O UNIVERSO FASCINANTE DO HOMEM


Universidade Federal de Viçosa

Pró-Reitoria de Extensão e Cultura















Curso de Homeopatia






Monografia
        











Patrícia Jorge Alves
São Paulo – 2008










Psiquiatria e Homeopatia

Apresenta:


O Homem e Sua Máquina

UMA VISÃO GLOBAL DO UNIVERSO FASCINANTE DO HOMEM


























   DEDICATÓRIA:

   Dedico este trabalho a minha filha, minha mãe e minha avó por seu carinho paciência pelos meus dias de ausência do convívio familiar. 







   AGRADECIMENTOS:


   Agradeço aos meus Professores: José Alberto Moreno, Eliete M. M. Fagundes, Prof. Múcio, Professora Cecília, Professora Lucinda, professor Gelson, Professor Wagner Túlio, Professora Elen e minha amiga Adriana Menezes por ter me ajudado na organização do trabalho.


















   ÍNDICE:
    Dedicatória:.....................................................03
    Agradecimentos:.............................................03
    Resumo:..........................................................08
    Apresentação:.................................................09
     Introdução:....................................................13

     Capítulo I:
     1.1 A Inesgotável Riqueza do Nada ............20
     1.2 O que é Realidade?.................................23
      - A verdade sobre a Percepção.....................25
       - Emoções e Percepções..............................28
       1.3 A Origem da Individualidade................30
       1.4 O Homem transdimensional..................33
       1.5 Individualização e Personificação.........36
        1.6 O Domínio da Mente Sobre a Matéria..40
         - As Mensagens da Água...........................41
         1.7 A Consciência Cria a Realidade..........43
         1.8 Análise do Sofrimento........................47    

       Capítulo II:
   2.1 O Homem DE Cabeça Para Baixo...........54
   2.2 Área Afetiva.............................................63
   2.3 Análise de Sintomas.................................68
   - Orgulho........................................................68
   - Egoísmo.......................................................70
   - Crítica..........................................................73
   - Ilusão...........................................................75
   - Culpa...........................................................77
   - Medo..........................................................79
   - Mágoa........................................................82
    - Perda.........................................................84
   2.4 A Aplicação da Homeopatia em Distúrbios e em Patologia Psiquiátrica...............................85
   2.5 Transtornos da Intuição.........................93

   Capítulo III:
   3.1 Psicologia e Homeopatia.......................98
   3.2 Os Ansiosos..........................................100
   3.3 Os Agitados..........................................106
   - Agitação Local.........................................106
   - Agitação Generalizada.............................108
   - A Agitação Psiquiátrica...........................110
   3.4 Os Astênicos........................................114
   - Os Astênicos após uma Sobrecarga Muscular........................................................115
   - Os Astênicos após um Trauma afetivo.....116
   - Os Astênicos após uma Sobrecarga Intelectual......................................................118
    - Os Astênicos em conseqüência da perda Líquida orgânica............................................121
    - O Líquido Seminal..................................122
    - A Astenia do Idoso..................................124
    - Os Astênicos e as Grandes Diáteses........125
    - Os Astênicos Psóricos.............................127
    -Os Astênicos Sicóticos.............................128
    - Os Astênicos Luético...............................128
    3.5 Os Fóbicos............................................129
    3.6 Os Deprimidos......................................135
     3.7 Os Maníacos........................................145
     3.8 Os Obsessivos.....................................155
     3.9 Os Esquizofrênicos.............................156
    3.10 Os Desequilibrados..............................166
    3.11 Os Dementes........................................169
    3.12 Os Retardados......................................172
    3.13 Os Anoréxicos.....................................173
   3.14 Os Alcoólicos e os Toxômanos............175
   Conclusão....................................................176
   Bibliografia.................................................178

   RESUMO:

   Este trabalho é o carinho que tenho pelos estudos de muitos anos, observando o Ser Humano em seu dia – a –dia e seus sinais e sintomas. Mostro de uma maneira simples o trajeto da construção de nossas “doenças” dentro da visão transdimensional a Mente do Ser Humano. Exemplificando as patologias psiquiátricas e mostrando como criamos e o que criamos dentro e fora de nós. Hoje compreendo que não existe doença e sim sinais e sintomas mórbidos que criamos com nossos atos, comportamentos, relação com a vida, etc. Pois tudo está dentro de nós à saúde e a doença, depende o que estamos procurando.
   Há necessidade do Ser Humano chegar ao fundo do poço para poder efetuar as transformações íntimas para a sua verdadeira cura. Reconhecer seus erros é o primeiro passo. Não se esconder colocando máscaras e ser honesto consigo mesmo.

Patrícia Jorge Alves
  















   Apresentação

   Samuel Hahnemann


Samuel Hahnemann, foi o notável gênio, que descobriu, desenvolveu e sistematizou as leis fundamentais da cura, as quais estão produzindo mudanças revolucionárias no pensamento relativo à saúde e à doença. A história de Hahnemann revela um dos casos mais singulares de descobertas da história da medicina.
Ao comentar a lei dos semelhantes, Hahnemann foi o primeiro a admitir que esse conceito fora posto de lado por outros na história ocidental, a começar pelo próprio Hipócrates. No entanto, ninguém antes de Hahnemann reconheceu a verdadeira importância do conceito, muito menos procedeu a sua sistematização como ciência terapêutica completa.
Hahnemann nasceu em 1755, numa pequena cidade da Alemanha e desde cedo demonstrou notáveis habilidades. O pai, que reconhecia as qualidades do filho, ensinou-lhe desde cedo a ter disciplina, costumava trancar o jovem Samuel numa sala onde ele tinha de fazer exercícios de raciocínio, exigindo que ele resolvesse sozinho os problemas, pois o “garoto precisa aprender a pensar”. Hahnemann possuía grande talento para as línguas e já aos doze anos seu instrutor o fazia ensinar grego aos outros alunos.
Hahnemann estudou Medicina na Universidade de Leipzig, em Viena, e em Erlangen, diplomando-se em 1779, e logo se tornou muito respeitado nos círculos profissionais pelas suas comunicações escritas, tanto sobre Medicina quanto sobre Química. Mesmo assim, ficava muito perturbado com a falta de um pensamento fundamental subjacente à terapêutica da época, que consistia em sangria, catárticos, ventosas e o uso de substâncias químicas tóxicas. Hahnemann escreveu a um de seus amigos:
“Para mim, foi uma agonia estar sempre no escuro quando tinha que curar o doente e prescrever, de acordo com essa ou aquela hipótese relacionada com as doenças, substâncias que tinham o seu lugar na Matéria Médica, por uma decisão arbitrária... Logo depois do meu casamento, renunciei à prática da medicina para não mais correr o risco de causar danos e me dediquei exclusivamente à química e as ocupações literárias. Mas tornei-me pai, e doenças sérias ameaçavam meus amados filhos... Meus escrúpulos duplicaram quando percebi que eu não lhes podia dar nenhum alívio”.
Ele voltou à profissão de tradutor de trabalhos médicos, mas sua mente inquiridora estava sempre à procura dos princípios fundamentais sobre os quais devia se basear a terapia. Foi enquanto traduzia a edição da Matéria Médica de Cullen que deparou com a idéia que o levou à revolucionária descoberta. Cullen era professor de medicina da Universidade de Edimburgo e havia devotado vinte páginas de sua Matéria Médica às indicações terapêuticas sobre quina, cujo sucesso no tratamento da malária ele atribuía ao fato de a erva ser amarga. Hahnemann estava tão insatisfeito com essa explicação que decidiu prová-la ele mesmo, ato completamente inusitado na época. Diz ele:
“Tomei, como experiência, duas vezes ao dia, quatro dracmas de boa quina. Meus pés e as extremidades dos dedos logo ficaram frios; fui ficando lânguido e sonolento, depois ocorreram palpitações e o pulso ficou fraco; ansiedade intolerável, tremor, prostração de todos os meus membros; em seguida, latejamento na cabeça, vermelhidão das faces, sede, e, resumindo, apareceram todos esses sintomas, que são ordinariamente característicos da febre intermitente, um após o outro, sem, no entanto, o frio peculiar e o calafrio. O embotamento da mente, aquela espécie de rigidez dos membros e, acima de tudo, a desagradável sensação de entorpecimento, que parece ocorrer no periósteo, espalhando-se para todos os ossos do corpo. Esse acesso durava duas ou três horas de cada vez e só reaparecia se eu repetisse a dose; caso contrário, não interrompi a dosagem e fiquei com boa saúde.”
Hahnemann incidentalmente acabou descobrindo a idéia de que a mesma substância que produz os sintomas numa pessoa normal pode curá-los numa pessoa doente. Ele reconheceu a necessidade da experimentação humana no delineamento das indicações curativas dos agentes terapêuticos. Assim, ele e outros médicos com a mesma formação começaram a provar as substâncias neles próprios, de maneira sistemática, e a registrar suas observações nos mínimos detalhes. Essa experiência continuou por seis anos, durante os quais Hahnemann também compilou uma lista exaustiva dos envenenamentos registrados por diversos médicos, em diferentes países nos séculos da história médica.
Hahnemann começou a experimentar a lei dos semelhantes em casos clínicos e imediatamente começaram a obter resultados estarrecedores, que de longe, ultrapassavam os resultados alopáticos da época. Ele sintetiza a importância fundamental da descoberta:
“Então, como as doenças nada mais são do que alterações do estado de saúde do indivíduo saudável, que se expressam através de sinais mórbidos, e como a cura também é possível somente através de uma mudança da condição saudável do estado de saúde do indivíduo doente, é bastante evidente que os remédios jamais poderiam curar as doenças se não possuíssem o poder de alterar o estado de saúde do homem, que depende das sensações e funções, na verdade, seu poder curativo deve-se apenas ao poder que possuem de alterar o estado de saúde do homem.”
O procedimento de testar as substâncias em seres humanos saudáveis para clarear os sintomas que refletem a ação da substância é chamado de experimentação. As experimentações continuam desde o tempo de Hahnemann e são à base de escolha para um determinado medicamento. A manifestação do sintoma do medicamento se combina, possibilitando os princípios de ressonância e fortalecendo o mecanismo de defesa, provocando a cura.
É introduzida no organismo, uma substância de concentração suficientemente alta para perturbar o organismo e mobilizar seu mecanismo de defesa. O mecanismo de defesa produz um espectro de sintomas nos três níveis do organismo. Anotam-se os sintomas do cliente registrando o modo característico pelo qual seu organismo reagiu ao estímulo morbífico. A causa deve ser suficientemente forte para mobilizar o mecanismo de defesa, de forma que haja produção de sintomas.
   Para a ciência terapêutica, os quadros de sintomas dos medicamentos combinam de forma acurada com o quadro de sintomas de todas as doenças existentes, em todas as suas variedades. Existem centenas de medicamentos que foram experimentados dessa forma e que cobrem a maior parte das perturbações possíveis do ser humano.
Para dizer que uma droga foi totalmente experimentada, antes ela deve ser testada numa pessoa saudável nas doses tóxicas, hipotóxicas e altamente diluída e potencializada. Devem ser anotados os sintomas produzidos pela droga nos três níveis; e a ação da substância deve ser completada pela observação dos sintomas que desapareceram depois que o medicamento produziu a cura. Se forem registrados os sintomas de uma experimentação apenas no nível físico, ela está incompleta. É por essa razão que a simples toxicologia descrita nas escolas de medicina é insuficiente. Os sintomas têm sido registrados de forma muito grosseira, sem uma informação individualizada adequada.









   INTRODUÇÃO

    Parágrafo 210 Organon da Arte de Curar: “Não há nenhuma doença dita somática em que não se possam descobrir modificações constantes do estado psíquico do doente”.
   Assim, foi reconhecida com indicações de um mesmo remédio, a significativa freqüência de algumas seqüências de sintomas psíquicos: modalidades intelectuais e emocionais, traços de caráter, tonalidade do humor, particularidades do comportamento.
   Esse aporte da experiência clínica completou e modulou as contribuições patogenésicas, levando a uma compreensão mais global e dinâmica desse “conjunto” semiológico reconhecível, específico de um remédio.
   Enfim, quando os comentários descritivos substituíram a enumeração dos sintomas experimentais por verdadeiros “retratos clínicos”, vimos constituir-se a galeria de psicotipos, surpreendentes e sedutores ao mesmo tempo, contidos na matéria médica homeopática – especialmente a de Lathoud e a de Kent.
   Não restam dúvidas de que se corre o risco de afastar-se demasiadamente dos sintomas patogenésicos e à força de interpretações pessoais, de trair a verdade. Contra esse risco real, a única proteção honesta é a coleta perseverante e rigorosa de observações cuidadosas, tão objetivas quanto possível, num terreno onde qualquer história é de certo modo única, onde qualquer sintoma tem valor apenas por tênues conotações.
   A propósito desses retratos psicopatológicos de remédios, convém especificar dois pontos importantes:
- Semiologia física e simiologia psíquica contribuem de modo indissociável, segundo sua importância e concomitância, para determinar com exatidão o remédio cuja indicação é manifestada pela patologia do doente.
   “Angústia carregada ao despertar” é indiscutivelmente uma queixa freqüente durante os estados depressivos. Em Homeopatia, isso leva a possíveis indicações terapêuticas bem diferentes, de acordo com o quadro clínico e sua tradução patogenésica:
- no caso de uma mulher pletórica, congestiva, agitada, logorréica, porém desanimada, durante uma depressão reacional (a um choque emocional ou a sua menopausa), arrancada do sono por um acesso brutal de angústia;
- ou de um adolescente longíneo, de tórax magro, pele doentia e com espinhas, triste, abúlico, com despertar difícil e tardio e que experimenta, desde esse momento, uma angústia de vazio existencial e de um futuro sem atrativo com torpor intelectual;
- ou ainda, de um velho esgotado, macilento, impaciente, irritável, que desperta subitamente com medo (de morte iminente).
   Assim analisado e recolocado num contexto clínico geral, um sintoma tão comum quanto “angústia carregada ao despertar” pode assumir um valor indicativo diferente.
   Evidência clara de uma inadequação ao vivido, não se trata de modo algum, de iludir, assim, por uma prescrição intempestiva, uma indicação importante que abra caminho a um diálogo    
   Através do interesse concedido às suas queixas diversas, do interrogatório minucioso concernente a toda a sua fisiologia, o doente “se vê” aceito em sua unidade somatopsíquica.
   As descrições dos remédios, por meio das quais os homeopatas se conscientizam do instrumento de trabalho notavelmente útil e original que a Homeopatia é capaz de trazer em termos do conhecimento, da relação e da terapêutica, indicam certo registro clínico dentro do qual se diversificam todas as individualidades, os aspectos particulares à infância, à adolescência, à velhice, à parte irredutível de cada Ser.
   Nessa mesma linha de funcionamento, podemos compreender a indicação do remédio e sua eficácia em diversos estados de descompensações neuróticas: em adolescentes imaturos e sentimentais, que integram mal sua sexualidade, são tímidos, pouco à vontade com seu corpo, às vezes bulímicos por compensação regressiva no plano oral; em mulheres jovens, que assumem com dificuldade uma maternidade, que desperta uma ambivalência ansiogênica\ com respeito ao filho: investimento captativo e agressividade por reativação das antigas frustrações; e às vezes tardiamente, em pessoas a caminho da senescência.
   Mais além dessa patologia menor, em tal estrutura e num grau mais grave, pode também constituir-se uma fobia histérica de angústia, com presença necessária de um apoio assegurador e protetor... Companheiro contrafóbico da angústia de abandono e mesmo, de modo mais invalidante, fobias compulsivas de mácula e impureza, que acarretam ritos de purificação.
   Isso não passa de um exemplo, mas seria necessário citar muitos outros, com sua riqueza clínica e o amplo terreno de suas aplicações.
   É bem evidente que, ao primeiro contato, podemos ficar céticos, surpresos ou mesmo chocado diante de um processo tão singular. Mas os fatos estão aí, assim como sua verificação diária, e merecem ser levados em consideração.
   A Homeopatia representa uma abordagem global da patologia do indivíduo. O conceito de psiquiatria homeopática pode parecer se não uma heresia, pelo menos uma apresentação relativamente artificial do que se passa na realidade.
   A realidade atual da medicina faz com que os progressos do detalhe, quer sejam biológicos ou terapêuticos, sejam tais que impunham um trabalho gigantesco a quem desejaria apreendê-los completamente. Este bom conhecimento microscópico comporta um risco que os pacientes tem rapidamente experimentado e que os médicos sentirão um dia, que é o da atomização da pessoa do doente. Essa experiência clínica que leva brutalmente o paciente a uma época muito arcaica do seu desenvolvimento psíquico lhe é dolorosa. O médico não compreende sempre, fascinado que está pelo prazer de aprofundar seu conhecimento, que emana de um certo mito narcísico de completude. Essa ilusão é por vezes apenas um passo do tipo perverso onde, dentro do sujeito, considera-se apenas uma parte como se ela representasse o todo. O paciente encontra-se, então, situado em posição de fetiche procurando no médico apenas um orgasmo científico. Em certos casos mesmo, esse fetiche toma sua dimensão derrisória e, entre duas ondas de desejo, ele é classificado como vazio de sua substância, em algum quadro de estatísticas.
   A duração da consulta e a minúcia de suas investigações pode dar ao paciente a impressão de uma grande atenção à sua pessoa como um todo. Se essa investigação é colocada apenas em nível técnico, o sujeito não está menos reconfirmado e o médico não está menos em seu isolamento terapêutico. É apenas um movimento de mudança e de investigação científica, colocando o sujeito em seu meio, enfim, diante do seu desejo.
   A homeopatia que tem atualmente quase dois séculos, tem a favor dela inaudita de que seu fundador definiu de início o objeto da sua ciência como psicossomática, no sentido em que entendemos hoje.
   Samuel Hahnemann situou os sinais psíquicos colhidos no discurso espontâneo do cliente ou por seu interrogatório, em um nível hierárquico essencial dos sintomas, logo depois dos sinais etiológicos. Esse interesse por sua vida interior, suscitado por tal procedimento médico, determina uma simples doença de órgãos, simples como ele acredita.
   Ele está então com maior freqüência, disposto a se abrir completamente nesse domínio particular. É assim que, freqüentemente, o que se chama a “pequena psiquiatria” pode permanecer em um nível de médico de família e deve, sem dúvida, se felicitar: não há alienação social. O cliente permanece em certo equilíbrio com o meio em que vive. Para utilizar a linguagem psiquiátrica, o doente fica compensado. Quando o cliente é constrangido ou decide espontaneamente consultar um psiquiatra, aparece certa inquietude. Com muita freqüência, o doente tem consciência de que o psiquiatra vai entrar em seu mundo. Quaisquer que sejam as excelentes justificativas do profissional, isto se faz com a defesa do seu corpo e do seu espírito. O psiquiatra é tido como alienado, essencialmente em razão da demarcação que ele estabelece de modo radical em sua prática e as convenções sociais e até familiares. Ainda que não se dê conta, ele dá direito de cidadania ao inconsciente.
E o paciente sente, ainda que confusamente, que não é sempre impunemente que deixa seu inconsciente falar. A loucura não está longe. Quando se trata de um neurótico, tem medo, se é um psicótico, ele a vive plenamente e não sabe muito bem como acomodar a realidade exterior àquela que o psiquiatra quer levar a ele. Antes de mais nada, não entende o que ele fala.
O psiquiatra homeopata encontra-se, em uma situação particular, quando o comparamos a seus confrades alopatas. Mesmo quando seus clientes conhecem sua formação psicológica e sua prática psicoterápica, ele é colocado em um registro organicista. De modo tácito, existe um contrato de restauração das capacidades reacionais do cliente por meio dos remédios de ação homeopática. Com maior freqüência não é questão de tomada de consciência ou de transferência no modo psicanalítico.
Freqüentemente, os clientes já estão em psicoterapia, há longo tempo, com outro profissional, mas preferem não saber que sua cura passa, sem dúvida, por suas próprias vias anatomofisiológicas.
Pensa-se hoje, que se trata possivelmente de um modelo imunológico. Qualquer que seja o psiquiatra homeopata está ancorado na matéria e nessas condições, direcionando ao corpo.
Qualquer que seja o lugar maior que tem os sinais psíquicos na matéria médica homeopática, ele saberia não ter escolha possível do remédio sem referência ao corpo do cliente.
O tratamento psiquiátrico clássico tem má fama entre os psicoterapeutas. De fato, existe na maior parte dos pacientes tratados, uma certa anestesia, uma baixa de energia que interfere com seu desejo real de tentar se entender e de fazer uma psicoterapia. Provavelmente, a existência de um certo grau de angústia seja indispensável a este trabalho e ao desenvolvimento frutífero de uma transferência necessária. Não é o caso do tratamento homeopático que não compromete de modo algum o progresso de uma psicoterapia. Ao contrário, ele nos parece favorecê-la quaisquer que sejam suas modalidades.
A homeopatia é reacional, que exalta, quando isto ainda é possível, as capacidades de reação do indivíduo à agressão exógena ou endógena.
Concebe-se a partir daí, que uma terapêutica que se dirige ao ego do sujeito, reforçando-o, não tenha senão um efeito positivo sobre a maturação de uma personalidade.
 O caráter de urgência de alguns casos implica na hospitalização, bem como, em razão do perigo do sofrimento que se apresenta o doente. É o caso das depressões graves, do tipo melancólico, das crises maníacas, das psicoses agudas. Neste caso, os progressos da psicofarmacologia têm permitido a utilização de medicamentos com ação regularmente eficaz e, freqüentemente, mais rápida que a dos remédios homeopatas. É, portanto, indispensável proceder ao tratamento clássico de modo prioritário. Nada, no entanto, impede associar o tratamento homeopático. As psicoses antigas, muito impregnadas, por neurolépticos, reagem com freqüência à homeopatia. Apesar de tudo, nos casos em que o tratamento clássico permanece ineficaz, ela retoma suas indicações. Do mesmo modo, alguns estados depressivos rebeldes aos antidepressivos de todo o tipo, respondem favoravelmente a nossos remédios. Vemos então, que se trata antes da escolha da boa indicação do que de uma contra-indicação. E nesse caso, a experiência do psiquiatra homeopata conta com a intuição do psiquiatra, qualquer que seja a decisão com o deprimido grave, sente-se a necessidade de se estabelecer uma relação fecunda com ele.
Assim, o psiquiatra homeopata torna-se um psiquiatra, mas para poder dizer verdadeiramente, homeopata, deve acrescentar à sua abordagem uma dimensão particular que se empenha na medicina do corpo. É esta que Samuel Hahnemann definiu em seu “Organon da Arte de Curar”, em seu “Tratado das Doenças Crônicas” e, em menor grau, em suas “Lições de Medicina Homeopática”... (palavras do psiquiatra homeopata Jacques Algazi).


   CAPÍTULO 1

            
1.1 A INESGOTÁVEL RIQUEZA DO NADA

    
O “nada” ou os vazios quânticos é uma das principais preocupações da ciência atual. No “nada” desconfiam os cientistas, está a matriz do Todo, De tudo e do Universo Material em que vivemos. “O vazio está cheio de alguma coisa que não é matéria”. No vazio quântico há tudo e nada, ao mesmo tempo. Alguns físicos simplificam a questão e dizem que no vazio, nada há informação. O Brasileiro Mário Schemberg Laborit considera essa definição insuficiente e dá uma explicação mais elaborada para o conteúdo do “nada”: “Variações de campos elétricos provocados pelo epicentro da matéria e que persistem quando a matéria já não está lá.” Outro físico, David Bohm, fala de “ordem implícita”. Ele quer dizer: a matéria está implícita no “nada”- no vazio há pré-forma; é o molde invisível do molde visível- que somos nós e as coisas. Beneviste, pesquisador francês, provou que a matéria tem memória. Realizou experiências mostrando que quando a matéria deixa de existir num ponto, ficam os vestígios- ou memórias. As experiências de Beneviste foram testadas em vários laboratórios e os resultados comprovaram a afirmação. Burr e Sheldrake, dois biólogos, dizem ter identificado “campos de vida”, ou campos morfogenéticos. É mais ou menos como a “ordem implícita”, cada organismo teria uma pré-forma da qual os genes seriam apenas mensageiros materiais.“ Einstein, no seu intuicionismo avassalador, pensou ter identificado no Universo essa força invisível contida no “nada”- a ordem implícita de Bohm – e a incluiu num sistema conhecido como” constante cosmológica”. Desacreditada – até repudiada pelo próprio Einstein, depois a constante foi recentemente reabilitada com as descobertas do Telescópio espacial Hubble. O Hubble não detectou a chamada massa invisível. Essa massa era a explicação dada pelos astrônomos para ocorrências cósmicas inexplicáveis pelo volume de massa visível. Ou seja, a massa detectável no universo não bastaria para produzir o próprio universo.Deveria haver massa oculta e que constituiria 90% de todo o cosmos. O Hubble demoliu essa crença e pôs no seu lugar uma explicação parecida com a constante cosmológica. A de que há alguma coisa muito poderosa no “nada” dando origem ao todo, e muitos até a estão chamando de Deus. Para o físico inglês Stephen Hawking isto não é novidade. Ele já vem falando da “mente de Deus” para justificar o comportamento da matéria que volta para o “nada” pelas goelas dos insaciáveis buracos negros e atravessa a barreira do tempo.
A própria ciência com embasamento matemático, nega a existência de um “nada absoluto”, quando afirma existir algo indefinível, indetectável, inefável, fonte de “informações” além do Universo. Este pensamento da ciência moderna está em conformidade com o pensamento dos místicos em alto nível de todos os tempos, especialmente os orientais, habituados à meditação sobre conceitos metafísicos elevados. É exatamente num nível além do universo, ou seja, naquele “nada quântico” referido pela ciência atual, que eles colocam Deus, o Poder Superior Criador.
A fonte de todo o conhecimento, o propósito primeiro de tudo quanto foi criado, e mesmo daquilo que ainda não foi criado, existe ao menos como “informação” na citada “Inesgotável Riqueza do Nada”, pois ali tem tudo e tem nada.
A própria ciência tem indagado sobre coisas abstratas como pensamento e consciência, indagando se o próprio pensamento também é feito do “nada”. Psicólogos Freudianos e comportamentais, neurofisiologistas e biólogos têm tentado em vão, identificar a substância mental e a sede da consciência. Aí surge outra dúvida, a consciência é uma propriedade apenas do ser humano ou dos animais, e a própria matéria, também a têm? A Consciência como a mente seria algo especial, substrato do Todo, ou apenas produto de interações neuroquímicas de um organismo? Isto para a ciência ainda é um mistério insondável, embora para o místico seja algo bem claro, a consciência é um aspecto de o próprio Poder Superior. Todas as reações dos seres vivos nada mais são do que exteriorizações implícitas na fonte da própria energia o que originou todo o Universo, portanto não se trata de algo inerente ao mundo objetivo, de algo gerado pela matéria, mas de algo manifestado através dela.
“Onde quer que se faça presente uma estrutura apta a manifestar consciência, ela ali, se fará presente, desde que se trate de um Poder que inunda todo cosmos”.
A fonte de todo o conhecimento, o propósito primeiro de tudo quanto foi criado e mesmo daquilo que ainda não foi criado, existe ao menos como informação, pois ali tem tudo e tem nada. A ciência pode chamar de pré- forma da forma ou modelo organizador, mas nomes não causam diferença alguma, o que importa é que lá está uma fonte de consciência.
“Tudo é Mente” ou “O Universo é Mental”. Sendo assim, desde que tudo é mente no universo, logo, tudo tem consciência nas devidas proporções.
Podemos afirmar que sejam quais forem às circunstâncias, a consciência e também todas as qualidades inerentes à mente pré-existem, antecedem à forma, pois antes de qualquer estrutura tudo já estava implícito no ponto gênese do universo. Como não existiram dois pontos de origem, então não se pode negar que tudo que há e se manifesta de alguma forma, já estava reunido numa só condição – ponto primordial da criação, que se desdobrou em miríades de coisas. Houve uma fragmentação colossal atingindo não apenas a energia, mas também todas as condições imateriais existentes. Embora isto seja um mistério insondável para a ciência oficial não o é para os pensadores metafísicos e místicos.







1.2  O QUE É REALIDADE?

   O que eu pensava ser irreal, agora me parece em alguns aspectos mais real do que o que eu considero real, que agora parece irreal.
                        Fred Alan Wolf

   O que é a realidade? A maioria das pessoas acha que realidade é o que nossos sentidos projetam para nós. É claro, a ciência adotou essa visão durante quatrocentos anos, o que não for perceptível por meio dos cinco sentidos (ou de suas extensões) não é real.
   Porém, mesmo essa “realidade” tem uma aparência quando a examinamos com nossos olhos, e outra quando a examinamos mais a fundo, por meio do microscópio ou do acelerador de partículas. Então ela se torna completamente diferente, irreconhecível.
   E os nossos pensamentos, então? Eles são parte da “realidade”? Olhe em torno: há janelas, cadeiras, lâmpadas etc. Você provavelmente pensou que tudo isso era real. Tudo isso foi precedido por uma “idéia” de janelas e cadeiras e as criou. A maioria das pessoas acha que pensamentos e emoções são reais – mas quando os cientistas exploram a “realidade”, eles evitam cuidadosamente falar sobre essas coisas.
  A humanidade foi para o laboratório e resolveu algo mais simples, vamos pegar todas as “coisas” que concordamos serem “reais” e verem do que são feitas. Elas são mais simples do que sonhos, idéias, emoções ou outras coisas internas.
“Não existe nada a não ser átomos e espaços vazios; tudo o mais é opinião”.                                                                                                                                                                                                                          
                                            (filósofo grego Demócrito)

             Foi um grande ponto de partida. Então vieram os microscópicos eletrônicos, os aceleradores de partículas e as câmaras de neblina e nós, os gigantes, nos debruçamos sobre o mundo das coisas pequenas.
             Os átomos são os blocos de que é feita a natureza. Boa tentativa! É um conceito elegante, que permite criar diagramas, mas não é verdadeiro. Aqueles pequenos átomos sólidos, com suas órbitas bem comportadas, eram apenas pacotes de energia. Cada átomo consiste quase totalmente em “espaço vazio” de modo que é uma espécie de milagre não cairmos no chão cada vez que nos sentarmos numa cadeira. E como o chão é majoritariamente vazio, onde encontraríamos alguma coisa bastante sólida para nos sustentar? Nossos corpos também são feito de átomos!
             O dito “espaço vazio” dentro e em torno dos átomos não é de forma alguma vazio; está cheio de energia que um centímetro cúbico. O conteúdo de um dedal ou o volume de uma bolinha de gude contém mais energia que toda a matéria sólida existente em todo o Universo conhecido! Então, o que você disse que era realidade?
              Existe um domínio completamente não físico, que pode ser chamado de informação, de ondas de probabilidade ou de consciência. Tudo é feito de átomos; então esse campo subjacente de inteligência, é na essência, o que o universo realmente é.
            O universo é inteligente. Ele está avançando em uma direção, e temos algo a ver com ela. O espírito criativo, a intenção criativa que fez a história deste planeta, vem de dentro de nós e está fora. Tudo é o mesmo. Tudo é consciência. Tudo é inteligente. Tudo é Deus.
            A consciência propriamente dita é o que é fundamental, e a energia- matéria é o seu produto. Se mudarmos de opinião sobre quem somos, e nos olharmos como seres criativos e eternos, criando a experiência física, unidos por esse nível da existência que chamamos consciência, então começará a ver e a criar de forma diferente esse mundo em que vivemos.
            No século XVIII, o filósofo alemão Emmanuel Kant afirmou que nunca poderemos conhecer a natureza da realidade como ela é. Nossas investigações só fornecem respostas ao que perguntamos baseados nas capacidades e limitações de nossas mentes. Tudo o que percebemos no mundo natural (seja por nossos sentidos, seja pela ciência) passa pelo filtro da nossa consciência, e é determinado, até certo ponto, pelas estruturas mentais. Assim, o que vemos são “fenômenos”, interações entre a mente e o que quer que esteja “realmente ali”. Não vemos a realidade. A “coisa em si” nos é oculta.
            A ciência só nos dá modelos do mundo, não o mundo propriamente dito.
            A idéia de que existem diferentes níveis simultâneos, todos eles reais. Em outras palavras, os níveis superficiais são reais em si, só quando os comparamos aos níveis mais profundos percebemos que não são de fato reais, não é o nível “final”. Braços e pernas são reais, células e moléculas são reais, átomos e elétrons são reais, a consciência é real.
            Existem diferentes mundos nos quais vivemos. Há a verdade superficial e a profunda. Há o mundo macroscópico que podemos ver, há o mundo de nós mesmos, há o mundo de nossos átomos, e o de nossos núcleos. São mundos totalmente diferentes. Vivemos paralelamente em muitos mundos. Cada um deles tem uma linguagem própria. Não são menos importantes ou mais, são diferentes níveis de verdade. Mas tudo está ligado, vivemos em uma cadeia.

    A realidade é um processo democrático?

