quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

SINAIS DOS TEMPOS - A NOVA GERAÇÃO


Tudo é harmonia na criação; tudo se revela uma previdência que não se desmente, nem nas menores coisas, nem nas maiores; devemos pois, desde o início, afastar toda a idéia de capricho, inconciliável com a sabedoria divina; em segundo lugar, se nossa época é marcada para a realização de certas coisas, é que elas tem sua razão de ser na marcha do conjunto.
Diremos que nosso globo, como tudo quanto existe, está sujeito a Lei do Progresso. Progride fisicamente pela transformação dos elementos que o compõem, e moralmente pela purificação dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Estes dois progressos se seguem e caminham paralelamente, pois a perfeição da morada está relacionada com a do habitante. Fisicamente o globo passou por transformações, constatadas pela ciência, e que sucessivamente o tornaram habitável por serres mais e mais aperfeiçoados; moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que a melhoria do globo se opera sob o império das forças materiais, os homens concorrem para ela, pelos esforços de sua inteligência, saneiam as regiões insalubres, tornam as comunicações mais fáceis e a Terra mais produtiva.
Este duplo progresso se realiza de duas maneiras: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, por modificações mais bruscas; cada uma delas resulta num movimento ascensional mais rápido, o qual marca, com sinais nítidos, os períodos progressivos da humanidade. Esses movimentos, subordinados nos pormenores ao livre-arbítrio dos homens, são de alguma forma fatais em seu conjunto, pois são submetidos a Leis, como as que se operam na germinação, no crescimento e maturação das plantas; é por isso que o movimento progressivo é algumas vezes parcial, isto é, limitado a uma raça ou a uma nação; outras vezes será geral.
O progresso da humanidade se efetua em virtude de uma lei; ora, com todas as Leis Da Natureza são a Obra Eterna Da Sabedoria e da Presciência divinas, tudo o que é feito dessas Leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental ou caprichosa, mas de uma vontade Imutável.
Quando a humanidade está madura para franquear um grau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus chegaram, como se pode dizer que em tal estação, são chegados os tempos para a maturidade dos frutos e a colheita.
Da afirmação de que o movimento progressivo da humanidade é inevitável, porque está na natureza, não se segue que Deus seja indiferente ao mesmo, e que após haver estabelecido suas leis,haja retornado à inação, deixando que as coisas se movam por si. Suas Leis são eternas e imutáveis, sem dúvida, mas porque sua própria vontade é eterna e constante, e seu pensamento, que penetra em tudo, é a força inteligente e permanece, mantendo tudo em harmonia.O Universo é um relógio sem o pêndulo regulador. Deus é a Inteligência Suprema Causa Primária de Tudo e Ele vela pela execução de suas Leis, e os Espíritos que povoam o espaço são seus Ministros encarregados dos detalhes, segundo as atribuições relativas ao seu grau de adiantamento.
O Universo é ao mesmo tempo um mecanismo incomensurável, conduzido por um número não menos incomensurável de inteligências, um imenso governo cuja vontade única mantém a unidade por toda a parte. Sob o império desta vasta potência reguladora,tudo se move, tudo funciona numa ordem perfeita; aquilo que nos parecem perturbações são os movimentos parciais e isolados, que só nos parecem irregulares, porque nossa vista é circunscrita. Se pudéssemos abarcar o conjunto, veríamos que tais irregularidades não são senão aparentes, e que elas se harmonizam no todo.
A humanidade realizou até hoje incontestáveis progressos; os homens por sua inteligência, chegaram a resultados que jamais atingiram, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem estar material; resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar; é o de fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade para assegurar o bem estar moral. Já não é mais somente o desenvolvimento da inteligência o que os homens necessitam; é a elevação do sentimento, e por isso é preciso destruir tudo quanto possa excitar neles o egoísmo e a vaidade.
Esta fase que se elabora neste momento, é o complemento necessário da etapa precedente, ela poderia ser prevista e predita com antecipação, e é por isso que se diz que são chegados os tempos marcados por Deus.
