todas estas contradições. Somos remetidos, então, ao provável conteúdo primitivo do conflito maior: a existência de um fator limitante da compreensão humana, que faria atribuir e remeter ao inexplicável e ao misterioso, toda matéria litigiosa examinada. Ou seja, tudo que escapa no campo científico termina na vala comum do místico e do esotérico.
O que o estudo da história da medicina nos reserva é de fato um evento único.Por ser a seqüência dos eventos da ciência que trata do humano, ela nos reserva surpresas especiais.
Comecemos com as surpresas polêmicas: uma delas é a morte e a ressurreição cíclica da tradição vitalista, a outra é o advento do princípio da similitude depois de um primeiro recesso de quase 2.000 anos (de Hipócrates a Paracelso), reativado novamente quase 300 anos depois, por meio das pesquisas de Hahnemann.
Para a homeopatia o universo vitalista é mais do que um sistema lógico, ele é a única possibilidade conceitual. CAGUILHEM definiu muito claramente as polêmicas inevitáveis que o vitalismo teria que atravessar, a fim de legitimar-se e consolidar-se.
“Mecanismo e vitalismo se afrontam sobre o problema das estruturas e das funções;a descontinuidade e continuidade, sobre o problema da sucessão das formas;pré formação e epigênesis, sobre o problema do desenvolvimento do ser; automicidade e totalidade, sobre o problema da individualidade.”

CAGUILHEM, identifica confirmando a intuição de toda uma escola de pensadores, o vitalismo com a preservação da totalidade e o mecanicismo com a automatização da individualidade. Portanto, sua percepção do vitalismo acopla-se perfeitamente com o princípio vital hahnemaniano de totalidade, conservando os elementos do ser em unidade para torná-lo lógico, a favor da unidade biológica, estrutural, anímica e dinâmica. O vitalismo de Hahnemann é também racional.
Percebemos ainda que apesar das partes de que somos constituídos agirem dentro de funções determinadas, com sofisticação de especificidades e altamente especializadas dentro de sua esfera de ação, elas atuam com assombrosa sincronicidade. Isso fez um grande pesquisador como o fisiologista americano CANNON, no auge das grandes transformações tecnológicas e industriais que atingiam a medicina, criar o termo homeostasia. Buscando sintetizar uma categoria que expressasse a admirável atividade, razoavelmente harmônica, da qual o organismo goza quando está saudável.
Já o dualismo mecanicista representa, em medicina, a oficialização da separação entre o corpo e o restante do ser, portanto, um modelo filosófico incompatível para o “que fazer” da homeopatia. E aqui importa muito pouco o que Hahnemann insinua que a medicina pode ou não ser dual: tanto a categoria de totalidade como a unidade do indivíduo são, para ele, elementos básicos de sustentação de seu sistema.
O valor real de uma visão vitalista unitária para compreender os fenômenos da saúde e da doença encontram-se nesta fusão, aparentemente incompreensível para uma parcela da ciência, do ser com suas manifestações. Não há duas existências, assim como a matéria e a energia não se antagonizam.
A unidade humana, ao menos para a antropologia homeopática, forma um pacto eficiente. Quando estamos saudáveis a conservação da coesão está relativamente resistente às oscilações internas e externas. Lembremo-nos que a clínica convencional já anatomoclínica. Mas para a homeopatia curar é contemplar uma totalidade que não se restringe à patologia.
O homeopata argentino Vijnovsky comenta:

“que é puramente material, sendo de fato impossível concebê-los existindo separadamente: o corpo, porque sem a energia vital não existiria, estaria morto, e o princípio vital sem o corpo não poderíamos percebê-los com nossos sentidos e, por conseguinte, para nós não existira. De modo que a unidade de ambos é indissolúvel, é um fato que subsiste até que chega a morte para separá-los”.


Se concebermos o fenômeno da morte como elemento de separação entre a vida orgânica e a energética, não se pode especular sobre os eventos que se processam a posteriori do que alcançam nossos sentidos e sensações. Cabe restringir nossas observações aos fenômenos ligados à saúde.
É indispensável para quem quer compreender a homeopatia, é buscar uma ciência da totalidade do sujeito ativo. É possível constatar o bem estar do espírito dos sujeitos tratados.
É necessário não se deixar seduzir pelo “halo místico” que se forma em torno de um tema como este. É racional pensarmos que nosso espírito conduz nosso corpo bem como nossas emoções e conseqüentemente as  sensações e reações que produzimos com nosso pensamento, ações e atitudes que tomamos. O corpo age como um drenador e as reações químicas produzidas por ele são comandadas pela força vital.
Esse aspecto da totalidade, da unidade do “ser”, é também um conceito do cerne da doutrina homeopática. É uma das diferenças fundamentais entre a alopatia e homeopatia; diferenciando nitidamente as perspectivas sob as quais uma e outra observarão o ser humano, e suas conseqüências de interpretação e terapêutica. A alopatia observa o órgão, o setor, segmenta o indivíduo (“indivíduo” quer dizer “ não divisível”) e passa a tratar seu coração, sua bexiga, seu sono, ou seu estado de humor, cada um separadamente e por um profissional diferente. A homeopatia enxerga todas as manifestações como um conjunto indivisível. O indivíduo, o ser, é que será tratado; é determinada pessoa que precisa de tratamento, e seu desequilíbrio manifesta-se por seu coração, bexiga,sono e estado de humor, mas é sempre o ser que está doente, e não o órgão.
No prefácio à primeira edição do “Organon da Arte de Curar” Hahnemann escreve:

“...Ao comunicar ao mundo esta grande descoberta, sinto muito duvidar de que meus conterrâneos compreendam a seqüência lógica destes meus ensinamentos e os sigam cuidadosamente e assim obtenham para a humanidade sofredora os benefícios infinitos que, inevitavelmente devem provir de uma fiel e acurada observação dos mesmos; ou se, assustados pelo inédito da natureza de muitas destas revelações, eles de preferência deixem-nas sem as provar e sem se iniciarem nelas e, portanto, sem utilidade.”

Hahnemann observou a patologia humana de um ponto de vista global, viu que o mal aflige o ser humano, usualmente tratado por todos esses nomes que damos às patologias, não passa praticamente de um único mal, com “n” formas de se manifestar-se. Para o micro universo do indivíduo, no qual todas as manifestações representam o desequilíbrio do todo, serve para o macro universo da patologia humana. Como se o ser humano como um todo fosse a unidade, e todas as patologias alopaticamente descritas de formas distintas, fossem apenas vários tipos de manifestação do indivisível “gênero humano” desequilibrado, enfim a patologia humana.

George Vithoulkas, líder do moderno movimento homeopático, em seu livro Homeopatia Ciência e Cura; Ed. Cultrix, 1980, formulou os princípios de uma estrutura teórica, identificando a força vital como o campo eletromagnético do corpo, usando o termo “plano dinâmico” para identificar o nível fundamental que a doença se origina. Em sua teoria, o plano dinâmico caracteriza-se por um padrão de vibrações que é único para cada indivíduo. Estímulos externos ou internos afetam o ritmo de vibração do organismo, gerando sintomas físicos, emocionais e mentais.
Tendo uma visão homeopática dinâmica e integral, será detectado desequilíbrios do organismo antes de ocorrer quaisquer perturbações sérias, graças a uma observação minuciosa do homeopata frente a comportamentos, ações, pensamentos, ambientes familiares, de trabalho, representando  uma relação com a saúde do Ser humano.
Vithoulkas diz que essa experiência deve surgir de uma íntima interação de terapeuta e paciente, nos explica que o homeopata e o cliente precisam ter uma interação íntima. O Terapeuta Homeopata não é um observador passivo, protegido por uma parede de objetividade,mas ter uma relação de confiança, ser sensível ter um comportamento acolhedor, estimulando a interação cliente e homeopata, para que o diagnóstico seja completo.
Os avanços da medicina psicossomática e a abordagem sistêmica da saúde ajudarão a elucidar muitos dos princípios homeopáticos e poderão encorajar os médicos e reexaminar sua posição. A  homeopatia com sua visão geral da doença em todos os níveis, sua ênfase no tratamento individualizado e sua confiança no organismo humano, apresenta aspectos contundentes e importantes da assistência holística à saúde.