             As nossas vidas diárias e decisões momentâneas sobre a realidade são democráticas?
            Quando a concordância com os outros torna algo real? Se de dez pessoas numa sala, oito vêem uma cadeira, e duas um marciano, quem está alucinado?
            E quando 12 pessoas acham que um lago é uma massa de água, e uma pessoa, uma superfície em que se possa caminhar?  Um paradigma é apenas a idéia (modelo) de maior aceitação sobre o que é real. A consciência cria a realidade? É por isso que não há uma boa resposta, porque a realidade é a resposta?
            A mente fornece a referência, o conhecimento específico e as premissas específicas para que os olhos vejam. A mente forma o universo que o olho então vê. Em outras palavras nossa mente está estruturada em nossos olhos.
                                               Henryk Skolimowski
            A Mente mente!
            Se tudo o que percebo tem por base o que já conheço, como poderei perceber alguma coisa nova? Se eu nunca perceber algo novo, como poderei mudar? Como crescerei?
            Cinco níveis aninhados de processamento cerebral. Foi o que você acabou de fazer para “ver” cada uma dessas letras. Seus olhos não mandaram uma imagem de cada letra. Seu cérebro processou os dados visuais enviados pelos olhos e construiu essas letras.
            O cérebro divide em formas, cores e padrões básicos os impulsos que chegam a ele. Ele então compara esses elementos a padrões de lembranças de coisas similares, associando-os às emoções e atribuindo significado aos eventos. O cérebro reúne tudo, formando uma imagem integrada que é projetada no lobo frontal quarenta vezes por segundo. Nós não vemos de forma contínua. É como um filme piscando.
            Imagine que você está olhando para uma floresta. O cérebro está na verdade pintando as folhas de cada árvore que você vê. Ele associa as imagens às lembranças, ou redes neurais, de folhas, cores, tamanhos e formas, e de alguma maneira as reúne.
            “Somos bombardeados por imensas quantidades de informação que entra em nosso corpo e é processada. Ela entra por meio de nossos órgãos dos sentidos, vai se infiltrando corpo acima, e a cada passo vamos eliminando informação. Por fim, a que chega à superfície da consciência é aquela que mais atende a nossos interesses.”
                                                     (Candace Pert, Ph. D)

         A VERDADE SOBRE A PERCEPÇÃO


   A percepção é um processo complexo com múltiplas facetas, iniciada quando nossos neurônios sensoriais captam informações do meio ambiente e a enviam ao cérebro na forma de impulsos elétricos. Temos uma percepção sensorial limitada. Não vemos a radiação infravermelha ou percebemos os campos eletromagnéticos como os pássaros que usam essa informação para se orientar. A quantidade de informação que entra por meio dos cinco sentidos é impressionante; cerca de 400 bilhões de bits por segundo.
            Não recebemos nem processamos conscientemente essa quantidade. Pesquisadores afirmam que passam por nossa consciência apenas dois mil bits por segundo. Nas palavras do doutor Andrew Newberg, quando o cérebro trabalha para tentar criar uma história do mundo, ele precisa se livrar de muitos dados supérfluos. O cérebro precisa filtrar uma tremenda quantidade de informação irrelevante para nós. Ele faz isso inibindo coisas, evitando que algumas respostas e informações neurais acabem por chegar ao nível consciente, e assim ignoramos a cadeira em que estamos sentados. Ou seja, filtrando o que é conhecido. E, então, existe a filtragem do que é desconhecido...
            Ao vermos alguma coisa que o cérebro não consegue identificar, buscamos algo similar. Se não houver nada semelhante, ou se for algo que saibamos não ser real, descartamos a informação com: “Eu devo estar imaginando coisas”.
            Assim, nós não percebemos a realidade de fato, vemos a imagem dela que nosso cérebro construiu, usando o impulso sensorial e associações obtidas em suas vastas redes neurais.
            “Dependendo de suas experiências, diz o doutor Newberg, e de como você as processa, isso realmente cria um mundo visual, o cérebro é, afinal, quem percebe a realidade e cria nossa versão do mundo”.


         EMOÇÕES E PERCEPÇÕES


            Nossas emoções decidem o que é digno de atenção. Os receptores são os mediadores na decisão sobre o que vai se tornar um pensamento ao chegar à consciência e o que vai permanecer como um padrão de pensamento não digerido, enterrado num nível mais profundo do corpo.

“As emoções foram projetadas para fixar quimicamente algo em nossa memória de longo prazo.”
                                              (Joe Dispenza)

            As emoções são ligadas a um nível ainda baixo do processamento visual, próximo do primeiro passo. De um ponto de vista evolutivo, isso faz sentido. Se você caminha por uma trilha e um tigre salta a sua frente, você vai processar essa imagem e começar a correr antes de saber por quê.
            Quatrocentos bilhões de bits por segundo. ”Mesmo depois de jogar fora o “irreal” (marcianos) e o” irrelevante” (cheiro de xampu), ainda restam muitos bits. As emoções atribuem a eles um peso ou importância relativos. Elas são um atalho estrutural na percepção, e também nos dão a capacidade incomparável de não ver o que simplesmente “não queremos ver”.
            “Nossos olhos estão se movendo o tempo todo. Eles se movem sobre todo esse campo de energia. Então, por que eles colocam em foco e começam a deixar entrar uma área e não outra? É muito simples: vemos aquilo em que queremos acreditar. E viramos as costas ao que não é familiar ou é desagradável.”
                                             (Candace Pert, Ph. D)

             Portanto, se construirmos a realidade como elemento de nosso estoque já existente de lembranças, emoções e associações, como podemos perceber algo novo?
         A chave são os novos conhecimentos. Expandir nosso paradigma, nosso modelo do que é real e possível, acrescenta novas opções à lista utilizada por nosso cérebro. Lembre-se, essa lista é só uma descrição operacional da realidade. Não é a realidade propriamente dita.
            Conhecimentos novos podem abrir nossas mentes a novos tipos e novos níveis de percepção e experiência.
            Informações novas são importantes, mas o conhecimento completo envolve tanto a compreensão quanto a experiência. Se você quiser que alguém saiba como é comer um pêssego, pode descrever a experiência – “é suculento, doce, macio...” - mas ele ou ela nunca saberá de fato o que é comer um pêssego enquanto não morder um. Portanto, para expandir nosso paradigma e despertar para uma vida, mas rica, precisamos de novas experiências.
         Quando foi a última vez que você provocou a própria mente? Que você fez algo escandalosamente diferente?
            Em Viagem a Ixtlan, Carlos Castaneda descreve uma das lições de Don Juan: “Espreitar a si mesmo”. Ou seja, estudar os próprios hábitos como se espreitasse uma presa, de modo a se apanhar fazendo coisas habituais e então fazer algo totalmente novo.
            De volta às velhas perguntas: se só percebemos o que conhecemos, como iremos perceber algo novo? Se é você quem faz, como poderá criar um novo você?
            Quando compreendemos que só conseguimos experimentar a vida dentro das fronteiras do que já sabemos, torna-se óbvio que se quisermos ter uma vida mais abrangente e mais rica, com mais oportunidades de crescimento, realizações e felicidade, precisamos nos empurrar para frente, fazendo grandes perguntas, experimentando novas emoções e armazenando mais dados em nossas redes neurais.
            Nós criamos o nosso mundo...
            O resultado, pelo menos para a ciência, é: Nós criamos o mundo que percebemos. Quando abro os olhos e olho em torno, não vejo o “mundo”, mas o que meu equipamento sensorial consegue perceber, o que meu sistema de crenças me permite ver, o que minhas emoções desejam ou não ver.
            Karl Pribram revolucionou o modo de pensar o cérebro quando declarou que ele é essencialmente holográfico: o processamento está espalhando por todo o cérebro e, como num holograma, cada parte contém o todo. O Universo é essencialmente holográfico e a única razão para sentirmos que estamos dentro da realidade, em vez de apenas percebê-la, é o fato de nosso cérebro estabelecer uma conexão holográfica com o que está lá fora. Portanto, nossa percepção não é processada apenas no cérebro, ela se move para além dele para interagir com o que está lá fora.
            Mas se a realidade é holográfica, é possível perceber isso de imediato? Nossos sentidos são limitados; são cortadores de biscoito dando forma à realidade. Ao passo que os exploradores da consciência relatam ser possível experimentar completamente o mundo, todo o universo e um grão de areia, o que percebemos em nossos sentidos é Maya, ilusão. Tudo depende do ponto de vista.



1.3  A ORIGEM DA INDIVIDUALIDADE


   Em se tratando de um ser vivo existe nele a capacidade de perceber o meio, percepção no qual está situado e com o qual interage. A partir do momento em que a consciência se dualiza ela “esquece” que é essencialmente una; não mais se dá conta de que o “eu”, os “eus” e todas as coisas integram uma só essência. Sentindo-se divisionária a mente, em vez de agir como unicidade, passa a agir como dualidade e por isso cobra a necessidade de interações com tudo aquilo que é percebido. Em tal condição o ser deixa de vivenciar a realidade única, unicidade e passa a vivenciar a realidade virtual, multiplicidade, que é o mundo imanente.
    Somente a metafísica especula sobre o que está além daquele limite expresso pelo mundo objetivo, mas ela se distancia muito do pensamento cartesiano adotado pela ciência oficial. Para além do ponto inicial da criação não se pode usar qualquer tipo de método científico, não se podem usar conceitos de geometria, de física, de matemática ou coisas assim. O único meio de abordagem sobre a transcendência é o da especulação metafísica e filosófica, portanto desde que nenhum método experimental se presta para este fim qualquer afirmação sobre o que está além do ponto adimensional da creação não pode ter respaldo científico, exatamente por transcender os limites da experimentação, da análise objetiva.
    A Filosofia Homeopática fala de Psora Latente Conferindo a qualidade de uma forma de angústia existencial, presente em todos os seres racionais, e quiçá nos irracionais. Mas para se entender o que na verdade é a Psora Latente em nível mental, se faz além do limite da própria creação e sendo assim não podemos obedecer aos protocolos da ciência experimental.
    Como tudo tem uma origem única fora do mundo objetivo, podemos então dizer: a angústia existencial tem origem no limite entre o mundo transcendente e o imanente, portanto fora do mundo dialético, ou seja, fora do mundo objetivo. Não adianta buscá-la em nível de organismo, e sim da própria existência do Ser.
    A Angústia Existencial atinge todos os seres. Para se entender, se faz deixar de lado o aspecto científico de nível experimental e penetrar no especulativo. Mas como a ciência experimental é totalmente ignorante no que tange à origem das coisas existentes que constituem o Universo em geral e as condições mentais em especial, isto nos leva a ter de usar premissas estabelecidas no campo da metafísica, das doutrinas filosóficas e religiosas.
    Houve o surgimento de uma Luz no início dos tempos (tempo cronológico, tempo linear, pois o tempo absoluto é eterno, portanto não tem início). No início deste universo manifestou-se algo que a ciência chama de energia e as doutrinas chamam de Luz. A ciência intitula de energia primordial existente num estado chamado de singularidade é idêntico àquela condição que as doutrinas oriundas do pensamento védico chamam de “Brahma”; as judaico-cristãs, de Deus Pai, e assim por diante.
    Temos duas condições, os dois mundos, o transcendente e imanente. A transcendência é o “nada quântico” que é considerado como sendo a Consciência Suprema, a Consciência Cósmica, que por transcender o ponto de origem do mundo imanente é considerada Una. Não existem duas consciências porque na transcendência Tudo é Um.
    A Consciência Creadora gerou duas condições distintas em manifestação. Tudo procede do Um, a primeira representa a consciência imponderável, e a segunda a consciência-energia-estruturada em todas as coisas objetivas. Ambas as condições são diferentes aspectos de manifestação de algo único que é a consciência.
    Qualquer expressão de consciência somente pode ser detectável através de algo. A Consciência Cósmica para se manifestar objetivamente necessitou criar as coisas que constituem o Universo físico, e isto conforme o pensamento dos antigos filósofos se fez sentir primariamente mediante os quatro elementos: Fogo, Água, Ar e Terra.
    Nesse processo fica evidente que a partir da unicidade se estabeleceu a multiplicidade, gerando assim dois aspectos de manifestações perceptivas da “existência Uma”. A primeira consiste em percebê-la como natureza primordial, isto é, como unicidade – Unismo; e a segunda, como descontinuidade – Dualismo, como uma “ilusória fragmentação do Uno” (Ilusão Maya). A multiplicidade é a condição que predomina quase totalmente na mente dos seres que integram o chamado “mundo Imanente”, a creação.
   A visão unista difere da dualista apenas no que diz respeito à objetividade. No dualismo Deus se manifesta objetivamente como polaridades, enquanto que no unismo como potenciais em que não há polaridades, pois o que é uno não pode comportar polaridade alguma.

1.4 O HOMEM TRANSDIMENCIONAL

   O Homem como um ser transdimensional, pois parte permanece no plano físico e parte permanece no plano espiritual. Como em um iceberg, a maior porção está submersa e não pode ser vista no plano físico.
   A porção física é temporária, perecível e descartável (realidade humana temporária), utilizada como um instrumento que possibilita ao Espírito transitar nesta dimensão, experimentando suas sensações e aprendendo lições que o mundo de sensações tem a ensinar.
   No plano espiritual, o Homem desencarnado, que não carrega o corpo físico, sua constituição é de dupla natureza, sendo parte material (derivada do fluído cósmico universal) e parte verdadeiramente espiritual (derivada do princípio inteligente).
   Quem transcende as dimensões é a porção material do homem, sendo justamente nessa porção que identificamos os mecanismos que manifestam o Espírito. É também através do estudo e compreensão da porção material do homem, assim como a interferência de sua porção imaterial, que entenderemos os seus distúrbios, para, então, chegarmos às alternativas terapêuticas de auxílio e reequilíbrio do indivíduo.
Modelo Tiller- Einstein do espaço/tempo positivo-negativo, descritos no livro Medicina Vibracional, escrito pelo Dr. Richard Gerber. Nesse modelo o Dr. Willian Tiller, da Universidade de Stanford (EUA), utilizou a fórmula de Einstein (E=m.c2) acrescida de uma constante de proporcionalidade (equação de Einstein- Lorentz).
E = M C
(1 – V 2 / C2)

E = energia c = velocidade da luz     m = massa v = velocidade
(equação de Einstein – Lorenentz)

   Uma partícula acelerada à velocidade da luz gasta uma energia absurdamente intensa maior até que em certo ponto, o aumento de sua velocidade necessita de uma energia absolutamente intensa.
   Para a matéria com velocidades inferior à da luz, chamou de: espaço-tempo positivo. Seria a matéria do universo físico. Para a matéria cujas partículas viajam a uma velocidade maior que a da luz, chamou de: espaço-tempo negativo, que comporiam a dimensão espiritual ou etérica.
   Sobre essa teoria, poderíamos imaginar que, da mesma forma que as partículas espaço-tempo positivas, ganhando velocidade, se transformam em luz e depois passam as fronteiras entre o físico e o etérico, na dimensão espaço-tempo negativa, poderíamos continuar acelerando a partícula até que ela se tornasse luz espaço-tempo negativa, e novamente estivesse na fronteira de uma próxima dimensão, mais energética e etérica ainda, e assim por diante até onde puder nos levar a imaginação.
   Na linha exata de transição entre essas duas dimensões, está o duplo- etérico, porção composta pelas partículas mais lentas da matéria espaço-tempo negativas, formadas pelo ectoplasma (matéria de transição).
   Na dimensão material, as porções mais próximas do perispírito são os neurônios e os meridianos acupunturais mais intimamente relacionados com o duplo- etérico. Já na dimensão espaço-tempo negativo, encontramos como principais estruturas de ligação os nadis e os chacras.
   Ao conjunto formado pelo duplo- etérico e seus canais de energia (chacras e nadis), meridianos acupunturais sistema nervoso e também sistema endócrino, chamamos de interface física- etérica, ou seja, a ponte transdimensional que ancora o verdadeiro EU ao seu corpo físico e provisório, agindo como um canal de comunicação de energia nos dois sentidos.
   Conhecer as leis que regem os canais de energia, saber como o perispírito age sobre o corpo físico e como o corpo físico pode influenciar o perispírito, são os caminhos que deverá seguir a medicina do próximo milênio, partindo para a exploração da matéria transdimensional, buscando as causas primárias dos distúrbios e descobrindo formas de intervir e auxiliar de maneira mais eficaz.
   Terapêuticas que agem sobre o organismo físico, estão mais relacionadas ao tratamento meramente sintomático, que procura aliviar os efeitos do distúrbio, sem intervir sobre a causa.
   As terapias que buscam a restauração dos fluxos energéticos, sua quantidade e qualidade, estão mais próximas da medicina curativa. No entanto, só haverá fim para os desequilíbrios humanos, quando passarmos a praticar a verdadeira medicina preventiva; e esta não age na porção material do homem, mas na sua Alma.
   Cirurgia, alopatia, homeopatia, acupuntura, cromoterapia, etc. são formas de auxílio que agem em diversos pontos da porção material do homem, seja ela espaço-tempo positivo ou negativo; mas a verdadeira cura só ocorrerá quando deixar de existir a causa primária do distúrbio, ou seja, a correção das patologias da Alma, dos sentimentos, das ações. O único que pode operar essa cura é o próprio indivíduo, no exercício do livre- arbítrio.
   Toda a porção de matéria física é um simples espelho do indivíduo, usado por ele para manifestar-se e interagir como mundo onde vive. Não existe possibilidade de tratamento a base de química se não houver um entendimento das ações, pensamentos e sentimentos gerados pelo indivíduo não resultando na cura. A homeopatia atua no campo vibracional do indivíduo, acelerando a força vital proporcionando a cura. As exonerações mental, emocional, energética e conseqüentemente física é simplesmente a força interna de cada um de nós (do Eu Superior) atuando na percepção verdadeira do Ser.

1.5 INDIVIDUALIZAÇÃO E PERSONIFICAÇÃO

Todas as condições manifestas querem se tratem de estruturas físicas, quer de estados mentais, tem uma origem única. Vamos considerar o que ocorreu com aquilo que chamam de origem única, ou seja, a fragmentação do “Um”. As teorias científicas que dizem respeito à fragmentação apenas se referem ao que ocorreu em termos de energia, falam de como, a partir desta, se estruturam as galáxias, os sistemas planetários. Quando estudam as reações dos seres, em particular as atividades psíquicas, partem da premissa de que elas são formas de comportamento da matéria. O que não se pode negar é que, seja qual for à reação mental, a manifestação psíquica, ela em potencial, já estava naquele ponto primordial. Mesmo que se considere a mente como algo inerente a uma das formas reacionais da matéria, ainda assim é preciso que se aborde como a partir da unicidade ela se fez sentir como multiplicidade. A ciência informa de como a energia se expandiu e se estruturou fragmentariamente, como se estabeleceram as coisas concretas, mas nada fala do que ocorreu no tocante à natureza abstrata da creação.
A origem das emoções, dos sentimentos e como não existe qualquer informe de natureza científica têm que apelar para conceitos ensinados pelas doutrinas metafísicas tradicionais antigas. Lembramos que a ciência oficial começa onde a metafísica termina e que esta não é passível de comprovação experimental. A origem da angústia existencial, algo que transcende ao âmbito da experimentação científica, então só podemos contar com a lógica e os legados de sistemas filosóficos e metafísicos. Desde que a causa primeira dos sofrimentos tem origem além do limite do mundo objetivo, portanto fora do campo de atuação da ciência experimental, então não temos como mostrar objetivamente o porquê da angústia existencial-Psora latente, a não ser através de proposições metafísicas.
As manifestações dos miasmas são passíveis de experimentação dentro de paradigmas científicos por situarem-se nas reações estruturais do organismo, mas o mesmo não acontece em se tratando da origem e desenvolvimento da angústia existencial.
Em nível de unicidade não é possível haver o “eu” e o “tu”, pois tudo é coeso, o que não acontece em se considerando à diversidade. “Desde o momento em que a consciência unida em um ponto único se tornou parcialmente dividida pelo próprio processo da creação, de imediato surgiu à possibilidade do estabelecimento do “eu”, do “tu”, dos “outros” e “das” coisas”, isto é, a existência de fatores que podem se constituir ameaças ao pretenso “eu” individual.
A Consciência Cósmica, no processo do “ver a si mesma”, se projeta sob dois aspectos: um que consiste na creação de “espelhos” para nele se refletir; coisas limitadas e fragmentárias que refletem leis e princípios, ou seja, substratos nos quais ela se manifesta. O outro que é a própria consciência essencial, dando conta de si mesma. Surge o observador e o observado e assim tem lugar o início da individualização, ou seja, o se sentir como algo diferente dos demais, e a personalização, que consiste no se dar conta de si, o que equivale ao “eu sou eu”.
A individualização consiste do ser se sentir distinto dos demais, mas sem que ele se dê conta disso. É uma reação na qual basicamente se manifesta o instinto e não a razão. A partir de um determinado ponto da escala biológica um animal tem individualização, mas não a personificação. Mesmo que o ser possa viver em grupo ainda assim ele age como unidade independente; luta, compete, lidera, mas não tem noção do “eu sou”. Por outro lado, a personalização consiste no ser se dar conta de si mesmo, ter noção do “eu sou”. É nesta fase que é constituído basicamente o “ego”. É uma conseqüência direta da natureza descontínua do universo imanente; a descontinuidade promove a separação daquilo que é em essência Uno.
É a partir da personificação que surge o “ego” que na verdade se trata de algo que existe tão somente como uma condição da mente. Graças a este elemento é que o “ter consciência de si” faz com que o ser se sinta isolado de tudo e de todos; quando muito ele mantém inter-relacionamentos com as supostas frações do Todo Uno. Nesta situação ele sente a necessidade de provar a existência de um “si mesmo”, ou seja, lhe é imperioso provar a sua existência através de pontos de referência fora de si, e é isto o que faz se sentir cada vez mais separado da Unicidade. Mas é somente quando ocorre o “se dá conta de si” como sendo um ser independente, que surge a personalidade. Na verdade isto, em termo de Unismo, é uma ilusão, pois coisa alguma está plenamente dissociada do Um Essencial. O próprio nome personalidade deriva de persona que quer dizer máscara. Na verdade a personificação é uma máscara por detrás da qual a face é sempre a mesma, portanto a rigor não existindo separação alguma. O “eu” e o “tu” são apenas aspectos de manifestação do “Um”. O viver no mundo imanente, em nível dualístico pode ser comparado com um teatro cujo artista usa uma máscara para vivenciar um personagem que não é ele próprio, portanto tratando-se de uma ilusão. O que é pior nisso tudo é que ele acaba por acreditar que o personagem representado pela máscara é seu verdadeiro “eu”.
A partir do momento em que o “eu” se vê como um ser distinto, ele tenta se auto afirmar como tal, pois já não tem mais a clareza de consciência para sentir que todos são “Um”. Mas por isso há um elevado preço a ser pago, o ser se sente só, como tal ele tenta se proteger dos demais de várias maneiras promovendo o fortalecimento e crescimento do “ego”. Quando o ser toma consciência de si como “eu sou” ele se personifica, é quando ele deixa de ser indivíduo para ser pessoa, ponto de surgimento do “ego”.
A consciência por se manifestar divisionariamente deixa de ser clara e ilimitada, para se tornar limitada e opaca; deixa de sentir imortal, para se sentir mortal; deixa de se sentir como Todo, para se sentir como parte; de se considerar um “eu”, para aceitar a ilusão da existência de “os outros”. Por não ter mais toda a clareza de consciência o ser crê pertencer a um mundo do qual ele sente-se como um “eu” entre um incomensurável número de “outros”. Em tal condição, é natural que ocorra a manifestação de um estado de “insegurança existencial” diante do que ele sente a necessidade de estabelecer mecanismos de defesa para conservar a integridade daquele “eu” de forma competitiva.
Não toda a Psicologia, mas algumas linhas acreditam que o viver sem conflito é um estado de liberdade, não se dando conta, porém de que este mundo dialético funciona num nível restrito, que a liberdade na imanência é semelhante a um prisioneiro que adaptou à própria cela, onde por um determinado tempo não percebe que está vivendo num nível restrito, sendo por isso incapaz de assimilar a riqueza total de outras experiências existenciais “interiores” e “exteriores”. São incontáveis os mecanismos sociais, morais, familiares, econômicos, institucionais, etc. que tem como objetivo fazer a pessoa viver bem através de uma cristalização do “ego”.
O “ego” é algo que a pessoa acredita ser a sua própria natureza pessoal, esquecendo que se trata de um amontoado de conceitos individualizantes. A individualidade é o que há de mais marcante nas pessoas a nível de mundo imanente. É o “ego” que separa que diferencia que fragmenta, portanto afasta o indivíduo da sua natureza essencial “uma” que na verdade está representada pela expressão: “Os altos afins da existência”. O mais elevado fim da existência é aniquilação da dualidade, o pleno retorno à origem, o que indica o passar da posição de egoísta para a de altruísta. Como disse Jesus: “Amai a teu próximo como a ti mesmo”, cuja conotação é UNISTA. Mesmo considerando o altruísmo, as religiões pregam o dualismo, pregam a separação afastando a pessoa da Realidade Única, tirando-a do caminho da libertação e orientando-a para o alvo da acomodação dualística.
É o estabelecimento do Princípio da Descontinuidade a origem do sofrimento oriundo da insegurança existencial como dualidade. O ser se sente desprotegido, vulnerável por todos os lados o que o leva a tentar inúmeras formas de preservação, modos para proteger a pseudo-idéia do “eu” individual, fortificando cada vez mais as qualidades que caracterizam o “ego” ao preço da ampliação da angústia primária – angústia existencial e da angústia secundária oriunda dos apegos.


1.6 O DOMÍNIO DA MENTE SOBRE A MATÉRIA

Tudo O que somos é resultado do que pensamos. A mente é tudo. Nós nos tornamos aquilo que pensamos.
                                       Buda   
   Observe seu estado mental.
   Pendure um piano grande, de armário ou de calda, a 1m de altura sobre seu pé.
   Solte o piano
   Observe seu estado mental.
   Se você não for o Pica-Pau, o Patolino ou o Coiote, seu estado mental será significativamente diferente. O que não é surpresa, pois a matéria é sólida e substancial enquanto a mente é efêmera e imaterial. Isto é certo?
O método científico é o mais objetivo dos métodos humanos de investigação. Ele é absoluto, não está vinculado ao gênero é uma ferramenta absolutamente poderosa de investigação da realidade nas mãos de quem estiver disposta a utilizá-la.
O método científico é o seguinte: pegue uma teoria, imagine um experimento que a teste, eliminando todas as influências espúrias, execute o experimento se a teoria for contrária, procure outra.
Acho que o interessante na física é ela ser uma forma genuinamente nova e inovadora de tentar um entendimento com o mundo. Penso que o método experimental, importante para a física, é muito diferente do método da revelação ou do método da meditação.
Há cientistas tão preconceituosos como seres humanos quanto qualquer pessoa. Há o método científico, criado especificamente para minimizar a influência do preconceito. Isso é a ciência propriamente dita.
Existe todo um domínio da física chamado setor oculto, que nos é dado pela teoria das supercordas. Ele é um mundo em si mesmo. Ele permeia esse espaço, nós andamos através dele. Em princípio, podemos até vê-lo de forma difusa. Isso provavelmente é o que chamamos de mente. Existem corpos-pensamentos que vivem lá como as criaturas físicas vivem aqui.

AS MENSAGENS DA ÁGUA

O doutor Masaru Emoto fez um grande sucesso com seu livro Mensagens oculto na água, que mostra fotografias surpreendentes de cristais de água congelada depois de submetidos a estímulos não físicos. Ele começou por expor os cristais de água à música – de Beethoven a rock pesado – e fotografar os resultados. Depois de a música ter claramente afetado o tamanho e a forma dos cristais, ele passou a trabalhar com a consciência. Afinal a música cria um objeto físico que pode afetar as ondas de matéria-som; mas, e os pensamentos?
O doutor Emoto põe nas garrafas de água rótulos que expressam emoções e idéias humanas. “Algumas são positivas, como “muito obrigado” e” Amor”. Outras são negativas, como “Você me enoja, vou matá-lo.” Contrariando a sabedoria dominante na ciência, a água respondeu a essas expressões, embora as palavras não tivessem criado uma ação física mensurável. A água como mensagens positivas formou belos cristais, a com mensagens negativas ficou feia e mal formada.
A resposta a essas fotografias foi mundial. Como conseqüência, pesquisadores científicos estão em atividade, repetindo o experimento. A réplica independente é parte integrante do método científico.
O que une toda a humanidade, toda forma de vida, é a água. De 70% a 90% de nossos corpos são de água. A superfície do planeta é principalmente água. Em sua brilhante inspiração, o doutor Emoto vai ao coração do elemento físico comum a todas as formas de vida. Se a vida (nós) pode afetar o mundo físico, é natural que isso apareça na água.
Como se vê, há muito que a comunidade científica deva considerar. As experiências não param. Os resultados estão sendo publicados. O que queremos saber é: quão real é o domínio da mente sobre a matéria? Se os pensamentos têm esse efeito sobre a água, imaginem o que podem nos fazer.
Se o domínio da mente sobre a matéria é um aspecto da realidade, e se com o exemplo do piano de que o domínio da matéria sobre a mente também acontece, o que isso significa?
Mente sobre matéria, sobre mente, sobre matéria de novo é outra hierarquia complexa, outro aspecto do universo. O dualismo está impregnado nesses conceitos: sujeito/ objeto, dentro/ fora, ciência/ espírito, consciência/ realidade. A visão do mundo apontada aqui mais uma vez se infiltra em nossa linguagem e pensamento. Que tal a mente como matéria e, portanto a matéria como mente?
Que tal a matéria como informação ou a mente como informação?
Nesses momentos a atração sugestiva da física quântica é quase irresistível. O fato de que a matéria acabe parecendo informação prova que a mente é como a matéria? Bem, se não prova, parece sugerir que essa visão está indo na direção correta.
Ela sugere isso tanto quanto um piano cair sobre o seu pé, sugere dor; assim como os observadores (conscientes ou não) afetam o que é observado; como as partículas conectadas em lados opostos do universo sugerem um mundo que não é dual. Aliás, não só sugerem como provam. O sonho de Newton de um universo dividido acabou, e, nesse espírito de ação afirmativa positiva, a pergunta é: o que vamos fazer com isso?


1.7 A CONSCIÊNCIA CRIA A REALIDADE

A questão mais aflitiva para o Espírito no Além é a Consciência do Tempo Perdido.
                                         Chico Xavier

Eu crio minha própria realidade ou sou uma folha na tempestade? Sou a origem que determina os acontecimentos de minha vida, ou ela está no final de uma corrente, determinada em um instante pelo big bang?
Vimos como toda vez que saímos da cama ou interagimos com o que está “lá fora”. O que é realidade?  Eu crio minha própria realidade? Se o bom senso diz que criamos alguns acontecimentos em nossa vida (o que vamos comer no café –da – manhã, com quem vamos nos casar, qual carro vamos comprar), parece certo exagero dizer que você tem alguma coisa a ver com o fato de aquela árvore ter caído sobre aquele carro.
Na verdade, o conceito de que criamos a realidade (afinal, ela é criada de alguma maneira – ela está aí!).
Eu crio você também cria, e o que criamos é diferente, e aí?
As coincidências existem?
Uma criança que passa fome criou essa situação?
E os desastres naturais?
Quem é o “eu” que está criando?
E essas perguntas por sua vez estão ligadas aos conceitos de carma, ser transcendental, ressonâncias de freqüências específicas, atitudes, responsabilidade pessoal, vitimização e poder.
Mas a questão final é: o lado do muro em que você se situa com relação a esse conceito tem o maior impacto isolado sobre a vida que você leva.
Toda fala, toda ação, todo comportamento são flutuações da consciência. Toda a vida emerge e é mantida na consciência. O universo inteiro é a expressão da consciência. A realidade do universo é um oceano ilimitado de consciência em movimento.
Por mais útil que seja nas circunstâncias do dia-a-dia afirmar que o mundo existe “lá fora”, independente de nós, essa visão não pode mais ser mantida. Não somos somente observadores de passagem no palco cósmico, formadores e criadores vivendo em um universo participativo. Todos nós costumamos pensar que tudo o que nos cerca já é algo que existe sem nossa interferência ou escolha. Precisamos realmente reconhecer que até o mundo material ao nosso redor, as cadeiras, as mesas, as salas, o tapete, tudo são apenas movimentos possíveis da consciência. E eu escolho a cada momento entre esses movimentos para poder manifestar a minha experiência concreta.
Não é a mente sobre a matéria; é mente = matéria. A consciência não cria a realidade, consciência = realidade.
Pense nos dois lados do muro:
Consciência
 Mente
 Espírito
 Ser transcendental
 Deus
 Realidade Física
 Matéria
 Ciência
 Natureza
 Coisas
Consciência é a irradiação do nosso pensamento. Temos de meditar e atingir estados incomuns de consciência, antes de nos tornarmos criadores de nossa própria realidade.
Tudo o que fazemos tudo o que pensamos, todos os nossos planos se propagam e afetam o universo. No entanto, a maior parte do universo não se incomoda com isso, razão pela qual nosso pequeno pensamento individual não tem ação imediata e não muda o que vemos. Posso imaginar que, se cada um de nós fosse tão poderoso que nossos menores desejos se propagassem e afetasse o universo, nós nos destruiríamos quase instantaneamente.
Pense nisso: Como está hoje nosso Planeta?
Como está hoje nossa saúde?
Como vivemos? E o medo que nos rodeia? E a busca incessante da felicidade ilusória? A busca desenfreada da beleza?
Amamos verdadeiramente sem posse?    
A consciência e a energia criam a natureza da realidade, e atitude é tudo.
Um estudo recente de dois físicos Ellen Langer e Rebecca Levy em Harvard comparou a perda de memória em idosos de culturas diferentes. Os americanos médios, cuja cultura teme a idade avançada e sabe que com ela as capacidades diminuem, tiveram uma perda de memória substancial (um dos fatores são a alimentação totalmente industrializada, conservantes e outros elementos químicos, sem a presença de energia vital). Já os chineses, cuja cultura valoriza muito a ancianidade, não só apresentaram uma perda de memória muito pequena, como se saíram quase tão bem quanto os mais jovens. Cada cultura produziu idosos compatíveis com a atitude predominante em relação ao envelhecimento.
Há ainda os franceses, cuja cultura aceita sem problemas os hábitos de beber vinho, fumar, comer doces, consumir molhos que aumentam o colesterol. Eles envelhecem com saúde magros e felizes. Foram realizados muitos estudos na tentativa de descobrir qual o segredo deles, já que, de acordo com as teorias atuais, deveria haver uma ponte de safena para cada loja de doces. Não se trata de um segredo: é a atitude. Eles adoram o que comem e não sentem culpa por isso.
Como nossas atitudes estão codificadas nas estruturas neurais, e o que é criado a partir daí. Emoções e Dependências. Por que crio a realidade em que me encontro? Como usar conscientemente o machado da criação? Enquanto escolhas e mudanças acompanham o movimento do machado para ver o que acontece em nossa vida. A quem você deve escutar? Àquela pessoa que na realidade você sempre escuta – você mesmo.

1.8 ANÁLISE DO SOFRIMENTO

   Buda ensinava que a única função da vida é a luta pela vitória sobre o sofrimento,                                  empenhar-se em superá-lo deve ser a constante preocupação do homem.
   Após tentá-lo mediante o ascetismo mais austero e as disciplinas mais rígidas, o jovem Gautama afastou-se do monastério com alguns candidatos desanimados e foi meditar calmamente, logrando a Iluminação.
Estabeleceu a teoria do ‘caminho do meio’ para alcançar a paz. Nem mais a austeridade cruel, nem as dissipações comuns, mas o equilíbrio da meditação.
Voltou-se então para a libertação dos homens e estabeleceu as quatro Nobres Verdades: o sofrimento, suas origens, a cessação do sofrimento e os caminhos para a libertação do sofrimento.
Segundo as suas reflexões, o sofrimento se apresenta sob três formas diferentes: o sofrimento do sofrimento; o sofrimento da impermanência e o sofrimento resultante dos condicionamentos.
O sofrimento do sofrimento é resultado das aflições que ele mesmo proporciona.
A dor macera os sentimentos, desencoraja as estruturas psicológicas frágeis, infelicita, leva as conclusões falsas e estimula os estados de exaltação emocional ou de depressão conforme a estrutura íntima de cada vítima.
Apresenta-se sob dois aspectos: físico e mental, na imensa área das patologias geradoras de doenças. Nesse caso, o sofrimento é como uma doença e resultado dela.
As doenças, porém, são inevitáveis na existência humana, em razão da constituição molecular do corpo, dos fenômenos biológicos a que está sujeito nas suas incessantes transformações.
A abrangência da ação da matéria sobre o espírito particularmente nos estágios mais primitivos enseja sofrimentos constantes face às doenças físicas contínuas e às distonias mentais freqüentes.
À semelhança do buril agindo sobre a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que a encarcera.
Nessa área, a ciência médica alcançou um elevado patamar do conhecimento, debelando antigas enfermidades que dizimavam milhões de existências e alucinavam multidões.
            A lucidez do diagnóstico, a habilidade cirúrgica, a farmacopéia rica e as diversas terapias alternativas têm contribuído com um grande contingente de socorro para atender os enfermos. Embora os surtos periódicos de antigos males e o surgimento de outros que a imprevidência gera, essa conquista expressiva contribui para que tal sofrimento seja atenuado.  
            Na área das psicopatologias a visão humana é hoje mais benigna do que no passado, considerando o enfermo mental um ser humano, e como tal prossegue, ainda que momentaneamente tenha perdido a identidade, o equilíbrio, com o direito de receber assistência, oportunidade a amor.
Multiplicaram-se, lamentavelmente, porém, os distúrbios existenciais, comportamentais, na área psicológica, nascendo à chamada geração neurótica perdida no mare magnum das vítimas do sexo em desalinho, das drogas alucinantes, da violência e agressividade urbanas, do cinismo desafiador.
Os avanços tecnológicos não bloquearam os corredores do desespero; a cultura hedonista, fria em relação aos valores morais, e as guerras contínuas fomentaram o medo, a insatisfação, o desespero, as fugas emocionais.
            A juventude insegura tornou-se a grande vítima a um passo da depressão, da loucura, do suicídio.
Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.
O Ser Humano passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.
A doença, todavia, é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microorganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita. Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.
Momentaneamente, com a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, porém, a situação, em outro quadro patológico mais tarde.
A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.
            Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas profundas das enfermidades.
A cura sempre provém da força da própria vida, quando canalizada corretamente.
As tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças – sofrimento que gera sofrimento.
O homem, desde as suas origens sociais, aprende a ter medo, a conservar mágoas, a desequilibrar-se por acontecimentos de somenos importância, desarticulando o seu sistema energético. Passa de um aborrecimento para outro, cultivando vírus emocionais que facultam a instalação dos outros, degenerativos, responsáveis pelo agravamento das suas doenças.
Os condicionamentos, as idéias pessimistas, as crenças absurdas, as ações vexatórias são responsáveis pelas tensões que levam à desarmonia.
Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.
As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.
De imediato há o prazer que gera sofrimento.
O cotidiano demonstra que a busca insaciável do prazer constitui um tormento que aflige sem compensação. Quando se tem a oportunidade de fruí-lo, constata-se que o preço pago foi muito alto e a sensação conseguida não recebeu retribuição correspondente.
Ademais, há aquisições que proporcionam prazer em um momento para logo se transformarem em dores acerbas. E o responsável por esse resultado é a ilusão. A maioria dos sofrimentos decorre da forma incorreta por que a vida é encarada. Na sua transitoriedade, os valores reais transcendem ao aspecto e à motivação que geram prazer.
Esse é o sofrimento da impermanência das coisas terrenas. Esfumam-se como palha ao fogo, atiçado pelo vento, logo se transformando em cinza flutuando no ar.
Para conseguir desfrutar de determinado prazer o indivíduo investe além das possibilidades, constatando, depois, quantas dificuldades têm a enfrentar para manter essa conquista. A luta para possuir um automóvel último modelo expõe-no a compromissos pesados para o futuro. A imaginação estimula-o com a ilusão da posse para averiguar, passado o prazer, que não têm condições para preservar o veículo adquirido, ou os móveis, ou a residência, enfim, tudo quanto é impermanente e brilha com atração apenas por um dia...
Medidas as possibilidades sem sacrifícios, é factível constatar até onde pode aventurar-se, sem os riscos de sofrer dores e arrependimentos tardios.
Essa visão correta, realista, que se adquire da existência, emoldura-a de harmonia. No entanto, a fantasia injustificada responde pelo choque inevitável com a realidade.
Certamente, a cautela nas decisões não se pode converter em medo de agir, em cultivo de pessimismo para o futuro. É a ambição irrefreada, a precipitação, a falta de controle, que abrem espaços emocionais para o prazer que gera dor.
Aí estão os vícios sociais e morais estiolando vidas, produzindo a lassidão dos sentidos e, a médio, curto ou longo prazo conduzindo à loucura, não autocídio. São alguns deles o inocente cigarro de exibição no grupo social como afirmações da personalidade, eliminação de tabu, respondendo por graves problemas respiratórios, cânceres, enfisemas pulmonares; o prazer etílico gerador de ressacas tormentosas, cirroses hepáticas, úlceras gástricas e duodenais, distúrbios intestinais e outros, além das alucinações que levam à violência, à depressão, à destruição de outra vida e tudo quanto é caro, precioso, com resultados funestos; as drogas, que escravizam, iniciando-se as dependências nas primeiras tentativas que parecem proporcionar prazer, estimulando à alegria, a coragem, a realização, vitórias fugidias sobre os fortes conflitos psicológicos, logo se convertendo em desgraças, às vezes, irremediáveis...
O engano de considerar-se invencível, superior, provando o desconhecimento da fragilidade e da impermanência do conjunto que o constitui, especialmente de seu corpo, faculta, ao ser, prazer mentiroso, que o desperta sob grande sofrimento.
Ninguém escapa às conjunturas que constituem a vida. Programada de forma a educar e fortalecer, seus aprendizes não a podem burlar indefinidamente.
Enfrentar as vicissitudes e superar os valores indicativos de prosperidade, de prazer injustificável, eis como poupar-se ao sofrimento. É certo que um número significativo de prazeres se apresenta, sem riscos de converter-se em fator afligente.
O sofrimento, portanto, quando se tem dele consciência, é facilmente evitável.
O sofrimento resultante do condicionamento abarca a educação incorreta, a convivência social pouco saudável, que propiciam agregados físicos e mentais contaminados.
A escala de valores, para muitos indivíduos, apresenta-se invertida, tendo por base o imediato, o arriscado, o vulgar e o promíscuo, o poder transitório, a força, com relevantes para a vida. Os seus agregados, sob altas cargas de contaminação, produzem sofrimentos físicos e mentais duradouros.
As festas ruidosas atraem a atenção, as companhias jovens e irresponsáveis despertam interesse, as conversações chulas produzem galhofa, que são satisfações de um momento, responsáveis por sofrimentos de largo porte.
Ao mesmo tempo, a contaminação psíquica e física, derivada dos condicionamentos doentios dos grupos sociais e dos indivíduos, promove sofrimentos, que poderiam ser evitados.
A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedem da sua conduta mental e moral edificante.
             O homem vive na Terra sob a ação de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte. Essa conduta é resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, que deve encarar como processo da evolução.
Herdeiro da própria consciência é também legatário dos atavismos sociais, dos hábitos enfermos, dentre os quais se destacam esses pavores que resultam das superstições, desinformações e ilusões ancestrais, formando os condicionamentos perturbadores.
Absorvendo e impregnando-se desses fatores negativos, os sofrimentos apresentam-se inevitáveis, produzindo distúrbios psicológicos, mentais e físicos por somatização automática.
A educação calçada nos valores ético-morais, não-castradora, que estimule a consciência do dever e da responsabilidade do indivíduo para com ele próprio, para com o seu próximo e para com a vida, equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito equilibrado pela existência física. Esse conhecimento prepara-o para que saiba selecionar o que lhe é útil e saudável, ajudando-o no crescimento interior para a sua realização pessoal. Enquanto este discernimento não se transformar em força canalizadora para o seu bem, o indivíduo experimentará o sofrimento resultante do condicionamento, que lhe davém dos agregados físicos e mentais contaminados.

 CAPÍTULO 2

 2.1     O HOMEM DE CABEÇA PARA BAIXO


   Comecemos pelo subsolo abaixo das rochas. Aí está o rio da vida que corre por todos os terrenos e penetra em todas as mentes: é a alma – A Memória Divina. Esta memória divina torna-se ânima e cria a vida a partir do momento em que ela penetra no ser na primeira inspiração. Como anima ela se confunde com a força vital ao misturar-se com a energia física do ar nos pulmões da criança. Ao penetrar concomitantemente nas glândulas pineal, hipófise e timo ela faz um circuito de armazenamento das informações Cósmicas e do próprio parto e então a semente da personalidade está devidamente embrionada.
   O restante dos fenômenos é jogo de circunstâncias, entrelaçamento de forças, desdobrar de energia... A Alma é nossa dimensão divina e estando enferma sua terapêutica será a fé. Com o contato da nossa razão com a nossa alma através do inconsciente.
   Acima do nível da água estão as rochas. Elas são quatro: O Instinto, À vontade, A Razão e a crença. Formam a Base da Personalidade e poderemos também denominá-las de Id, Ego, Superego e Self, respectivamente. Essas rochas começam a se formar a partir do sofrimento primitivo registrado no sistema nervoso do feto antes e durante o nascimento e completam-se fechando o primeiro ciclo aos sete anos de vida.
   Até aí a criança viveu e ao viver o embrião divino plantado no eixo Timo - Pineal lançou suas raízes em direção à Psique ou Terreno Mental, e seu caule em direção à soma, ou corpo físico. Apesar de termos um corpo e uma mente formados aos sete anos, muito pouco foi particularmente ou exclusivamente decisão ou participação dele. Para mim o indivíduo começa a existir aos sete anos. Até lá só uma promessa de gente ganhando e armazenando memória, hereditariedade, energia, agressão, medo, afeto etc. Mas então quem tomou as decisões nesse primeiro estágio do desenvolvimento da personalidade? Certamente toda a configuração de informações contidas nas glândulas endócrinas e no movimento vibratório da molécula espiralada do DNA e RNA. Isto é todas as decisões foram inconscientes.
   Cada Rocha configura um campo magnético na formação de cada raiz espiralada em uma determinada fase do desenvolvimento pessoal. O Instinto corresponde ao Id que seria nossa percepção sensorial e concreta de nós mesmos e do mundo, é, portanto a primeira rocha a ser formada. O campo magnético dessa rocha configura a raiz dual da Bondade/Maldade, da Agressão/Fuga. É a fase de intensa participação e engajamento materno. Se a pessoa permanece muito tempo na polaridade negativa essa raiz passa a ser vertente da Enfermidade Crônica Psicossomática chamada pela Homeopatia de Luetismo.
   A rocha da vontade corresponde ao Ego que seria a nossa percepção afetiva de nós mesmos e do mundo, e é a segunda rocha a ser formada. O campo magnético da rocha configura a raiz dual da Ansiedade/Serenidade, do Medo/Confiança. Na polaridade negativa ela canaliza a Enfermidade Crônica Psicossomática chamada pela Homeopatia de Psora.
   A Rocha da razão corresponde ao Superego que seria a nossa percepção racional e abstrata de nós mesmos e do mundo, e é a terceira rocha a ser formada. Neste estágio do desenvolvimento infantil a responsabilidade maior é do pai ou da mente masculina. Seu campo magnético configura a polaridade Orgulho/Humildade ou Desconfiança/Confiança. Esta raiz é imantada pela enfermidade crônica psicossomática denominada na Homeopatia de Sicose.
   Chegamos agora na crença que na verdade é o cimento entre as rochas, estabilizando os alicerces da personalidade e por isso corresponde ao Self que é a nossa percepção intuitiva da nossa modelagem existencial. Vamos dizer que a Crença e o Self correspondem à noção muito íntima do todo em nós mesmos e da nossa participação nele. O contrário disso é o apego a qualquer dos outros três estágios. Se há crença a personalidade é estável, se não haverá um processo ansioso de busca dessa estabilidade, pois que sempre estará presente uma sensação de abandono, de medo, de culpa. Talvez esse seja o “Pecado Original” de todos nós. Cair no apego de uma ou outra face de nossa personalidade e perder o elo com a totalidade. A formação do Self se dá dos sete aos quatorze anos, quando o jovem entra em meditações naturais e espontâneas, que nós simploriamente denominamos de “Jovens Desligados”.
   Onde no Ser vivo estará presente esta noção de totalidade? Na memória vibratória do DNA/RNA. Pois são essas moléculas que gerenciam tudo segundo um padrão de formação. Aqui começa a busca mitológica do Graal o Cálice do Sangue Sagrado onde contém toda a nossa história dos antepassados e do presente.
   A Memória Divina pode trazer o registro de suas vidas passadas. É uma busca intuitiva de cada um. Cabe a cada um de nós verificarmos a correspondência com sua verdade interna e dar liberdade aos outros para que também o façam. Enquanto as raízes cresceram nos planos mentais, o caule (corpo humano) cresceu no plano físico. Toda a informação da glândula timo foi transferida para as células do corpo através do sangue bombeado pelo coração.
   Aos sete anos o timo está diminuto, mas dá a cada um de nós a noção mecânica e automática do “EU”. Quando falamos essa palavra e instintivamente colocamos nossa mão em cima do peito, pronunciando a palavra “EU”. A captação das informações foi feita, e resta ao caule somente crescer, desenvolver e aumentar o número de células.
   A cada raiz mental corresponderá um galho maior da árvore. Os galhos menores serão formados por agrupamentos de doenças. Nossa árvore terá cerca de três mil galhos, se tornarmos como referência todas as doenças cadastradas pela Organização Mundial de Saúde, é lógico que uma pessoa terá somente alguns galhos doentes.
   À medida que somos vítimas de sintomas mentais escravizantes, como o medo, desconfiança, culpa ou muitos outros, as raízes deverão drenar o campo alterado de energia para os galhos e suas células correspondentes. A cada grupo de sintomas psíquicos escravizantes estabelece um grupo de sintomas físicos persistentes particulares modelando uma das três enfermidades crônicas.
   Psora, Sicose e Luetismo, somente curadas por um medicamento energizado de vibração maior e semelhante àquela enfermidade: o Medicamento Homeopático.
   Quando cortamos os galhos com intervenções químicas ou cirúrgicas provocamos o efeito da supressão dos sintomas físicos cuja energia negativa será recolhida nas raízes mentais ou será drenada para outros planos orgânicos mais profundos.
   Estamos juntos agora num momento mágico. Você vai ter que tomar algumas decisões. Você vai nascer..., seu coração palpita, o útero contrai lhe empurrando para fora, a placenta lhe sustenta, a bolsa rompe. Chega o momento Crucial o momento de conhecer a Cruz da Vida.
   Cruz é Sabedoria, é Vida é o Ser na sua Dimensão Universal!
   Agora é sua primeira decisão: receber o sopro da Vida que entrará pelas suas narinas. Você decide viver e chora quando o ar entra em seus pulmões. É a Primeira Dor.
   Primo Sofrimento que é registrado no Sistema Nervoso Autônomo.
   Segunda Decisão Inconsciente: “Perda do Útero cortando o cordão umbilical.” Ganhou a vida, mas Perdeu a proteção uterina registrado no Sistema Nervoso Autônomo.
   Ganhar e Perder torna-se a primeira lição da vida. O braço Horizontal da Cruz.
   O Perder tem o significado altruístico do Desapego total em relação à Vida, colocando a personalidade em contato direto com sua Mente Intuitiva. Assumir a perda é assumir a crença na Personalidade-Alma. Perder significa, portanto, entregar tudo de si. “EU NÃO PERCO EU ENTREGO”.
   A busca inconsciente do reconhecimento os recém-nascidos que vão para o berçário buscarão por muitos anos o reconhecimento da mãe. “Você gosta de mim”? Você me quer?
   “Você tem que me amar.” Ser reconhecido recebendo o abraço e o olhar da mãe é a terceira decisão inconsciente.
   A quarta etapa vem o choro pedindo alimento. É uma decisão importante do sistema nervoso. Para ter o alimento é preciso gritar, chorar, clamar. Sobreviver na busca do alimento é a quarta decisão inconsciente que você toma.
   Ser e Ter é o braço vertical da Cruz da Vida.
   Entre o Ser e o Ter e o Ganhar e o Perder identificam-se os alicerces da Personalidade. Em cada pessoa haverá uma maneira diferente de fazê-lo com critérios próprios, com uma ansiedade básica.
   Esta ansiedade evoluiu para um grau maior o MEDO.
   O Sistema Imunológico não é um sistema de defesa. Sua ação é ampla no organismo gerenciando toda a produção de células e, também atua por mecanismo não bioquímico e até por ações puramente energéticas com produção de calor ou frio. Sua sensibilidade é tão grande que participa da programação molecular dentro das células. Tem intensa relação com a estrutura e o padrão psíquico de cada indivíduo. Como um radar, o sistema imunológico rastreia o campo magnético e acusa a presença de agressões psíquicas e físicas, mas também dá a qualidade do terreno, da herança, da nutrição, do campo emocional de cada um. Para um trabalho tão sensível, tal sistema não poderia ser rústico com ações simplesmente celulares e bioquímicas.
   O Sistema Imunológico é também de estrutura imaterial, tem forte relação com a força vital e até se confunde com ela, governando automaticamente toda a homeostase.
   Medo e Sistema Imunológico são co-geradores de muitas reações inflamatórias.
   O Primo Sofrimento agora arquivado no Sistema Nervoso impõe um tipo de onda energética que se irradiará pelo Tempo e Espaço, pela vida afora e pelo organismo todo.
   Com a qualidade de sofrimento já definido no inconsciente do Bebê, surgirão as manifestações de ódio pertinentes.
1-    Medo
2-    Defesa
3-    Ataque/Fuga
   Todo esse conjunto Psíquico Reacional atingirá a Força Vital e será captado pelo Sistema Imunológico.
   Três Síndromes Psicossomáticas: Psora, Sicose e Luetismo.
   No Bebê, o toque estimula o sistema imunológico. Se a criança não tenha sido tocada adequadamente no primeiro mês de vida, terá um comportamento instintivo defeituoso, que na Personalidade gerará ausência de auto-estima, dificuldade de raciocínio, inquietude e busca incessante de emoções e prazeres compensatórios, com forte sentimento de culpa. Marcando a Personalidade com impulsos agressivos de ataque e fuga. Não medirá conseqüência para seus atos. Sua frase: “Eu não devia ter nascido!”.
   Com dois anos, o Bebê, já tem noção de sua individualidade. Já diz “EU-VOCÊ” e sabe o que está dizendo. Terá consciência dos elogios e de suas rejeições. Um EGO mal formado nesses dois primeiros anos é como nós no tronco da árvore, gerando auto-estima baixa.         Manifestará seu ódio através das reações de medo. Será indeciso na vida, vai querer experimentar tudo e não se decidirá por nada. Pedirá as opiniões dos demais. Sua frase: Porque Nasci.
   O Super Ego se completa aos sete anos. A presença do Pai é mais importante                                      que a da Mãe. Toda a formação do juízo, da noção de dever e responsabilidade, será melhor compreendida se a fonte for paterna. Noção social, da justiça, do heroísmo, dos direitos e deveres, enfim do Macrocósmico, estruturarão a Mente Racional. Caso o Pai seja um grande ausente e a mãe não o substitua, a tendência será defender-se da sociedade competitiva desenvolvendo auto-estima exagerada para compensar suas frustrações, sendo que manifestará seu ódio através da desconfiança de tudo e de todos. Tornar-se-á orgulhoso, altivo, desconfiado, perfeccionista, introvertido, obstinado e cheio de defesas. Sua frase: “Hei de Vencer! (mesmo que a custa dos demais)”.
   O Id é a nossa relação instintiva com a vida. O tato, o paladar, a audição, o olfato e a visão são instrumentos dessa percepção objetiva, concreta do mundo à nossa volta. Através deles temos prazer ou desprazer nos contatos conosco mesmo e com o ambiente, sentimos as agressões, percebemos o seio bom e o seio mau, reagindo a esse meio. Caso ocorram interferências negativas, devido à própria predisposição familiar dessa criança, teremos consolidado marcas na formação da personalidade. Essas
Marcas são manchas, sulcos, caminhos, como baixo relevo marcado numa folha de papel que ficou embaixo da outra onde escrevemos algo. Se pulverizarmos aquela folha com um pó colorido saberemos exatamente o que foi escrito. A criança já traz no seu código neurogenético às marcas dos pais, que ao serem estimuladas por fatores ambientais e emocionais ativarão a junção de elos ou ganchos como vagões de trem que vai partir.
   Vamos supor que a mãe conseguiu engravidar quatro anos após o casamento através de um tratamento endócrino, pois sofria de hipotireoidismo (tireóide preguiçosa). Essa doença não lesiona nenhum órgão na mãe, mas todas as suas células ficam preguiçosas e o cérebro, o coração, os músculos, o intestino. O doente fica reprimido, melancólico e carente. Muitas vezes indiferente a tudo. Muito bem, ela faz o tratamento, seus ovários funcionam melhor e a gravidez acontece sob a ação de medicamentos químicos que ela continua tomando durante toda a gestação, principalmente o iodo. Por isso vem o parto antes do tempo, no oitavo mês, e a criança nasce azulada com forte sofrimento respiratório com muita dificuldade de inspirar o ar. Vai para o berçário sem que a mãe o reconheça. Após vinte e quatro horas do parto (quando então perdeu o útero) é reconhecido. Recebe o seio, mas o seio não é bom. Racha, dói, e a mãe depois de quinze dias toma anticoncepcional secando o leite. Vai para a faculdade estudar e a criança passa a ser cuidada pela tia. O seio passa a ser a mamadeira e a mãe fica sendo a tia durante o dia. À noite a mãe verdadeira assume os cuidados. Quem é a mãe? A criança vai crescendo aprendendo a satisfazer seu apetite, pois que a fonte de sua vida não está personalizada e ele só vai conseguir identificar a mamadeira. Entre ele e a mamadeira passa a existir então uma relação vital e emocional. O berço é seu refúgio. O colo uma fantasia. Forma-se o Id guloso, fantasioso, e agressivo. Um Id sem mãe. Um pequeno monstrinho. A mãe continua estudando. Aos dois anos de idade o garoto ainda não formou seu Ego. A mãe não o forjou e a chance de estruturar sua afetividade é perdida. A partir dos sete anos de idade começa a receber responsabilidades escolares cada vez mais intensas. Sente dificuldade, mas o Pai é bravo. A cobrança vem dura. Repete dois anos escolares por dificuldade de aprendizagem. É estudioso, seu superego foi bem moldado nos padrões conservadores. Aos quinze anos completamente obesos, com o Ego diminuído, e o Id e Superego desenvolvidos, temos um jovem frio e instintivo, fantasioso e calculista, sádico e forte. Diz, perigosamente com um sorriso nos lábios- “Hoje sou mais forte que meu pai!”. Suas doenças? Com a Mente Concreta e a Racional predominando, mais a Concreta, este jovem desenvolverá as raízes do miasma Luético (sifilinismo) e sicótico. Poderá desenvolver doenças com destruição celular e com hipertrofia celular. Eplepsia e verrugas, por exemplo.   Ou então, abcessos ou furúnculos e cólicas intestinais. Catarros respiratórios e adenóides.     Num grau maior de desequilíbrio fará tumores no intestino e úlcera no estômago. Poderá um dia calculadamente matar a sangue frio – seu patrão que não quis lhe dar um aumento.
   O desequilíbrio na Mente Concreta manifesta o Luetismo? Entre o Ter e o não Ter emoções, sensações, prazer, contentamento, satisfação, a força vital vibra em direção à mãe-terra, para baixo, para o estômago, intestino e genitais, para o Sul, entre 18 e 24 h. A personalidade personalizada nesse jogo sensorial torna-se instintiva, e quando ocorrem frustrações a força vital poderá romper com seu referencial gravitacional, com a mãe, com a Terra, e os átomos e as moléculas dos elementos químicos perderão suas ligações magnéticas. Nessas pessoas existe o desejo de morrer ou de matar quando, por exemplo, são frustradas nos seus hiper desejos. Da paixão passam facilmente para a destruição.
Como vai se dar a relação Mente Racional/ Sicose?
   A Hipertrofia da razão desencadeia a ganância do poder em tudo: no campo intelectual, financeiro e político. A razão lança uma rede de normas burocráticas, de regulamentos defensivos, de perfeccionismos exagerados até controlar tudo. A força vital vibra em direção Anti-Terra para o alto, para o céu, para o Norte, entre 24 horas e 6 horas. Basicamente o jogo é ser ou não ser reconhecido. À medida que o ser reconhecido vai aumentando, a força vital aumenta sua vibração sugando energia dos demais, da natureza e de si mesmo. Os átomos e moléculas entram em euforia vibratória e as células crescem exageradamente. É o Hulk, que sofre um tremendo estímulo energético fazendo crescer seu corpo. Um exemplo natural disso é o “cipó mata – pau, um cipó de uma figueira (sycos vem de ficos) comum no Pantanal Mato-grossense, que gananciosamente mata a árvore, sufocando-a com uma rede de braços entrelaçados”. Quando a árvore o tomba já escolheu outra para lançar seus ramos. É um cipó canceroso, e pela lei da semelhança deve curar algumas pessoas de Mente gananciosa com câncer ou não.
   O afetivo (ego/psora) joga entre o ganhar e o perder afeto. A força vital vibra na direção leste-oeste, entre o nascer e o pôr do sol. O sol nasce e ele pergunta? O que vou ganhar hoje? O sol se põe e ele afirma: - Quanta coisa acho que perdi hoje! È um carente insatisfeito, sempre abandonado, inseguro. Alegre e logo triste. Confiante e logo covarde. O afetivo vai rastreando os 360 graus do horizonte em busca de um ponto de apoio, de um farol que o ilumine. Busca muitos lugares ao mesmo tempo. A força vital vibra na direção do horizonte e os átomos e as moléculas ficam meios estacionados, meio letárgicos e conseqüentemente as células trabalham menos, sem, no entanto perderem suas funções. A vibração horizontal da força vital é uma vibração pouco aumentada, pouco diminuída e, portanto variável no seu ritmo.
   Se juntarmos o “sofrimento primitivo” com a “qualidade da maternagem” mais o “terreno biológico”, teremos sem dúvida o Protótipo da Personalidade daquele bebê e, em conseqüência, o padrão psicossomático da sua Força Vital (Sistema nervoso Autônomo & Sistema Imunológico).
   Bem antes de a nossa arvorezinha crescer, entra em cena o poder de arbítrio do inconsciente infantil, que nada tem de infantil. Esse inconsciente está fortemente ligado a outra camada do terreno, uma camada mais profunda, que é o Inconsciente coletivo. Essa estrutura mental é sem sombra de dúvida a própria Alma Humana, e que quando reencarnamos trazemos todas as características de nossas outras vidas que ficam registradas no nosso DNA que mais tarde, afloram em comportamentos ou tendências. A Homeopatia trabalha no sentido de aprimorar o relacionamento consigo mesmo, equilibrando nossos comportamentos e atitudes rumo à evolução.


2.2    ÁREA AFETIVA


   Tudo aquilo que se percebe, se sente; todas as emoções, assim como as reações mentais, se externam através de atitudes, e estas são provocadas por estímulos que muitas vezes tem causa exterior, que eles podem nascer do imo pessoal. Nem sempre um estímulo está associado a uma causa exterior, muitas vezes ele nasce no próprio ser como resultados de associações mentais com estados vivenciados antes, nesta vida ou em outra.
 Não há efeito sem causa, qualquer que seja a reação tem alguma razão para se fazer sentir, a causa pode se situar num limiar muito abaixo da capacidade da pessoa identificar sua origem. Por muitas razões, ter a percepção objetiva ou subjetiva da causa determinante. Em maior grau acontece com a angústia existencial. Ela é tão sutil e tão distanciada de nível do “se dar conta” que nenhum sistema psicanalítico é capaz de fazer a pessoa identificar a origem. Neste caso falham todos os meios oferecidos pela medicina. Somente através de processos de interiorização, alguns métodos de Ioga e estados de expansão da consciência, é possível a pessoa se dar conta de muitos estados de angústia.
   Como já mencionei anteriormente, nós nos dividimos e criamos o Ego. Criamos então a dualidade. Deus fora de mim, tendo portando a visão de dificuldade, medo insegurança, tristeza, angústia, dúvida, preconceito, crenças do que é certo e errado, julgamentos, críticas, condenações e uma série de confusões em que a sociedade que também criamos nos impões como devemos agir, pensar, sentir, comer e ser! E conseqüentemente as doenças criadas exclusivamente por nós. Onde verdadeiramente estamos somos Luz e não há porque adoecer. Mas a divisão do “SER” criou um mundo Maya, ou seja, ilusório.
A “Psora Latente” configura a mais existencial das angústias, pois é a primeira conseqüência da divisibilidade do Um. Da perda da certeza da unicidade no existir como “eu” separado do Universo. Implicando na admissão do estado mental ilusório do existir no “Eu Sou”. A insegurança no existir em multiplicidade leva o indivíduo a sentir “consciente” ou “inconsciente”, um estado de inquietude mental caracterizado por uma sensação sutil de anormalidade indefinida, portanto um estado de ansiedade. Se a pessoa não conseguir um modo de atenuar esse sentimento, a ansiedade pode se transformar num estado de angústia, que pode gerar expressões de tristeza existencial, e indo mais profundamente atingir um estado de medo de existir, uma fobia, muito presente na atualidade como “síndrome de pânico”. Este processo consiste na transformação do que antes era “Psora Latente” em psora estabelecida, base de todas as doenças.
A angústia existencial de início se faz sentir como um estado de desconforto indefinível, como algo sem causa aparente, pelo que a pessoa não oferece reações de defesa, assim ela apenas sofre. Somente quando os estímulos se intensificam, a mente lança mão de alguns mecanismos bem elementares, em nível que não pode ser considerado como distúrbio de comportamento reprovável, ou menos ainda alguma doença mental. A Psicologia chama de Mecanismo de Defesa do Ego, que se manifestam na primeira área “Afetiva”- visando a pessoa se libertar ou conviver com aquilo que a ameaça, caso escolha viver com o sofrimento sem dúvida alimentará seu miasma predominante e conseqüentemente uma doença crônica.
Para compensar a insegurança essencial, a mente lança mão de mecanismos psicológicos considerados bem simples, que em Homeopatia é denominado Sintomas Psóricos. São formas defensivas que de forma alguma tem por objetivo atingir outras pessoas, trata-se de uma maneira de mostrar, de aparentar um estado de auto-afirmação, através de representações no modo de ser. Exemplo, o choro, quando não é uma descarga de alguma pressão psicológica, muitas vezes é o meio de atrair a atenção e o compadecimento de outrem.  
Algumas linhas de psicologia afirmam que as reações psicológicas quase sempre visam a gratificações sensuais, sensações prazerosas, mas podemos dizer que na verdade, elas são mais frutos da insegurança do “eu” ilusoriamente dividido, pois este se fortifica com as sensações de prazer. Neste caso o perde-las equivale a um enfraquecimento do “ego” protetor, decorrendo disto uma luta perene da mente visando a sua autopreservação através das sensações. A mente pode desenvolver atividades afetivas emotivas adulteradas, pervertidas, que compreendem reações de apego, de egotismo, e muitas outras.
A psora se origina do Ego medo de perda – orgulho, aonde culpa e condenação estão sempre presentes. O afastamento de si mesmo traz a posse, querer sempre mais para preencher o vazio existente dentro de si.
Quando algum fator desestabiliza a área intelectiva, determina reações afetivas bem diferentes, muitas vezes opostas. É quando o ciúme se transforma em opressão e até mesmo em agressões diversas. Há uma perversão dos sentimentos, quando o nível psórico se perverte, o indivíduo sai da passividade, deixa de apresentar reações singelas para apresentar as mesmas reações em um patamar de agressividade, caracterizado como estado miasmático sicótico.
A mente sicótica visa gratificações sentimento emocionais, gozos e prazeres, não mais importando a integridade e o bem estar do outro. Há falhas no crivo da razão, a pessoa tende a buscar por todas as meias formas de gratificações sensoriais, daí o desejo de possuir mais e mais. As reações deste nível ultrapassam o nível de uma segurança primária e atinge o de imposição, o de obter prazeres, a necessidade de se sobrepor, de ser superior, de dominar.
Ao atingir o nível sicótico a mente deixa de se comportar como um servidor para se comportar como um déspota, manifestando, porém na área afetiva/ emotiva.
Na sicose há uma deformação comportamental, em que a ansiedade, pelo medo de perder, é substituída pelo prazer de dominar, ou até mesmo pelo prazer de ver os outros sofrerem, configurando um estado de sadismo.
O desejo de possuir compõe o quadro dos mecanismos primários de proteção do ego. Todos eles podem apresentar de modo pervertido, ou hipertrofiado, abandonando a condição de passividade e passando para a agressividade, portanto migrando do nível psórico para o sicótico, ou mesmo o luetismo. É quando o ciúme zelo se converte em ciúme agressivo/destrutivo; quando a economia se transforma na usurpação; o zelo em despotismo.
A mente para afirmar sua identidade para conservar a integridade do “ego”, ativa a inveja, orgulho, diversos estilos de vaidade, prepotência, ambição, a avareza, até mesmo sorriso, gestos e atitudes como o choro, e outras formas de captar a Dor no sentido de ter “Dó”, são comportamentos de defesa da integridade do “Ego”. Na unicidade, o “EU” não tem contra o que se defender, ou de quem se proteger.
“Todos os estados de sofrimentos existentes tem como causa única a ilusão da mente, a criação do “EGO”. Separação do Todo”.
A astrofísica afirma que este mundo objetivo teve uma origem, que houve um momento a partir do qual ele foi Creado; que houve no princípio um ponto único de onde eclodiu a energia que gerou tudo quanto há. Portanto tudo o que existe veio daquele ponto único, não somente as coisas objetivas, concretas, como também as abstratas, tantos as físicas quanto às psíquicas. Podem aceitar que as reações da mente são reações biológicas, meras formas reativas da própria matéria; mas se toda a Matéria veio da energia e esta procedeu de um único ponto, seja qual for à forma da matéria reagir, isto não tem como ser algo separado. Mesmo as manifestações psíquicas nada mais são do que reações da energia, consubstanciadas em matéria biológica só no aspecto reagir.
Na gênese deste Universo houve uma fragmentação do Um, uma destruição de um estado de unicidade primordial gerando a diversidade. É a ciência atual que afirma isto.
Os astrofísicos não têm dúvidas de que o Universo constituído não é um estado caótico. No estado em que ele existe, todos os sistemas galácticos estão interligados, no mínimo pelo campo gravitacional. Isto faz com que a unicidade essencial ainda exista e que a total fragmentação não ocorra.
A astrofísica mostra que todos os sistemas siderais estão unidos por forças em especial a força da gravidade. Na verdade, não é somente isto que unifica todas as expressões de existência, mas para não divagar além das fronteiras, basta esta tese defendida pela ciência atual.
A confirmação da física nos mostra claramente que o caos é produzido pelo poder que o Homem criou e que a pobreza é a criação energética de pensamentos, atitudes, sentimentos e ações. A degradação do Ser Humano é o uso excessivo do livre – arbítrio acreditando que a ilusão da vida é o poder de tudo. Portanto somos co-criadores do Universo. Criamos tudo em nós e em nossa volta, portanto as doenças são frutos de nossas criações.