 Projeção e Culpa

Acreditamos que constituímos um ser (com ‘s’ minúsculo) que é a nossa verdadeira identidade e esse ser é autônomo com relação ao nosso Ser real e com relação a Deus. Esse é o começo de todos os problemas no mundo: acreditarmos que somos indivíduos separados de Deus. Uma vez que acreditamos que cometemos esse pecado, ou uma vez que acreditamos que cometemos qualquer pecado, é psicologicamente inevitável nos sentirmos culpados por aquilo que acreditamos que fizemos. Em certo sentido, a culpa pode ser definida como a experiência de termos pecado. Assim, podemos basicamente usar pecado e culpa como sinônimos: uma vez que acreditamos que pecamos é impossível não acreditarmos que somos culpados, passando a sentir o que conhecemos como culpa.
A culpa é realmente a soma total de todas as crenças, experiências e sentimentos negativos que jamais tivemos sobre nós mesmos. Assim, a culpa pode ser qualquer forma de ódio ou rejeição de si mesmo; sentimentos de incompetência, fracasso, vazio, ou a sensação de que há coisas em nós que estão faltando, ou estão perdidas, ou são incompletas.
A maior parte dessa culpa é inconsciente; a maior parte das experiências que nos indicariam o quanto nós nos sentirmos mal estão abaixo da superfície da nossa mente consciente, o que faz com que sejam virtualmente inacessíveis a nós. E a maior fonte de toda essa culpa é acreditarmos que pecamos contra Deus por nos separarmos d’Ele. Como resultado disso, vemos a nós mesmos separados de todas as outras pessoas e do nosso Ser.
Uma vez que nos sentimos culpados é impossível não acreditarmos que seremos punidos pelas coisas terríveis que acreditamos ter feito e pelas coisas terríveis que acreditarmos ser.
Uma vez que acreditamos haver pecado contra Deus, o que todos nós fazemos, temos que acreditar também que Deus nos punirá.Por nos tornarmos amedrontados em relação a Deus, foi transformar o Deus do Amor em um Deus de medo: um Deus de ódio, punição e vingança. E justamente isso que o ego quer que façamos. Uma vez que nos sentimos culpados, pouco importa de onde acreditamos que venha essa culpa, também acreditarmos não apenas que somos culpados, mas que Deus nos vai atacar e matar. Assim, Deus, que é o nosso Pai cheio de amor é nosso único Amigo, vem a ser nosso inimigo. E Ele é um inimigo e tanto, nem sequer é preciso dizer. Mais uma vez, essa é a origem de todas as crenças que encontramos na Bíblia, ou em qualquer outro lugar, sobre Deus como um Pai que nos vai punir. Acreditar que Ele é assim é atribuir-Lhe as mesmas qualidades egóicas que nós temos. Como disse Voltaire: “Deus criou o homem a Sua própria imagem e depois o homem Lhe devolveu o cumprimento”. O Deus que nós criamos é realmente a imagem de nosso próprio ego.
Ninguém pode existir nesse mundo com esse grau de medo e terror, e com essa intensidade de ódio e culpa contra si mesmo na sua mente consciente. Seria absolutamente impossível para nós vivermos com essa quantidade de ansiedade e terror, isso nos devastaria. Portanto, tem que haver algum meio de lidarmos com isso. Como não podemos ir a Deus em busca de ajuda, já que dentro do sistema do ego nós transformamos Deus em um inimigo. O único outro recurso disponível é o próprio ego.
Nós vamos ao ego em busca de ajuda e dizemos: “Olhe, você tem que fazer alguma coisa, eu não posso tolerar toda essa ansiedade e todo o terror que sinto. Ajude-me!” O ego, fiel à sua forma, nos oferece uma ajuda que não nos ajuda absolutamente, embora pareça que sim. A ‘ajuda’ vem em duas formas básicas e é, de fato, aqui que as contribuições de Freud podem ser verdadeiramente compreendidas e apreciadas.
O que fazermos com essa culpa, esse senso de pecado, e com todo esse terror que sentimos é fazer de conta que não existem. Nós apenas os empurramos para o fundo, fora da consciência, e esse empurrar para baixo é conhecido como repressão ou negação.
Apenas negamos a sua existência para nós mesmos. Por exemplo, se estamos com muita preguiça de varrer o chão, varremos a sujeira para baixo do tapete e então fazemos de conta que não está ali; ou um avestruz que quando tem medo apenas enfia a cabeça na areia para não ter que lidar com o que o ameaça tanto, nem sequer se defrontar com isso. Bem, isso não funciona por razões óbvias. Se continuamente varremos a sujeira para baixo do tapete, ele vai ficar cheio de caroços e nós eventualmente vamos tropeçar, enquanto o avestruz pode se ferir muito continuando com a sua cabeça virada para baixo.
Mas, em algum nível, sabemos que a nossa culpa está lá. Assim, vamos ao ego mais uma vez para lhe dizer que “negar foi ótimo, mas você vai ter que fazer alguma outra coisa. Esse negócio vai subir e eu vou explodir. Por favor, ajude-me.” E aí o ego diz: “Eu tenho a coisa certa para você.” Ele nos diz para procurar na página tal e tal na Interpretação dos Sonhos de Freud e lá nos achamos o que se conhece como projeção. Provavelmente não há nenhuma idéia em que seja mais crítica para a nossa compreensão do que essa. Se vocês não compreenderem a projeção, não compreenderão  nem em termos de como o ego funciona, nem em termos de como nosso Ser Verdadeiro vai desfazer o que o ego tem feito. Projeção muito simplesmente significa que você tira alguma coisa de dentro de si mesmo e diz que realmente isso não está aí; está fora de você, dentro de outra pessoa. A palavra em si literalmente significa jogar fora, atirar algo a partir de, ou em direção a alguma outra coisa ou pessoa, e isso é o que todos nós fazermos na projeção. Nós tomamos a culpa ou o pecado que acreditamos estar dentro de nós e dizemos: Isso não está realmente em mim, está em você. Eu não sou culpado, você é culpado. Eu não sou responsável por ser miserável e infeliz, você sim é culpado pela minha infelicidade. Do ponto de vista do ego, não importa quem seja o ‘você’. Para o ego, não importa em cima de quem você projeta, contanto que ache alguém para descarregar a sua culpa. E assim que o ego nos diz para nos livrarmos da culpa.
Uma das melhores descrições que eu conheço desse processo de projeção se encontra no Velho Testamento, no Levítico, onde é dito aos filhos de Israel o que fazer no dia do perdão. Eles devem reunir-se e no centro do campo está Arão que, como Sumo Sacerdote, é o mediador entre o povo e Deus. Ao lado de Arão está um bode e Arão coloca a sua mão sobre o bode e simbolicamente transfere todos os pecados que o povo acumulou durante todo o ano para esse pobre bode. Eles, então, chutam o bode para fora do campo. Esse é um relato perfeito e gráfico do que é exatamente a projeção e, como não poderia deixar de ser, é daí que vem a expressão ‘bode expiatório’.
Assim, tomamos os nossos pecados e dizemos que eles não estão em nós, estão em você. Com isso colocamos uma distância entre nós mesmos e nossos pecados. Ninguém quer estar perto de seus próprios pecados, e assim nós os tiramos de dentro de nós e os colocamos em outra pessoa e depois banimos essa pessoa de nossa vida. Há duas formas básicas de fazermos isso. Uma é nos separarmos fisicamente dela; a outra é nos separarmos psicologicamente. A separação psicológica é realmente a mais devastadora e também a mais sutil.
Essa necessidade de projetar a nossa culpa é a raiz da causa de toda a raiva. Você não tem que concordar com o que as outras pessoas dizem ou fazem, mas no minuto em que experimenta uma reação pessoal de raiva, julgamento ou crítica, isso vem sempre porque você viu naquela pessoa alguma coisa que negou em Si mesmo. Em outras palavras, você está projetando o seu próprio pecado e culpa naquela pessoa e os ataca lá. Mas dessa vez, você não os está atacando em si mesmo, e sim naquela outra pessoa, que você quer tão longe quanto possível. O que você realmente quer fazer é conseguir que o seu pecado fique tão longe de si mesmo quanto possível.
Mas a projeção busca fazer com que vejamos nossos pecados fora de nós, procurando então resolver o problema do lado de fora de modo que nunca possamos perceber que o problema esta dentro da gente.
Quando vamos ao ego em busca de ajuda e dizemos: “Ajude-me a me livrar da minha culpa,” o ego diz: “Está bem, o meio de você se livrar da sua culpa é em primeiro lugar reprimi-la, depois projetá-la para outras pessoas. E assim que você se livra da sua culpa.” O que o ego não nos diz é que projetar a culpa é um ataque e é a melhor maneira de conservarmos a culpa. O ego não é nenhum tolo: ele quer que continuemos culpados. Deixem-me explicar essa idéia brevemente porque ela é também uma das idéias centrais para compreendermos os conselhos do ego.
É esse ciclo de culpa e ataque que faz o mundo girar, não é o amor. Se alguém lhe diz que o amor faz o mundo girar, esse alguém não sabe grande coisa sobre o ego. O amor é do mundo de Deus e é possível refletir esse amor neste mundo. Todavia, neste mundo o amor não tem lugar. O que tem lugar é culpa e ataque, e é essa a dinâmica que está tão presente em nossas vidas, seja a nível individual, ou seja a nível coletivo.


 O Surgimento do Miasma

“Tudo é em Ti, e Tu és em tudo”.
Iehudá (O Hassid)

O Nada no Universo está contido todas as informações que refletimos em nós.Os miasmas são reflexos de nosso Ser. A responsabilidade individual cabe a cada um de nós de nos observarmos constantemente; admitindo nossos erros sem o julgamento e a condenação que nos pune. Os miasmas estão em todos os lugares; minerais, vegetais e animais, bem como o homem. A Atitude comportamental que o homem vem atuando em sua vida de destrutividade resulta no mundo em que vivemos.
Medo, angústia, perda, destruição nada mais são do que projeções de nosso  (Ego), criando um efeito dominó destrutivo que indubitavelmente chegará em nossas células. Hering este notável observador nos mostrou o caminho: de dentro para fora de cima para baixo.

“Verbete: Miasma
1. Emanação mefítica do solo, supostamente nociva, tida como causa de várias doenças endêmicas, como por exemplo, em certos locais, a malária, até que se venha a conhecer a verdadeira etiologia destas.
2. fig. Influência deletéria; corrupção; podridão”.
Definição retirada do “Dicionário da Língua Portuguesa”. Holanda, A. B.

A Palavra “Miasma” é de origem grega e seu significado, nos dicionários do século XVIII, parece assemelhar-se a “mancha”.
“Enquanto para os povos semitas(hebreus e assírio – babilônicos) a mancha tinha uma característica de transgressão e impureza moral para os gregos, a “mancha” (impureza ou Iymata) sofre uma completa “naturalização” que a transforma numa espécie de detrito orgânico, resultado do desequilíbrio dos humores. Outra definição, nos traz o conceito de exalação impura, poluição. No entanto, o significado do termo foi empregado pela primeira vez na medicina por Hipócrates, quem designa de uma forma de contágio através do ar, referindo-se no “sopro predominante”.(Constatação baseada no desenvolvido senso de observação empírica de Hipócrates, quando estabeleceu este conceito após procurar entender porque determinadas formas epidêmicas de patologias eram prevalentes durante determinadas direções do vento. Miasmas, Paulo Rosenbaum; parte um: Miasmas, Ed.Roca 1998. Pág. 10)
O Termo miasma é uma designação genética que envolvia uma miríade de formas contagiosas ou fontes de infecção indetectáveis. Nos séculos XVII e XVIII, com o desenvolvimento das ciências auxiliares, os investigadores terminam identificando-o por aproximação ao micróbio, bacilo, germe, enfim aos agentes agressores exógenos.
No século XVIII, ganha corpo e aparece, de forma muito mais evidente, o papel do contágio. O famoso clínico brasileiro Dr. Martins Costa, em seu clássico livro “A Malária e suas Diversas Modalidades Clínicas” publicado em 1885, retrata de forma quase jornalística o que ocorria em seu tempo:

“A infecção miasmática conhecida sob a denominação de malária tem sido um dos maiores flagelos do homem desde o seu aparecimento no planeta. A que atribui tão deletéria infecção? De onde procede? O que a determina? A Hydra de Lerna parece ser uma alegoria grega à perniciosidade das águas estagnadas.”Cf. Costa, D.M.A Malária e suas Diversas Modalidades Clínicas. Rio de Janeiro,1885.

Em 1828, Hahnemann opera uma importante mudança em sua doutrina homeopática publicando o primeiro volume de Die chronichen Krankheiten, ihre eigenthümliche Natur und homöopathische Heilung (As Doenças crônicas, sua natureza particular e seu tratamento homeopático). De fato, diante do aspecto proteiforme e do caráter crônico de algumas doenças, Hahnemann introduz a noção de “miasmas” para explicar as recidivas. Ele descreve três diáteses de origem miasmática: a psoríase, a sicose e a sífilis. Os outros volumes, editados em 1828 e 1830, contém a matéria médica de 22 novos remédios. A segunda edição, publicada em 1835 e 1839, contém 25 novos medicamentos.

“Em algumas ocasiões, circunstâncias de felicidade ou condições extremas imprevisivelmente melhoradas, alguma viagem agradável, alguma estação muito benigna ou ainda a temperatura seca e constante, poderiam provocar na enfermidade do paciente certa pausa apreciável de alguma duração e durante a qual o homeopata podia chegar a julgá-lo recuperado, totalmente recuperado, e até mesmo o paciente, se pudesse benevolamente passar incólume por alguma doença moderada e passageira, poderia se haver considerado desfrutando de boa saúde. Mas tal pausa benigna de nenhum modo iria ser de longa duração, pois os repetidos retornos das doenças faziam com que até os medicamentos homeopáticos melhor selecionados de acordo ao que então se sabia e que tinham sido administrados nas doses mais apropriadas se tornassem menos eficazes quanto mais freqüentemente eram repetidos. Finalmente, apenas eram úteis como débeis paliativos.”(Cf.Hahnemann, S. The Chronic Diseases.op. cit. pp. 3-4).

A Alma de Hahnemann experimental que é; verificou que a “raiz do processo mórbido parecia permanecer intocada, e foi então, que resolveu investigar os “porquês” desta persistência.

[...desta inestimável descoberta, cujo valor para a humanidade excede todo o resto que foi descoberto por mim; e sem a qual toda a homeopatia existente permanece defeituosa...](Cf.Bradford, T.L. The Life and Letters of Samuel Hahnemann)

Uma das observações, que o ajudou a compreender o fenômeno do miasma, foi a de que ao tratar indivíduos, cuja minuciosa investigação mostrava sintomas psóricos antigos ou atuais, muitas vezes os sintomas de “vesículas” suprimidas há muito tempo voltavam e a enfermidade interna atual melhorava significativamente. Quando estes fenômenos não eram observados durante um tratamento homeopático, considerava duas possibilidades: ou a resposta do enfermo estava muito comprometida por uma espécie de déficit de vitalidade ou o medicamento havia sido mal eleito.
Este foi um momento cronológico na sua carreira de investigador científico. Como todo inconformado , passa a duvidar de seus textos anteriores. Chega a uma conclusão parcial, conflituosa com o que havia sacramentado em seu “Organon da Arte de Curar”. Já não bastava que a totalidade sintomatológica sumisse dado que uma espécie de resíduo patológico subsistia ao tratamento.
Um pequeno texto que Hahnemann escreveu com o prenúncio das rupturas homeopáticas anteriores:

“...mesmo quando o remédio elimine total e rapidamente, como se fosse por arte de magia, sintomas angustiantes como são as dores inveteradas, intensas, contínuas, ou espasmos tônicos e clônicos, etc, de modo que o paciente quase imediatamente depois de tomar o medicamento suponha que já está livre de padecimentos, que já se restabeleceu e sinta-se como transportado ao paraíso, em tais casos não devemos aguardar esperanças ilusórias de que o remédio tenha sido selecionado corretamente ou de que o paciente avance até a cura de sua enfermidade crônica.”

“Tal efeito enganoso demonstra que o medicamento atua aqui enantiopaticamente, como contrário, ou como paliativo e que durante os próximos dias não podemos esperar de tal remédio senão alguma agravação da enfermidade originária. Tão rápido como esta enganosa melhora comece a transformar-se em agravação, o que ocorre poucos dias depois, é chegado o momento de dar o antídoto ou quando não se dispõe dele, de administrar-se outro medicamento que seja mais adequado homeopaticamente.”
Kent identifica esta observação de Hahnemann com a sua 5ª observação Prognóstica (melhora seguida de agravação, ação enantiopática). Esta observação prognóstica junto com a 7ª(melhora dos sintomas sem particular alívio do paciente) e a 12ª (sintomas tomam direção equivocada) formam a tríade de fenômenos supressivos e metastáticos que teriam despertado a atenção de Hahnemann para o mal miasmático.

Para Hahnemann existiam três condições fundamentais para justificar a existência das Enfermidades Crônicas, a saber:

“Tais miasmas são: syphilis a que denominei enfermidade do cancro venéreo; sycosis, ou enfermidade das verrugas do figo; e por último psora, a enfermidade crônica básica da erupção da sarna, a que eu considerarei primeiro por ser a mais importante”.

E considera:

“Devido às minhas contínuas observações, comparações e experimentações destes últimos anos cheguei a convicção de que as doenças e achaques do corpo e da mente que tão radicalmente distinguem-se como afecções manifestas e que tão dessemelhantes parecem ser de uns pacientes para outros são(quando não se derivam das enfermidades venéreas: syphilis e sycosis) somente manifestações parciais do antiqüíssimo miasma da lepra e da sarna; vale dizer que todas estas manifestações não são mais que vestígios de uma mesma e vastíssima enfermidade básica, cujos sintomas praticamente inumeráveis não integram mais do que um todo e por ele devem ser consideradas e tratadas medicamente como fragmentos de uma mesma enfermidade”.

Hahnemann tinha chegado em suas investigações e observações com tais pacientes não venéreos, quando descobriu que o obstáculo à cura de muitos casos ( que se pareciam enganadoramente com doenças bem definidas e específicas), não conseguiam ser curadas de maneira homeopática com os medicamentos até então experimentados. Acontecia o mesmo com pacientes crônicos similares que não confessavam uma tal infecção, devido a uma falta de atenção não percebiam ou não se recordassem. Após uma investigação cuidadosa, vinha à tona pequenos traços da doença; pequenas pústulas de sarna, herpes, etc. Pois de tempos em tempos, se manifestavam na qualidade de sinais de uma antiga infecção. Ele nos ensinou que; todas as moléstias miasmáticas que evidenciaram transtornos locais peculiares na pele estão sempre presentes na forma de moléstias internas no sistema antes de mostrarem seus sintomas locais externamente sobre a pele.
Somente em doenças agudas, após estas terem percorrido seu curso durante um certo número de dias, é que o sintoma local juntamente com a doença interna costuma desaparecer por si só, ao passo que a doença interna, se não curada nos miasmas crônicos, jamais abandona o corpo, seja total ou parcialmente; pelo contrário, aumenta continuamente com o passar dos anos, a menos que seja curada pela arte.
Existem duas classes de doenças: as agudas e as crônicas. Um miasma agudo é aquele que atinge a economia, passando pelo período padrão, regular, mais longo ou mais curto, tem seu período de progresso e seu período de declínio, no qual existe uma tendência à recuperação. Um miasma crônico, é aquele que tem seu período prodrômico, período de progresso e nenhum período de declínio; é contínuo, nunca termina, exceto com a morte do paciente.
Kent nos elucida que os miasmas agudos são aqueles de caráter infecto-contagioso com um curso definido, para os quais recomenda o uso de um medicamento específico. Nos casos agudos recidivantes, que são manifestações do miasma crônico, como por exemplo as enxaquecas, amidalites, infecções urinárias de repetição, crises de asma ou rinite etc., subentende-se que devam ser tratados com o medicamento do miasma crônico.
Existem algumas condições de doenças crônicas que se assemelham às doenças agudas. Por exemplo: como “enxaqueca periódica”. Um ataque isolado pode ter a aparência de um miasma agudo, embora a tendência de progressão e não se recuperar mostra claramente à classe dos crônicos.
As doenças agudas sempre tendem à recuperação; as crônicas não tem qualquer tendência à recuperação, mas uma tendência contínua e progressiva, são miasmas muito mais profundos.
Os piores casos são aqueles onde os três miasmas crônicos (psora, sycosis e siphilis) ou algumas partes dos três, foram complicadas por drogas. (todos temos constatado constantemente com as pessoas que estão adoecendo, pelo tratamento abusivo de medicamentos químicos) desencadeando o surgimento de uma forma abrupta os miasmas com complexidades e uma total gravidade do caso se tornando incuráveis.


 Psora

Hahnemann nos faz refletir sobre a psora nos esplicando que é a origem de todas as enfermidades físicas. Se a psora nunca estivesse sido estabelecida sobre a raça humana, as outras duas doenças crônicas seriam impossíveis de estabelecer no organismo. Todas as doenças do homem são edificadas sobre a psora; dessa forma ela é a base da enfermidade, todas as outras enfermidades vieram depois.
Ele descobriu, por meios mais efetivos contra esta moléstia original causando tantas queixas, contra esta moléstia, chamada de Psora (contra a doença interna: sarna, com ou sem erupção concomitante na pele). Tornando-se patente, através do auxílio prestado quando o uso de medicamentos em doenças crônicas similares, nas quais o paciente não se recordava de infecção alguma deste tipo eram causadas por uma Psora com a qual havia se infectado talvez na infância, ou de alguma outra forma que lhe escapava à memória; tendo que ser feita uma investigação mais detalhada e cuidadosa efetuada das muitas vezes com os pais ou parentes mais velhos.
Todas as doenças crônicas da humanidade, inclusive aquelas abandonadas a si próprias, não agravadas por um tratamento errôneo, exibem, uma tal constância e uma tal perseverança que, tão logo hajam se desenvolvido e não tenham sido completamente curadas pela arte médica, aumentam continuamente ao longo dos anos e durante a vida toda do homem, não podendo ser atenuadas pela força da qual é dotada mesmo a mais robusta constituição. Menos ainda poderão elas ser vencidas e extintas. Nunca desaparecem por si, mas aumentam e são agravadas inclusive até a morte. Todas elas devem ter por origem a base miasmas crônicos constantes, por meio dos quais sua existência parasita dentro do organismo humano tendo condições de surgir e crescer continuamente.