2.3 Analisando as Paixões Humanas

Orgulho:
   “Na vida nada está perdido; aliás, existe a época certa para cada saber o que é preciso para se desenvolver”.
    Desprezar é sentir ou manifestar desconsideração por alguém ou por alguma coisa; portanto, é uma atitude sempre inadequada nas estradas de nossa existência evolutiva.
   A nenhuma coisa ou criatura deve-se atribuir o termo “desprezível”, pois tudo o que existe sobre a Terra é criação divina. Todos somos importantes e todos fomos convocados a dar nossa contribuição ao Universo.
   A cada instante, estamos criando impressões muito fortes na atmosfera espiritual, emocional, mental e física. Todo envolvimento na vida tem um propósito determinado cujo entendimento, além de esclarecer nosso valor pessoal, favorecerá o amor, o respeito e a aceitação de cada um de nossos semelhantes.
   Não Julguemos, com nossos conceitos apressados, os acontecimentos em nosso redor; antes aguardemos com calma e façamos uma análise mais profunda da situação. Assim agindo, poderemos avaliar melhor todo o contexto vivencial.
   Descobrir a vida como um todo será sempre um constante processo de trabalho dos Homens. A vida é trabalho e movimento, e para fazermos nosso aprendizado evolutivo há um certo “tempo de gestação”, se assim podemos dizer. Na vida nada está perdido; aliás, existe a época certa para cada um saber o que é preciso para se desenvolver.
   Nosso orgulho quer transformar-nos em super-homens, fazendo-nos sentir “Heroicamente Estressados”, induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de Evolução da Vida Excelsa e com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.
   Os indivíduos portadores de uma personalidade orgulhosa se apóiam em um princípio de total submissão às regras e costumes sociais, bem como o defendem energicamente.
   Utiliza-se de um impetuoso interesse por tudo aquilo que se convencionou chamar de certo ou errado, porque isso lhes proporciona uma fictícia “cartilha do bem”, em que, ao manuseá-la, possam encontrar os instrumentos para manipular e dominar e assim, se sintam ocupando uma posição de inquestionável autoridade.
   Quase sempre se autodenominam “bem intencionados” e sustentam uma aura de pessoas delicadas, evoluídas e desprendidas, distraindo os indivíduos para que não percebam as expressões sintomáticas que denunciariam suas posturas de severo crítico, policial e disciplinador das consciências.
   A autêntica relação de ajuda entre as pessoas consiste em estimular a independência e a individualidade, nada se pedindo em troca. Ninguém deverá ter a pretensão de ser “salvador das almas”.
   A compulsão de querer controlar a vida alheia é fruto de nosso orgulho. O ser amadurecido tem a habilidade perceptiva de diagnosticar os processos pelos quais a evolução age em nós; portanto, não controla, mas sim coopera com o amor e com a liberdade das leis naturais. São “censuradores morais”, incapazes de compreender as dificuldades alheias, pois não entendem que cada um pode amadurecer de acordo com o potencial interno.
   Confie plenamente no Sábio e Amoroso Poder que dirige o Universo e, portanto, respeite os objetivos da Natureza, que age no comportamento humano, desenvolvendo-o de muitas maneiras. A evolução ocorre de modo inevitável, recebendo ou não a ajuda dos Homens.

   Egoísmo:

   A vaidade é filha legítima do egoísmo, pois o vaidoso é um “cego” que somente sabe ver a si próprio.
  A vaidade é um desejo superlativo de chamar a atenção, ou a presunção de ser aplaudido e reverenciado perante os outros. É a ostentação dos que procuram elogios, ou a ilusão dos que querem ter êxito diante do mundo e não dentro de si mesmo.
  A vaidade atinge toda e qualquer classe social, desde as paupérrimas até as que atingiram o cume da independência econômica.
  Francisco VI, duque de La Rochefoucauld, escritor francês do século XVII, dizia que “ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o que as motivou”.
   A afirmativa é válida porque se refere às criaturas que fazem filantropia a fim de alimentar sua vaidade pessoal, impressionando o mundo para que os inclua no rol dos generosos e de grandes altruístas.
   Filhos de pais orgulhosos podem-se tornar crianças exibicionistas, carregando uma grave dependência psíquica de destaque. Comportam-se para ser socialmente aceitas e para aparentar-se pessoas brilhantes.
   Os vaidosos colocam máscaras de criaturas impecáveis e, evidentemente, transmitem aos filhos toda uma forma de pensar e agir alicerçada na preocupação com os rótulos e com a escala de valores pela qual foram moldados.
   Outra causa do desenvolvimento da vaidade nas criaturas é a importância desmedida que dão às posses e propriedades. Na atualidade, por menor que seja a classe social em que se encontra constituída uma família, ainda é o dinheiro uma fonte absoluta de poder.
   A supervalorização social e econômica de determinada profissão ou emprego influencia as escolhas de conformidade com a realização externa, em detrimento das inclinações e vocações internas.
   A mesquinhez pode manifestar-se ou não com a acumulação de posses materiais, como também pode aparecer como um “refreamento de sentimentos” ou um “autodistanciamento do mundo”.
   A falta de generosidade e a insensibilidade em relação às necessidades dos outros têm raízes numa defesa psicológica que desencadeia nos indivíduos uma ruptura na conexão entre o seu conteúdo emocional e o seu conteúdo intelectual.
   A criatura sovina isola-se em si mesma. Nada tem importância para ela, a não ser a contenção doentia e generalizada em relação à sua própria vida interior, e não só em relação aos outros, como se pensa habitualmente. A mesquinhez pode manifestar-se ou não com a acumulação de posses materiais, como também pode aparecer como um refreamento de sentimentos ou um auto distanciamento do mundo. Como a matriz interior se fundamenta numa necessidade reprimida da pessoa que não consegue se relacionar com outras, nem mesmo delas se aproximar para permuta de experiências e afetividade, ela se sente solitária e, assim, compensa-se acumulando bens. Constrói torres e muralhas imensas para se proteger do empobrecimento que ela mesma vivencia, inconscientemente, há muito tempo. A escassez e a inibição da aproximação social e afetiva.
   Cria toda uma atmosfera de autonomia por possuir valiosos objetos exteriores destinados a suprir a sensação de vulnerabilidade que sente ao lidar com as pessoas.
   Na atualidade, tenta-se resgatar essa sensação do vácuo interior, existente na intimidade da alma humana, com uma reivindicação do desejo, cada vez maior, de possuir bens materiais. O grande fluxo de indivíduos que buscam os consultórios de psiquiatria e as clínicas das mais diversas especialidades médicas se deve a esse clima de insatisfação e de vazio existencial, que nada mais é que a colheita dos frutos do egoísmo. Incapacidade de se relacionar, repressão dos sentimentos de amor e de fraternidade e a inconsciência de uma vida interna e externa.
   A indiferença e a frieza emocional, a apatia e o apego patológico, bem como o distanciamento das privações dos outros, são características marcantes das criaturas que alimentam uma paixão egoística pelos bens materiais. São conhecidas como sovinas, mesquinhas ou usurárias.
   O trabalho interior sempre melhora a qualidade de nossa vida, pois passamos a conhecer a nós mesmos e o Universo como um todo, visto que somos levados também por um propósito precípuo cuja função é a de aprender a amar incondicionalmente.
   Procuremos então viver, não como proprietários definitivos de nossas posses, mas apenas como usufrutuários delas.
   A técnica para aprendermos a amar, usando de generosidade e desprendimento, é empregarmos nossos sentimentos e emoções com equanimidade, ou seja, dar-lhes igual importância ou utilizá-los com imparcialidade.
   Caridade sem salvacionismo; humildade sem baixa-estima; determinação sem atrevimento; obediência sem submissão; bondade sem anulação da personalidade; compaixão sem sentimentalismo; segurança sem impulsividade; perseverança sem obstinação.
   A avareza é o produto de uma necessidade que se encontra na intimidade da psique humana. Ela tenta enfeitar ou distrair o conflito com a busca de bens perecíveis, mas nunca consegue suprir a sensação de carência íntima.
   O altruísmo é o amor desinteressado, resultado do “enriquecimento da vida interior”, enquanto a avareza é filha da “pobreza do mundo interior”, acarretando uma desumanização e uma obstrução da capacidade de amar.

Crítica:

   Por projeção psicológica entende-se a atitude de perceber-nos outros, com certa facilidade, nossos conflitos e dificuldades, com recusa, no entanto, de vê-los em nós mesmos.
   Dependendo do grau de distorção que fazemos dos fatos, para atender nossas teorias e irrealidades, é que se inicia em nossa intimidade o processo de paranóia. Os paranóicos possuem uma característica peculiar: relacionam qualquer acontecimento do mundo consigo mesmos, ou, melhor dizendo, desvirtuam a realidade dos fatos, trazendo para o nível pessoal tudo o que ocorre em sua volta.
   Quanto mais conscientizado for o homem, tanto mais entende a ordem das coisas e mais as questionará em seu simbolismo. Estar perfeitamente harmonizado e centrado em tudo o que existe é o requisito primordial para atingirmos a plenitude da vida.
   Tudo o que criticamos veemente, no exterior encontraremos em nossa intimidade. Isso nos leva a entender que o ambiente em que vivemos é, em verdade, um espelho onde nos vemos exata e realmente como somos.
   Se, na exterioridade, algo de inoportuno estiver ocorrendo conosco ou chamando muito a nossa atenção, é justamente porque ainda não estamos em total harmonia na interioridade. Significa que devemos analisas melhor e estudar ainda mais a área correspondente ao nosso mundo íntimo.
   Todas as maldades e eventos desagradáveis que visualizamos fora são somente mensageiros ou intermediários que tornam consciente a nossa parte inconsciente.
   Os efeitos sonoros do eco são reflexões de ondas que incidem sobre um obstáculo e retornam ao ponto de origem. Poderemos entender o mecanismo espiritual de funcionamento da Lei de Ação e Reação em nossas existências. Atos ou palavras, repetidas sucessivamente, voltarão ecoando sobre nós mesmos; são “veredictos” resultantes de nossas apreciações e estimativas vivenciais.
    Todas as nossas suspeitas sistemáticas têm raízes na falta de confiança em nós mesmos, e não nos outros. Por isso:
   - se criticarmos o comportamento sexual alheio, podemos estar vivendo enormes conflitos afetivos dentro de nós ou do próprio lar;
   - se tememos a desconsideração, é possível termos desconsiderado alguma coisa muito significativa dentro de nossa intimidade;
   - se desconfiarmos de que as pessoas querem nos controlar, provavelmente não estamos na posse do comando de nossa vida interior.
   -se condenarmos a hipocrisia dos outros, talvez não estejamos sendo leais com nossas próprias vocações e ideais.
   Projetar nossas mazelas e infortúnios sobre alguma coisa ou pessoa não resolve a nossa problemática existencial. Somente quando reconhecemos nossas “traves”, é que poderemos ver com lucidez que, realmente, são elas as verdadeiras fontes de infelicidade, que nos distanciam da paz e da harmonia que tanto buscamos.

   Ilusão:

   A criatura humana modela suas reações emocionais através dos critérios dos outros, estabelecendo para si própria metas ilusórias na vida. Esquece-se, entretanto, de que suas experiências são únicas, como também únicas são suas reações, e o constante estado de desencontro e aflição são subproduto das tentativas de concretizar essas suas irrealidades.
   Criamos fantasias em nossa mente, bloqueamos nossa consciência e recusamos aceitar a verdade. Usamos os mais diversos mecanismos de defesa, seja de forma consciente, seja de forma inconsciente, para evitar ou reduzir os eventos, as coisas ou os fatos de nossa vida que nos são inadmissíveis. A negação é um desses mecanismos psicológicos; ela aparece como primeira reação diante de uma perda ou de uma derrota. Portanto, negamos invariavelmente, a fim de amortecer nossa alma das sobrecargas emocionais.
   Um exemplo clássico de ilusão é a tendência exagerada de certas pessoas em querer fazer tudo com perfeição, aliás, querer ser o modelo perfeito. Essa abstração ilusória as coloca em situação desesperadora. Trata-se de um processo neurótico que faz com que elas assimilem cada manifestação de contrariedade dos outros como um sinal de seu fracasso e a interpretem como uma rejeição pessoal.
   O ser humano supercrítico tem uma necessidade compulsória de ser considerado irrepreensível. Sua capacidade de aceitar os outros como são é reflexo de sua incapacidade de aceitar a si próprio. Sua busca doentia da perfeição é uma projeção de suas próprias exigências internas. O perfeccionismo é, por certo, a mais comum das ilusões e, inquestionavelmente, uma das mais catastróficas, quando interfere nos relacionamentos humanos.
   A ação de controlar os outros se transforma, com o passar do tempo, em um nó que estrangula, lentamente, as mais queridas afeições. Se continuarmos a manter essa atitude manipuladora, veremos em breve se extinguir o amor dos que convivem conosco.
   As ilusões que criamos servem-nos, de certa forma, de defesas contra nossas realidades amargas. Por um lado, nos poupam das dores momentaneamente, por outro nos tornam prisioneiros da irrealidade.
   Muitos de nós conservamos a ilusão de que a posse material proporciona a felicidade; de que o poder e a fama garantem o amor; de que a força bruta protege de uma possível agressão.
   Colocar restrições às emoções é como querer segurar as ondas do mar, enquanto colocar restrições ao comportamento humano é perfeitamente possível e válido. São os comportamentos adequados que promovem o bem-estar dos grupos sociais e inquestionavelmente, são necessários à harmonia da comunidade.
   As emoções são simplesmente emoções. É importantíssimo aprendermos a perdoar e sermos compreensivos, desde que façamos isso agindo por livre escolha, não por medo ou por autonegação emocional.
   Censurar as emoções é ilusão; seria o mesmo que censurar a própria Natureza. Todos os seres humanos nascem com reações emocionais. Não estou fazendo alusão às emoções patológicas e irracionais, mas àquelas que, naturais, são essenciais ao crescimento e desenvolvimento dos seres humanos.
   Nossos sentidos são tudo o que temos para perceber os recados da vida; contê-los seria o mesmo que destruir o elo com nossa intimidade.
   Não sentir é viver em constante ilusão, distanciado do verdadeiro significado da vida. A repressão das emoções inibe o ritmo, adoece com muita rapidez; perdendo o sentido da vida.  É mais produtivo para nossa evolução acreditar naquilo que se sente do que nas palavras que se ouvem.   

   Culpa

   Aprenderam a vestir a túnica de “super-heróis”, tentando satisfazer e suprir as necessidades da família, e se culpavam quando não conseguiam resolver esses problemas.
   Sábios são aqueles que acumulam conhecimentos não somente através do estudo das ciências, mas também pela prática e pela observação.
   Sabedoria, portanto, é a soma de nossos conhecimentos coerentes obtidos em contato com os diversos acontecimentos da vida; não apenas o que foi adquirido pela instrução acadêmica, mas, acima de tudo, pelas experimentações, vivências, atividades e realizações nas mais variadas áreas. Sensatez, prudência, desempenho e erudição são patrimônios intransferíveis da alma humana, alicerçados na intimidade do próprio ser.
   Dessa maneira, podemos entender que, quanto mais impedimos as pessoas com as quais convivemos de agir e de pensar por si mesmas, mais estaremos dificultando suas oportunidades de amadurecimento e de crescimento.
   Muitos indivíduos trazem um comportamento psicológico inadequado, adquirido desde a mais tenra idade, pela longa convivência com familiares difíceis e criaturas problemáticas que se diziam incapazes de se cuidar e se defender. Em decorrência disso, essas crianças assumiram responsabilidades que não lhes pertenciam e, para que pudessem sobreviver emocionalmente no lar em desajuste, aprenderam a vestir a túnica de “super- heróis”, tentando satisfazer e suprir as necessidades da família, e se culpavam quando não conseguiam resolver esses problemas.
   Passaram a viver para controlar e proteger pais, irmãos, outros parentes, amigos e conhecidos à sua volta, preocupando-se, neurótica e compulsoriamente, em solucionar as dificuldades ou equacionar a vida dessas pessoas.
   “Desenvolveram ao longo do tempo relacionamentos doentios, nunca se preocupando com o que eles próprios sentem ou desejam, mas somente se interessando por aquilo que os outros estão sentindo e pensando.” Trazem como lema “sua dificuldade é meu problema” ou” sua vontade é minha vontade”, assumindo obrigações pelo bem-estar, comportamento, decisões, emoções, pensamentos ou mesmo pelo destino de outras pessoas.
   Outra situação de culpa é a sexualidade em que mais floresce na sociedade. Nossa limitação na compreensão dos outros seres humanos se deve ao pouco ou a quase nada que sabemos sobre nós mesmos, ou seja, ao desconhecimento de nossa sexualidade. Por isso é que temos dificuldade de admitir a diversidade de sentimentos e emoções afetivas e sexuais.
   Na atualidade, as crianças são introduzidas prematuramente na esfera dos adultos por inúmeras revistas, filmes, cartazes, fotografias e pela publicidade da televisão e do rádio, o que lhes provoca a malícia numa idade desprovida da lógica e do bom senso contra essa espécie de afronta sexual.
   Devemos, assim, viver em paz com nossa experiência sexual, valorizando nosso aprendizado e, em tempo algum, culpar-nos ou atribuir culpa a alguém.
   Na realidade, criaturas imaturas se consideram profundamente culpáveis, porque valorizam em excesso o que os outros dizem e pensam. Por lhes faltar independência interior, nem sempre reúnem condições de julgar seu próprio comportamento, pensamentos e emoções, responsabilizando-se pelas conseqüências que tais atos causam sobre elas.
  A culpa não encontraria abrigo em nossa alma, se tivéssemos uma ampla fé no amor de Deus por nós e se acreditássemos que Ele habita em nosso âmago e sabe que somos tão bons e adequados quanto permite nosso grau de conhecimento e de entendimento sobre nossa vida interior e também exterior.

   Medo
  
   Ao Lançarmos mão de uma lanterna em uma noite escura e focalizarmos determinado lugar, vamos torná-lo evidente. Quando destacamos algo, convergimos todas as nossas percepções mais íntimas para o motivo de nossa atenção e, ao examiná-lo, estaremos estabelecendo profundas ligações mentais através de nosso olhar ligado a esse lugar específico.
     Focalizar com lanterna de nossas atenções os lugares, as pessoas, os fatos, os eventos e as coisas em geral significam que estaremos enfatizando, para nós mesmos, o que queremos que a vida nos mostre e nos forneça.
   A percepção é um atributo do espírito. Quanto maior o estado de consciência do indivíduo, maior será sua capacidade de perceber a vida, que não se limita apenas aos fragmentos da realidade, mas sim à realidade plena.
   Colocar nossa atenção nas coisas da vida é fator importante para o nosso desenvolvimento mental, emocional e espiritual, mas é necessário saber direcionar convenientemente nossa percepção e atenção no momento exato e para o lugar certo.
      Quanto mais pensamos e voltamos nossa atenção para as calamidades e desastres, mais teremos a impressão de que o mundo está limitado à nossa pessoal maneira catastrófica de vê-lo e senti-lo.
      Nas oportunidades de crescimento que nos oferecem nossas experiências, temos a possibilidade de validar e potencializar determinadas crenças e conceitos que poderão nos desestruturar psiquicamente, levando-nos a uma verdadeira hipnose mental. A partir disso, esquecemo-nos de visualizar o restante do mundo que nos cerca. Passamos a viver simplesmente voltado para a opinião que adotamos como única verdade, assustados e amedrontados entre constantes atmosferas de receio e apreensão.
     O resultado do medo em nossas vidas será a perda do nosso poder de pensar e agir com espontaneidade, pois quem decidirá como e quando devemos atuar será a atmosfera do temor que nos envolve.
     Desvendar gradativamente nossa geografia interna, nosso próprio padrão de carências e medos, proporciona-nos uma base sólida de autoconfiança.
    Modela e forma a nossa sombra tudo aquilo que nós não admitimos ser, tudo o que não queremos descobrir dentro de nós, tudo o que não queremos experimentar e tudo o que não reconhecemos como verdadeiro em nosso próprio caráter.
   Por medo de sermos vistos como somos, nossas relações ficam limitadas a um nível superficial. Vivemos papéis que criamos como carapaça para encobrir nosso orgulho de não enxergar nossas limitações e mudá-las.
   Recusar-se a aceitar a diversidade de emoções e sentimentos de nosso mundo interior nos levará a viver sem o controle de nossa existência, sem ter nas mãos as rédeas de nosso destino.       Ao assumirmos que são elementos naturais de estrutura humana em evolução frieza/ sensualidade, avareza/ desperdício, egoísmo/ desinteresse, dominação/ submissão, lassidão/ impetuosidade, aí começa nosso trabalho de autoconhecimento, a fim de que possamos descobrir onde erramos e, a partir de então, encontrar o meio termo, ou seja, não estar num extremo nem no outro.
    Muitas pessoas têm medo de si mesmas. Desvendar gradativamente, nossa geografia interna, nosso próprio padrão de carências e medos, proporciona-nos uma base sólida de autoconfiança.
   As manifestações decorrentes da nossa sombra são projetadas por nós mesmos de forma anônima no mundo, sob o pretexto de que somos vítimas, porque temos medo de descobrir em nós a verdadeira fonte dos males que nos alcançam no dia-a-dia. Por acreditar que banimos de nossa intimidade determinado princípio que nos gerava medo e baixa estima, é que fatalmente encontraremos logo em seguida esse mesmo princípio materializando-se no mundo exterior, amedrontando-nos e causando-nos desconforto.
   Os chamados tiques nervosos nada mais são do que impulsos compulsivos de atos ou a contração repetitiva de certos músculos, desenvolvida de forma consciente, para não tomarmos consciência dos conteúdos emocionais que reprimimos em nossa sombra. Os tiques são compulsões motoras para aliviar emoções e funcionam como verdadeiros tapumes energéticos para conter sentimentos emergentes. Enquanto o indivíduo se distrai com o tique, não deixa vir à consciência o que reprimiu, por considerá-lo feio e pecaminoso.
   O somatório dessas emoções negadas nos causa medos inexplicáveis que nos oprimem, afastando-nos do verdadeiro arrependimento e prejudicando o nosso crescimento interior. Muitos de nós continuamos, anos a fio, sentindo temores injustificáveis por tudo aquilo que reprimimos e para evitar que pensamentos, recordações ou impulsos cheguem ao consciente.
   Uma das manifestações do medo mais problemáticas para as criaturas humanas é a denominada fobia social ou agorafobia. Agorafobia significa medo da praça (ágora = praça, palavra oriunda do grego). É o pavor de fazer o que quer que seja em público.
   Fobia, um medo superlativo e desmedido transferido a indivíduos, lugares, objetos e situações que, naturalmente, não podem provocar mal algum. Quando a agorafobia se torna crônica, começa a atrapalhar a vida em todas as áreas do relacionamento humano.
   Dentre as muitas dificuldades que envolvem a agorafobia, a mais grave é a incerteza de nosso valor pessoal e as crenças de baixa estima que possuímos herdadas muitas vezes na infância.
   O sentimento de inferioridade é o grande dificultador dos relacionamentos seguros e sadios. Esse sentimento produz uma necessidade de estarmos sempre certos e sempre sendo aplaudidos pelos outros. Tememos mostrar-nos como somos e escondemos nossos erros, convencidos de que seremos desprestigiados perante todas as pessoas. Dissimulamos constantemente, fazemos pose o forçamos os outros a nos aceitar. Quanto mais o tempo passa e permanece nessa atitude íntima, mas a insegurança se avoluma, chegando a alcançar tamanha proporção que um dia passará a nos ameaçar.




   Mágoa

   O produto amargo de nossa infelicidade amorosa são nossas mágoas, resultado direto de nossas expectativas, que não se realizam, sobre nós mesmos e sobre as outras pessoas.
   Os indivíduos que acreditam que tudo sabem a respeito do amor não têm meios de descobrir que não sabem, pois para nos tornar aptos ao aprendizado é necessário estarmos abertos às experiências e às observações. Aprendemos sobre o amor quando reconhecemos nossa própria ignorância, que não deveria ser encarada como desapontamento e fracasso, e sim como estímulo e desafio a um conhecimento mais amplo.
   A maior parte das pessoas se comporta como se o amor não fosse um sentimento a ser cada vez mais aprendido e compreendido. Agem como se ele estivesse inerte na intimidade humana e passam a viver na expectativa de que um dia alguém ou alguma coisa possa despertá-lo em toda sua potência, numa espécie de fenômeno encantado.
   Na questão do amor, vale considerar que, quanto mais soubermos, mais teremos para dar; quanto maior o discernimento, maior será nossa habilidade para amar; quanto mais compartilharmos o amor com os outros, mais estaremos alargando a nossa fonte de compreensão a respeito dele.
   Quase todos os habitantes da Terra são considerados um “livro em branco” no entendimento do amor. Por não admitimos nossa incapacidade de amar verdadeiramente, é que poderemos desestimulados e conformados a viver uma existência com fronteiras bem limitadas na área da afetividade.
   Negamos freqüentemente o fracasso amoroso, durante anos e anos, para não admitir diante dos outros nossas escolhas precipitadas e equivocadas. Não percebemos, muitas vezes, oportunidades intensas de caminhar pelas veredas do amor, porque não renunciamos à necessidade neurótica de ser perfeitos; ficamos sempre presos a uma pressão torturante de infalibilidade.
   O produto amargo de nossa infelicidade amorosa são nossas mágoas, resultado direto de nossas expectativas, que não se realizaram, sobre nós mesmos e sobre as outras pessoas.
   Por que estou me deixando magoar tanto? Onde e como nasceram minhas crenças de autopunição? Como está minha postura de vida pode me fazer feliz?
   A arte de perceber de forma clara e real nossas mais íntimas intenções é uma das tarefas do processo evolutivo pelo qual todos estão passando.
   Mágoa não elaborada se volta contra o interior da criatura alojando-se em determinado órgão, desvitalizando-o. Mágoa se transforma com o tempo em rancor, exterminando gradativamente nosso interesse pela vida e desajustando-nos quanto a seu significado maior.
   Nosso orgulho é tão grande que, não fazendo do jeito que queremos nos magoamos.    
   Transmutar o sentimento inferior que é o orgulho ferido, com certeza seremos mais felizes e saberemos viver melhor.

   Perda

   São compreensíveis as lamentações e os pesares, o pranto e os suspiros, pois o ser humano passa por processos psicológicos de adaptação e de reajuste às perdas da vida.
   A morte na Terra é o término de uma existência física, é a passagem do ser infinito para uma nova forma existencial. É um intervalo entre as diversas transformações da vida, a fim de que a renovação e a aprendizagem se estabeleçam nas almas, ao longo das existências.
   Estudando as atitudes comportamentais dos idosos, observo que, apesar de o corpo físico estar passando pelos fenômenos responsáveis pelo envelhecimento, o centro da personalidade permanece inalterado. Continuam presentes as características particulares e as tendências naturais dos indivíduos durante a velhice orgânica. Mesmo acumulando diversas experiências e aprendizagem na caminhada terrena e efetuando expressivas mudanças de comportamento, os idosos continuam procedendo de acordo com tudo aquilo que sempre foram.
   Entendo que, apesar do crescimento espiritual que desenvolvem durante toda uma existência numa matéria densa, renovando suas atitudes e defrontando com um extenso campo de transformações biológicas e sociais na idade avançada, guardam sua própria individualidade. O Criador não dá cópias. Cada um de nós é um projeto da Natureza, nascido de Deus, com expressões singulares e especiais. Todos nós temos em comum o fato de pertencermos à mesma espécie quer dizer, somos da mesma natureza, somos semelhantes, mas não iguais.
   A história da vida de cada um de nós é importante para determinar sua capacidade de mudar e de crescer durante a idade avançada. Na arte de bem envelhecer, podemos dar origem a novas forças e novas aptidões que não puderam ser desenvolvidas anteriormente nas outras fases da vida.
   Sabe-se que o ser existencial nunca é produto acabado; ele se apura, esmera-se e reassume, modificando-se continuamente. O desenvolvimento evolucional é permanente, mas não instantâneo.
   Na Natureza nunca há perda. Quando finda uma etapa de nossa existência, outra vem ocupar a lacuna deixada, porque nossas vidas estão entregues ao Poder Perfeito do Universo, que tudo cuida e desenvolve. O calendário na Terra pode estar passando; entretanto temos agora o momento perfeito e a idade precisa que nos possibilitam discernir que devemos dar à vida seu alto e justo valor, seja qual for à faixa etária que estivermos atravessando.
     