“Foi mais fácil para mim do que para muitas centenas de outras pessoas descobrir e reconhecer os sinais da Psora tanto em estado latente e ainda adormecida internamente, quando depois de já haver evoluído em doenças crônicas consideráveis, através de uma comparação acurada entre o estado de saúde de todas estas pessoas e o meu pois, como raramente acontece, “eu nunca fui afligido pela Psora e portanto desde meu nascimento e inclusive até agora, no meu octagésimo ano de  vida tenho estado inteiramente livre dos menores e maiores transtornos enumerados aqui e logo mais a seguir, apesar de no geral eu ter  tido muita tendência a contrair doenças epidêmicas agudas, tendo sido exposto a muitos exercícios mentais vigorosos e a multivariadas contrariedades do espírito.”SamuelHahnemann § parágrafo 62 – Organon.
Voltando na História da Sarna Suprimida na Humanidade; os mais antigos monumentos da história que possuímos mostram a Psora, em grande desenvolvimento.Há 3.400 anos, Moisés indicava várias modalidades. Naquela época e posteriormente, entre os israelitas, a doença parecia ter escolhido como sítio principal as partes externas do corpo.
No Levítico, não só no capítulo XIII, mas também no capítulo XXI, versículo 20; onde fala dos defeitos corporais que não devem ser encontrados num sacerdote que vai ao sacrifício, a sarna maligna é designada pela palavra “garab” que os tradutores alexandrinos (na Septuaginta) traduziram por “psoraagria” e a “Vulgata” por “scabies jubis”.
A expressão “valephed” é usada por Moisés para líquen (lichen),eczema (tetter),herpes*(vide M. Rosenmueller Scholia in Levit., p.11, 29ª. Edição,p.124).
Calmet, um dos comentaristas da Bíblia, concordam com esta definição: “ A Lepra (leprosy) é semelhante a uma sarna (itch) inverterada com comichão (itching) violento.
Platão denomina a sarna (itch) (glykypikron), enquanto que Cicero acentua o “dulcedo de scabies”.
Aconteceu o mesmo com a moléstia durante o tempo em que predominou na Grécia inculta, mais tarde na Arábia e, por fim, na Europa, durante a Idade Média.
Nomes diferentes foram dados por povos diferentes a Lepra (leprosy)(sintoma externo da Psora), a qual deforma de vários modos as partes externas do corpo, visto que a natureza desta erupção da sarna (itching eruption) miasmática permaneceu sempre essencialmente a mesma.
A Psora ocidental que durante a Idade Média havia assolado a Europa por muitos séculos sob as formas de erisipelas malignas (denominadas Fogo de Santo Antônio) reassumiu a forma de lepra através da lepra (leprosy) que foi trazida de volta pelos cruzados em seu retorno, no século XIII.
Ao longo dos muitos milhares de anos durante os quais ela possa ter afligido a humanidade, pois que a mais remota história dos mais antigos povos não chega a atingir suas origens; aumentou de tal modo a extensão de suas manifestações patológicas, extensão essa que até certo ponto pode ser explicada por seu acentuado desenvolvimento durante um inconcebível número de anos, em tantos milhões de organismos pelos quais passou, que seus sintomas secundários dificilmente podem ser enumerados.
Se excetuarmos aquelas doenças que foram criadas por uma prática médica errônea ou por trabalhos deletérios com mercúrio, chumbo, arsênico etc.,e que aparecem na patologia comum sob uma centena de nomes próprios, na qualidade de doenças supostamente separadas e bem definidas ( e também aquelas decorrentes de Syphilis e as ainda mais raras oriundas da Sycosis), todas as doenças crônicas naturais restantes, com nomes ou sem, encontram na Psora sua origem real, sua única fonte.
A Psora que hoje em dia é tão fácil e imprudentemente destituída de seu sintoma cutâneo, a erupção de sarna que age em substituição à doença interna, vem produzindo ao longo dos anos, cada vez mais sintomas secundários, tantos eles são que pelo menos sete – oitavos de todas as moléstias crônicas decorrem dela, sua única fonte, ao passo que o oitavo restante decorre da Syphillis e da Sycosis, ou de uma complicação de duas destas três doenças miasmáticas crônicas, ou de uma complicação de todas as três.
A Psora é um miasma crônico de caráter especial e bastante peculiar, que ao longo de vários milhares de anos passou por vários milhões de organismos humanos devendo ter adotado uma vasta extensão de sintomas variados, elementos daqueles inúmeros transtornos que pode transmutar-se numa multidão assim indefinida de formas diferentes umas das outras, na medida em que aos poucos se ultimava dentro de várias constituições físicas de pessoas, diferenciando entre si; peculiaridades, climáticas, educação, hábitos e ocupações, modos de vida e de dieta e em que se modelava de acordo com as diversas relações físicas e psíquicas.



§ Parágrafo 112 – Organon:

“Abstenho-me de indicar por quantos esforços e por quantas observações, investigações, reflexões cuidadosas e experimentos diversos, eu consegui finalmente, após onze anos, preencher a lacuna do edifício da arte curativa homeopática, cura de inúmeras doenças crônicas, deste modo complementando tanto quanto possível as benção que esta arte tem a seu dispor a ofertar para a humanidade sofredora.”
“...a doença escondida no interior, a psora, cuja erupção sarnosa e suas outras formas, a tinha, as crostas lácteas, os dartros, etc... não significam senão os sinais indicativos da imensa enfermidade do organismo inteiro, aonde os sintomas locais não são mais do que suas substituições, que pela sua presença estão reduzidos ao repouso e ao silêncio?”

Hahnemann insistia na analogia da Psora com a Hydra. A mitologia mostra que a Hydra era uma serpente ou um monstro que vivia no lago de Lerna em Peloponeso, representada como tendo muitas cabeças de uma das quais quando cortadas era imediatamente substituída por outra a menos que as feridas fossem imediatamente cauterizadas.
Hahnemann buscava relacionar a erupção da pele, não à escabiose, nem a lepra propriamente dita, mas a algo mais profundo que a antecedia e que estaria indicando a pista, o elo ignoto, para desvendar a origem primeira da suscetibilidade humana à enfermidade.
Esta suscetibilidade humana era responsável, segundo ele, pelos “resíduos” não curados, mesmo com os melhores medicamentos homeopáticos selecionados. E as gradações desta suscetibilidade estavam ancoradas, na vida do sujeito, no que fazia com a saúde, em como usava seus instrumentos de vida e quais suas finalidades.
Algo parecia evidente:

“A pele humana por si mesma e sem a cooperação do resto do organismo jamais desenvolverá erupção alguma, nem se enferma sem haver sido induzida e compelida a ela por um estado mórbido generalizado pela falta de normalidade de todo o organismo”.Samuel Hahnemann.

Assim, o termo psora é sarna, mas ao mesmo tempo é herpes, é líquen, é dartros, é lepra. A expressão psora era uma designação ampla. Ampla demais. Classificando a multiplicidade de manifestações possíveis que engendravam. No momento de suas investigações, Hahnemann estava consciente de que suas novas teses iriam sofrer a reação característica das inovações e deduz que um tempo curto as resistências iriam amenizar-se e a força dos recém elaborados conceitos permaneceria para ser usada e desenvolvida por novas gerações de homeopatas.
Segundo Hahnemann, se os miasmas venéreos estavam complicados com a psora, deveria direcionar o tratamento para esta com o uso de antipsóricos mais apropriados e depois direcionar o tratamento à syphilis e à sycosis com Mercurius solubilis para a primeira, Thuya occidentalis e Nitric acidum. Estas prescrições que Hahnemann nos indicou chocam-se contraditoriamente contra quase todas as instruções técnicas anteriores; em especial a individualização baseada nos sintomas.Quanto à syphilis, ele chegou a história da medicina, tendo uma compreensão inédita que a moléstia syphilis apresentava sintomas à distância, ou seja, muito tempo depois do desaparecimento do cancro.
Hahnemann propunha uma estratégia específica para o tratamento dos miasmas: deixar o antipsórico homeopático cuidadosamente selecionado, e durante o exercício de sua ação, enquanto se observa qualquer progresso visível na economia do organismo, não devemos intervir sob o risco de interromper esta ação curativa.

“Até a syphilis que devido à facilidade de sua cura cede a menor dose da preparação correta de Mercurius e a sycosis que devido a pouca dificuldade de sua cura cede diante de umas poucas doses alternadas de Thuya occidentalis e Nitric acidum se tornam enfermidades rebeldes, difíceis de curar quando estão complicadas com a psora. Devido a isto, a psora é, entre todas as enfermidades, a menos compreendida e, como conseqüência, a que foi tratada medicamente do pior dos modos, a mais perniciosa”.Samuel Hahnemann

“Hahnemann identifica na primeira edição 22 medicamentos antipsóricos e na segunda edição acrescenta 25, o que totaliza 47 medicamentos com estas propriedades. Cf. Doctrine et Traitement Homeopathique dês Maladies Chroniques. Op. Cit. p.1* (advertência do editor). Segundo Masi – Elizalde,, a inclusão de alguns medicamentos, antes não considerados por Hahnemann como antipsóricos, deve-se ao fato de que ele descobriu um espectro de sintomas muitíssimo ampliado quando se deparou com medicamentos mais dinamizados, o que contrastava escandalosamente com as experimentações feitas com doses próximas ao estado ponderal. Esta reflexão estendida a uma percepção contemporânea terminaria por determinar que todos os medicamentos devidamente explorados devem possuir potencial antipsórico.”(Miasmas, Ed. Roca, 1998; Rosenbaum, Paulo; pag.39).

A enfermidade venérea, ou seja, o miasma venéreo, era transmitido via coito impuro. O coito impuro tem por conotação no vocabulário contextualizado no início do século como uma relação sexual proibida; em geral, uma relação de adultério com todos seus atributos de um atual antiético. (Cf. Kent, J.T.Lectures on Homeopathique Philosophy. Op.cit.).Com a fricção sobre o ponto de contato instantaneamente, portanto diferente do miasma psórico que se transmitia por via hereditária através das gerações.

“...é somente depois da penetração deste mal, que é recebido dentro e em todos os órgãos, somente quando a transformação do homem todo em um assunto venéreo está completa é que o estado mórbido tenta, para facilitar e paliar o mal interno, produzir assim um sintoma local chamado cancro”.
“...é necessário muito tempo e paciência para extirpar todas as partes deste imenso pólipo dinâmico, sem comprometer o próprio organismo e suas faculdades”.(Cf.Hahnemann, S. Doutrine et Traitement Homeopathique des Maladies Chroniques.op.cit.p.192).
“ninguém admitirá que teve sarna em sua infância, exceto por alguma mãe inteligente que entende que é sábio contar ao médico. A sarna é encarada como algo vergonhoso, e assim é tudo que tem uma correspondência similar, porque a sarna em si mesma tem uma correspondência com o adultério, somente que num caso é adultério quanto ao interior e o outro quanto ao exterior, um sucede o outro. Assim é com todos os miasmas”.(lições de Filosofia Homeopática, Ed. Organon,2002. James Tyler Kent. Pág. 191)

Hahnemann usava a expressão: “transformação do homem todo em um assunto venéreo” para mostrar a intensidade e a atuação sistêmica do processo miasmático sobre o ser humano.
“O miasma transmitindo-se no percurso da humanidade, geração após geração, atuaria e aprofundaria sua penetração nos organismos:havia uma predisposição mórbida,que acumulada, seria inculcada na geração seguinte com mais impositividade, mais letalidade, e cada vez com menor capacidade espontânea de resolução.”
“...mesmo a história mais antiga do povo mais primitivo não alcança sua origem porque incrementou-se tanto na extensão de suas manifestações patológicas, aumento que até certo ponto pode ser explicado pelo incremento de seu desenvolvimento durante milhares de anos nos que substituiu, passando por milhões de organismos, tanto que é uma tarefa um pouco menos que impossível inventariar todos seus sintomas secundários”.
“Hahnemann reforça a importância do tratamento antipsórico na gestação, assim sua transmissão hereditária poderia ser bloqueada. Segundo Clarke:”Na minha experiência, a psora de Hahnemann(que é uma discrasia muito concreta e definida) é geralmente herdada”. No entanto, no entender de Duggeon, a teoria psórica poderia ter exatamente valorizado ainda mais a influência da hereditariedade nas enfermidades crônicas. Neste sentido, Hahnemann também escreve a Von Gesdorff inicialmente resultando sua hipótese de que a psora seria uma enfermidade hereditária”. (Cf. Bradford, T.L. The Life and Letters of Samuel Hahnemann.op.cit.p.185

Em seus escritos, Hahnemann nos ensina que: nenhuma erupção se origina na pele humana por si, sem a cooperação do resto do todo vivente, tampouco torna-se doente de algum modo sem ser induzida e compelida a tal pelo estado adoecido, pela falta de normalidade do organismo todo.
Em todos os casos, existe na base de um estado desorganizado da totalidade do organismo interno vivo, estado este que deve ser considerado primeiramente.
A erupção só deve ser removida pela cura interna e pelos remédios curativos que alterarem o estado do todo; nessa ocasião, também será curada e sanada por si a erupção que se baseia na doença interna, sem o auxílio de qualquer remédio externo e muitas vezes de maneira mais rápida do que poderia ser obtido através de remédios externos.
Se considerarmos a psora como sinônimo de prurido, falhamos em compreender e falhamos em expressar por esse meio, qualquer coisa semelhante à intenção de Hahnemann. O prurido é considerado limitado, superficial,causado por um pedacinho de um ácaro; e quando o pequeno ácaro é destruído, diz-se que a causa do prurido foi removida. A partir de uma supressão a psora se não for equilibrada com medicamentos se estenderá manifestando-se na grande parcela das doenças crônicas; incluindo a epilepsia, a insanidade, as doenças malignas, os tumores, as úlceras, catarros e uma grande proporção das erupções. Progredindo dos estados mais simples ao mais alto grau de complexidade, podendo ser auxiliada pelo uso de drogas, geração após geração. O médico “com todo seu poder” quer a todo custo desviá-la da superfície, e tem com isso causado seu enraizamento mais e mais profundo, tornando-se densa e invisível. Paramos para observar que a cada dia as doenças de pele se tornam mais intensas e ameaçadoras para todo o organismo.
Para Allen como para Kent, as enfermidades se tornam muito mais complexas e numerosas com o uso maciço da química na terapêutica ortodoxa: os arsenicais, os mercuriais, os preparados de quina, bem como a maioria das drogas modernas. Um campo vasto de supressão.
E então algum fator idiossincrático, noxal, ou ainda alguma agressão do meio (química, cirúrgica, tóxica ou drogal), acaba despertando o “monstro adormecido” promovendo a eclosão da enfermidade clínica.

“A ação constante de medidas supressivas faz com que a patologia engendrada pela ação dos miasmas aprofundasse suas raízes instalando-se nos “tabernáculos internos do organismo”. Uma vez vencida a resistência da vitalidade, os sintomas que antes podiam ser conservados na superfície em órgãos ou aparelhos que não comprometessem a dinâmica vital, agora, diante do esgotamento dessa resistência, aprofundam-se com intensidade cada vez maior.”( Rosenbaum, Paulo. Miasmas, saúde e enfermidade na prática homeopática, Ed. Roca 1998, pág.67)

Rosenbaum nos diz que a permanência dos estados miasmáticos mostrando visivelmente em todos os setores da economia humana desde os processos fisiológicos até a resposta de nosso ser mental, moral, até o espiritual nos dando a resposta de sua influência direta em todo o organismo.
Para Allen, os miasmas matam por desvitalização do sangue, por estados anêmicos, ficando privados de oxigênio, ou seja, destruindo o organismo por privação.
Os miasmas constroem estruturas (tumores, nódulos, hipertrofias glandulares, câncer, etc.) É uma forma do organismo se defender de todos os ataques. O corpo humano se comporta como uma “máquina” drenando para fora o que o adoece.

“Kent deixa bem claro que em todas as vezes em que nos atemos a tratar as doenças e não os doentes, como preconizam algumas escolas homeopáticas uma distorção dos princípios e leis de nossa doutrina estamos na verdade fazendo a psora progredir e deixando o paciente com sua economia cada vez mais comprometida, caracterizando uma supressão com metástase mórbida.”(Lições de Filosofia Homeopática, Ed. Organon, 2002, James Tyler Kent,pag. 178)