        
2.4 A APLICAÇÃO DA HOMEOPATIA EM DISTÚRBIOS PSICOPATOLÓGICOS E EM PATOLOGIA PSIQUIÁTRICA:

   O método descoberto e fundado por Samuel Hahnemann:
   - Um conhecimento global e Dinâmico
   - Um modo de relação individualizado
   - Uma prevenção Psicopatológica
   - Uma terapêutica personalizada, estimuladora e reativa, farmacologicamente ativa, mas caminhando no mesmo sentido que uma ação psicoterápica.
   A importância dos sintomas psíquicos, tanto na valorização das observações experimentais quanto na pesquisa e identificação do medicamento “simillimum”.
   O reconhecimento de um medicamento, a freqüência significativa de certas seqüências de sintomas psíquicos:
   - Modalidades intelectuais e emocionais
   - Traços de caráter e tonalidade de humor.
   - Particularidades do comportamento.
   Esta contribuição da experiência completou e modulou as contribuições patogenéticas, conduzindo a uma compreensão mais global e dinâmica de um medicamento.
   A semiologia somática e semiologia psíquica contribuem segundo sua importância em determinar com exatidão o medicamento cuja indicação é manifestada pela patologia do doente.
   “Angústia que ocorre ao acordar”. Este sintoma é uma queixa freqüente durante os estados depressivos. Em Homeopatia, dirigimo-nos a possibilidade terapêutica bem diferente segundo o quadro que nos apresenta. Vemos então o conjunto de fatores, situações, vivências, passado e presente.
·         Se for o caso de uma mulher pletórica, congestiva, agitada, logorréica, reivindicadora, mas desanimada, durante uma depressão reacional (a um choque emocional ou a sua menopausa), e que é acordada por uma crise de angústia.
·         Se for o caso de um adolescente longilíneo de tórax magro, de pele malsã e com espinhas, triste, abúlico, com despertar difícil e tardio, confrontando-se a partir deste momento com a angústia de um vazio existencial, de um futuro sem atração e de um intransponível torpor intelectual.
·         Se for de um grande depressivo melancólico, que abre seus olhos com o desgosto do dia que terá que viver.
·         Ou se é o caso de um idoso esgotado, caquético, impaciente, irritável, acordando repentinamente durante um sonho de morte eminente.
   Os distúrbios orgânicos as perturbações psíquicas, o desequilíbrio da moral e comportamentos desarmônicos causam patogenesias que a Homeopatia com sua Lei de Semelhança e sua freqüência vibracional atinge o Ser Humano em sua totalidade, fazendo com que os todos os corpos entram em ressonância com sua natureza interior. Ocorrendo então a cura através de exonerações fazendo com que sua natureza interior aflore.
   Pelo conhecimento das patogenesias e do olhar diferente depositado no doente, a atitude do homeopata não pode e nem deve ser uma atitude padronizada.
   Sintomas orgânicos e sintomas psíquicos são decodificados como significados de certa organização somatopsíquica com a qual se estabelece uma comunicação “sob medida”.
   O conflito entre o orgulho de poder (mais ou menos bem reprimido) e as instâncias morais de Lycopodium (conflito entre o Ego e Superego).
   O terror metafísico de espaço e tempo que tem por sede Argentum Nitricum (tentando escapar disto pela precipitação anciosa, mas com a fobia de se precipitar de qualquer altura).
   A angústia vital de Arsenicum Álbum.
   A necessidade de se qualificar e se valorizar pela ação e pelo sucesso motor da dinâmica de Nux Vomica.
   Cada um deles reage segundo modalidades particulares para tentar resolver sua problemática. A psicoterapia deve levar este fato em consideração.
   Não abordamos da mesma maneira, não estabelecemos a mesma relação médica paciente, não dirigimos a psicoterapia de maneira idêntica, e sabemos que o ritmo de cada uma delas será bastante diferente.
   O trabalho Homeopático (em psiquiatria como em patologia somática) não é evidentemente instaurar uma espécie de equilíbrio normativo, referindo-se a algum conceito abstrato que só pode ser uma amputação da personalidade, mas restaurar, tanto quanto se possa este equilíbrio original perturbado durante uma história particular.
   Mas então, o que é curar e o que curar?
   Curar é reunificar, o fato de ser reconhecida em Homeopatia uma estreita relação entre os distúrbios físicos, mentais, emocionais e energéticos. Sabemos que atualmente numerosos psiquiatras questionam-se sobre a noção de totalidade; procuram uma resposta terapêutica a esta necessidade de se considerar o indivíduo na sua totalidade.
   Poderemos ir ao mesmo tempo mais direta e rapidamente em profundidade com uma mulher Sépia do que com um homem de idade equivalente de tipo sensível Silicea: este necessita de uma aproximação prudente e discretamente calorosa.
   O indivíduo Calcarea Carbônica, angustiado por tudo que é imprevisto e impreciso, deve através de uma relação estreita e estimulante, evoluir em direção a uma melhor apreciação de suas capacidades de autonomia, enquanto que convém manter uma distância de personalidades histéricas (tipo Lachesis, por exemplo) a despeito da exuberância sintomática que pode perverter a relação médica. Ajudar a evolução do doente para lhe dar mais liberdade interior, é, de fato, a meta de toda a psicoterapia, ainda mais sob a perspectiva homeopática.
   A originalidade da ação terapêutica em psiquiatria é que ela exclui toda contradição de atitude, toda oposição dialética entre a ação de um medicamento (que não é nem uma supressão artificial de sintomas, nem uma mordaça colocada sobre o inconsciente) e a ação da palavra que além dos sintomas significativos, faz surgir e exprimir o significado: em nível simbólico, “O Medicamento Homeopático”, isto é, semelhante ao estado do paciente, é um espelho estendido a ele pelo terapeuta, refletindo sua própria imagem.
   Os praticantes “Psiquiatras Homeopatas” tem a experiência de curar estáveis e completas pelo medicamento “simillimum”, porque a terapêutica homeopática ao invés de limitar a ação médica mascarando, transformando os sinais mórbidos, visa reencontrar as tendências naturais do indivíduo doente e restabelecê-lo, não por uma referência a um protótipo padrão do homem são, mas segundo sua” individualidade própria”, definida pela sintomatologia de seu temperamento e de sua constituição.
   O fato de procurar e reconhecer o conjunto patogenético mais análogo ao estado do doente introduz na relação homeopática em psiquiatria uma qualidade diferente em um outro ritmo: “assumir o caso avaliando de maneira mais precisa as possibilidades reacionais um estímulo exatamente apropriado às suas possibilidades de esforços, e assim um apelo a participar de seu tratamento”. Isto mostra a importância da coerência da dupla resposta sob esta perspectiva.
   Questiona-se sobre o problema da relação médico – paciente, é admitir que a medicina não seja somente a aplicação, por um técnico a um paciente, de instrumentos e cuidados cada vez mais aperfeiçoados; é ir contra uma grande parte de uma orientação ainda recente que se dirige à mecanização do ato médico em detrimento da personalidade total dos doentes e dos recursos que ela poderia trazer a sua cura.
   Seria certamente absurdo negar o enorme progresso dos meios técnicos contrapondo-se à doença orgânica e psíquica; mas seria igualmente absurdo negar a participação psicogênica em numerosas síndromes: seria negar nossa existência em sua unidade. Diante do progresso “do instrumento” – equipamento ou droga surgiu à preocupação de se compreender o homem doente, e assiste-se atualmente a esta surpreendente confrontação de multiplicados meios instrumentais e de concepções “psicogenéticas” trazendo, esta ou aquela doença mesmo “aparentemente orgânica”, por mecanismos, sobretudo psicológicos, nos quais a angústia tem um papel central, sem contar os casos onde, mais ou menos travestida, esta angústia aparece no primeiro plano dos distúrbios. Mas a tentação de estender o uso exclusivo do instrumento a todos os estados mórbidos permanece sempre, forte ou latente, o que sem dúvida traz uma segurança tranqüilizadora ao médico; evitando-lhe o diálogo e o cansaço, às vezes também, e sem dúvida uma segurança provisória, freqüentemente ilusória, colocando fora dele mesmo (isto é fora do seu Ego profundo) as causas totais de sua doença, ao lhe evitar a tomada de consciência e ao lhe dar um recurso mágico contra a angústia.
   A uma necessidade criada pela nossa civilização, nosso “Universo Sociocultural’, as novas especialidades médicas, inspirando-se em dados elaborados pelos psicanalistas, acentuaram as relações inter pessoais: pseudopsiquiatria, psicossomática, e em primeiro plano as psicoterapias, sejam elas de qualquer natureza ou forma.
   A criança nervosa, atrapalhada ou retardada, o adolescente perturbado, os pais de um ou de outro, não podem ser mais abordados unicamente sob o ângulo de uma prescrição higiênica ou medicamentosa. Ela se revelaria insuficiente.
   Mesmo se eles têm a intenção de utilizá-la exclusivamente para si próprios ou para os seus, e não encaram a não ser com reticência uma entrevista colocada desde o seu início num terreno psicológico, explorando o clima de existência e a biografia do paciente, os doentes ou os pais das crianças doentes, sabem bem a partir deste momento que serão conduzidos ao centro do problema que eles pressentem e diante do qual se escondem.
   É a mesma coisa para o adulto que, alegando mal estar somático, mais ou menos definidos, vem procurar no médico – bruxo, a droga milagrosa sempre esperada embora decepcionante, sabendo no fundo de maneira obscura que a doença é inicialmente problemas psicológicos trazido de atitudes, pensamentos, sentimentos desvirtuosos para o Ser. O corpo físico nos mostra claramente como estamos nos comportando na vida.
   Cada vez mais freqüentemente, pelo fato desta tentação de mascarar os sintomas com a ajuda de um arsenal terapêutico variado, potente, solicitante... Devido ao “consumo médico” (locução horrível) crescente, a pressão de uma clientela mal informada e sedenta do sensacional, a relação dinâmica que leva a uma modificação de atitude do doente diante de sua doença é substituída por uma administração combinada de calmantes, estimulantes, soníferos e euforizantes... Ou então em razão do temor de assumir o caso, muitos destes doentes são encaminhados a consultas psiquiátricas, o que para muitos é um traumatismo suplementar.
   Ora, parece, que melhor do que qualquer clínico geral (e mesmo que certo número de especialistas), pela formação (a colocação em conformidade) que lhe dá o estudo paciente e sempre renovado de sua Matéria Médica, a óptica através da qual ele se acostuma a ver o doente, e, sobretudo sua concepção unitária da personalidade humana (psique e soma indiscutivelmente ligados), o homeopata está preparado a se posicionar, na medida do seu gosto pessoal, de sua liberdade interior e de seu tempo, numa atitude psicoterápica eletiva.
   O Homeopata não tem complexo da “superioridade química”: ele não brinca, com uma certeza mais ou menos arrogante, com drogas tóxicas, ele não é mágico que detém os últimos segredos da terapêutica moderna. Ele utiliza, ao contrário, uma medicina aparentemente fora de moda pela sua forma de interrogatório, as questões precisas e inabituais que podem surpreender e, sobretudo, estes nomes em latim de medicamentos que evocam MOLIÈRE, a loja do vendedor de plantas medicinais e a velha farmacopéia de potes verdes e vermelhos onde, antigamente, nas farmácias de pequenas cidades se empilhavam ofídios preocupantes.   Tudo isto que parece uma “mise en scène” ou “folclore”, o Homeopata justifica pela minúcia consciente e tranqüilizadora do seu interrogatório, do seu exame e da sua prescrição.
   Uma longa psicoterapia é desnecessária para detectar por traz da agressividade deste doente um Lycopodium desconfiado, distante gozador, uma hipersensibilidade moral que lhe suscita reações de indignação, decepção e amargura, ou em um Natrum Muriaticum, as necessidades de ternura insatisfeitas. Estas necessidades não conduzem a uma atitude de solicitação imediata como em Pulsatilla tem, sobretudo necessidade de uma ternura exprimida, gestual, e às vezes se contenta com os gestos, desde que eles satisfaçam sua avidez. Natrum Muriaticum exigente quer estar certo da sinceridade do amor que ela deseja: caso contrário ela prefere tentar com dificuldade e se priva.
   Há de fato, tantos psicoterapeutas quantos homeopatas, e tantas formas de relação homeopática quanto de doentes.
   A fragilidade destes adolescentes imaginativos, hipersensíveis, mal adaptados ao real, com parcos recursos nervosos, tão bem ilustrados nos Phosphorus e Phosphoric Acidum, por quem será melhor acolhida no conjunto a não ser pelo médico que, conhecendo o gênio “pirogênico” do medicamento, tratará estes doentes como “grandes queimados” psicológicos, com toda a discrição que respeita a paciência que traz a paz e a calma que reconforta.
   O idoso ansioso é freqüentemente levado ao médico, transtornados por seus gemidos, por sua agitação estéril e inquieta, por suas idéias de prejuízo e seu pessimismo; a solidão e o medo da morte estão no centro de suas angústias, ele os espera e se defende contra eles, com pouca ajuda daqueles que ele amou, pelos quais ele até sofreu e que o tratam como uma criança desagradável; ele necessita, entretanto, ser escutado, ou melhor: ouvido, para não se sentir rejeitado. Escutá-lo e compreender o que os próximos não compreendem (pelo menos não ainda) a inquietação de uma vida que se extingue que se sente isolada e pede um eco de compreensão é um ato médico, melhor ainda quando isto termina pela prescrição de Argentum Nitricum, Aurum Metallicum ou Arsenicum Álbum.
   O Homeopata não é o clínico frio, impessoal e silencioso, que deixa o doente expor com timidez, sem habilidade ou de modo prolixo, seus sintomas num ambiente de neutralidade distante; ele é o portador de seus predecessores, de seus contemporâneos e de sua experiência, porém sempre certo de que, na complexidade das reações biológicas, algo de essencial pode lhe escapar, por ignorância pessoal ou geral, e além do mais, que a natureza não terminou de revelar seus segredos.
   Homeopatia, diz medicina Humana, medicina do Homem total, medicina da experiência. Eu acrescentarei. Tratamento que visa os Seres Humanos como um Todo. Partindo da necessidade pessoal de aliviar, de curar, de prevenir. O Homeopata que se compromete com Amor e Dedicação como o Mestre Hahnemann ensinou, ele vai até o fim da sua tarefa, pelo seu estudo paciente, sua vontade lúcida; contribui para recriar uma ligação inter-humana que ultrapassa com simplicidade e amor a relação médico – paciente.

   2.5 TRANSTORNOS DA INTUIÇÃO:

   É através do inconsciente que o intuitivo percebe o mundo. Desse modo, o simples olhar para a página de um livro lhe permite destacar os pontos mais importantes. Talvez seja devido ao desenvolvimento dessa capacidade que muitas pessoas conseguem realizar a leitura dinâmica de um livro volumoso, cujo conteúdo é apreendido no espaço de poucas horas de leitura. A percepção visual da escrita deve estimular determinadas áreas nas quais se encontram armazenados determinados conhecimentos adquiridos anteriormente e esses, por sua vez, contribuem para a captação intuitiva da leitura.
   Tais indivíduos são extraordinariamente receptivos a tudo aquilo que é desapercebido às demais pessoas, a tudo aquilo que é exprimível. Ele pressente aquilo que nasce e que germina no homem e nos acontecimentos. Conforme a rapidez de sua adaptação, da rapidez de sua compreensão e do valor da certeza de seus prognósticos. Fico muitas vezes surpreendida pela inexatidão de suas percepções sensoriais, que excluem tudo aquilo que pode ser facilmente apreendido, como se uma percepção bastante precisa, um olhar ou o fato de estar com o ouvido atento, possa perturbar a intuição. Essas percepções são por si mesmas um conhecimento imediato, enquanto a sua compreensão é imediata.
   O intuitivo introvertido percebe as possibilidades do futuro. Quando a intuição, esse dom de predição e de compreensão súbita das relações entre as coisas, volta-se para a vida interior, as conseqüências aparentes parecem-nos surpreendentes. Esses indivíduos percebem, por assim dizer, espontaneamente, suas possibilidades intrínsecas, suas realidades psíquicas profundas.   As imagens do inconsciente tornam-se o mundo real. O intuitivo introvertido não nos falará de suas experiências interiores arquetípicas. Torna-se seu intérprete, ele não é senão um fantasista estranho ou um poeta cheio de ilusões obscuras. Em condições especiais torna-se um profeta, assumindo com paixão e sem comedimento as suas qualidades inatas, colocando os homens diante de verdades e exprimindo-as de uma maneira simbólica. Os profetas eram dotados de um poder extraordinário de intuição. Por isso eram sempre consultados pelos poderosos da época e suas profecias, com raras exceções, eram sempre corretas. Os profetas e os místicos de todas as épocas afirmaram que eles não eram senão instrumentos de certas divindades: não se trata de criação de suas próprias mentes o que revelam em sua contemplação interior, mas de uma iluminação divina.
   Os clássicos da psiquiatria tiveram oportunidade de registrar o fenômeno da intuição, mas não conseguiram aprofundar o seu conhecimento. O delírio, qualquer que seja o modo de sua exteriorização, é sempre um transtorno da intuição. No delírio resta sempre uma espécie de resíduo incompreensível, de inconcebível, de abstrato. Os enfermos vivenciam sentimentos primários, sentimentos vivos, disposições de ânimo anormais, captações intuitivas. Tudo se passa no campo da intuição, do pressentimento. As coisas do ambiente adquiriram novas significações. O ambiente está diferente. Uma tensão incômoda, nefasta, passa a dominar o paciente (quando eu trabalhava no Pronto socorro de Psiquiatria em São Bernardo do Campo, uma paciente relatou o que sentia).
   Muitas vezes parece que os enfermos adquiriram a capacidade de apreender, intuitivamente, as qualidades fenomênicas essenciais, o ser essencial dos objetos e fenômenos da natureza, capacidade que o homem civilizado perdeu em resultado da imensa massa de conhecimento que lhe é transmitida pelos meios modernos de comunicação. Se tivermos ocasião de acompanhar o desenvolvimento normal de uma criança desde a época do nascimento, teremos oportunidade de verificar que, a partir de certa idade, a criança manifesta poderes excepcionais, como o de captar realidades que escapam aos nossos órgãos sensoriais de adultos. A impressão que tenho, em determinada situação, com o desenvolvimento e a educação baseada em crenças, dogmas, repressão ligadas diretamente no medo, faz com que nos afastamos da telepatia, intuição, vidência, ou seja: o sexto sentido. Infelizmente nos encontramos em faixas tridimensionais ligadas ao EGO, longe de nós mesmos. Certas pessoas, por condições especiais, conservam esses poderes, mas de modo geral, são encaradas com reservas, desconfianças, quando não ridicularizadas.
   A minha concepção é que, em determinados transtornos mentais, o indivíduo enfermo recupera os poderes naturais perdidos através do desenvolvimento no meio social. Em certos momentos de seu desenvolvimento físico e mental, parece que a criança permanece absorta, percebendo coisas, objetos e fenômenos que nós, adultos, não percebemos, e poderíamos dizer, com uma margem pequena de erro, que a criança está percebendo alucinações.
   O enfermo não compreende as dúvidas e objeções que possam ser feitas em face de sua convicção delirante, produto de uma profunda alteração da capacidade de intuição.
   No livro: O Delírio Transtorno da Intuição, do autor: Joaquim Lopes Alho Filho, editora Robe Editora- ano 1997 pág: 35 e 36 exemplificam um caso clínico:
   ...Exemplo Clínico - O paciente informou ao médico que se sente dominado por uma espécie de vazio psíquico ao mesmo tempo em que não consegue se livrar da idéia fixa de catástrofe e morte. Diz: ando pela rua e mesmo dentro de casa como se estivesse morto. O meu estômago não funciona e a minha cabeça está morta. Sinto um medo indescritível de algo que não consigo explicar: Parece que o céu vai cair ou como se eu estivesse andando por uma cidade presa de incêndio. Tenho medo de algo que vai acontecer; não sei do que se trata, mas pressinto que vão acontecer fatos muito desagradáveis. Tenho medo de algo que não sei o que é como se esperasse algo mau. Creio que a minha pessoa vai acabar e aguardo a morte com serenidade. Creio que vão dar voltas ao mundo e que me acontecerá algo desagradável. Sinto uma intranqüilidade interior como resultado do temor de que algo me acontecerá. Experimento uma sensação desagradável na cabeça que não consigo definir: Impressão de perigo, medo de algo grave que me possa acontecer: Estou como uma parede que vai desabar; sei que algo vai acontecer; coisa que temo. No princípio do inverno comecei a sentir uma estranha sensação de ameaça e me fez ficar intranqüilo, violento, assustado, como se fossem fazer alguma coisa comigo. Parece que arde todo o meu corpo, que o coração bate de maneira assustadora, repercutindo nas têmporas e no ouvido. Sinto-o como um cavalo freado, os nervos lutam por escapar; uma sensação de fuga de forças, ouvindo como se fosse um eco, sem poder controlar meu cérebro, sem poder assimilar o que digo. Choro e rio ao mesmo tempo, com um riso espasmódico, ressoando em minha cabeça com horríveis gargalhadas. Tenho o pressentimento de que vai acontecer algo mau, algo da alma, todas as coisas me perturbam muito. (Nágera).
   O enfermo desta observação mantinha-se em permanente estado de tensão, sempre alerta, sempre em guarda, numa expectativa ansiosa terrível, com o pressentimento de que algo de mal ia acontecer-lhe. Ele não tinha consciência clara do que estava para acontecer, mas tinha uma espécie de pressentimento que uma ameaça pairava sobre sua cabeça.
   O humor delirante tem como característica principal o estado de tensão que o enfermo experimenta no início da enfermidade. O sentimento de tensão precede, muitas vezes, durante meses e anos, a irrupção do surto esquizofrênico, como um estado atormentador e incontrolável...
   È com grande alegria que digo que a homeopatia é o tratamento primordial para equilibrar o mental, emocional e conseqüentemente o físico do enfermo acima citado. O Mestre Samuel Hahnemann nos trouxe a oportunidade de nos conectarmos com a essência da vida! A Homeopatia é uma Dádiva.
   O delírio representa o tema mais importante da psicopatologia. O termo delírio significa: “a perversão do entendimento, que faz com que o doente associe idéias incompatíveis que toma como verdades reais; desordem das faculdades intelectuais com ou sem alteração das faculdades morais. É o conjunto de idéias falsas identificadas pela consciência e que resistem à prova.”
   A palavra delírio tem origem no latim delirium que por sua vez, deriva do verbo delírio, es, are, composto pela partícula privativa de (fora) e lírio, que significa arar. Delírio consiste em sair do sulco do arado, ou seja, sair da linha reta, desviar-se.
   Os delírios consistem em desordem primária do juízo, que não podem ser deduzidas de outras experiências, nem racionais, nem emocionais. São juízos infundados que ocorrem ao indivíduo, o qual os vivencia como verdades incontestáveis e retira delas conseqüência, como um juízo fundamentado. Por isso os enfermos delirantes são capazes de discorrer com uma lógica impecável, porém, conseqüente com uma falsidade que lhe serve de ponto de partida.







   CAPÍTULO 3

3.1 PSICOPATOLOGIA E HOMEOPATIA

   “““ “““ Antes de relatarmos sobre as patologias psiquiátricas vamos voltar no tempo: Descartes dada ao pensamento racional; em nossa cultura está sintetizada no     célebre      enunciado: “Cogito, ergo sum” – Penso logo existo” -  o que encorajou eficazmente os indivíduos a equipararem sua identidade com sua mente racional e não com o seu organismo total. Veremos que os efeitos dessa divisão entre mente e corpo são sentidos em toda a nossa cultura. Na medida em que nos retirarmos para nossas mentes, esquecemos como “pensar” com nossos corpos, de que modo usá-los como agentes do conhecimento. Assim fazendo, também nos desligamos do nosso meio ambiente natural e esquecemos como comungar e cooperar com sua rica de variedade de organismos vivos.
   A divisão entre espírito e matéria levou à concepção do universo como um sistema mecânico que consiste em objetos separados, os quais, por sua vez, foram reduzidos a seus componentes materiais fundamentais cujas propriedades e interações, acredita-se, determinam completamente todos os fenômenos naturais. Essa concepção cartesiana da natureza foi, além disso, estendida aos organismos vivos, considerados máquinas construída de peças separadas. Vemos que tal concepção mecanicista do mundo ainda está na base da maioria de nossas ciências e continua a exercer uma enorme influencia em muitos aspectos da nossa vida.
   A consciência somente surgirá quando aliarmos ao nosso conhecimento racional uma intuição da natureza não linear. Tal sabedoria intuitiva é característica das culturas tradicionais, não letradas, especialmente as culturas dos índios, em que a vida foi organizada em torno de uma consciência altamente refinada do meio ambiente. Na corrente principal de nossa cultura, por outro lado, foi negligenciado o cultivo da sabedoria intuitiva.  Essa separação manifesta-se numa flagrante disparidade entre o desenvolvimento do poder intelectual, o conhecimento científico; por um lado, a sabedoria, a espiritualidade, por outro. Nosso progresso, portanto, foi uma questão predominantemente racional e intelectual, e essa evolução unilateral atingiu agora um estágio alarmante, uma situação tão paradoxal que beira a insanidade. O mundo dos negócios faz-nos acreditar que o fato de gigantescas indústrias produzirem alimentos totalmente artificiais, cosméticos sintéticos é um sinal do nosso elevado padrão de vida, enquanto os economistas tentam dizer-nos que não dispomos de recursos para enfrentar os custos de uma adequada assistência à saúde que acarretou o “chamado progresso”. A ciência médica e a farmacologia estão pondo em perigo nossa saúde, são esses os resultados da exagerada ênfase dada ao nosso lado Masculino “yang – conhecimento racional, análise, expansão. Contudo o nosso lado feminino yin- sabedoria intuitiva, consciência, vida natural, tornou-se esquecida.
   Numa época pivô da história da medicina, Samuel Hahnemann no início do século XIX, sua originalidade; o percussor, pelo método experimental que ele inaugurou conceitos médicos dos mais modernos da época e ainda continua sendo; da unidade: somatopsíquica da pessoa, o da patologia psicossomática.
   Em Pergame lugar forte original de ASCLEPEION, um dos mais importantes centros médicos da Antiguidade. Encontram-se lá ainda os restos do que se poderia qualificar de primeiro “conjunto psicoterápico”.
   -cena de um teatro sobre o qual, agitados, ansiosos, melancólicos e delirantes, os pacientes eram convidados a exprimir por jogo de palavras, diante de médicos expectadores suas fantasias, suas obsessões, suas angústias, isto é, colocá-los em ação (psicodrama).
   Local que foi uma sala de musicoterapia onde sons e ritmos de liras, de citaras, se esforçavam em apaziguar, estimular e principalmente harmonizar o estado de espírito dos pacientes. Podendo-se percorrer um local de caminhadas, palavras de encorajamento, de reconforto e de confiança, eram dirigidas aos pacientes, enquanto que para torná-los mais, lhes eram difundidos leves vapores de ópio.
   A farmacopéia era muito inspirada no princípio “Similia similibus curantur” de Hipócrates; considerados os sintomas mórbidos como o conjunto de esforços de um organismo para encontrar o equilíbrio global perdido; ele utilizava diversos produtos, cujos efeitos conhecidos estavam em harmonia com os distúrbios do doente.
   Apenas cinco séculos mais tarde, Galeno diz “Não” em nome do “Contraria contrariis curantur”, numa perspectiva de atividade mais imediata; numa orientação analítica e fragmentária. Estava terminada a preocupação com a globalidade!
   A seguir, mostrarei as patologias psiquiátricas e as homeopatias correspondentes; pois equilibrando o ser humano, conseqüentemente os sinais e sintomas se normalizarão trazendo a harmonia interna.

   3.2 ANSIOSOS

Definição de ansiedade:

   Sentimento de insegurança em relação ao presente e o futuro emoção caracterizada por um estado de dor moral. Uma desordem vivida na expectativa pungente de um perigo iminente. Um sentimento de dúvida sobre a natureza do que lhe acontece.
   No campo psiquiátrico qualquer patologia é tingida de angústia. Pode ser camuflada nas fobias ou na neurose obsessiva; mascarada no hipocôndrio, evidente em todas as psicoses agudas ou crônicas.
   A ansiedade na homeopatia está em todos os miasmas em graus diferentes.
   J. T. Kent assinala 37 remédios de terceiro grau e 89 remédios de segundo grau.
   Alguns deles:
   Aconitum: São pessoas alegres, nervosas, impressionáveis e muito preocupada, medo e angústia sempre presentes. Ansiedade intensa, manifestando-se por palpitações. É realmente uma pessoa rica de temores; ele espera ansiosamente uma catástrofe indefinível Diz que vai morrer, prediz até a hora de sua morte. Ele pede ajuda, mas sabe que no fundo vai se salvar.      Todos esses sintomas acompanhados com muita ansiedade.
   Arsenicum álbum: É um dos grandes senhores. Possui numerosos sintomas. Exaustão, inquietude, com agravamento noturno. Tem mania de arrumação, é industrioso, teimoso agitado ao extremo com muito medo de doenças. Ansiedade é tanta provocando insônias. Muito friorento, mas que não tolera um cômodo fechado. Medo, susto e preocupação, muita angústia e inquietude. Muda constantemente de lugar. Tendência para o suicídio. Alucinações no olfato e na visão. Mesquinho, egoísta, sem coragem. Sensível a desordem e a confusão. Cefaléias aliviadas pelo frio. Delirium tremens; blasfemando e enfurecendo-se.
   Argentum nitricum: É um ansioso crônico. Sem nenhuma dúvida é rico de ansiedade. Um encontro, quaisquer obrigações, deixam-no extremamente ansioso, com medo e diarréia, provocando mal estar súbito. Qualquer acontecimento súbito é um horror. A visão de casas altas, prédios, pontes, provoca vertigens. Se ele olha uma janela, pensa que poderá pular às vezes ele realiza essa idéia. Pensa que vai pular do alto da ponte. Isso faz com que não tenha mais coragem de caminhar ao longo de um rio ou de atravessar uma ponte, pois teme a idéia de suicídio. Ele é chamado de o “específico da nossa vontade de se movimentar. Ainda “o campeão da aceleração”. Conta passos, Medo de ficar louco, depressão e agitação, percepções de seus erros; temores aumentam, idéia de suicídio. A agitação é tamanha que ele teme a apoplexia pelo aparecimento de palpitações, tem pequenas perdas de consciência, mas teme que as casas caíssem sobre sua cabeça, fala sem parar. É um medicamento importante e precioso.
   Cyclamen: Tristeza ansiosa, geralmente uma mulher é a escrupulosidade exagerada. Ela terá medo de ter feito incorretamente e pensa que não cumpriu seu dever. É um melancólico tão exigente consigo mesmo e com os outros. Pensa ter cometido uma má ação. Sente-se culpado, sozinho e abandonado, procurando na religiosidade excessiva amainar os seus desafios. Excessivamente escrupulosa, grande tristeza com tendência a chorar. Ansiedade febril, ansiedade de consciência, cansaço e esgotamento; necessidade obsessiva de atividades minuciosas. Humor variável, inconstante; teimosa e suscetível.
   Lilium tigrinum: Lembra e convém a uma mulher que apresenta peso pelviano, usando uma cinta, ou a segurar seu baixo ventre com as mãos. O que nos chama a atenção é agitação. Precipita-se e deseja terminar rapidamente sua tarefa. Muito preocupada, apresentando uma melancolia furiosa e está ao mesmo tempo desesperada e precipitada. Tem medo de ficar louca; tem a sensação de perder a razão. Tem medo de perder a sua alma podendo desenvolver uma melancolia religiosa. Imagina ter uma doença incurável e fica constantemente preocupada. Seu estado psíquico é deprimido, tem dificuldade de raciocinar. Sua depressão mental é profunda, chora com freqüência e se desespera. Odiosa e desagradável, sombria e solitária. Se for uma mulher ela parecerá selvagem, um pouco louca, tendo impressões confusas. Não suporta o calor. Tem idéias obscenas. Tem necessidade de lutar contra esta obsessão sexual. Acusa-se de faltas e pecados.
   Sepia: Eis um grande senhor. Poderíamos considerá-lo como um dos milionários da nossa matéria médica, pois é muito rico em sintomas de grande qualidade. Uma grande deprimida, fala pouco e temos que arrancar sua história quando quer nos falar. É sua ansiedade que a faz correr o risco de bascular para o suicídio que ela minuciosamente prepara sem dizer nada a ninguém.
   A vida lhe é difícil, tem horror ao barulho. Tudo lhe aborrece e está descontente de tudo. É irritada contra os outros e contra si mesma. Às vezes ela deseja gritar de nervosismo. Até sua família lhe é indiferente. Existe um estado verdadeiramente histérico. Humor variável, não sabe o que quer cheia de contradições, espírito de contradição e temores imaginários. Crises de lágrimas, excitável e obstinada. Todos os tipos de medos, cheia de pressentimentos.
   Suas vestimentas escuras. O outono lhe convém, o tempo cinza pesado, as nuvens baixas, a luz pobre estão em harmonia com o rosto amarelado, com os traços caídos e a expressão triste.
   Ignatia amara: Sensibilidade, o nervosismo, a emotividade, hipersensível. Muitas lágrimas e suspiros, ansiedade psicológica; ela espera uma catástrofe. Bruscamente passa da alegria a cólera. Nota-se a tristeza, a melancolia o que é muito característico os suspiros involuntários. Fechada nela mesma, Ignatia ruminará seus pensamentos e será uma presa da emoção e da hipersensibilidade. Não pode suportar os tormentos e as mágoas passadas, dolorosamente presentes na sua mente. Apresenta ciúmes e cólera. É um medicamento capital pra ser dado aos acessos de cólera de pessoas que não estouram em fúrias violentas, concentram habitualmente seu  descontentamento neles mesmos através de lembranças das corrosivas ofensas que sofreram.
   Gelsemium: É um ansioso imóvel que o medo da platéia o paralisa. Suas pernas falham. Pode ocorrer diarréia entes de uma prova, ou audiência. O medo será mais intenso. Observa-se a fraqueza e o esgotamento após um susto. É preguiçoso, inibido e confuso. Tem palpitações e se vê obrigado a se mexer para evitar uma parada cardíaca. Suas faculdades mentais são embotadas, não pode pensar com clareza e não consegue prestar atenção. Lentidão e um estado de obnubilação. Dificuldade de concentração.

Grandes Policrestos dos ansiosos:

   Phosphorus: É um ansioso que esbanja o que tem. Sua ansiedade aumenta no crepúsculo. Phosphorus queima no interior como Sulphur queima no exterior.
   Devido a uma sobrecarga física ou mental constata-se logo com freqüência que Phosphorus está cansado. Ele é incapaz de manter um esforço mental. Diz-se que phosphorus queima sua vida aos vinte anos. Descompensado ele destrói suas células nervosas; é a incapacidade de pensar que caracteriza seu abatimento, isto é a incapacidade de queimar, em consumir o alimento psíquico. Então ele fica embotado, abandona sua função cerebral.
   Apresenta uma ansiedade particular por antecipação pelos outros. Sentirá pressentimentos de uma infelicidade que anunciará aos seus próximos. Sua ansiedade se exprime pela     opressão, pois o mundo tal como é, se apóia como um peso sobre o peito deste respiratório.
   Apresenta uma imaginação violenta, uma exaltação entusiasta que o faz construir teorias transcendentes; ama a vida, mas infelizmente ela lhe escapa, pois sua condição lhe agrava com a rapidez do fogo.
   Psorinum: É o ansioso abatido, desesperado por temores constantes quanto à sua saúde. Se o aconitum diante do seu temor da morte, pede que o salvem; se o Arsenicum acha que é tarde demais, mas aceita socorro, Psorinum sabe que está perdido, porque se diz incurável, esgotado, inapto a qualquer esforço, condenado tendo apenas o suicídio como saída. Fisicamente ele sente que não agüenta mais, desejando apenas o repouso, mas receando morrer sozinho. Tem grande fome durante sua insônia. Cheira mal porque é pouco inclinado a tomar banho apesar de uma transpiração fétida e das erupções cutâneas.
   Calcarea carbônica: Tem medo de tudo. Teme o futuro; tem medo de perder a razão e, sobretudo, de que se apercebam. Espera uma catástrofe imprevista, ou se agita ou permanece apático. A fixação alimentar se traduz pela preocupação de segurança material: desejo de estar envolvido pela abundância, de reservas, compras de geladeira, de dispensas de cofres. Levam uma vida sedentária, em geral com medo. Medo primitivo de tudo que o cerca. Temeroso em agir, e apenas correndo quando é para se salvar de algum perigo imaginário. Após uma contrariedade, um problema, ele será incapaz de prestar atenção, de pensar direito durante um certo tempo.
    Prestando má atenção, ele fixa mal. Torna-se facilmente triste, ansioso, deprimido que chora facilmente. Obcecado por idéias temerosas e ansiosas, vendo tudo preto até o ponto de achar que vai ficar louco.
   Sulphur: É um dos maiores senhores da matéria médica. Porém ele se apresenta sob diversas máscaras, o que poderia induzir a erros. Sulphur é o sujo e desordenado. É orgulhoso e discutidor, egoísta e ingrato. É preguiçoso, indeciso, nervoso, reclamão e mal-humorado.    Ele poderá tornar-se hipocondríaco após a supressão de uma erupção. Este humor hipocondríaco dura o dia inteiro e ele ficará alegre à noite.
   Mercurius: Tem tendência a idéias impulsivas. Pode ter uma cólera súbita com intenso impulso de cometer atos violentos. Terá o impulso de se suicidar como Hepar Sulphur. É mal- humorado desconfiado e discutidor. Sempre está apressado, agitado e ansioso. Mercurius tem uma grande agressividade. Ele se sente um pouco inconsciente e cai num intenso estado de ansiedade com desejos de fuga. Quando seu estado se agrava, isto pode ir até a grande lassidão, a prostração e ao amolecimento cerebral.



   3.3 AGITADOS


Definição de Agitação:
   A agitação é um fenômeno corrente do qual o médico terá que se ocupar em todas as fases da vida. Esta agitação pode afetar a pessoa ou se encontrar localizada, ao contrário em uma parte do corpo. Ela pode afetar o comportamento e se prolongar por longos períodos. Pode igualmente ser psíquica.
   A agitação reflete freqüentemente uma ansiedade fundamental e encontraremos por conseqüência, os remédios dos ansiosos. Pode ser o sinal de uma afecção neurológica  ou psiquiátrica.
   Temos várias vertentes de agitação:
   Movimentos inconscientes, mas coordenados que podem ser reprimidos pela vontade.
   Movimentos Atetósicos, são movimentos mais amplos, involuntários, porém agravados pelas motivações voluntárias, que predominam na face e extremidades.