A memória é uma condição quase indispen­sável à personalidade, pois ela é que liga o estado de atualidade aos estados anteriores, e nos afirma sermos hoje o mesmo indi­víduo de há vinte anos. É a memória que constitui a identidade, porquanto, ao mesmo passo que persistem as sensações presen­tes, surgem, por ela evocadas, as imagens antigas, que são, se­não idênticas, ao menos muito análogas. Uma árvore, por exem­plo, vista agora - imagem presente, atual -, desperta em nosso espírito meia dúzia de lembranças quase idênticas, em­bora estejamos contemplando uma outra árvore. Do mesmo modo, um barco suscitará outra meia dúzia de imagens que se­rão ainda idênticas, seja qual for o barco entrevisto. Ainda em conseqüência da associação e complexão das idéias, não será preciso avistar um barco para reviver essas lembranças, que poderão aflorar da contemplação de uma praia, de um rio, de um objeto qualquer que lembre, ainda que longínqua, a idéia de barco.
Nossa consciência está, por conseguinte, sempre presente a um certo e limitado número de imagens remotas, e sempre as mesmas, mais ou menos. Essas imagens, iterativamente re­conduzidas ao mesmo ego, constituirão a personalidade do in­divíduo, que se tornou estável, pela comunidade das mesmas.
Se, em conseqüência de um estado psíquico qualquer, as imagens ordinárias e comumente presentes à consciência, se obliterarem de chofre, e se, por outro lado, aparecerem imagens até então desconhecidas, segue-se que o mesmo eu não mais se reconhece, julga-se outro e é todo um novo estado consciências que emerge. Emerge, porém, na mesma individualidade.
A memória miasmática tem os mesmos parâmetros, bem como a memória celular. Se observarmos memorizamos em nosso inconsciente todos os traumas e situações vividas por nós e pelos nossos antepassados registrados, com isso qualquer ocorrência externa poderá desencadear o miasma agudo trazendo à tona registros latentes.
As lembranças gravadas são inextinguíveis. Posto não passe de simples analogia, é possível comparar essas camadas sucessivas às impressões fotográficas que se podem superpor na mesma placa sem se confundirem. Todos esses movimentos vibratórios têm uma existência própria, um grau vibratório que lhes é peculiar, sendo o último sempre superior aos demais.
Entender o miasma como atitude. A Perversão do pensamento e da vontade. A afetividade contaminada pela psora. Desejar o mal, pensar no que é falso fazer o que é falso.
Para Hahnemann a psora é a doença mãe da humanidade. A Psora está ligada diretamente no medo que consequentemente traz ansiedade e insegurança; provocando alterações primárias do ego: angústia existencial, sensação de perda do paraíso, indecisão, falta de confiança, vaidade, orgulho. “Eu era feliz e não sabia”. Relação de dependência criando a relação de “poder”. “Sentimento de posse”, surgindo a Sycosi.
Ao atingir o nível sicótico a mente deixa de se comportar como um servidor para se comportar como um déspota. Na Sycosis há uma deformação comportamental, em que a ansiedade, pelo medo da perda, e pelo prazer de dominação, ou até mesmo, pelo prazer de ver os outros sofrerem configurando um estado de sadismo de maldade. Com o desejo de posse, o “ego” entra num quadro de proteção. Pervertido, hipertrofiado, abandonado na condição de passividade.
O núcleo psicológico do psórico é a ansiedade, que se constitui no pano de fundo de todas as suas manifestações mentais. Assim, qualquer reação psórica, quer de medo, angústia, tristeza, depressão, agitação, etc., está sempre impregnada de ansiedade. O medo é ansioso, a tristeza é ansiosa e assim por diante.
A ansiedade é um estado naturalmente passivo mas, como acontece em qualquer estado que transcende a normalidade, a Inteligência Vital tenta compensá-la com uma reação ativa. Por isso mesmo, a ansiedade envolve hiperatividade mental e não deixa de ser um estado “hiper”, pois a Inteligência Vital, para trazer a mente de volta à sua condição de equilíbrio, exacerba algum tipo de reação psicológica normal. Todas as reações psóricas sempre são manifestadas por exacerbações das atividades psicológicas simples. É uma condição normal apresentar, ansiedade, medo, angústia, melancolia, tristeza, depressão, etc., bem como os respectivos mecanismos de defesa, como inveja, orgulho, choro, etc. Na psora ocorre a exacerbação de todas as reações naturais e nunca parecem atividades diferentes delas.
Na área neurológica aumenta também a atividade, porém muitos distúrbios do estado psórico são oriundos não somente dos estímulos psíquicos, como particularmente do envolvimento tóxico em decorrência da eliminação insuficiente.
Menção especial merecem os estados convulsivos psóricos. Alguns estados convulsivos podem, às vezes ser de natureza psórica, mas, quando psóricos, não há lesões evidentes, pois resultam de tensões elétricas inadequadas ao nível das células nervosas, provocadas por muitos mecanismos tais como desequilíbrios eletrolíticos motivando a sobrecarga das células do sistema nervoso central. A Inteligência Vital tenta liberar o sistema nervoso da sobrecarga da tensão elétrica intracelular; em dado momento, ocorre a descarga eletrostática, cujo escoamento rápido provocando os sintomas convulsivos. Na psora, outros sintomas mais acentuados podem surgir indiretamente ao nível do psiquismo em conseqüência da ação tóxica existente em todo o sistema orgânico. Tais sintomas não serão provocados por distúrbios lesionais e sim em resposta à presença de substâncias indesejáveis.
Algumas substâncias existentes no organismo, podem, muitas vezes, provocar reações químicas diversas; a resposta é quase que específica para cada substância em causa.
Estas substâncias não embotam a mente psórica. Em tais casos sempre existe uma perturbação do metabolismo celular de natureza tóxica. A mente psórica de muito ativa e lúcida, pode se tornar lenta, pesada, ofuscada, ou apresentar numerosos distúrbios secundários.
Trata-se de quadros puramente tóxicos, resultantes do estado de eliminação orgânica insuficiente, característico da psora.

“A partir do dia em que o ser começou a pensar de forma errada, contrariando as ordens divinas, mesmo ante o mais leve desvio de pensamento, denominando de “prurido mental”, o ser ficava ameaçado da psora avassaladora.” Ghatak.

Parágrafo § 210, Organon “ Estão associadas a psora quase todas as doenças que chamei de parciais e que, em virtude dessa parcialidade, são mais difíceis de curar.” Hahnemann.

Em todos os casos de doença que devem ser curados, o psicológico precisa ter uma atenção especial, observando o conjunto de sintomas, se quisermos traçar um quadro fidedigno da doença, a fim de poder tratar com êxito.
Quantas vezes, por exemplo, não se encontra um psiquismo dócil e suave em doentes que padecem de doenças com dores muito intensas há vários anos, fazendo com que o “artista da cura” sinta-se inclinado a dispensar-lhe respeito e comiseração. Se ele vencer a doença, restabelecendo a saúde, como não raro é possível ocorrer segundo o método homeopático, freqüentemente se espanta ante a terrível alteração do psiquismo, pois muitas vezes presencia ingratidão, crueldade, maldade refinada e os caprichos mais degradantes e desonrosos para a humanidade, os quais eram justamente peculiares a tal doente antes de adoecer.

Parágrafo § 217, Organon “Em tais doenças deve ser feita cuidadosa investigação de todo o conjunto característicos dos sinais relativos aos sintomas físicos, como também e, na verdade, de preferência, dos sinais relativos à compreensão exata da característica precisa(do caráter) de seu sintoma principal, isto é, o peculiar estado mental e psíquico predominante em cada caso, a fim de encontrar-se, para se extinguir toda a doença, entre os medicamentos conhecidos pelos seus efeitos puros, uma potência medicamentosa homeopática que apresente na sua relação de sintomas a maior semelhança possível, não somente com os sintomas presentes, mas também e especialmente com essa condição mental psíquica.” Samuel Hahnemann.

Parágrafo §227,Organon “ Nas doenças mentais que tem como origem o miasma psórico, mas que ainda não atingiram seu pleno desenvolvimento, é seguro submeter o convalescente a um tratamento antipsórico(ou até antisifilítico) radical, a fim de que ele não caia novamente numa doença mental semelhante, o que é fácil de ocorrer.” Samuel Hahnemann.

O pensar e o desejar estabelecem no homem um estado que identifica a condição na qual ele está. Enquanto o homem manteve-se pensando o que era verdadeiro e manteve o que era bom para o próximo, o que era retidão e justiça, o homem permaneceu assim na Terra, livre da suscetibilidade à doença, porque este era o estado em que foi criado. Enquanto permaneceu neste estado e preservou sua integridade, não estava suscetível à doença e não emitia nenhuma energia (mental) que pudesse causar contágio; mas quando o homem começou a desejar coisas que eram a conseqüência de seu pensamento errado, entrou num estado de correspondência com seu interior. Como são a vontade e o entendimento. É a vida ou a vontade do homem, assim é o corpo do homem, e como os dois são um Todo, existe desenvolvida no homem uma essência que é impura na proporção do seu afastamento da virtude ela deixa seu estado latente, eclodindo para a superfície em forma de “doenças”. Que nada mais são do que projeções que criamos e alimentamos com nossos desejos impuros e doentios.
Portanto esse estado, o estado da mente humana e o estado do corpo humano, é um estado de suscetibilidade à doença por desejar mal, por pensar aquilo que é falso e fazer da vida uma contínua herança de coisas falsas; conseqüentemente, esta forma de doença, é apenas a manifestação externa daquilo que é primordial ao homem.
O estado interior do homem é anterior àquilo que o cerca, portanto, o meio não é a causa, é como se fosse uma caixa de ressonância, que somente reage ao interior e o reflete. Fluindo do interior, sobre a pele, órgãos, sobre o corpo do homem.
Os miasmas que estão presentes hoje em dia sobre a raça humana estão mil vezes mais complicados pelos tratamentos alopáticos. Cada manifestação externa do miasma tem em si mesma uma tendência a corrigir a espécie humana; mas a raça humana está sendo violentamente danificada e as doenças estão sendo complicadas pelo fato de que estas expressões externas são forçadas a desaparecer pela aplicação de alguma droga violenta ou estimulante.

“...Como médicos temos agora os grandes miasmas, em todas as suas complicações, diante de nós para tratar. Por exemplo, se uma verdadeira gonorréia sicótica nos aparece em segunda mão, ela aparece em sua forma suprimida, que é mil vezes pior que a forma original: todas as manifestações externas foram levadas a desaparecer. Também é assim com as formas externas da psora, as erupções vesiculosas e escamosas, todas as excrescências e afloramentos da psora. Todas as coisas concebíveis tem sido utilizadas para destruir suas manifestações, e as doenças tem crescido e crescido até que ninguém possa dizer quais serão suas conseqüências. Quanto tempo pode esta situação continuar, antes que a raça humana seja varrida da Terra, com os resultados da supressão da psora? Devido à supressão da psora temos as afecções cancerosas, as doenças orgânicas do coração e dos pulmões, a tuberculose e a destruição geral do corpo. Quanto tempo pode isso continuar?...”(Lições de Filosofia Homeopática, Ed. Organon, 2002. James Tyler Kent,. Pág. 191).




   Sycosis

“A moderação em tudo, até mesmo no que diz respeito ao que é inofensivo, deve ser a norma principal dos pacientes crônicos”.Samuel Hahnemann.

Sicose é a incapacidade do organismo de manter o equilíbrio vital ao nível da psora. Quando os mecanismos utilizados à altura da psora não são capazes de estabelecer a drenagem das pressões indesejáveis, a inteligência Vital mobiliza outros meios, que correspondem exatamente ao quadro sicótico. Portanto, todas as noxas que, por alguma razão, não forem eliminadas pelos emuctórios para assegurar a manutenção do equilíbrio vital devem ser consideradas como causadoras da sicose.
Sycosis é o miasma que decididamente produziu o menor número de doenças crônicas e que só esporadicamente é que se mostrou dominante.
“Esta doença da verruga do figo ou verruca acuminatum que, em épocas posteriores, especialmente durante a guerra francesa nos anos de 1809 e 1814, estava tão amplamente disseminada e que desde então tem-se manifestado com raridade crescente, era tratada quase sempre de maneira ineficaz e prejudicial a nível interno com mercúrio, porque este era tido como homogêneo em relação à doença do cancro venéreo, enquanto que as excrescências nos genitais eram tratadas pelos médicos alopatas sempre pelos meios externos mais violentos, com cauterizações, queimações e cortes com ligaduras.”Samuel Hahnemann.

“Eu procurei palavras que pudessem expressar a enfermidade existencial profunda, mas sem perder de vista as suas conseqüências somáticas. Então pensei em chamar de “egotrofia” à sicose: a hipertrofia do ego, corporal e anímico. A outra atitude é, portanto, a ‘lise’:auto e hétero (ou alter). Acho que é imprescindível que acabemos com toda a confusão provocada pela syphilis e a sycosis”.Mais – Elizalde

Mais-Elizalde, nos explica que em conformidade com os autores clássicos, a enfermidade está atrelada ao conflito metafísico do homem. Ou seja, enxerga como Hempel, Henry Allen e Kent – uma participação individual do homem no processo ontológico descrito como “primitive wrong” (erro primitivo). Por termos esquecido de nossa origem, recusamos a condição humana. E exagerando nossa própria importância, chegamos a invejar uma característica ou atributo do Criador, cuja perfeição e completude o homem pretende assemelhar-se.
O conflito entre quem somos e quem queremos ser encontra-se no âmago da luta humana. A dualidade, na verdade, está no centro da experiência humana. A vida e a morte, o bem e o mal, a esperança e a resignação coexistem em todas as pessoas e manifestam sua força em todas as facetas da vida. Se sabemos o que é a coragem, é porque também experimentamos o medo; se podemos reconhecer a honestidade, é porque já encontra­mos a falsidade. No entanto, a maioria de nós nega ou ignora nossa natureza dualista.
Caso estejamos vivendo sob a suposição de que somos ape­nas de um jeito ou de outro, dentro de um espectro limita­do de características humanas, então, precisamos questionar por que, atualmente, muitos de nós estamos insatisfeitos com a nossa vida. Por que temos acesso a tanta sabedoria e, ainda assim, não temos a força e a coragem para agir segundo nossas boas intenções, tomando decisões eficazes? E, mais importante, por que continuamos a nos expressar de maneiras contrá­rias aos nossos valores e a tudo aquilo em que acreditamos
Porque não examinamos nossa vida, nossoeu mais obscuro, o eu sombrio, onde está escondido nosso poder esquecido. É ali, nesse local mais improvável, que encontramos a chave para destrancar a força, a felicidade e a capacidade de viver nossos sonhos.
Fomos condicionados a temer o lado obscuro da vida, as­sim como o nosso. Quando nos pegamos em meio a um pensamento sombrio ou tendo um comportamento que julgamos inaceitável, corremos como uma marmota ao buraco no chão e nos escondemos, torcendo e rezando para que aquilo desa­pareça antes de nos aventurarmos a sair novamente. Por que fazemos isso? Porque tememos, independentemente do quan­to nos esforcemos, jamais conseguir escapar desse nosso lado. E, embora ignorar ou reprimir esse lado sombrio seja a norma, a verdade soberana é que correr da sombra apenas intensifica seu poder. Negá-la apenas conduz a mais dor, sofrimento, tris­teza e sujeição. Se falharmos em assumir a responsabilidade de extrair a sabedoria que está oculta no fundo de nossa consciên­cia, a treva assume o comando e, em vez de sermos capazes de assumir o controle, a escuridão acaba nos controlando, provocando o efeito sombra. Então, o lado obscuro passa a tomar as decisões, tirando-nos o direito a escolhas conscientes, seja quanto ao que comemos, ao tanto que gastamos ou aos vícios a que sucumbimos. Nosso lado sombrio nos incita a agir de for­ma que jamais imaginamos e a desperdiçar a energia vital em maus hábitos e comportamentos repetitivos. A obscuridade in­terior nos impede de expressar inteiramente o nosso eu, de falar nossa verdade e viver uma vida autêntica. Somente ao abraçar a nossa dualidade é que nos libertamos dos comportamentos que poderão potencialmente nos levar para baixo. Se não reconhecermos integralmente quem somos, é certo que seremos tomados de assalto pelo efeito sombra.
O efeito sombra está por toda parte. A prova de sua disseminação pode ser vista em todos os aspectos da vida. Lemos sobre ele on-line. Podemos vê-lo nos noticiários da TV e também em amigos, familiares e estranhos na rua. E talvez possamos reconhecê-lo de forma mais expressiva em nossos pensamentos, comportamentos, e senti-lo nas interações que fazemos com os outros. Receamos que, se lançarmos luz nessa escuridão, isso nos fará sentir uma imensa vergonha ou, até pior, nos levará a expressar nossos piores pesadelos. Tornamo-nos temerosos quanto ao que podemos encontrar se olharmos dentro de nós mesmos; portanto, em vez disso, escondemos a cabeça e nos recusamos a enfrentar o lado sombrio.
Em vez de vergonha, senti­mos empatia. Em vez de constrangimento, ganhamos coragem. Em vez de limitação, experimentamos a liberdade. Mantida oculta, a sombra é uma caixa de Pandora repleta de segredos, que tememos destruírem tudo o que amamos e gostamos. Po­rém, se abrirmos a caixa, descobrimos que aquilo que está ali dentro tem o poder de alterar radicalmente nossa vida, e de forma positiva. Sairemos da ilusão de que nossa obscuridade nos dominará e, em vez disso, veremos o mundo sob uma nova luz. A empatia que descobrimos por nós mesmos dará a centelha de ignição para nossa confiança e coragem à medida que abrir­mos nosso coração a todos ao redor. O poder que desencavamos nos ajudará a confrontar o medo que esteve nos segurando e nos incitará a seguir adiante, rumo ao mais alto potencial. Longe de ser assustador, abraçar a sombra nos concede uma plenitude, permite que sejamos reais, reassumindo nosso po­der, libertando nossa paixão e realizando nossos sonhos.
Cada um de nós chega a ele com anos de experiência e uma esperança profunda e sincera de poder iluminar a sombra de uma vez por todas, pois, se não nos opusermos à força da sombra e integrarmos sua sabedoria, ela tem o potencial para continuar a lançar destruição em nossa vida e nosso mundo. Quando falhamos em admitir nossas vulnerabilidades e reconhecer maus comportamentos, inevitavelmente sabotamo-nos quando estamos prestes a alguma realização pessoal ou profis­sional. Então, a sombra ganha. Quando agimos motivados por uma raiva desproporcional ao falar com os filhos, a sombra ganha. Quando traímos as pessoas amadas, a sombra ganha. Quando nos recusamos a aceitar nossa verdadeira natureza, a sombra ganha. Se não focamos a luz ao nosso eu mais alto, na obscuridade de nossos impulsos humanos, a sombra ganha. Até que aceitemos tudo o que somos, o efeito sombra terá poder para retardar nossa felicidade. Se passar sem reconhecimento, a sombra nos impede de ser plenos, de alcançar nossos melhores planos, e nos faz viver uma vida pela metade. Nunca houve uma época melhor para se criar um novo léxico para iluminar a sombra e finalmente entender o que tem sido tão difícil de ver e explicar.
É uma jornada transformadora que vai além de qualquer teo­ria psicológica, porque considera o lado sombrio uma ques­tão humana, uma questão espiritual que todos nós precisamos resolver se quisermos ter uma vida na qual nos expressemos por completo. Enfim entenderemos por que não somos melho­res nem piores que ninguém, não importam cor, experiência, orientação sexual, aparência ou o passado. Não há ninguém no mundo que não tenha um lado sombrio e, quando levada a sério e compreendida, a sombra pode gerar uma nova realidade que irá alterar a forma como nos sentimos em relação a nós mesmos, ao nosso exercício de pais, à maneira como tratamos nosso par­ceiro, como interagimos com os membros de nossa comunidade e como nos engajamos com outras nações.
A sombra não é um problema a ser resolvido ou um inimigo a ser vencido, mas um campo fértil a ser culti­vado. Quando mergulharmos as mãos em seu solo rico, desco­briremos as sementes potentes da pessoa que mais desejamos ser. Esperamos, sinceramente, que você ingresse nessa jorna­da, pois sabemos o que nos espera lá dentro.
Ter um lado sombrio parece pedir algum tipo de interven­ção, talvez uma terapia, ou pílula, talvez uma ida ao confessionário, ou um confronto com a alma à meia-noite. Assim que as pessoas reconhecem tê-lo, querem se livrar dele.
Se você não pode enxergar a própria sombra, precisa procurá-la. A sombra se esconde na vergonha, nos becos escuros, nas passagens secretas e nos sótãos fantasmagóricos de sua consciên­cia. Ter um lado sombrio não é possuir uma falha, mas ser completo.
Estamos todos vivendo com os destroços de ideias fracassadas que um dia pareceram soluções perfeitas. Cada solução combi­na com o quadro daquilo que constitui o lado sombrio.
Se você acha que aspectos sombrios como o medo, a raiva, a ansiedade e a violência são resultados de possessões demoníacas, a solução é purificar a pessoa acometida. Os demônios podem ser afastados com rituais, limpeza do corpo, jejum e austeridades exaustivas. Não se trata de uma noção primiti­va. Milhões de pessoas modernas se agarram a isso. Não dá para passar por uma banca de jornal sem ver uma revista que prometa uma nova versão sua por meio de algum tipo de puri­ficação, seja uma dieta que irá superar seu desejo ardente por alimentos que fazem mal à saúde ou uma lista para encontrar o par perfeito, evitando o tipo errado de pessoa. "Situe-se" é a versão moderna de se purificar dos demônios.
Semelhante a essa explicação é a noção de que o mal cósmi­co foi solto no mundo. Se essa é a sua explicação para a sombra, a solução natural é a religião. A religião o alinha com o bem cósmico em sua batalha contra o mal cósmico. Para milhões de pessoas, essa guerra é muito real. Ela se estende a todos os as­pectos da vida, desde a tentação sexual até o aborto, do aumen­to do ateísmo ao declínio do patriotismo. O Diabo cria todas as formas de sofrimento humano e todo malfeito. Só Deus (ou deuses) tem o poder de derrotar Satã e nos redimir do pecado. No entanto, é difícil estabelecer se a religião derrota a sombra ou se, na verdade, ela a torna ainda mais poderosa, por insti­gar sentimentos fortes de pecaminosidade e culpa, vergonha e medo das torturas de uma posteridade infernal.
E então, você conhece sua sombra? Onde está? Descubra o Mal que há em você! É apenas criação de seu Ego.....
Sombra, a grande vilã da sicose.
Sicose, “grandes inflamações”. Inflamar o Ego no poder, mentir, ludibriar, enganar a si próprio. Células aumentadas, aglomeradas num pequeno espaço; precisam exteriorizar, fugir.
A Lesão é a representação de um problema gerado pelo ato humano. O tempo da patologia é um tempo muito particular, já que a extrema subjetividade e até mesmo a imponderabilidade da avaliação do ato humano pode não nos deixar perceber o espaço de tempo que separa o ato da lesão.
Um exemplo que costuma se usar é que quando enxergamos uma verruga em um sujeito, dizemos: este sujeito é um sicótico, quando devemos afirmar “este sujeito deve ter sido um sicótico.
A Flexibilidade da Mente, repercute na somatização do enfermo.Nos casos em que a atitude já permaneceu fixa o tempo suficiente para produzir lesões compatíveis com o conteúdo mental gerando uma concretização somática. Sicose é portanto a inflexibilidade de ações, atitudes comportamentais, pensamentos criadas por um orgulho exacerbado e consequentemente inflamamos nosso Ser gerando posteriormente uma grande destruição em todos os aspectos da vida humana.
O indivíduo tem uma enorme dificuldade em se assumir e assumir o conflito de fatores externos, se tornando vulnerável diante das vicissitudes da vida. Ser mártir é um fator corriqueiro da vida humana.
Estar ciente dos riscos, ter o mecanismo de ação perante os desafios, fazem com que criamos agentes curadores, nos beneficiando a estrutura física, mental, emocional e energética.
A Crítica, julgamento e condenação nos distancia de uma verdadeira cura.