   Agitação Local
     
   Agaricus: Ação sobre os nervos motores e sensitivos, chegando a nível motor com convulsões, espasmos e sacudidos. Tiques nervosos, espasmos faciais, corea. Adora dançar, mas tem pouca coordenação. Canta, fala e não responde as perguntas. Grande agitação mental com fala incoerente, alegria imoderada alternando com melancolia. Aumento da força física, distorção da percepção dos objetos. Agaricus atua como um inebriante cerebral e produz mais vertigem e delírio do que o álcool, seguido de profundo estupor e diminuição dos reflexos. Estados delirantes alternando com excitação religiosa, epilepsia, distúrbios motores espasmódicos, SNC.
   Tarêntula hispanica: Agitação motora extrema, com necessidade de andar rápido. Excitação das terminações nervosas, as pontas dos dedos se tornam sensíveis. Vê pequenas figuras diante dos olhos que movem suas mãos; grande excitação provocada pela música. Inquietude em todas as partes do corpo. Agressivo, nervoso, histérico. Tem muita pressa, medo de que algo passe ou alguma desgraça fora a suceder. Necessidade tremenda de se movimentar e não quer ver ninguém parado. Trabalhador compulsivo.
   Mygale Iasiodora: Apresentam movimentos espásticos da face, do lado direito, movimentos que são agravados de manhã e que desaparecem durante o sono. Esses movimentos produzem-se igualmente nos membros quando ele está sentado e, se anda, se arrasta.
   Kali bromatum: É um sujeito atarefado, apesar de sua depressão moral e suas preocupações. É um ansioso. Perde a memória, pula as sílabas ao falar; gagueja. É um sujeito que remarca a consulta, porque continua em dúvida sobre o que acabou de ser explicado. Retorce sem cessar seus dedos no lugar os tamborila e fala mexendo as mãos e os braços.
   Zincum metal: Se Kali Bromatum move os braços, Zincum mexe sem cessar as pernas. Ele sapateia sobre sua cadeira quando fala com alguém. No leito ele apresenta a síndrome nas pernas sem repouso. Melhora na mulher no fluxo menstrual, agrava-se pelo vinho. Zincum é um esgotado que suporta mal a conversação dos outros.
   Hyosciamus níger: Age eletivamente no cérebro levando a sintomas com três graus de intensidade: inicialmente uma fase de excitação com espasmos, depois uma fase astênica durante a qual temos congestão que leva a estagnação sanguínea nos capilares e finalmente uma fase paralítica que termina com o coma. Delírio agudo, a excitação alterna com abatimento, se torna rapidamente suave para chegar à inconsciência ou prostração completa. Podemos ter no início um delírio violento que se manifestam em acessos, que vai diminuindo, as crises de violência se espaçam e o estupor e o abatimento aumentam até a inconsciência total.
   A mania se instala geralmente após uma doença aguda. Apresenta sintomas marcantes: desconfiança, não quer tomar remédios porque tem medo de ser envenenado; ciúmes, que pode ser a causa original determinante da doença; a lascividade.
   O sistema nervoso está enfraquecido, deprimido, não podendo orientar seus pensamentos, nem controlar seus gestos, mente desordenada, movimentos desequilibrados.
    Super excitado e agitado gosta de andar nu, transforma todas as palavras em pornografia. Delirium Tremens com espasmos crônicos, com aversão a luz e a companhia. Suas alucinações são muito interessantes e numerosas. Fala com seres invisíveis, nas suas alucinações vê todo o tipo de coisas indescritíveis. Passa de um minuto a outro da ilusão à alucinação. Conversa com familiares mortos. Reclama de tudo e de todos, é irritável e discutidor, é durante os períodos de excitação que ele se torna discutidor, insolente, perde o controle, explode e ri, canta alto, fala ou faz gestos obscenos.

   Agitação Generalizada
   Os Tremores

   Gelsemium sempervirens: Como sintoma predominante a paralisia dos nervos motores. No início a mente está lúcida, há apenas um ligeiro estado de estupidificação, com lentidão do pensamento e da emotividade. Paralisia dos centros motores e depois dos centros sensoriais. São estas alterações cerebrais e medulares que levam a manifestação da maior parte da alteração do remédio. Temos então convulsões, cãibras nos músculos das costas e dedos; sensação de frio nos dedos e as pernas estão geladas até os joelhos, enquanto que a cabeça e o rosto estão congestionados e de cor violeta; os olhos estão injetados e as pupilas dilatadas. Poderão ocorrer sintomas hiperemia cerebral, sensação de rigidez com tração dos músculos da nuca, impedindo que se dobre para frente. Dores violentas ao longo da coluna vertebral com sensação de frio. Sistema nervoso dos indivíduos sensíveis, irritáveis, com fraqueza geral e muitos tremores. Relaxamento e prostração completa do sistema muscular com paralisia motora completa e incompleta; tremores. Os músculos não obedecem à vontade. Nash o chamava de “o remédio do tremor”.
   Argentum nitricum: Sistema nervoso cérebro-espinhal que sob sua influência produz uma série de sintomas que vão desde uma simples debilidade até uma paralisia. Afeta profundamente o sistema nervoso produzindo um estado de desequilíbrio mental. Que se traduzem por fobias, apreensões, tristezas, tremores, vertigens, epilepsia, síndrome de pânico, ataxia. Prediz o momento da morte como aconitum. Tremores dos lábios enquanto fala.
   Phosphorus: Leva uma super atividade das trocas teciduais, assimilação e desassimilação extremamente rápidas que traduzem por debilidade. Afeta os dois centros, o cerebral e a medula produzindo amolecimento e atrofia com seus sintomas: prostração, tremores, entorpecimento e paralisia. Sua ação se caracteriza por sensação de calor queimante em várias regiões, sobretudo na pele com agitação, ansiedade, sobretudo ao cair da tarde e hiperexcitabilidade de todos os sentidos às expressões externas.
   Mercurius Solubilis: Mercurius é um luético trêmulo. É, sobretudo a língua que treme, mantendo a marca dos dentes, assim como as mãos. É ainda significativo por seu agravamento noturno, seus suores oleosos debilitantes, sua sensibilidade ao frio.  É igualmente um remédio da doença de Parkinson.
   Secale cornutum: Secale causa contração das fibras musculares lisas, mas também das mãos e pés.

A Agitação Psiquiátrica

Atropa Belladonna: Age no SNC; SN neuro-vegetativo, pupilas dilatadas, força aumentada, delírio violento, excitação, convulsões, delírio com alucinações, fúria com desejos de morder, ansiedade com desejos de fugir, destrutividade, grande agitação, agride a si mesmo e aos outros a sua volta. Sensível aos tremores e trepidações. Violência predominando o estupor. Tudo em Belladona é violento: febre alta, dores de cabeça intensa, processos inflamatórios. Grande Dor. Bate com a cabeça na parede e arranca os cabelos. Energia vital extraordinariamente aumentada. Acessos de fúria; ele agride a si mesmo e aos outros. Olhos brilhantes e vermelhos a pele do rosto vermelha. Hiperexcitabilidade de todos os sentidos:
À luz, ao ruído, ao tato, ao menor golpe. Medo de animais, principalmente cachorros e de coisas imaginárias, de água
   Chamomilla Vulgaris: Ansioso, impressionável, agitado, muito sensível à dor, que o leva ao furor. Briguento e disputa com todos. Não tem nenhuma consideração pelos sentimentos dos outros. Agita-se , grita, chora sem lágrimas, lamenta-se em altas vozes, apostrofa os outros de forma maléfica. É um verdadeiro frenesi, uma loucura de desespero, de dores e cólera. Nervos a flor da pele, grita e tem reações intempestivas. Impaciente, com humos áspero, brigão, suscetível, colérico, obstinado, reconhece seus defeitos, mas não consegue atuar de forma diferente.
   Hyosciamus Níger: Confunde o imaginário com o real, delírio agudo com excitação, terminando em inconsciência e prostração. Agressivo, ameaçador, agitado, inquieto, estupor, violento, obsceno, insanidade, ciumento, perdeu o paraíso da lucidez, debochado, desconfiança, delírio tremens, convulsões, alucinação, medo de ser envenenado, medo de água. Vive fora da realidade num mundo de alucinações e fantasias. Extrema raiva. Impulsos violentos, vingativos.
   Stramonium: Atua sobre o cérebro e o sistema nervoso central. Age no cérebro de forma semelhante à Belladonna e Hyosciamus Níger, mas o grau de ação é diferente. O delírio provocado por Stramonium é mais violento.
   O delírio é acompanhado de alucinações, a pupila está imóvel e dilatada. A sensibilidade geral está diminuída, tem grande agitação do sistema muscular, que não está mais sob o controle de sua vontade. A agitação pode chegar a violentas convulsões. Há excitação sexual violenta, dispnéia e disfagia espasmódicas, secura na garganta, ao mesmo tempo no interior da boca tem sensação de que a mucosa está em carne viva. A língua se torna rígida depois paralisada.
   O delírio pode apresentar de diferentes formas: pode ser alegre falando incessantemente; faz discursos absurdos para pessoas ausentes, gestos ridículos, danças extravagantes, canta e ri. Outras vezes está completamente mudo, podendo ter aspecto alegre, mas o mais freqüente é que seja um delírio furioso, com impulsos de gritar, bater morder a si mesmo. Este furor alterna com convulsões. Algumas vezes mistura delírios alegre com delírio furioso, podendo ser terrível; canta, dança, faz careta, assobia, grita, reza fervorosamente ou blasfema.
   Durante o delírio assume diferentes posturas: se enrola como uma bola fica tenso ou levanta a cabeça do travesseiro inúmeras vezes. 
    É um enorme medicamento do ponto de vista mental. Nota-se uma agitação extrema e violenta com ausência de dor, o que merece ser gravado. Irá manifestar esta agitação com freqüência através de um rir violento com uma expressão sardônica. Se ele manifesta sua alegria, que às vezes é grande será através de um rir espasmódico. Sua voz é rouca e vulgar.    Fala palavras obscenas. Está louco e inquieto. Tem idéias estranhas a respeito da conformação do seu corpo. Imagina-se disforme. Fica inquieto e angustiado ao escutar a água correr. É um dos principais medicamentos da loucura e da mania aguda.
   Baptisia Tinctoria: Incapacidade de pensar, grande depressão nervosa. As faculdades intelectuais estão perturbadas. Aversão a todo esforço mental, incapaz de fixar sua atenção, reunir suas idéias e a tudo se torna indiferente rapidamente.
   Grande prostração, estupor profundo; quando interrogado começa a responder, mas no meio da resposta recai no seu estado de estupor e sonolência. Idéias confusas, divagação e delírio, têm resmungos incompreensíveis. Pensa que é duplo, triplo, que a coberta da cama jamais será grande o suficiente para cobri-lo. Imagina que está partido, que sua cabeça e seu corpo estão separados, que está em pedaços; agita-se na cama para reunir os pedaços de seu corpo que crê estarem dispersos. Muito agitado constantemente em movimento, apesar de desejar permanecer tranq6Uilo, não só pelo estado mental, mas também pela sensação dolorosa de contusão.
   Veratrum: Temeroso, assusta-se por nada, geração inquietude, gemidos e choros. Melancolia com estupor e mania. Permanece sentado com ar estúpido, indiferente, mal humorado não presta atenção em nada do que ocorre à sua volta.
   Desespera-se e fica abatido quando a loucura se aproxima. Desespero por curar-se, tenta o suicídio. Indivíduos muito abatidos por um desgosto e que caminham para a loucura.    Melancolias, a cabeça se inclina sobre o peito, rumina em silêncio seu desespero. Os loucos não estão desesperados, mas os que se aproximam da loucura sim.
   Violência excitação e frenesi. Lança gritos agudos, blasfema a noite toda. Caminha sem destino, com medo de desgraça iminente. Loucura, desejo de cortar, rasgar suas roupas; linguagem lasciva, religiosa ou amorosa.
   Devemos distinguir Veratrum álbum de Stramonium. Os dois são loquazes, violentos e religiosos, mas a face de Stramonium é inchada e vermelha e a de Veratrum álbum é pálida e esticada.
   Desejo de destruir quer quebrar qualquer coisa, arranca a roupa do corpo e a rasga. Deseja estar ocupado sem parar.
   Frenesi religioso imagina ser Cristo ressuscitado. Grita até sua face esteja cianótica, mas está fria como gelo. Estende os braços faz preces, excita a platéia à penitência, canta canções obscenas, se desnuda. Tem medo da morte e de ser condenado.
   Altera gritos com melancolia, alegria excessiva com depressão melancólica, loucura furiosa com silêncio, prostração e melancolia, irritação, está furioso, grita e ofende a todos.

   Tuberculinum: Necessidade de mover-se adora viajar, mudar as coisas de lugar. Impulso como se tivesse que fazer alguma coisa e não encontrasse sossego. Impulso de correr tem a ver com sua necessidade de mudança. Inquieto mentalmente e fisicamente. Ansiedade cheio de dúvidas. Apreensivo, medo de cachorro, de animais em geral. Horror a qualquer intrusão na sua vida pessoal. Sente temor e repulsão por todo obstáculo autoritário que poderia ocorrer com ele principalmente ao nível do corpo. Ofende-se facilmente. Compulsão a escapar da realidade com desesperança por sua capacidade a adaptar-se a realidade. Incapacidade para controlar seus impulsos agressivos. Grita, insulta, blasfema. A agressão se manifesta em cinco sintomas: ameaça briguento, atira as coisas nas pessoas, rompe coisas e arranca os cabelos dos demais. É um colérico irritável, usa linguagem grosseira, arisco e não tolera repreensão.
   Loucura aguda ou crônica. Golpeia a cabeça contra a parede e coisas. Tem muitos medos.
   Um estudo feito em um hospital de tuberculosos mostrou que quando surgiam alterações psiquiátricas, melhorava a tuberculose e vice-versa, isto em hospital alopático. Kent tem um caso descrito de um tuberculoso e esquizofrênico, alternando crises de ausência e piora da tuberculose.
   Alternância entre os sintomas físicos e psíquicos: Pessoas que estão à beira da loucura. É exato que a tuberculose e a demência são estados que se convertem um no outro. Muitos tuberculosos tratados e curados com alopatia caem na demência. Algumas pessoas que curamos de suas loucuras tornam-se tuberculosas e morrem. As doenças mentais e pulmonares são intercambiáveis. Barbancey, Jaqueline. Psicopatologia em homeopatia.


   3.4 OS ASTÊNICOS

   Astenia nada mais é do que a expressão de uma depressão do estado geral e estará associada a numerosas insuficiências funcionais. É o sintoma essencial de uma afecção psíquica, particularmente um estado depressivo. É um estado de esgotamento somático e psíquico, com lassidão e desencorajamento. O sujeito sente-se incapaz e abandona-se a essa incapacidade.    Exprime-se através da musculatura voluntária: todo o esforço é penoso, mas a astenia manifesta-se em:
   - Cardíaco: com palpitações
   - Digestivo: Lentidão da digestão, eructações, flatulência, constipação.
   - Urinário: incontinência, polaquiúria.
   - Genital: falta de ereção, ejaculação precoce ou retardada, diminuição do desejo sexual.
   A vertente psíquica: é a neurastenia. Esta denominação tinha feito furor antes da guerra de 39-45, foi um pouco abandonada em conseqüência de um uso excessivo. É aí que chegará, sem dúvida, a nossa atual depressão, termo cuja utilização, na linguagem do grande público.
   A neurastenia para reconhecer que ela implica em fadiga crônica que corresponde a uma realidade clínica.
   Ela aparece freqüentemente após um “estresse” importante ou prolongado no plano emocional, associado a sinais de esgotamento fisiológico: alterações da memória; fatigabilidade excessiva; incapacidade de qualquer trabalho; tristeza vaga; pessimismo; sentimento de impotência com temor de se tornar incurável.
   A fronteira com a depressão é estreita, mas que o que caracteriza mais especialmente esta última, é a perda da auto-estima. Este sentimento de desvalorização caracteriza o deprimido neurótico, mas ele permanece moderado, ao contrário do melancólico que se encontra submergido e recusa qualquer encorajamento.
   Não nos aprofundemos nesse aspecto da questão, mas imaginamos que a enumeração desses diferentes sinais não deixará de fazer evocar o tipo sensível de certas homeopatias ou os sinais psíquicos: Anacardium Orientale, Arsenicum Álbum, Lilium Tigrinum, Lycopodium, Pulsatilla, Selenium, etc.

   Os Astênicos Após uma Sobrecarga Muscular
   Arnica Montana
   Age efetivamente nos músculos e no tecido celular. Sua influência especial sobre a fibra muscular determina alterações na circulação arterial e capilar. Produz no organismo quadros semelhante aos que resultam de uma contusão ou traumatismo. É o principal remédio das contusões e suas conseqüências. Nos quadros agudos ou crônicos que resultam de um traumatismo.
   Bellis Perennis: Atua nas fibras musculares dos vasos sangüíneos. Muita dor muscular. Estropiado como se tivesse uma distensão muscular. Congestão venosa devido a causas mecânicas. É o primeiro remédio para ferimento nos tecidos mais profundos, depois de grandes intervenções cirúrgica. A astenia predomina nas coxas. É uma astenia dolorosa, algumas vezes com hematoma. É um remédio do ciclista ou do jardineiro.
   Sarcolactic acid É formado no tecido dos músculos durante a fase de exaustão muscular. Sua fadiga é encontrada após o esforço, mas também em gripe epidêmica, principalmente com ânsias violentas de vômitos e muita prostração. Neurastenia na coluna, fraqueza nos músculos, dispnéia e fraqueza no miocárdio.
   Cocculus indicus Contração dolorosa nos membros e no tronco. Muitos dos efeitos prejudiciais de permanecer acordado durante a noite. É útil para as pessoas que cuidam de enfermos, não são enfermeiras profissionais, já que é o medicamento das contrariedades, inquietude e insônias prolongadas. Fraqueza paralítica, principalmente das fibras motoras; temos então lentificação dos membros motores.

   Os Astênicos após um trauma afetivo

   Arnica Montana
   Pessoas stressadas, desgastadas, traumatizadas; hipersensibilidade para emoções desagradáveis, tornando-os assustadiço. Traumas energéticos. Após susto. Após presenciar cenas chocantes ou dela participar, a pessoa fica com a suscetibilidade a desenvolver várias doenças, como vitiligo, diabetes, lúpus e outras doenças profundas. O choque emocional é uma doença energética que, ao atingir uma pessoa, abre um buraco; uma cratera na sua aura.    A Arnica homeopática irá fechar o buraco na aura impedindo a entrada de vírus, fungos e bactérias.
   Gelsemium Semprevirens
   Hipersensibilidade nervosa, após uma excitação brusca ou uma emoção violenta. O medicamento concentra no sistema nervoso, tendo uma ação depressiva e paralisante. É acompanhada de estupor mental, lentidão do pensamento e da emotividade. Há paralisia de grupos musculares variados: ao redor dos olhos, laringe, garganta, peito, esfíncteres, nas extremidades etc. Devemos nos lembrar dos efeitos estudados pela escola oficial do cloridrato de gelsemina, sal do alcalóide do Gelsemium sempervirens que, experimentado fisiologicamente, determina reflexos aumentados e paralisia das terminações motoras e depois das sensitivas (daí seu poder analgésico utilizado pela alopatia).
O indivíduo é lento, preguiçoso, teme o movimento. As suas faculdades mentais estão entorpecidas, não consegue pensar claramente nem fixar sua atenção. Deseja ficar bem tranqüilo. Não quer que lhe falemos, nem ninguém junto dele. Superexcitação emocional; após um susto ou choque emocional ocorrem problemas funcionais. Maus resultados de um medo, uma emoção, uma má notícia. Medo de falar em público.

  Nux vomica
   Irritabilidade, irascibilidade, rapidez, vivacidade nos seus movimentos; são muito sensíveis às expressões externas, tanto morais como as físicas. Sentem de forma muito viva as tristezas e as decepções; a mínima luz o ofusca, o menor ruído o sobressalta, qualquer odor lhe causa náusea, a menor dor o tortura. São briguentos, impulsivos, críticos e maldosos com o que estão a sua volta. O resto do tempo estão ansiosos, inquietos, melancólicos, temores em relação aos seus negócios, podem chegar a pensar em suicídio, mas o temem.
   São muito ativos, se sobrecarregam por um trabalho intensivo aos quais se dedicam com frenesi, pelos seus medos e inquietudes profissionais. Porém suas atividades nunca o satisfazem, o cérebro trabalha continuamente, as idéias são inúmeras e lhes dão essa impressão de atividade, de fecundidade intelectual, que os faz sentir realizados.  
   O excesso de trabalho mental e a vida sedentária, esta perpétua excitação nervosa, levam a este indivíduo a uma extrema tensão mental.

   Os Astênicos após uma sobrecarga intelectual

   Kali phosphoricum
   Esgotamento mental após esforço ou tensão, temos inúmeros sintomas neurastênicos e Kali Phosphoricum pode levar à cura nesses casos
   Uma alteração no equilíbrio intra-orgânico tem as seguintes conseqüências:
   Na esfera mental: determina timidez, ansiedade, medo, choro, desconfiança exagerada, saudades, fraqueza de memória e depressão.
   O remédio é útil nas pessoas hipersensíveis, nervosas, delicadas, afeadas por sofrimento longo, tristezas e preocupações ou por um trabalho prolongado. Pode ser útil nas mulheres que foram vítimas de abusos sexuais.
   Pessoas pálidas, sensíveis, sem controle sobre si mesmo. Mulheres enfraquecidas pelos problemas de família ou pelo aleitamento, executivos sobrecarregados e intelectualmente fatigados.
   Calcarea phosphorica
   Não consegue manter sua concentração num trabalho contínuo. O trabalho intelectual pode causar rapidamente, ansiedade mental, memória enfraquecida, compreensão lenta, mau humor, irritabilidade e colérico.
   Phosphoric acid
   Sofreu um desengano amoroso tentou esquecer com alegrias imaginárias. Cometeram todos os excessos inclusive os sexuais. Medicamento importante nas noxas emocionais provocada por decepção e frustração. Fica sem interesse por tudo o que se passa ao seu redor. Mente débil, pessoa lenta, catalepsia. Torna-se boêmio por choque emocional. Sem energia, sem ânimo. Estado de prostração. Perda óssea. Afeta seriamente o SNC. Muita quantidade de ácido fosfórico induz ao uso de bebidas alcoólicas e drogas. Pessoas que adquiriram diabetes, pois embotaram a afetividade. O doce da vida.
   Pícrica acid
   Ele tem dificuldade para mexer as pernas e apresenta uma dor raquidiana extensa. Queixa-se de cefaléia agravada pelo esforço mental e acusa diminuição da vontade. Apresenta as violentas e incômodas ereções do priapismo.
   Zincum metallicum
   Age sobre o conjunto do sistema simpático e cérebro espinhal, sua ação principal é sobre o plexo do tronco e do baixo ventre, assim como nos feixes nervosos, que distribuem movimentos e sensibilidade ao aparelho locomotor.
   A primeira face de sua ação consiste em uma exaltação da sensibilidade e contração, mas os efeitos espasmódicos ou convulsivos resultantes são passageiros, logo cedendo lugar a fenômenos Astênicos: fraqueza excessiva, insensibilidade geral, pode provocar em certos casos dores agudas. Zinco é antes de tudo um remédio depressivo e que transtorna a nutrição a ponto de determinar caquexia e provocar a morte por paralisia do coração e pulmão.
   É indicado para indivíduos fracos, de aspecto esgotado, emagrecidos, com tez pálida, terrosa e pálpebras caídas. Apresenta movimentos automáticos de agitação e tremor, sobretudo nos membros inferiores. Sensação constante de inquietude nas pernas.
   Nervos excessivamente sensíveis, excitáveis e trêmulos, têm dores dilacerantes ao longo dos trajetos nervosos. Estremecem e se excitam por qualquer coisa. Podem sofrer de hipersensibilidade em um lugar e anestesia em outros. A hipersensibilidade é tão marcante e característica quanto em Nux Vomica, com o qual, aliás, não combina os indivíduos sobrecarregados de trabalho e excitáveis pertencem a Nux Vomica ou a Zincum Metallicum. Nos de Zincum há fraqueza paralítica, prostração e emaciação, apresentam sintomas cerebrais e medulares.
   Lachesis
   Um grande medicamento. Foi experimentado pela primeira vez pelo Dr. Constantin Hering, que teve a honra de ter introduzido na nossa Matéria Médica. Neste caso, é indicada pelos seus sintomas nos alcoólatras crônicos. São indivíduos nervosos, coléricos a face é inchada e escurecida. Delirium Tremens com muitos tremores e confusão. Alterna excitação e depressão.




                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  
   Os Astênicos em conseqüência da perda líquida orgânica

   O Sangue

   China
   É um indivíduo irritável e astênico, que por um lado oferece o quadro de hipocondria com apatia moral e insensibilidade, defendendo-se de sua astenia com apatia, indiferença e aversão pela companhia. Ante as frustrações da vida, se sente desafortunado, usado, abandonado e mal querido por todos.
   Anemia progressiva com grande palidez e debilidade, quadro que pode ser conseqüência de perdas de qualquer outro líquido vital. Tendência a hemorragias, em qualquer orifício do corpo, com zumbido nos ouvidos, desfalecimento, perda de visão, frialidade generalizada, convulsões esporádicas.

   Helonias dióica
   É um remédio mais feminino. Trata-se de uma mulher que sente seu útero: ela experimenta uma sensação de peso pelviano como Sepia. Suas regras são muito abundantes e ela apresenta leucorréia. Piora ao pensar em seus males.




   Aletris farinosa
   Foi denominada a China dos órgãos genitais. Não tem mais energia. Seu útero lhe parece pesado e suas regras profusas estão adiantadas. Existe também forte leucorréia, por vezes um verdadeiro prolapso.

   O Líquido Seminal


   Kali phosphoricum
   Encontramos na constituição de todos os líquidos e tecidos, principalmente no cérebro, nervos, músculos e glóbulos sangüíneos. Esgotamento mental após esforço e tensão, temos inúmeros sintomas neurastênicos. É útil nas pessoas hipersensíveis, nervosas, delicadas, afetadas por sofrimentos longos, tristezas e preocupações. Pode ser útil a mulheres que foram vítimas de abusos sexuais.
   Indivíduos com depressão nervosa geral, funcional e nutritiva, com fraqueza que pode chegar à paralisia. Morosos irritados, não gosta quando lhe falamos, tremem ao menor ruído ou ao serem tocados. Corresponde à neurastenia, é um grande restaurador da debilidade muscular após uma doença.
   Kali carbonicum
   Age no sistema nervoso deprimindo-o profundamente. Mente fraca com hipersensibilidade física e moral. É afetado por qualquer bagatela, exagera o menor acontecimento. O menor ruído leva a um pavor acompanhado de tremores. A debilidade intelectual o torna indiferente a tudo que se passa até mesmo às suas enfermidades e tem dificuldade de relatá-las. Ansiedades e medos obstinados, mas muito sensíveis. Hipersensível à dor, contato e ruído, fraco, prostrado, sujeito a enfermidades orgânicas, com pouca vitalidade, tremores, pulsações, dores ardentes e picantes.
   Staphysagria
   Age de forma marcante no sistema nervoso sobre o qual tem ação hipoestenizante. Age de forma importante no cérebro e medula.
   Convém aos indivíduos enfraquecidos por emoções, penas, tristezas, contrariedades. Podem estar debilitados por excessos sexuais ou por onanismo.
   Excitabilidade, irritabilidade, rapidamente se encoleriza. Facilmente se irrita, mas interiormente, não a manifesta. São os casos que as enfermidades são desencadeadas por cóleras contidas, contrariedades dissimuladas, emoções escondidas, indignação contida. Cólera com relação às atitudes dos outros ou suas próprias preocupações com as suas conseqüências. Desobstrui a alma.
   Agnus castus
   Ele tem medo da morte e perde o tônus. Existe uma diminuição do desejo sexual com impotência erétil e retração dos órgãos genitais.
   Caladium seguinum
  É um remédio de intoxicação tabágica com persistência do desejo, mas astenia geral e impotência erétil.
   Selenium metal
   É um constituinte existente nos ossos e dos dentes. Possui efeitos acentuados nos órgãos geniturinários, sendo com freqüência indicado para homens idosos, principalmente para prostatite e atonia sexual. Muita debilidade, piora com o calor. Fácil exaustão física e mental, em idade avançada. Pensamentos lascivos, com impotência. Fadiga devida ao trabalho mental. Extrema tristeza. Desespero humilhante, melancolia constante.
   Lycopodium clavatum:
   Adolescente irritável: num indivíduo que duvida dele mesmo, procura sua verdadeira personalidade, tem uma sexualidade pouco segura com uma espécie de ambivalência. Distúrbios de caráter nervoso, hipersensibilidade super compensada em agressividade, descompensada em ansiedade e em tiques.

  A Astenia do idoso

  Phosphorus:
   Este não é somente um remédio do adolescente, mas também um grande remédio do idoso. Apresenta uma paresia dos membros inferiores, uma repulsa por todo esforço que o esgote.
   Causticum:
   Este remédio apieda-se do infortúnio dos outros, mas permanece irritável. Ele sente uma grande fadiga dos membros inferiores, por vezes uma verdadeira paresia, assim como uma disfunção vesical com incontinência.
   Hyosciamus:
   Trata-se de um idoso linguarudo, desconfiado e debochado que se sente esgotado após uma inquietação prolongada ou um episódio de ciúme. Essa astenia pode ser reveladora de demência no início e conhecemos a propensão do Hyosciamus de passear nu.


   Conium maculatum:
   É um remédio do qual é preciso lembrar, porque ele apresenta grande astenia muscular, vertigens, agravadas se o sujeito está deitado. Essa fadiga leva a um sentimento depressivo com desinteresse e abulia.

Os Astênicos e as grandes diáteses

Os Astênicos Tuberculínicos

  Natrum muriaticum:
  Trata-se bem entendido, do topo de linha dos jovens fatigados e desmineralizados. Sua dificuldade de se manter em pé ou sentado sem apoio, em razão da fraqueza de seus músculos dorsais e lombares. Todo esforço o agrava. É um carrancudo irritável, agravado pela contradição e pela consolação. Natrum mur. É solitário.
   Silicea:
   Este sujeito é hipersensível que assimila igualmente mal. Foi uma criança em atraso para andar, transpirando na cabeça e nos pés. É um friorento, de grande barriga e com fontanelas abertas por muito tempo.
   É agitado e medroso, esgotado pelo trabalho intelectual que agrava os sinais. É um infectado crônico nos dentes, nos sinus, nos brônquios e nos ossos.
   Calcarea phosphorica:
   É um remédio que combina bem com os dois precedentes. Criança distraída, desatenta, mas inteligente e sensível.
  É um estudante rapidamente cansado e submergido por seu trabalho que acaba por lhe dar dor de cabeça a ponto de ser obrigado a parar tudo.
   Kali carbonicum:
   Temos aqui um remédio bem mais astênico: trata-se de um Calcarea carb. Agravado e deprimido pelo potássio. Seus traços são cerosos e caídos, com inchaço no canto interno da pálpebra superior. O rosto parece cansado. A astenia é física: o esforço difícil com dispnéia e pequena insuficiência cardíaca. A digestão é pesada com constipação, meteorismo supramesocólico ainda que tenha comido pouco.
   O coito é difícil, seguido de tremores, suores e diminuição da visão. Psiquicamente, Kali carbônico é irritável, medroso e teme a solidão. Os edemas desse remédio fazem dele uma transição para a sicose.
   Sulphur Iodatum:
   Trata-se também de um remédio de articulação, dessa vez com a psora. Considerado como uma atenuação do Sulphur menos explosivo. Ele comporta uma originalidade em razão da presença do iodo que faz dele um hipertireoidiano.
   Traqueíte e pleurite são freqüentes. Esse remédio é agravado pelo calor e busca o ar fresco. É um indivíduo magro onde o exercício o agrava.
   Tuberculinum:
   É nervoso, agitado, mas enfraquecido, que dorme mal e atormentado por pesadelos. Ele transpira ao menor esforço. Apresenta paresia dos membros inferiores, com dificuldade para se manter de pé. A fadiga tem predominância matutina.
   Trata-se de um bom remédio do neurastênico, mas é preciso dizer, que em verdade, a patogenesia dos sinais psíquicos é pouco precisa e que seria bom redefini-la, porque é um remédio de grande importância.
  Phosphorus:
   Se não se pensa a priori na fadiga do Phosphorus, conhece-se bem sua fraqueza vertebral e articular, assim como seus tremores ao esforço.
   Nas fases hipostênicas, existe uma aversão para o trabalho físico e intelectual. Sua fala é lenta, sua voz enfraquecida e sua ideação diminuída. Ele cochila durante o dia, sobretudo ao crepúsculo e se sente melhor depois de ter dormido. Phosphorus apresenta cefaléia que lhe dá a necessidade de permanecer tranqüilo.
  Phosphorus é sedento constipado, oprimido. É um explosivo que um fatigado, mas sua ação difásica o predispõe a ser astênico periodicamente. Phosphorus é um cíclico e um remédio que nos conduz para a esquizofrenia cuja astenia inexplicada pode ser um sinal de alerta.
 
Os Astênicos Psóricos
   Sulphur:
   O rei dos antipsóricos sente muito calor. Ele está fatigado, sobretudo de manhã e tem que se apoiar em uma parede, pôr o cotovelo na mesa, esgotando-se ao esforço que ele teme. Está entre os antípodas do Psorinum.
   Psorinum:
   É um grande friorento, o paciente agasalha-se muito, o que diferencia do Silícea que não se cobre. Ele tem mais reação, ele está enregelado, esgotado ansioso, desesperado e pensa em suicídio. Ele busca a calma e o repouso, recusando toda companhia em razão de sua fadiga.

   Os Astênicos Sicóticos
   Thuya occidentalis:
   É o remédio mestre da sicose. É também um fatigado, atormentado por obsessões, com sentimento de fragilidade do seu corpo a ponto de, quando sofre, ter medo que seus ossos quebrem.
   Medorrinum:
   Está igualmente esgotado, mas se sente melhor à tarde. Apesar de sua fadiga ele se agita improdutivamente para chegar sempre atrasado.
 
 Natrum sulphuricum:
   É um centrípeto em retenção de água, abatido, pesado, deprimido. Qualquer esforço lhe é penoso e ele sente dificuldades em se decidir e agir. Agravado pelo calor e pela tempestade.

   Os Astênicos Luéticos
   Calcarea Fluórica:
   O fluórico é fraco, mas flexível e adaptável. A fragilidade da túnica de seus vasos e de seus ligamentos.
   Mercurius Solubilis:
   É um sujeito amorfo que sente repugnância ao esforço, porque ele agrava e determina um temor em seus membros.
   Phytolacca decandra:
   Esse luético pode ser igualmente útil, porque ele está esgotado. Seus músculos estão doloridos, seus membros rígidos e ele treme ao esforço. Intelectualmente, Phytolacca desinteressa por tudo e por todo o mundo.
   Luesinum:
   É o bioterápico da luese que denomina também Syphilinum. Ele é igualmente fatigado de manhã ao despertar, mas como todos os luéticos, ele piora à tarde e sente dificuldades para dormir. Ele não pode se concentrar e perde a memória; ele é incapaz para o trabalho intelectual abstrato e, portanto para a matemática.