“Os fantasmas do antro são os do homem como indivíduo: porque, além das aberrações da natureza humana, considerada em geral, cada homem contém uma espécie de caverna, de antro individual, que quebra e corrompe a luz natural”. Francis Bacon (Novum Organum)

“O espírito é a origem do psicológico. O psicológico é só a expressão do espiritual ao nível do simbólico do inconsciente”.Masi-Elizalde

Segundo os métodos clássicos de análise e repertorização dos sintomas, Hahnemann no parágrafo 153 do “Organon da Arte de Curar” nos explica o que deve ser captado para a administração de cada medicamento.

§153 Na procura do meio de cura homeopático específico, isto é, nessa confrontação do conjunto característico dos sinais da doença natural contra a série de sintomas dos medicamentos existentes a fim de encontrar um cujas potências mórbidas artificiais correspondam, por semelhança, ao mal a ser curado, deve-se, seguramente, atentar especialmente e quase que exclusivamente para os sinais e sintomas mais evidentes, singulares, incomuns e próprios (característicos) do caso da doença, pois na série de sintomas produzidos pelo medicamento escolhido, é principalmente a estes que devem corresponder sintomas muito semelhantes, a fim de que seja mais conveniente à cura. Samuel Hahnemann

No desenvolvimento deste raciocínio, vemos que não é suficiente o difícil trabalho de captar os sintomas mentais verdadeiros para prescrever. Uma tarefa ainda mais delicada; é necessário segui-los para ver como cada um deles evolui. Atribuir o caráter moral como Hahnemann costumava a expressar-se, pois não significa abandonar o restante dos sintomas objetivos.
Em seu texto “A Medicina da Experiência” insere uma nota quando está tratando do assunto das “causas predisponentes e excitadoras” que, a fim de posicionar o leitor no universo epistemológico de Hahnemann, nos escreve:
“Da mesma maneira o mestre deve primordialmente observar as ações e conduta de um novo pupilo indisciplinado, de forma a conduzi-lo nos caminhos da virtude através das mais apropriadas orientações. Para efetuar esta reforma não é necessário que ele saiba sempre a inescrutável organização do seu corpo, ou que ele esteja apto a inspecionar as igualmente inescrutáveis operações internas da mente. Além disso, ele certamente precisa saber(se ele realmente fazê-lo) a causa da sua deteriorização moral, mas só de modo que ele esteja apto para preveni-la de manter-se afastado no futuro; e então prevenir uma recaída”. C.F. Hahnemann,S. Lesser Writtings. Op.cit.p.443.

“Obviamente, é bom conhecer a história de um paciente, todas as peculiaridades de sua vida. É importante saber se o paciente é sifilítico ou sicótico. Sabeis que todo mundo é psórico, mas aqueles que tem vivido uma vida apropriada, tem escapado das duas doenças contagiosas que o homem adquire, em primeiro lugar, por sua própria busca.” Lições de Filosofia Homeopática, Kent, lições XXI-doenças crônicas-sicose, pág.209.

“Quanto mais os miasmas se desenvolvem na raça humana, mais a descendência se torna progressivamente suscetível a eles. Quanto mais eles se tornam complicados uns com os outros, mais a raça humana se torna suscetível às doenças agudas e epidêmicas.”Lições de Filosofia Homeopática, Kent. Lições XXI-doenças crônicas-sicose, pág.210.





 Syphillis

Supuração, Destruição,Ruptura , Quebra.

O indivíduo não desenvolve o sifilinismo porque contraiu sífilis,mas sim, contrai esta porque se encontra na fase sifilítica.
Mais amplamente disseminado que a doença da verruga do figo e que durante quatro séculos tem sido a fonte de muitos outros transtornos crônicos, é o miasma da doença propriamente venérea, a doença do cancro (Syphillis). Esta doença só causa dificuldades em sua cura se estiver emaranhada com uma psora que já esteja bastante desenvolvida. Acontecendo a complicação com a Sycosis e então, há ao mesmo tempo o envolvimento com a Psora.(Hahnemann)
É o estado de intoxicação presente, ocasionado pela eliminação insuficiente, atua em todas as células, tudo é envolvido; principalmente a mente.

“Se o indivíduo não puder manter o equilíbrio vital ao nível da psora ou da sicose, inevitavelmente mergulhará num terceiro nível miasmático, ou sucumbirá.” Egito

Quando os mecanismos psóricos e sicóticos são insuficientes, por alguma razão, para aliviar a compulsão excretora ou quando a própria noxa adoecedora, tem um tropismo específico para certos tipos de distúrbios, o organismo pode desenvolver meios de defesa que mesmo estando, longe de serem inóculos, são a única maneira de evitar a morte.
A pressão de rejeição é tão intensa que se inicia um processo de desagregação da própria estrutura íntima das unidades biológicas. Podem estar presentes não só essa pressão de rejeição, como também substâncias tão daninhas para o organismo que sequer podem ser eliminadas pelos mecanismos inerentes aos dois primeiros miasmas, podendo levar o indivíduo a uma situação de profundos distúrbios.
As percepções se alternam, originando estados alucinatórios e delirantes; podendo ocorrer distúrbios de associação mental, contribuindo para as alucinações e delírios.
A compreensão torna-se impossível, por não ter o indivíduo condições de estabelecer padrões associativos válidos entre idéias e coisas.
Desvios comportamentais, pensamentos destrutivos onde podemos encontrar em vários segmentos de nossa sociedade.
O Planeta está ocasionando rupturas perante as atitudes comportamentais de poder e ganância do homem. Placa Tectônica quebrando; clima em desacordo com o equilíbrio das estações, geleiras se derretendo, cidades litorâneas desaparecendo.

LETRA:
ESSA NOITE NÃO
AUTOR: LOBÃO

A cidade enlouquece sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, seu destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não!


Letra Atual
Somos Consciente sobre nossas atitudes? Nossos Comportamentos?
Estamos Imunes em relação aos adoecimentos?

Perder a razão faz parte de qualquer ambiente social. Depressão é moda hoje em dia. Os miasmas estão por toda a parte, são pensamentos, atitudes, comportamentos, nada some no Universo. Tudo se transforma, tudo cria forma. Atitudes descompensadas no outro lado do Planeta, reflete instantaneamente ao nosso redor. Cabe a nós, aumentar a freqüência para que possamos estar imunes aos adoecimentos.
Os seres humanos vivem nas garras da dor há eternidades.Desde que caíram do estado de graça, entraram no reino do tempo e da mente e perderam completamente o conhecimento do “SER”. Nessa altura, começaram a ter a percepção de si próprios como fragmentos sem sentido num universo estranho, desligados da fonte e uns dos outros.
A dor é inevitável quando há identificação com a mente do “ego”.
Estamos adormecidos na ilusão do mundo das formas que a mente criou e que infelizmente acreditamos ser verdade. Alimentamos a dor e o sofrimento por aquilo que pensamos ter perdido. Perda gera sofrimento(siphillis). Se fomos criado à partir de explosões de estrelas, fazemos parte do Todo.
A dor é uma advertência necessária, um estímulo para a atividade humana; ela obriga-nos à interiorização, à reflexão; serve-nos como medicina das paixões, e é um caminho para nosso aperfeiçoamento. A doença é a ausência da verdade de quem somos e o que criamos.
Há correspondência entre os estados de organização da matéria com os miasmas? Com as constituições,temperamentos, diáteses miasmáticas? Para explorar estas indagações, busquemos fazer uso de abstrações e analogias.
A cada estado microscópico de um sistema, corresponde um estado macroscópico . Para explorar este ponto pensemos nas letras do alfabeto de A até Z.  Estabelecendo várias seqüências lógicas, cada uma delas corresponderia a um estado microscópico organizado, as mesmas letras embaralhadas em   seqüencias resultariam  em um estado macroscópico.
A tendência para a desorganização, disposição verificável em todos os sistemas materiais, aumenta com o número de estados microscópicos.  Este fato é a comprovação da segunda lei da Termodinâmica chamada entropia, que pode ser definida aproximadamente como a  medida da desordem de um sistema e sua vizinhança. As outras duas leis são as seguintes:
Primeira Lei – A energia do Universo é constante;
Segunda Lei – Há um limite inferior de temperatura. Se essa temperatura fosse atingida  cessaria toda vibração molecular. A 0 K a entropia de um cristal puro e perfeito é zero.
As descrições dos miasmas e suas conseqüências em se tratando apenas do estado material mais denso pode ser relacionada,  com as três Leis da Termodinâmica. Principalmente quando se trata de duas delas.:
A entropia do universo está aumentando.
A energia do universo é constante.

Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata

INSTITUTO CULTURAL IMHOTEP