   3.5 OS FÓBICOS
   Trata-se de uma sistematização da angústia em pessoas, coisas, situações ou atos que se tornam objeto de um terror paralisante.
   Um grande número de fobias, sobretudo uma fobia referente a um domínio maior, pode comprometer toda uma vida.
   No mínimo, se atenderá um tímido. No máximo, uma fobia muito evidente pode camuflar uma esquizofrenia.
   O sujeito deslocou para um objeto, um temor bem mais profundo e cotidiano.Por exemplo: um sujeito esquizofrênico que não pode nem olhar seu interlocutor na face nem suportar seu olhar. A fobia do olhar lembraria o sentimento de culpa de ter olhado o baixo ventre de uma menina de short, de ter imaginado seu sexo e, de ter descoberto em torno dos quatro anos, na realidade de um banheiro, que sua mãe não tinha pênis como ele.
   No plano evolutivo, as fobias da primeira infância têm uma tendência espontânea à cura. Ao contrário, aquelas que aparecem na idade adulta tornam-se permanentes.
   Agorafobia: fobia social na qual o sujeito poderia ser observado por outros, medo de lugares públicos ou abertos
   Claustofobia: Medo de lugares fechados
   Androfobia: Medo de homem
   Decidofobia: Medo de tomar decisões
   Afania: Medo de perder a capacidade sexual
   Aerofobia: Medo de avião
   Gamofobia: Medo de casamento
   A fobia está ligada diretamente ao medo concreto ou ilusório. Na esquizofrenia, neurose, paranóia a fobia está sempre presente.
   Homeopatias:
   Calcarea carbônica
   Tem medo de tudo o que é novo e, sobretudo do que é desconhecido. Tem medo das doenças, das doenças incuráveis. Tem medo de que lhe falte comida e enche sua casa de caixas de conservas, de geladeiras totalmente cheias. Receia os grandes espaços vazios. Teme perder a razão. Sua angústia se agrava à noite.
     Argentum nitricum
   É um paciente com pânico agitado. Ele teme ao mesmo tempo os espaços fechados ou muito pequenos e os grandes espaços, os locais elevados como pontes e prédios. Sua agitação indica uma inquietação. É um remédio do medo em geral, medo que pode engendrar uma tendência ao fugir.
   Gelsemium sempervirens
   É igualmente um fóbico, mas de vertente simétrica. Fica paralisado em seus músculos, inibido no plano psíquico e afetivo. Ele oscila entre o medo e o movimento.
   Lycopodium clavatum
   A mudança de seus hábitos o angustia e ele teme a companhia daqueles que não são seus familiares, porque se arrisca a ter conseqüências. Apenas a perspectiva de uma modificação é o sinal de uma ruminação ansiosa, o medo de não poder enfrentá-la. Perde a confiança em si é capaz de renunciar aos encontros e obrigações profissionais fundamentais. A contrapartida dessa inibição é a tirania que exerce sobre seu próximo.
 
 Pulsatilla nigricans
   Receia perturbar a quietude de quem quer que seja, e apesar de sua necessidade de companhia, é tão impressionável que não diz uma palavra em presença de pessoas que não conhece.
   Seus temores são numerosos: tem medo da morte; da obscuridade e de seus fantasmas; de uma catástrofe iminente. Tem medo do primeiro sinal de solidão e se sente confortada pela companhia. É de sua mãe ou quem a tenha substituído que ela tem necessidade. Receia a presença do sexo oposto de maneira caricatural e usa todos os pretextos para escapar sob pena de pânico.
   Silicea
   Seu esgotamento quase constitucional é tão grande, sua falta de confiança em seu acompanhante tão profunda, que receia pouco a pouco qualquer empreendimento. Qualquer ruído o angustia, qualquer emoção o transtorna. Silicea evita qualquer relação. Sua fobia específica dos alfinetes que procura por toda parte.
   Bryonia Alba
   Não quer sair sozinho. É um sujeito que sofre o medo da platéia e que não se acalma enquanto não lhe dizem que não irá onde deve.
   Arsenicum album
   Tem medo de sair sozinho, sobretudo à noite e na obscuridade. Ele se agita e tem necessidade de companhia para disfarçar outros medos: ladrões, da morte. Teme sufocar em cômodos fechados e se acalma ao abrir a porta ou a janela.
 

 Kalium carbonicum
   Apresenta o medo de estar só e de sair sozinho, embora a companhia o irrite. Sobressalta-se ao contato e ao ruído. Tem medo de morrer e teme o futuro.
   A fobia do desconhecido:
   Aí encontramos evidentemente os precedentes, mas podemos acrescentar Baryta carbônica que não é sempre um débil, mas freqüentemente um tímido. Encontra-se também um bufo Rana, Gelsemium, Opium e Plumbum metallicum que desfalece ao entrar em um cômodo cheio de gente.
   A fobia dos ladrões
   Anacardium orientale, Arsenicum álbum, Kali phosphoricum.
   A fobia de contrair uma doença grave
   Ammonium carbonicum, Cactus grandoflorus, Drosera rotundifolia, Lac Caninum, Podophyllum, Bórax, Valeriana, Lachesis muta, Llilium tigrinum, Nitric acid, Thuya occidentallis.
   Fobia dos micróbios e do contágio
   O remédio central é Luesinum que o leva a precauções extraordinárias.
   A fobia de ser envenenado
   É um receio menos freqüentemente encontrado, mas um certo número de remédios a comportam. Estes são: Hyosciamus Níger, Lachesis, Plumbum Metallicum e Rux tox. Pode acrescentar Allium sativum e Euphorbia resinifera.
   A fobia de enrubescer
   Sanguinária, Pulsatilla e Adrenalinum.
   A fobia do contato
   Arnica Montana, Antimonium crudum, Belladonna e Chamomilla.
   A fobia de Serpentes
   Os dois remédios maiores são: Lachesis e Lac caninum.
   A fobia da morte
   É um sintoma freqüente. Aconitum napellus, Arsenicum álbum, Lilium tigrinum que tem certeza de estar condenado ao inferno quando morrer e Pulsatilla que teme morrer quando estiver sozinho.
   A claustrofobia
   Trata-se de uma fobia muito freqüente. Argentum nitricum, Natrum muriaticum, Lachesis muta.
  Constataremos que os fóbicos participam de todas as diáteses. São eles:
   Tuberculinum
   O tuberculinismo manifesta-se, por uma grande labilidade emocional e intelectual. Encontraremos no Tuberculinum uma atitude fóbica que consiste no medo paroxístico ou permanente de uma catástrofe iminente.
   Por outro lado, J.T.Kent e Gilbert Charette em um caráter particular que é o medo de cães e especialmente dos grandes cães negros, às vezes dos animais em geral.
   Pode-se considerar igualmente a instabilidade profficional, topográfica de Tuberculinum como a fuga do fóbico que não tolera o contato nem o hábito.


   Medorrhinum
   Ansiedade como se tivesse chegado o momento. Ansiedade de consciência como se tivesse cometido um crime. Desespero por sua salvação religiosa. O tempo parece passar muito lento e que o obriga a se afobar, implica uma nota fóbica. Paranóia, transtornos por antecipação.   Medo de enfermidade iminente, pensar em males piora. Desespero por sua recuperação. Medo de enlouquecer. Agitação constante nas pernas. Muito apressado quando faz algo. Piora ao anoitecer. Vive sempre apurado, agitado e ansioso. Um grande policresto!
   Luesinum
   A noite é cheia de temores. Ele receia terrivelmente a ponto de ter medo de adormecer, sabendo que estará esgotado ao despertar. Tem medo de perder a razão ou de paralisar, é sobretudo dominado pela fobia do contato e da sujeira, dos micróbios e do contágio. Isso leva a rituais de lavagem que são uma característica do remédio. Delírio melancólico.
A importância de levar em conta o Ser Humano como um todo implica num remédio de fundo.


3.6  OS DEPRIMIDOS
   É preciso saber lidar com nossas emoções; não devemos nos censurar por senti-las, mas sim julgar do que faremos com ela.
   Reparação é o ato de compensar ou ressarcir prejuízos que causamos, não apenas aos outros, mas também a nós mesmos, através de posturas inadequadas e injustas.
   Necessitamos reparar as atitudes desonestas que tivemos perante nós mesmos, para ressarcir-nos dos abalos que promovemos contra nossas próprias convicções e para compensar-nos da deslealdade com nosso modo de ser e com nossos valores íntimos.
   Devemo-nos conscientizar do quanto estivermos abrindo mão de nossos sentimentos, pensamentos, emoções e necessidades em favor de alguém, somente para receber aprovação e consideração.
  Quantas vezes asfixiamos e negamos nossas emoções diante de acontecimentos que nos machucaram profundamente.
   Viver o direito de sentirmos nossas emoções equivale a ser honestos com nós mesmos. Elas nos ajudam no processo de autodescobrimento e estão vinculadas a estruturas importantes de nossa vida mental, como os pensamentos cognitivos e as nossas intuições.
   O hábito de rejeitarmos, freqüentemente, as energias emocionais fará com que percamos a capacidade de sentir corretamente; e, sem a interpretação dos sentimentos, não poderemos promover a reparação de nossas faltas.
   Para repará-las, é preciso estar  predispostos a dizer o que pensamos e a escolher como independência.
   Para repará-las, é necessário termos a liberdade de sentir o que sentirmos e de viver segundo nossas próprias emoções.
   Para resgatar nossas faltas conosco e com os outros, é imperioso, antes de tudo, desbloquear nossa consciência para que possamos ter um real entendimento do que e como estamos fazendo as coisas em nossa vida.
   Há em nós um mecanismo psicológico regulado pelo nosso grau evolutivo, que assimila os fatos ou os ensinamentos de acordo com nossas conquistas nas áreas da percepção e do entendimento. Nossa incapacidade para absorver certos aspectos da vida deve-se a causas situadas nas profundezas da nossa consciência, que está em constante aprendizado e ascensão espiritual. Portanto, não devemos nos culpar por fatos negativos do passado, pois tudo o que fizemos estava ao nível da nossa compreensão à época em que eles ocorreram. Mas sim reavaliando antigas emoções e resgatando sentimentos passados, a fim de transformá-los para melhor. Desse modo, reconquistamos a perdida postura interior de vida própria e promovemos a modificação de nossas atitudes equivocadas perante as pessoas.
Depressão é cansaço de viver, é não aceitar a vida como ela é.
   É a doença “prisão” que cassa a liberdade da criatura rebelde, viciada em ter seus caprichos atendidos.
   É uma intimação de Leis da Vida convocando a alma a mudanças inadiáveis. Em tese, depressão é a relação da alma que não aceitou sua realidade pessoal como ela é, estabelecendo um desajuste interior que incapacita para viver plenamente.
O stress emocional é um importante fator no processo de produção das doenças.
   Os conflitos emocionais, os sentimentos de impotência e a falta de amor por si próprio podem ter efeitos nocivos sobre o funcionamento do organismo.
   Funciona deste modo uma das possíveis trajetórias da depressão: diante de um sofrimento de dor, fatalmente experimentamos emoções, ou seja, reações energéticas provenientes dos instintos naturais. São denominadas emoções básicas, conhecidas como medo e raiva. Essas reações energéticas nascem como impulso de defesa para nos proteger da ameaça de dor que uma agressão pode nos causar. Se a emoção for de raiva, o organismo enfrenta a fonte da dor; quando é de medo, contorna e foge do perigo. Ambas aceleram o sistema nervoso simpático e, conseqüentemente, a glândula supra-renal para que produza energia suficiente para a luta ou para a fuga. Se essas emoções (raiva ou medo) forem julgadas moralmente como negativas, elas poderão ser transformadas em sentimento de culpa, levando-nos a uma autocondenação.
   Quando reprimidas, quer dizer, quando não expressadas convenientemente nem aceitas, nós as negamos distorcendo os fatos, para não tomarmos consciência. Tanto a repressão sistemática quanto os compulsivos julgamentos negativos dessas emoções naturais geram a depressão.
   Não são simplesmente as privações pueris, as distribuições de esmolas e o ato de bater no peito que transformarão o íntimo de nossas almas. Para verdadeiramente repararmos nossas faltas, é preciso, acima de tudo, que façamos observações de nossas atitudes, comportamentos, sentimentos em relação a nós e aos outros, assim poderemos equilibrar, transmutar para evitar o sofrimento em que nos colocamos, gerando sinais e sintomas e
denominamos doenças.



  Medicamentos dos Deprimidos Graves:

  Aurum Metallicum
  É o mais clássico e aquele que cada um tem, sem dúvida, mais o espírito. Corresponde inteiramente, à sua dor moral, sua ansiedade colérica, sua auto-acusação, sua dificuldade de concentração, seu sentimento de solidão, sua tendência a chorar, sua obsessão ao suicídio que, no entanto, ele receia à melancolia. Trata-se de um melancólico, congestionado, hipertenso, cefalálgico e alcoólico, sua prescrição se imporá por si mesma, mas se faltam os sinais, isso não nos impedirá de prescrevê-lo.
   Sepia
   Depressão melancólica, desalentada, descontente de tudo. Rechaça recordações desagradáveis. Vive pensando em acontecimentos desagradáveis do passado. Pessimista. Cansada de viver. Fastio da vida. Tudo parece estranho. Sentimento de abandono, não se sente querida por seus pais, esposo, amigos. Evita ver gente. Sem gosto e sem alegria, ela se sente ao mesmo tempo indiferente e inútil aos seus próximos, com um doloroso fechamento em si mesma, só saindo deste estado para manifestar sua irritabilidade extrema. Ela tem consciência disso, se sente muito culpada desta agressividade em relação aos seus filhos: “Eu canso de me dizer que eu não faço o que deve ser feito, que eu lhes faço mal, mas eu não posso fazer de outra maneira”. Esta falta de ternura pode, efetivamente, produzir distúrbios psicológicos em seus filhos: regressão afetiva, ansiedade, timidez. Muitas crianças psicóticas têm mães Sepia que compensam sua aridez de sentimentos culpabilizantes, seja por uma superproteção inibitória, seja por uma atitude pseudoliberal que é somente um abandono disfarçado.
   Ela se isola foge da sociedade, fecha-se numa solidão que, entretanto, ela teme, pois evidencia seu fracasso de adaptação.
   Pulsatilla nigricans
   A doce Pulsatilla, quando se encontra separada da mãe ou daquela que a substitui, se deprime gravemente podendo até tentar suicídio, freqüentemente pelo afogamento.

   Alguns remédios do impulso suicídio
   Alumina: Fobia dos objetos cortantes, cuja visão pode levá-los ao suicídio. Ocorre mesmo ao ver sangue.
   Veratrum álbum: Intervém em um contexto de desordem moral e física, como em certos toxicômanos em abstinência. O suicídio pode parecer à única solução para sua angústia.
   Antimonium crudum: è um glutão cuja bulimia mascara freqüentemente uma profunda angústia. Após os abusos de alimentos, ele pode se descompensar e se sentir atraído pelo suicídio com o revolver ou pelo afogamento.
   Naja tripudians: Tem impulsos brutais, o lado impulsivo, aparentemente sem razão, faz um grande medicamento de tendência suicida dos psicóticos, tanto dos delirantes agudos ou cônicos como dos maníacos depressivos.
   Alguns remédios de idéias melancólicas
   Cactus grandiflorus: Esse melancólico fecha-se em si mesmo, apresentando uma constrição torácica.
   Cadmium sulfuricum: Se aplica de modo preferencial ao deprimido que sofreu um tratamento radioterápico e que se desespera de nunca se curar.
   Carbo animalis: Se sente em uma cidade abandonada. É um grande esgotado, tem medo da obscuridade. Está sem esperança, mas deseja estar só e rumina tristes pensamentos.
   Causticum: Ele se agrava à tarde ao cair da noite. Teme um período iminente, uma punição como se tivesse cometido um ato defeituoso. Deseja a solidão, muito comovido com o infortúnio dos outros. É manipulador, tem comportamentos de vítima, coitadinho.
   Cyclamen: É frequentemente uma mulher, clorótica, triste e solitária. Excessivamente escrupulosa e agravada se não se movimenta.
   Helonias: É uma agitada, insone, deprimida pela sobrecarga. Agravada pela contradição. É um excelente complementar de Sepia.
   Kali bromatum: É ansioso, afastado dos seus interesses, sente-se abandonado, com mãos convulsivas. É gaguejante e convulsivo. Excitado no plano sexual, mas às vezes dele se desinteressa completamente.
   Manganum: busca a solidão. Ele teme uma catástrofe iminente. Agrava-se ao frio, à umidade. Está freqüentemente resfriado nas mudanças de tempo.

   Remédios de Deprimidos que exprimem Escrúpulos de Consciência
   Apresentam sob uma forma religiosa

   Cyclamen
   É um sujeito abatido, que apresenta crises de choro, incapaz de se concentrar. Perseguida por seus escrúpulos, ela s impõe obrigações desmesuradas ou imaginárias, reprovando-se as ações que diz para si mesma serem condenáveis ou no mínimo imperfeitas que ameaçam sua saúde. Seus tormentos lhe dão vertigens, enxaquecas, perturbações visuais.
  Lilium tigrinum
  Caracteriza-se por sua hiperatividade que compensa suas idéias obsedantes. Rumina faltas desmesuradamente grosseiras. Agrava-se pela consolação que a deprime. É sedenta; seu ventre lhe pesa. Seu coração está apertado como em um torno e a dor se irradia pelo braço direito.
   Psorinum
  É um esgotado, profundamente melancólico, que se acredita punido e condenado ao inferno.
  Pode-se acrescentar: Pulsatilla, Sulphur, Veratrum álbum, Platina e Chelidonium majus.

    Deprimidos de caráter Psicastênico
   São os deprimidos crônicos, porém suscetíveis de manifestar crises agudas

  


Caladium seguinum:
   Dorme mal, é irritável e apreensivo quanto ao futuro. Seus problemas são ampliados por preocupações sexuais concernentes à sua impotência. Abusa do fumo que o remédio permite tolerar melhor.

   Luesinum:
   É mais obsessivo do que um psicastênico.

   Manganum:
   É um anêmico, com corizas freqüentes, tem pouca confiança em si mesmo.

   Medorrhinum:
   Um grande medicamento. É um depressivo sicótico, nervoso, irritado, não consegue ficar parado agitando suas pernas.

   Natrum carbonicum:
   O sódio é deprimente e que procura uma grande tristeza. Tende a se fechar em si mesmo, sente dificuldades em prosseguir uma conversação. É ansioso, hipersensível ao ruído que lhe faz tremer.


    Natrum sulphuricum:
    Tristeza, ansiedade. É agravado pela umidade. É um grande remédio de depressão após um traumatismo craniano, o que faz com que nele o risco de suicídio esteja sempre presente.
   Staphysagria:
   Melancolia com apatia. Grande indignação, indiferença. Queixa-se de sua má memória, de sua dificuldade de se concentrar. Hipersensível, agravado por sensações fortes: ruído, odor, paladar, tato. Está obcecado por idéias sexuais que ele tenta acalmar pela masturbação.
   Thuya occidentalis:
   Vê-se nele mais um obsessivo do que deprimido. É inquieto, rumina tristemente erros atormentados. Agrava-se pela música que o faz tremer. Experimenta um sentimento de decadência, de incapacidade e de fim próximo. Apresenta idéias delirantes. É um sicótico de referência. Seu sono é perturbado; está fatigado física e psiquicamente.
Outros medicamentos: Selenium, Oxalic acid.

Remédios dos Deprimidos de Caráter Histérico

Ambra grisea:
   A depressão é insuperável. Apresenta crises de choro. Tem tendência a ruminar o que a preocupa e sente o receio de enlouquecer, como Actea racemosa. É uma pessoa tímida, impressionada pela presença dos outros, tossindo de modo espasmódico e que se sente freqüentemente mal, com impressão de frio. É agravado pelo ruído, pela música que a faz chorar. Pode-se compará-la à Thuya a quem a música faz tremer; ao Phosphorus que não suporta a música de piano.
Existe insônia que o obriga a se levantar da cama.
   Ammonium carbonicum:
   Também chora. É impressionável, sente as doenças das quais se fala. Dificuldade de se concentrar e sua distração. Um grande descuido de higiene e vestimentas. Não gosta de tomar banho. È um sujeito gordo, pálido, pouco resistente, de aspecto hipotireoidiano, apático. Está constipado, sente-se pior de manhã, na umidade, na tempestade.
   Antimonium crudum:
   Impressionável e sentimental, chorando por nada. Tem tendência a obesidade e seus transtornos psíquicos são freqüentemente devidos a seus problemas dispépticos.
   Apis mellifica:
   Ele é triste e chorão. Rumina seus aborrecimentos, insensível ao que poderia torná-lo feliz.    Está abatido, ou ao contrário, agitado, suspeitoso. Piora pelo calor, contrariedade ou pela inabilidade de suas mãos.
   Cicuta virosa:
   É deprimido, busca a calma, a solidão. Ele se sobressalta muito facilmente como o kali carbonicum e tem forte apreensão quanto ao futuro. Convulsão, com hipersensibilidade ao contato. Seu paladar pervertido pelo giz ou pelo carvão.
   Lac caninum:
   Sua ansiedade, seus choros e seu temor de solidão, seu medo de contrair uma doença grave ou de morrer. Trata-se freqüentemente de uma mulher hiperestésica ao ruído, à luz forte, ao contato com áreas sexuais. O coito desencadeia crises pseudocomiciais e o exame ginecológico pode fazê-la desfalecer, como Mochus e Platina.

  Palladium:
   Tem tendência a chorar, a se sentir compreendida e abandonada. Ela quer ficar deitada, esgotada por uma cefaléia que vai de um ouvido a outro. Hipersensibilidade do ovário direito. È um complementar da Platina.
   Platina:
   É um remédio cíclico de exuberância alegre, mas igualmente de melancolia que a consolação agrava com, no entanto, o medo de ser abandonada. Platina mostra um desgosto pela vida, porém violento. Os problemas genitais são conhecidos: hiperesia sexual com frigidez e, portanto ninfomania. Apresenta grande remédio do homossexual masculino deprimido.
   Ignatia amara:
   É triste, fechado em si mesmo. Chora, suspira, boceja, sobretudo em torno das onze horas. Hipersensível, ameaça matar, mas não realiza senão raramente. Nesse caso é suicida espetacular, sem risco de vida real.
   Outros medicamentos: Ammonium muriaticum, Bromum, Onosmodium, Fraxinus, Digitalis, Benzoic acid, Crataegus oxyacantha, Chelidonium majus, Chionantus, Petroleum, Podophylum.

   3.7 OS MANÍACOS

   O acesso maníaco é caracterizado por uma exaltação eufórica do humor; uma hiperatividade anárquica; uma aceleração dos processos psíquicos aos quais pertence o que se denomina fuga de idéias. A mania não é sinônima de minúcia, de perfeccionismo, de esquisitice. Trata-se de uma urgência psiquiátrica.
   A fase maníaca representa a vertente positiva da melancolia e, por conseqüência, um momento da doença maníaco-depressiva, quer seja unipolar ou bipolar.

A Exaltação do humor
   Trata-se de um sujeito muito excitado, com rosto hiperexpressivo, alegre ou agressivo; ele se agita sem cessar. Seu contato com casa um se faz facilmente, com toda a familiaridade.
   No entanto, essa euforia é lábil. Na realidade essa exaltação alegre é superficial e esconde uma grande angústia: é irritável se o contrariam. Por vezes, sem razão aparente, ele se torna inquieto e hostil, freqüentemente violento. A excitação maníaca não é uma comédia é um drama. A exaltação é acompanhada de transtornos instintivos. O apetite é enorme; o sono desapareceu e apresenta uma hipergenesia considerável e sem controle.

 A hiperatividade maníaca
   Agitação mexe braços e pernas; desloca os objetos, mudando-os de lugar.
   Recita poemas de modo teatral, canta ou se faz de palhaço. Mostra uma atividade esgotante para seus familiares e se entrega a compras impensadas. Podendo apresentar um delírio agudo comparável ao do alcoólico.

   Fuga de idéias
   Toda vida intelectual está acelerada. Enche cadernos inteiros com uma escritura mais ou menos anárquica. Muda da água ao vinho, libera-se a trocadilhos grosseiros em uma desordem indescritível.

A fabulação megalomaníaca
   A par dessa fuga de idéias, libera-se em uma transfiguração eufórica da realidade e mostra uma imaginação muito viva. Essa propensão chega a uma fabulação do tipo megalomaníaco.
   O sujeito apresenta-se como um ser extraordinário, carregado de marcas consideráveis.        Quando esse arrebatamento maníaco manifesta-se em certas personalidades, pode-se colocar a questão como uma onda delirante aguda ou um episódio fecundo de um delirante crônico.
   O diagnóstico da mania é feito num surto delirante agudo.

Grandes medicamentos:

Stramonium
   É um enorme medicamento. Seus sintomas numerosos e característicos merecem ser estudados com atenção. Uma agitação extrema e violenta com ausência de dor. Irá manifestar esta agitação com freqüência através de um rir violento com uma expressão sardônica. Sua risada espasmódica. Sua voz rouca e vulgar.
   Deseja luz, tem alucinações, sobretudo no escuro. Mas o excesso de luz não é favorável, pois se agrava por uma luz brilhante.
   O medo o faz infeliz, pois tem medo da solidão, da morte, de cachorros. Tem ilusões e alucinações.
   Tem um medo curioso, o medo dos túneis. Mas seu medo mais marcante é o mais terrível, é o medo da água. Ao escutar a água, além do pavor, uma grande ansiedade o ataca. Pode até ter uma convulsão quando quer aproximar um copo de água de seus lábios. O que se deve notar é sua excitação. Seus espasmos e gesticulações. Com fúria e selvagem, morde e bate. Diz injúrias e rasga suas roupas. Diz palavras violentas e indecentes. Às vezes apresenta menos violência na sua atitude escutamos um palavreado alegre, louco, incoerente. Se isto é muito intenso, terá uma hiperexcitação cerebral que não tem mais freio.
   Nestes estados de excitação ele poderá pular da cama, ter uma crise, bater, rolar no chão e tentar escapar. Poderá berrar até que fique rouco.
   Sua excitação poderá ser intensamente sexual; escutaremos canto de amor e poderá fazer discursos obscenos. Será às vezes um furor erótico.
   Por outro lado ele poderá ter idéias estranhas sobre a forma do seu corpo. Pensa que é duplo, que está em dois pedaços, que sua alma está fora de seu corpo, que está deformado e principalmente que é mais longo. Vive num mundo onde não o seguimos.
   Veremos preso em seu universo; ele vê monstros mas sobretudo ouve vozes, ruídos, fala com volubilidade, interrompe seu interlocutor, contradiz, faz réplica a uma pessoa invisível, enerva-se e bate, tenta escapar e rola no chão.
   Outras vezes, refugia-se numa atitude superior e desprezante, a única que convém ao iniciado. Como conclusão possível, ele cobre uma grande parte dos sintomas das crises de mania aguda.
   Grande medicamento sem nenhuma dúvida que o futuro médico considerará como de importância capital no nosso mundo de depravados, alcoólatras e superexcitados.

Hyosciamus
   Medo! Tem medo de estar sozinho, quer sempre ter alguém perto dele. Tem a fobia da água, o medo aparece até mesmo ouvindo a água correr.
   Tem medo de comer e beber; comendo teme ser envenenado. Não toma medicamentos por medo de se envenenar. É desconfiado e ciumento. Desconfia de todos os seus amigos.
   Alternância de depressão e excitação. Alternância de delírio e de estupor. Diz coisas estúpidas. Canta o tempo todo canções de amor e fala rápido. Qualquer situação ele transforma em pornografia.
   Sente que não está na sua casa; vê pessoas que não estão presentes. Emoção agrava seu delírio. Violenta excitação sexual e uma marcada tendência ao exibicionismo. Expões seus órgãos genitais.
   Se estamos diante de uma mulher, veremos que ela tem manias religiosas; dirá que está amaldiçoada, pois pensa que matou ou cometeu atos horríveis.
   Resumindo: com este medicamento, temos vários estados e podemos chegar a quadros psiquiátricos como: maníacos, esquizofrênicos, psicose alucinatória. Delírios. Medicamento sem dúvida difícil, mas que um dia poderá ser precioso nos hospitais psiquiátricos.

Belladonna
   Excitação e violência estão sempre presentes. Todo o sangue está na cabeça. Tem medo com desejo de escapar da cama. Tem um riso louco, grosseiro, estrondoso. Uma mania aguda se instala; morde a colher, late como um cão e faz tudo que é violento, até pular da janela.    Precisa ser vigiado, controlado, e às vezes amarrado.
   Ainda mais calmo ele ainda terá desejo de proferir injúrias; sentirá muita ansiedade e medo.
   Pensa que as enfermeiras querem lhe fazer mal. Não existe delírio suave em Belladonna.
   Está repleto de imaginações. Raiva, fúria. Bate morde delira, monstros que povoam seu cérebro congestionado. Teme coisas imaginárias.
   É agravado pelo ruído e pela vida social. A luz também o agrava. Tem horror aos líquidos, pois provocam espasmos da faringe.
   Um fato pouco conhecido que é a melhora por uma alimentação leve e isto de maneira muito nítida. Alternâncias curiosas: cantos alternando com resmungos, ou com choros; a dança com suspiros; os lamentos com delírios; os risos com resmungos; choros com alegria ou risos, a alegria com a mania e um humor alternante.
   Belladonna nos é de grande utilidade quando tenha uma febre intensa com pupilas ou uma terrível excitação.

Veratrum álbum
Um indivíduo que tem necessidade de se queixar e de se atormentar sem motivo.
Pode ser um indivíduo abatido por uma grande mágoa e caminhando para a loucura.
Poderá ter uma doença grave e tentar se suicidar.
   Estados alternantes de risos e de melancolia. Tem uma mania bastante curiosa e penosa, pois só fala dos defeitos dos outros e os reprova. Quer estar ocupado o tempo todo e continua sem parar seu trabalho cotidiano habitual. Vive na ansiedade.
   Sob o aspecto sexual, dirá palavras obscenas e vai querer beijar todo mundo.
   É no aspecto religioso que podemos observar os estados mais extraordinários. Por exemplo, ele exorta os outros na penitenciária, gesticula, berra, rasga suas roupas, diz palavras impudicas mas não acusa o sentimento de estar possuído e sob o império de uma outra pessoa. Às vezes apresentará uma loucura religiosa, imagina que é Cristo ressuscitado, com medo da morte, medo de ser amaldiçoado. Ele permanece horas com a cabeça baixa sem dizer nada.
   Numa mulher, poderemos observar uma loucura puerperal com convulsões e tendências a morder e a rasgar.
Um grande medicamento!


Mandrágora
   Representa a expressão direta do mundo inconsciente. Tumultuado, incoerente, inconseqüente e imprevisível. Exercem no picadeiro da vida aquilo que é ridículo, mas que cada um de nós carrega um pouco.
   Os indivíduos mandrágora são como sua raiz, que embaixo da terra têm aparência da figura humana. Os indivíduos têm o comportamento do sob mundo (marginal). É a caricatura da espécie humana carregando os múltiplos comportamentos, na figura do vagabundo, sem teto, sem casa, desabrigado, aquele tipo louco que habita as ruas da cidade, servindo de deboche para as crianças de rua e saídas de escola, uma vez que vivem uma realidade própria dentro de seu universo delirante, ora eufórico cantarolante, ora maníaco ou prostrado, ou ainda como que endemoniado, fora de si, irresponsável e obsceno. Sensibilidade. Hipersensíveis, com tendência a estados hipomaníacos ou maníacos depressivos, acompanhados por sintomas psicossomáticos. Euforia alternado com tristeza. Depressão com apatia ou irritação, podendo bruscamente alternar com euforia e alegria. Mudanças de humor, acessos de choro alternando com euforia e agitação exagerada. Sonolência com entorpecimento. Piora por lugares fechados com muita gente. A personalidade retrata a miséria humana, sua confusão, sua incoerência sua inconstância, sua ambivalência, sua inconseqüência e sua irresponsabilidade. Inquietude, insônia, histeria, irritabilidade, debilidade de memória, confusão mental, agitação psicomotora, incapacidade de permanecer parado, embora sem conseguir andar por sentir dormência de membros inferiores e sensação de que está com as pernas paralisadas (lembrando o estado do indivíduo embriagado). Grande medicamento da loucura.



Nux vomica
   É um indivíduo interessante, encontramos com freqüência do qual ele é um famoso protótipo. Ele é impaciente. Isto é a característica do homem moderno. Não gosta de perder tempo. Tempo para o Nux vomica é dinheiro. Almoços de negócio. Apressado. O tempo passa lentamente demais para seu gosto. É sensível, tolera mal os odores e não hesitará em sem queixar amargamente. O menor ruído é intolerável. Possui um exagero considerável de sensibilidade. Mas esta sensibilidade vai se revelar mais ainda no aspecto psíquico. Fica facilmente colérico; é explosivo por simples bagatelas. Não suporta ser contrariado. Pode matar diante de uma cólera. Pensa igualmente com freqüência no suicídio.
   Sua psicologia é delicada. Antes de chegar aos atos violentos de suicídio e assassinato, ocorre-lhe de se tornar esquisito, cometer atos estranhos e, sem perceber, apavora-se e para terminar com isso, ele pensa no suicídio.

Sulphur
É um dos maiores senhores da matéria médica. Porém ele se apresenta sob diversas máscaras.
   É preciso estudá-lo com atenção. É sujo, desordenado, orgulhoso, egoísta e ingrato. É preguiçoso, indeciso, nervoso, reclamão e mal humorado.
   Ele poderá tornar-se hipocondríaco após a supressão de uma erupção. Este humor hipocondríaco dura o dia inteiro e ele ficará alegre à noite.
   Ele nos dirá que é infeliz demais para continuar a viver. Contradiz tudo. “Violento, tem cóleras que se alternam com um rápido arrependimento”.” O mundo é belo e eu sou feio e impuro”.
   Apresenta confusão mental.
   O verdadeiro Sulphur vai mostrar  uma folha (de algum documento) dobrada em oito, cheia de manchas de gordura. Irá espalhar sobre sua mesa algum resto de fumo que estava nos seus bolsos. Adora comer e bebe muito. Ansiedade por antecipação. Tem humor melancólico. É ansioso pela salvação de sua alma. Filósofo, maltrapilho, com aparência suja, inclinado a meditar, a pensar mas não a trabalhar. Preocupa-se com suas eliminações fecais as quais vigia com zelo.

   Tarentula hispanica
   A violência é uma das grandes características deste medicamento. Seu humor é difícil e particularmente variável. O consolo o faz chorar. Durante uma conversa pode ocorrer que não responda quando lhe fazemos uma pergunta. Canta longamente até o momento em que cai em inanição. Apresenta um estado de excitação durante o qual cantará, dançará e depois chorará. É agitado, ansioso e hipernervoso. Há momentos que não suporta nada, nem ruído, nem luz e, sobretudo a música. Às vezes se queixa bastante e ameaça seus próximos. Quando a agravação ocorre, nós o veremos violento e colérico ao ponto de rasgar suas roupas. Crises de loucura com agitação das pernas e dirá palavras ameaçadoras. Pode se bater e bater quem estiver perto.
   Está sujeito a pavores, terrores e alucinações. Seus terrores são imaginários. Tem medo da morte. Vê desconhecido no seu quarto, monstros, animais, insetos, fantasmas.
Fica de quatro quando está com raiva e puxa seus cabelos. Tem tendência a cleptomania.
   Tem aversão a cores quentes, principalmente o verde, vermelho e preto. É um bom medicamento a ser estudado em casos delirantes, maníacos e psicoses.
  
   Cannabis indica
   É um exaltado eufórico com idéias petulantes. Exaltação de uma loquacidade incoerente.
   Ele fala, fala, fala, provoca acidentes, segura a pessoa que quer se afastar. Começa uma frase e esquece o que ia dizer. Não se concentra m nada, medo de ficar louco. Não consegue exprimir rápido tudo o que pensa. Rico em alucinações, medo da morte, do escuro. Acredita ouvir uma música celeste vê desenhos na parede. O que diz pensa ser de outra pessoa. Está desorientado no tempo e no espaço. O tempo passa lentamente. Os minutos parecem séculos
   Este notável medicamento cujo uso é proibido, o que é uma grande imbecilidade, pois a homeopatia em diluições não contém o princípio ativo da “Erva”, mas a energia vibracional de cura!
   Lembraremos que semelhante cura semelhante. Traria com certeza a harmonia para muitos jovens viciados m maconha.

   Cantharis
   Irascibilidade e maldade, impressionável e tristeza. Temor e inquietude, com gemidos, hipocondríacos. Ansiedade com grande agitação, que não o permite ficar no lugar.
   Perda súbita de consciência, com o rosto vermelho. Está tomado pelo estupor, confuso assolado por estranhas idéias, seus pensamentos vagueiam, como se fossem dirigidos por uma influência externa.
   Delírio agudo, furioso, simulando a raiva, com cabeça quente. Vêem objetos brilhantes. Crises de furos, gritos e latidos. Mania aguda, do tipo sexual; frenesi amoroso, desejos sexuais impetuosos. O instinto sexual está completamente desorientado. No homem há ereções violentas e dolorosas; o pênis está inflamado e doloroso a tal ponto que lhe é impossível ter relações, mas tem frenesi sexual extremo.
   Nos delírios canta canções obscenas e fala sobre órgãos genitais, urina e fezes, conversações impróprias e depravadas. Sensação como se a água fervesse no seu cérebro. Vertigem que piora ao ar livre. Esses sintomas mentais indicam uma inflamação cerebral e são semelhantes à Belladonna. A diferença é que Belladonna tem a face vermelha. Apresenta convulsões.
   Outros medicamentos: Coffea cruda, Iodium, Apis mellifica, Actea racemosa, Lycopodium, Phosphorus, Lachesis mutus, Platina, Argentum nitricum, Calcarea fluorica, Fluoric acid, Iodum, Medorrhinum, Thuya, Aurum metallicum,

3.8  OS OBSESSIVOS

   A neurose obsessiva é uma patologia neurótica grave, em relação à freqüência da ansiedade, da histeria e dos delírios de todo tipo.
   As obsessões portam pensamentos de violência física (matar seu filho) ou verbal, de contaminação (não tocar objetos), de dúvida (ter atropelado alguém com seu carro sem se dar conta). Lavagem forçada das mãos ou de diferentes objetos, recontar muitas vezes. Bater na madeira quando se evoca a sorte de alguém, ou se evita passar debaixo da escada A fronteira entre normal e doentio não é, portanto muito nítida. Se o indivíduo tente resistir a essa compulsão a tensão psicológica aumenta. Nos casos graves, a situação chega a um estado de ansiedade maior e de depressão, podendo chegar ao suicídio. Em certos casos o indivíduo se recolhe em si mesmo.
   A depressão acompanhada de agitação psíquica afeta a vontade, a atenção e a função do real. Tendo uma regressão psicológica muitas vezes com uma forma anárquica de comportamento.
   Em caso de fixação: medo de ser separado dos objetos; constituições de coleções, medo da separação.
   Alguns remédios são dominantes e fiéis, outros são encontrados menos freqüentemente, mas são algumas vezes eles que suscitam o desaparecimento do sintoma.
   Os medicamentos são: Luesinum; Argentum nitricum; Thuya occidentalis, Medorrhinum; Natrum muriaticum, Silicea; Natrum carbonicum, Alumina, Lilium tigrinum; Agnus castus, Cocculus indicus; Cereus bomplandi; Iodum; Pulsatilla, Sabadilla e Selenium.

   3.9 OS ESQUIZOFRÊNICOS

   O Stress não causa esquizofrenia, no entanto pode agravar os sintomas. Situações extremas como guerras, epidemias, calamidades públicas não fazem com que as pessoas que passam por tais situações tenham mais possibilidades de desencadear esquizofrenia do que aquelas que não passam.
   Não há provas de que drogas lícitas ou ilícitas causem esquizofrenia. Elas podem, contudo, agravar os sintomas da doença. Certas drogas como cocaína ou estimulantes podem provocar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia.
   A alimentação equilibrada é recomendável a todos, mas não há provas de que a falta de certas vitaminas desencadeie esquizofrenia.
   Fatores sociais como desencadeantes da esquizofrenia sempre são levantados.

   Teoria Bioquímica
   As pessoas com esquizofrenia sofrem de um desequilíbrio neuroquímico, portanto falhas na comunicação celular do grupo de neurônios envolvidos no comportamento, pensamento, sensibilidade e percepção.
   As pessoas com esquizofrenia têm dificuldade na coordenação das atividades entre diferentes áreas cerebrais. Ao pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da atividade nos lobos frontais, juntamente com a diminuição da audição.

   Casos de descriminação

   “Numa noite uns policiais fizeram-me sinal de paragem numa operação stop. Estava escuro, as luzes piscavam, eu estava apavorada e a tremer. Quando o policial se aproximou do meu carro, eu estava com tanto medo que não conseguia falar! Ele acusou-me de não cooperar com a polícia. Eu disse que tinha esquizofrenia, ao que ele respondeu: O que é que uma coisa tem a ver com a outra?”
(Elizabeth Anderson, professora vocalista – EUA, diagnosticada com esquizofrenia há três anos)
  
“Eu estava grávida quando me foi diagnosticada esquizofrenia. Os pais dos meus amigos perguntaram-me: Quando é que vai abortar?”
   (Michelle Miserelli, diagnosticada com esquizofrenia em 1988, oradora da Sociedade de Esquizofrenia do Canadá).

   “Após o almoço, fui ao café, infelizmente tive uma crise. Não me lembro bem do que aconteceu... Mas também não preciso, pois depois disso voltei uma vez a esse mesmo café e foram muitos aqueles que imitaram tudo o que aconteceu naquela tarde.”
   (Daniel Faria, 23 anos, estudante, diagnosticado esquizofrenia desde aos 16 anos).
  
   Ter sempre consciência das palavras e expressões utilizadas. Palavra como maluco, demente, louco, deficiente mental, doido, esquizofrênico ofendem e magoam.
   Controlar e pensar no tipo de atitudes que podem magoar as pessoas com esquizofrenia.
   O mais importante, quando se trata de uma pessoa com esquizofrenia, é que a família e os amigos possam ajudar a encontrar um tratamento eficaz. O passo seguinte é apoiar e acompanhar o tratamento.                                                      
   A esquizofrenia é uma doença funcional do cérebro que se caracteriza essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora primariamente uma doença que afeta os processos cognitivos, os seus efeitos repercutem-se também no comportamento e nas emoções.
   Tipo de esquizofrenia mais comum e também a que responde melhor ao tratamento. Está associada a delírios de perseguição. São também freqüentes delírios de grandeza, idéias além das suas possibilidades: “Eu sou o cantor melhor do mundo, ninguém me supera”.
   Chegam a ter idéias religiosas, políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana.
   Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais.
   São comuns os problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil. Muitas vezes fazem comentários fora do contexto desviando-se do tema da conversa. Expressam uma falta de emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes ou rompendo a chorar por nenhuma razão em particular.
   É também freqüente a aparição de delírios: o vento se move na direção que eles querem etc.
   A esquizofrenia catatônica apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível a pessoa se mover. Passa horas sentado na mesma posição.
   A esquizofrenia residual pode predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.
   Normalmente, começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família mudança de caráter, passando de sociável a anti – social e terminando em depressão.
   Quem sofre de uma perturbação esquizofrênica escuta vozes estranhas, odores estranhos, sensações estranhas. Outro sintoma característico é a intrusão do pensamento a percepção de vozes e sons que a pessoa considera estranho a si próprio.
   Desmotivação e desinteresse: se manifesta através de uma falta de iniciativa, desmotivação, desinteresse, apatia. Surge numa fase avançada.
   O isolamento progressivo, pelo medo. Pode sentir que os pensamentos são lidos pelas outras pessoas e que suas idéias são roubadas.
   Alterações de comportamento, atos súbitos e imprevisíveis.
Os hábitos de higiene podem deixar de ser cuidado.
Dependendo do grau da esquizofrenia pode chegar a um suicídio.
   Muitos têm uma vida completamente normal, mas seu olhar é desprovido de emoção, sentimentos e reações.
   A percepção de diagnosticar uma esquizofrenia é quando o indivíduo no decorrer de sua vida passa por um trauma, e que mais tarde com a pré disposição apareça sintomas marcantes.
   A Homeopatia é fascinante, pois seu diagnóstico é em cima de comportamentos, sintomas e sinais presentes no indivíduo.
Existem muitos medicamentos importantes:

Natrum muriaticum                         Aconitum napellus
Kali bromatum                                  Crotallus horridus
Kali phosphoricum                            Crocus sativus
Calcarea phosphorica                        Cyclamem
Phosphorus                                          Psorinum
Pulsatilla                                               Sabina
Actaea racemosa                                     Tarentula hispanica
Anacardium orientale                           Magnésia muriatica
Lycopodium                                            Secale cornutum
Silicea                                                       Cicuta virosa
Cyclamen                                                  Alumina
Arsenicum álbum                                     Nux moschata
Lilium tigrinum                                        Manganum
Staphysagria
Opium
Sulphur
Thuya
Mercurius vivus
Baryta carbônica
Bufo rana
Graphities
Tuberculinum
Canabis indica

Falarei sobre alguns medicamentos acima:



Actaea racemosa
   Loquacidade incessante, fala com volubilidade, agitando-se continuamente; fala sem parar, passando de um tema para outro com rapidez, sem se fixar em nenhum e essa incoerência de linguagem corresponde bem ao seu desequilíbrio mental.
   Nos intervalos do estado de excitação, está triste, deprimido, melancolia, desalento, sensação como se estivesse envolto em um nevoeiro sombrio, ao mesmo tempo tem a impressão de ter chumbo na testa. Fadiga cerebral, podendo aumentar até uma verdadeira confusão mental, com excitação e delírio. Tudo isso passa subitamente ou agrava pelo movimento, pelo medo, ou por um esfriamento.
Desconfianças constantes, medo de ficar louca; medo de uma desgraça iminente.
Tem visões de ratos, diabos, bichos. Tendência ao suicídio por desesperar-se.
   É importante gravar que estabelece uma espécie de alternância entre o psiquismo e o físico.    Os distúrbios mentais melhoram quando uma dor precisa aparece.
   O amor não correspondido perturbou seus pensamentos. É uma causa importante a ser vista, pois compreende uma grande parte de seus sintomas.
   Distante, ausente, deprimida, cansada de tudo, temendo tudo e em particular de ficar louca: “minha cabeça está confusa”.
   Não dorme, suplica que deixem dormir, mas não consegue adormecer. Mil idéias, mil imagens a impedem se ela começa a adormecer.
   Ansiedade no limite do desespero. Queixa-se de múltiplos sofrimentos: seu coração vai parar uma dor a faz temer, crises de angina, dores musculares, de abalos nervosos, de descargas elétricas ou dores vertebrais.

Natrum muriaticum
   As modificações morfológicas e psicológicas do adolescente, acentuadas pela instabilidade endócrina, mental e afetiva, impulsos sexuais, na menina como no menino, são sentidos com preocupação.
   Distúrbios psicossexuais pubertários, são agravantes, podendo evoluir por desvios de comportamento e uma patologia psiquiátrica grave.
   Uma preocupação obsessiva que diz respeito à aparência e a forma do corpo, o temor de seus defeitos. Gozações na escola por não estar nos padrões instituídos pela sociedade hipócrita imbutindo o que é certo e errado. Os jovens que não se encontram no padrão pré estabelecido criam traumas que muitas vezes os familiares não têm noção da destruição direta nos jovens. Criam, portanto depressões, ausência de afetivas, tentativas de suicídio, problemas sexuais como homossexualidade, masoquismo, prostituição ou fuga em estado de confusão mental.
   A importância do esclarecimento e observação dos pais é fundamental para a fase adulta de seus filhos. Não julgueis de forma alguma o comportamento estranho. Compreender é o início da cura.
   Apresenta agravamento auto-agressivo e situações de angústia, tendo dificuldade em refrear a tentação ao suicídio. Torna-se indiferente, emudece. Será necessário não confiar nos antidepressivos, do tipo imipramina que, se não suscitam o delírio, pode eliminar a inibição e facilitar a passagem ao ato suicida.
   Natrum muriaticum é um remédio muito importante. Representa uma possibilidade de retrocesso total dos transtornos em uma esquizofrenia. Evita regressão profunda e o fim de um quadro de pseudodemência.

Phosphorus
   A imaginação é a função mental mais desenvolvida, permitindo aos impulsos instintivos se exprimirem através da fala. A atração pela poesia, a invenção fantasiosa, a literatura fantasmagórica. Caráter nervoso, intensa emotividade, vibrante, reagindo muito vivamente a todas as incitações por respostas rápidas e excessivas. Queima de entusiasmo ou se consome de desânimo; impressionável e rapidamente assustado; conturbado pelas emoções felizes; hiperexcitável as percepções sensoriais. Ou sentir uma ansiedade dramática à menor emoção.
   A atividade é fraca, mas não ausente, mas é necessário o suporte de uma excitação febril ou o motor da inspiração criativa para se manifestar. É a fase de ação imaginária ou realizadora, um esboço de esforços para recair, longo período de inanição e apatia. Todo o trabalho mental o agrava.
A reativa é ocasionalmente impulsiva. Impulsos perigosos sobre os outros ou ele mesmo.
   Necessidade de ternura, generosa, personalidade frágil, vulnerável, exigente, exclusiva, egocêntrica.
   Indiferença taciturna, em procura da solidão com mutismo em fechamento em si, vergonha do seu estado ou desespero abatido conduzindo ao suicídio.
Excitação erótica com uma imaginação desenvolvida.
   O adolescente, agitação excessiva, resultados irregulares, aparência cansada. É o mais apaixonado, romântico, o mais vulnerável às decepções amorosas, triste e ansioso no crepúsculo, deprimido até a angústia pela tempestade e mudanças meteorológicas, entusiasta por um ideal social, o mais atraído por uma vocação religiosa.
   A adolescência pode representar para o tipo fosfórico a mais perfeita das possibilidades psíquicas, mas se suas deficiências naturais ou a ausência de um tratamento adequado, por menor que sejam não lhe permitem se adaptar será o mais exposto aos distúrbios psíquicos juvenis e em particular a esquizofrenia.
   O adulto: episódios melancólicos, por choques emocionais, traumas, adquire incapacidade sofrida de agir e pensar. Sentimentos de depreciação culpa, de falta de mérito, hipersensibilidade ansiosa, acompanhada de múltiplos distúrbios neurovegetativos e circulatórios; palpitações, suores, tremores, arrepios, agitação inquieta; agravação da ansiedade ao anoitecer; insônia atormentada; tristeza taciturna e desespero com tendência ao suicídio.
   A esquizofrenia pode ter na sua forma mais clássica e correlativamente seu tratamento “mais semelhante” entre os medicamentos da série fosfórica, em seus diferentes graus de gravidade.
Encontram-se todas as modalidades psíquicas características deste medicamento.
   Sensações de vazio cerebral, agravado por vigílias prolongadas, os excessos sexuais (a masturbação excessiva).
   Dificuldades progressivas e depois aversão ao trabalho físico ou intelectual, necessidade de se deitar na obscuridade.
Tristeza com lágrimas, sensação de mal-estar interior.
   Diminuição da sociabilidade, perda progressiva do contato humano, fechamento sofrido em si mesmo, mutismo.
   Ansiedade mórbida, sem objeto definido, alternando com uma excitação imotivada, às vezes, uma agitação agressiva.
   Sentimento de hostilidade à sua volta, de estranheza do mundo exterior, de isolamento num universo morto, deserto, gelado.
   Angústia inexprimível, aterrorizante, atroz, por sentimento de deslocamento da personalidade.
   Alucinações auditivas. Estado progressivo de indiferença de ausência de contato de lentidão, depois da degradação intelectual, evocando os estados de esclerose cerebral lacunar, refúgio impiedoso contra uma vivência insuportável.

3.10 OS DESEQUILIBRADOS

     Os desequilibrados são sujeitos cuja personalidade não lhes permite adaptarem-se espontaneamente às regras da vida em sociedade. Essa incapacidade torna-os marginais, estranhos também aos grupos que não representam uma maioria, mas que tem suas próprias leis, como o meio dos mendigos, por exemplo. Designavam-se no passado, esses sujeitos sob o nome de “psicopatas”.
   O comportamento que com maior freqüência não demandam nenhuma ajuda médica, é de instabilidade e impulsividade. Chegando a uma delinqüência mais ou menos guarnecida de episódios psiquiátricos.
   Com grande freqüência, as dificuldades no plano afetivo (traumas de amor), familiar, matéria e educativo são causas de grande importância e mais tarde com a pré disposição do indivíduo criando raízes profundas no mental, comportamental, energético e conseqüentemente no físico.
   Parte psicológica, insuficiência materna e uma fraqueza da imagem do pai. Às vezes, ao contrário, a mãe que adora seu filho a quem protege do rigor paterno.
   A Hereditariedade genética como também a semelhança energética espiritual é uma das causas de eclosão da patologia.
   Não existe efeito sem causa. Tudo é construção. Nada acontece por acaso. Muitas vezes a necessidade de se verificar a família em todos os aspectos: moral, emocional, comportamental as atitudes, com certeza a necessidade de todos se tratarem.
   Caracterizam-se por sua tendência à passagem ao ato imediato em todas as situações que mobilizam sua afetividade.
   Estará preso a uma grande agitação, apresentará fugas, cometerá roubos, violações e se entregará a uma tentativa de suicídio sem tirar nenhuma lição nem exprimir arrependimento.    O desequilibrado não tem sentimento de culpa.
   Se sua consciência não participa do processo, seu comportamento indica o rigor de um Superego imprevisível e em sua dureza. Comportamentos perigosos, sempre estando em risco: roubo de carros, alcoolismo, toxicomanias etc.
   Sua vida sexual é freqüentemente tingida de malignidade e prática perversas com atos agressivos.
   Em homeopatia temos grandes medicamentos como:
   Atropa Belladonna, Hyosciamus, Stramonium, Tarêntula hispânica, Agaricus, Chamomilla, Carboneum sulfuratum, Mercurius vivos, Hepar sulphur calcareum, Fluoric Acid, Nitric Acid, Anacardium orientale, Tuberculinum, Calcarea fluorica, Argentum nitricum, Aurum metallicum, entre outros.

Falarei de dois grandes medicamentos:

Mercurius vivos
Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.
Um grande medicamento!
   A agressividade de Mercurius desde criança. Crianças más, batem, atacam brinquedos, não tolera nenhuma recusa, nenhuma contradição, sem limite algum.
Sua violência é característica.
   É com freqüência o egocêntrico angustiado, ego fraco, que nunca atingiu a autonomia afetiva.
Um comportamento masoquista, com bruscos acessos de cólera.
   Pode corresponder àquelas pessoas devotadas a uma administração, a uma associação ou a uma causa a qual se identificam, servindo no contexto, eles encontram aí uma armadura protetora e o estímulo indispensável para lutar conta sua indolência. Com as inevitáveis vexações, frustrações e humilhações que alimentam os dolorosos sentimentos de tristeza com reações psicossomáticas ou pensamentos vingativos em razão das injustiças sofridas, que não lhe foi permitido exprimir.
   Mas ele pode também ser psicopata perverso, em revolta ativa contra a sociedade: vandalismo, delinqüência em todos os níveis do roubo prazeroso ao ato criminal, perigoso, chefe de bando ou pequeno malfeitor assinando seus atos com uma nota característica de sadismo.
  
Nitric acidum
   Está sempre entrando em litígio, até com a humanidade.
   Odeia em silêncio, pessoa que gosta de processos judiciais. Come pelas bordas. Está sempre irritado projetando vinganças.
Ação destrutiva, sensação forte de que foi atraiçoado. “Olho por olho, dente por dente”.
   Descontente consigo mesma, insegura, covarde. Através de seu ódio por todos, busca na desforra, rogando pragas, maldições, blasfêmias, foge de seus atos.
   Sensível ao barulho, dor, toque, agitado, teme a morte, agressivos, com angústia e depressão. Irrita-se facilmente. Tem crises de cólera e tremores, teimoso.
Mente prostrada. Ela é de uma indiferença total, cansado da vida, privado de alegria. Agressividade das perguntas e melhora andando de carro.

3.11 OS DEMENTES

   Trata-se de sujeitos que apresentam, um enfraquecimento psíquico global, chegando a uma degradação somática. O processo é crônico.
   O processo demencial instala-se progressiva e lentamente. Normalmente é a família que nota um comportamento mais absurdo que o de hábito. Tomando a consciência de que o indivíduo tinha maneiras estranhas; que tinha comprado certos objetos desnecessários; que sua afetividade havia mudado. Desinteressa-se pelos que amava; ele procura ao contrário pessoas que desprezava antes. Seu comportamento sexual espanta.
   Um fechar em si mesmo, uma recusa de se comunicar, tomada por uma manifestação nova do caráter que ninguém explica.
   Depois o sujeito ocupa-se de modo prolongado ou permanente com atividades inúteis. Não cuida de sua higiene. Sua vestimenta suja, manchada; seu rosto embotado. A linguagem torna-se incoerente. A memória comprometida. Distúrbios de humor sem controle.
   Em certos casos, é sob a máscara de uma outra patologia psíquica que a demência aparece.         Pode-se deprimir sentir ciúmes. Ter delírios que roubam seu dinheiro, e o envenenam.
   Sem controle esfincteriano, com uma bulimia. Dificuldade no vocabulário. Concentração da atenção alterada. Linguagem lenta. Dificuldade na escrita. È importante perceber que pode ser o início da doença de Alzheimer.
   O indivíduo não tem mais noção de dia, mês, ano. Esquece sua data de nascimento. Perde-se. Não lembra onde mora, não reconhece os familiares. As funções superiores estão afetadas no julgamento assim como no raciocínio.
Podem existir problemas neurológicos associados que poderiam confirmar o diagnóstico. Tiques de mastigação, espasmos localizados, convulsões.
   O confuso apresenta também distúrbios comportamentais, uma desorientação de tempo e espaço. No idoso a confusão mental poderá surgir um quadro de demência evoluindo muitas vezes na evolução de um tumor cerebral.
   A intoxicação por álcool, dependendo da pré disposição, meio de vida, família, poderá caminhar para um quadro de demência, com espasmos, delírios, convulsões.

Os remédios Homeopáticos dos Dementes:

   Atropa Belladonna, Alumina, Bryonia Alba, Crocus sativus, Crotalus horridus, Gelsemium,
   Hyosciamus Níger, Kali bromatum, Veratrum álbum, Aurum muriaticum, Anacardium orientale, Arsenicum álbum, Causticum, Lachesis mutus, Lycopodium clavatum, Mercurius vivus, Natrum muriaticum, Nitric acid, Phosphoric acid, Phosphorus, Plumbum Metallicum, Thuya, Sulphur, Chamomilla.

Falarei de alguns medicamentos:

Belladonna:
   Pode estar estuporoso, sem memória, incapaz de realizar ações que conhecia muito bem. Seus movimentos são rígidos existem movimentos opostos dos membros inferiores logo que forçá-lo a executar qualquer coisa. Muito agressivo, grita. Um medicamento para espasmos e convulsões.
   Gelsemium:
Não consegue fixar sua atenção.
   Ação no sistema nervoso central, medula espinhal, fígado e intestinos. É um grande paralisante. Produz um estado geral de paresia mental e física. A mente é lenta, sistema muscular encontra-se relaxado. Principal medicamento para a “Paralisia Infantil”. Fraqueza cerebral, descompensação cardíaca. Um excelente medicamento a ser estudado.
   Plumbum metallicum:
   Chumbo. Tendência ao alcoolismo. Ação no SNC, SNA. Produz três formas de encefalopatias (convulsiva, delirante e comatosa). Na medula com lesões no cone anterior, produzindo paralisias motoras bilaterais dos dedos e membros; seguido de atrofia dos músculos afetados; sobre certas raízes do tronco nervoso (ciática nervo ótico).
   Paralisia precedida por distúrbio mental, tremor, espasmos ou fortes dores rasgantes, penetrantes, ao longo do trajeto dos nervos principais; as regiões afetadas emagrecem punho caído causado por apoplexia, esclerose do cérebro ou atrofia muscular. Grande medicamento para estados escleróticos. Um medicamento a ser estudado!


3.12  OS RETARDADOS:

   São indivíduos cujo nível intelectual, avaliado em relação a um quociente médio é insuficiente.
   Um funcionamento intelectual significativamente inferior à média.
   As causas do retardamento mental são numerosas. È o Luetismo que aí domina.
   Existem retardamentos isolados, sem déficit associado em que o fator genético é evidente.
   Algumas doenças hereditárias associam um retardamento. Poderão ocorrer as causas infecciosas como, por exemplo, a rubéola, a toxoplasmose.
   Não intervindo em nenhuma discussão, eu particularmente em meus estudos acredito no histórico individual e carmas (ação pendente) trazidos pelo ser humano com o intuito de resgatar as pendências do passado. As causas mecânicas (do nosso físico) são somente sinais de uma causa profunda. (Lei da Causa e Efeito).
   Os Dois remédios Essenciais:
  Baryta carbônica:
  Está em primeiro plano no retardamento mental. QI varia da debilidade leve à imbecilidade.
        Sua compreensão é lenta seu medo diminui suas possibilidades. É tímido, envergonhado.        Afasta-se o que não conhece. Tem dificuldade de interagir com a família e com as pessoas.      Não tem confiança em si mesmo. Tem necessidade de segurança. No plano escolar, o retardo é confirmado muitas vezes desde cedo. Dificuldade de entendimento de se expressar. Um medicamento a ser estudado com muita importância.

   Bufo rana:
   É um retardado profundo, imbecil, idiota. É um apático. Sua memória e linguagem são limitadas. Tem aspecto apalermado com risos sem razão evidente, entregando-se à masturbação.
   É um sujeito solitário. Se o solicitam excessivamente ele pode sair violentamente de sua indiferença e ter grandes cóleras. Corre em todos os sentidos, tentando morder se o querem conter. É hipersensível à menor excitação e piora pela música. Crises epiléticas, podendo sobrevir durante o sono.
   Outros medicamentos também importantes:
   Medorrhinum, Luesinum, Nosódio ADN ARN, Causticum, phosphorus, Graphites, Mercurius vivos, Calcarea carbônica, Conium maculatum, Helleborus Níger, Nux moschata, Agaricus muscarius, Ambra grisea, entre outros.

3.13  OS ANORÉXICOS
   Antes de falar sobre a anorexia dentro da visão mecanicista (visão médico), a importância da observação do comportamento em que a sociedade influencia diretamente e com imposições diretas.
   Quais são os valores que a mídia tem transmitindo? E os seus valores?
   Sabemos que na pré-adolescência e adolescência a individualidade, a personalidade de um jovem é totalmente frágil. Pois bem, è nesse momento que a sociedade traz os valores de crítica, julgamento e condenando. Dizendo o que é certo ou errado. O que é verdade ou mentira, impondo seus valores de vestimenta, de alimentação de beleza ou até a felicidade fútil, vazia, que traz tudo isso. Se o jovem não tem uma base sólida dos verdadeiros conceitos de felicidade e bem estar, com certeza essa jovem terá profundos traumas se caso ela não estiver nos padrões da sociedade de beleza.
   Começa um processo de ausência de amor. Os valores são distorcidos. A depressão se instala.
   “Eu abro os meus olhos, não me vejo como sou. Uma dor intensa. Não me conheço, não me amo. Perco tudo o que tenho, pois sei que não construí nada. Em nome da beleza, alegria fútil. Não me aceito como sou.”
   “Anorexia e Bulimia hoje são estilos de vida”.
   A consciência dos verdadeiros valores que temos que dar para a vida. (que é uma ilusão).    Construir castelos de areia, com certeza cairá um dia.
   O amor, a beleza são construções diárias.
   Existem diversos quadros de anoréxicos dentro da teoria da psiquiatria. Sabemos que somos diferentes. Reagimos diferentes (a mesma situação). O grau muda dependendo da atuação dos miasmas que estão vibrando no momento. Então temos Anoréxico Deprimido, O anoréxico Obsedado, o anoréxico histérico, A anorexia mental, anorexia nervosa.
   Temos muitos medicamentos não para os sintomas e sim para O Ser Humano (que é a causa). Por isso, da importância do homeopata ser um Terapeuta. Sentir verdadeiramente quem somos nós.
  
Abaixo alguns medicamentos homeopáticos:
   Arsenicum álbum; Belladonna; China; Ipeca; Kali carbonicum; Sepia; Lycopodium; Platina; Palladium; Veratrum álbum; Ignatia amara; Phosphorus; Pulsatilla; Sulphur; Silicea; Natrum muriaticum; Ferrum metallicum; Lilium tigrinum; Nux vomica; Calcarea carbônica, entre outros.

3.14 OS ALCOÓLICOS E OS TOXÔMANOS

   O alcoolismo é uma doença que começa no comportamento familiar. Quando temos um alcoólatra em casa. Todos somos alcoólatras. A importância de tratar um todo faz verdadeiramente o restabelecimento da patologia.
   É a fuga, não aceitação de como sou, o que construí. Sentimento de fracasso, sentimento de minusvalia fraqueza da moral, ausência de amor ausência de humildade.
   A sociedade junto com a mídia introduz o alcoolismo em todos os lugares, mostrando “que é chique, normal”.
   Dentro da visão mecanicista o alcoolismo se manifesta de várias formas, como falamos no capítulo anterior. Dependo sempre do miasma que está vibrando no momento. O histórico familiar, comportamental e moral.
   Poderá chegar a delírio tremens, alucinações, amnésia, demências alcoólicas; crises convulsivas, distúrbios hepáticos.
   Existem muito medicamentos, o próprio nosódio do sangue, Petroleum; Opium; Stramonium; Tarêntula; Mandrágora; Sulphur; Apocynum Androsaemifolium; Ethylicum, Carduus marianus; Alumina, entre outros.

   As drogas por sua vez trazem uma complexidade dentro da própria sociedade, a introdução leva a marginalidade ou até mesmo a marginalidade tendo o dinheiro para sustentar sua família. Sendo que o governo não dá condições, sustentação para a sociedade carente. È muito mais profundo tudo isso, pois sabemos que a política os governos estão por traz de tudo isso. A mídia mais uma vez impõe um padrão de beleza, mas a população carente procura de todas as maneiras conseguir o que está estabelecido como felicidade.
   Por outro lado temos as classes mais abastadas. A futilidade o vazio da base familiar, os conceitos de moral e de amor; e os padrões estabelecidos, levam para a marginalidade das drogas. Construção em bases de areia. É claro que o comportamento muitas vezes seguidos de arrogância, prepotência, orgulho, não aceitação da própria vida ou até “a dificuldade de conhecer algo novo, acarreta uma falsa alegria, muitas vezes duradoura, porém vazia...” Pela ausência do preenchimento interno do ser humano.
   Bem, esse assunto é extenso, mas o importante é sabermos o que verdadeiramente estamos fazendo com nossas vidas. O que venha ser felicidade? Façamos uma reflexão de nosso comportamento, atitudes, palavras, pensamentos. O que estamos construindo?
   Existem muitos medicamentos homeopáticos para o restabelecimento da saúde. Abaixo alguns deles:
  Canabis indica, Avena sativa, Opium, Stramonium, Belladonna, Escholzia californica; Medicago Sativa; Passiflora; Plantago Major; Sumbul, Thea Chinensis, entre outros.









CONCLUSÃO
   Não somos máquinas, somos energia condensada. Tudo está interligado, portanto se cuidarmos somente do corpo físico estaremos camuflando e adoecendo sem realmente resolvermos o que desequilibramos.
   A ausência de amor ou o “Super Amor Egoísta”, define a importância de todos nós nos observarmos por completo. Quantas pessoas por aí estão perdidas em seus pensamentos, sentimentos, emoções, palavras...
   Todos os profissionais da área da saúde têm por obrigação buscar o Equilíbrio e a Harmonia, mas infelizmente não é bem assim.
   A busca desenfreada do poder com características de arrogância nos mostra a decadente saúde pública.
   Este trabalho mostra que mascarar os sinais e sintomas de qualquer patologia psiquiátrica causa terríveis distúrbios irreversíveis, pois a destruição total já foi concluída. É importante a observação, a atenção no comportamento, nas atitudes, a moral do ser humano, a mudança interior, faz com que sejamos mais felizes e compreendamos verdadeiramente a causa de todos os males. Saibamos reverter os processos de sofrimento que nós mesmos construímos no decorrer de nossas vidas. Não adianta culpar outros por nossas faltas e falhas. Sentir e observar faz parte de nosso trabalho diário e constante em nossas vidas. Sejam todos felizes! Hoje, agora e sempre.          
                                      
Patrícia Jorge Alves.
Terapeuta Homeopata
Atenemg 1498
Conahom 1081


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