Nesse tempo, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral.Uma nova ordem de coisas tende a se estabelecer, e os homens que maior oposição lhe fazem, trabalham nela contra sua vontade; a geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada por elementos mais purificados, encontrar-se-á animada por idéias e sentimentos completamente diversos dos que são adotados pela geração presente, que se retira a passos de gigantes.
Cada um sabe o quanto a ordem das coisas atual ainda deixa a desejar; depois de ter alguma sorte esgotado o bem estar material, que é o produto da inteligência, chega-se a compreender que o complemento de tal bem estar só se encontra no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais se sente aquilo que falta. É o efeito do trabalho íntimo se operando visando a regeneração.
Uma mudança tão radical como a que se elabora, não pode realizar-se sem comoção; há a luta inevitável entre as idéias. De tal conflito, nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno haja sido desobstruído e o equilíbrio restabelecido. É pois da luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos anunciados e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a conseqüência do estado de formação da Terra; hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da humanidade.
Cada corpo celeste, além das leis simples que presidem à divisão dos dias e das noites, das estações, etc., passa por revoluções que levam milhares de séculos para sua perfeita realização, mas que, como as revoluções mais breves, passam por todos os períodos, desde o nascimento até um máximo de efeito, depois do qual há um decréscimo até o limite inferior, para recomeçar em seguida a percorrer as mesmas fases.
O homem não abarca senão as fases de duração relativamente curta, e das quais ele pode constatar a periodicidade; porém há outras que compreendem longas gerações de seres, e mesmo de sucessões de raças, cujos efeitos, por conseguinte, tem para ele as aparências de novidade e de espontaneidade, ao passo que, se seu olhar pudesse alcançar alguns milhares de séculos atrás, veria, entre estes mesmos efeitos e suas causas, uma correlação da qual nem sequer suspeita. Tais períodos que confundem a imaginação dos humanos devido sua relativa extensão, não são entretanto senão instantes na duração eterna.
Em um mesmo sistema planetário todos os corpos que dele dependem reagem uns sobre os outros; todas as influências físicas dali são solidárias, e não há um só dos efeitos que vós designais sob o nome de grandes perturbações, que não seja a conseqüência do componente de influências de todo esse sistema.
Os sistemas planetários reagem uns sobre os outros, em razão da proximidade ou do afastamento que resulta de seus movimentos de translação através dos miríades de sistemas que compõem nossa nebulosa.Nossa nebulosa é como um arquipélago na imensidade, tendo também seu movimento de translação através dos miríades de nebulosas, sofre a influência daquelas das quais se aproxima.
As nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, como os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros, e assim de aproximação em aproximação até o átomo; em cada mundo as revoluções locais ou gerais, que não parecem perturbações senão em relação à brevidade da vida, a qual não permite ver senão os efeitos parciais.
A matéria orgânica não poderia escapar a tais influências; as perturbações que ela sofre podem portanto alterar o estado físico dos seres viventes, e determinar algumas moléstias, como todos os flagelos são para a inteligência humana um estimulante que a impele, por necessidade, às pesquisas dos meios de combatê-las, e a descoberta das leis da natureza.
A matéria orgânica reage sobre o espírito e a ligação íntima com os elementos materiais, sofre também influências que modificam suas disposições, sem entretanto obstar ao seu livre arbítrio, contribuindo para o seu desenvolvimento. A movimentação que se manifesta por vezes em toda uma população, entre os homens de uma mesma raça, não é coisa fortuita, nem o resultado de um capricho; tem suas causas na lei da natureza.
A humanidade se transforma, como já se transformou em outras épocas, e cada transformação é marcada por uma crise. Crises estas penosas, dolorosas arrastando muitas vezes gerações e instituições, mas sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral.
A humanidade chegada a um desses períodos de crescimento, está totalmente  há quase um século, no trabalho da transformação; é por isso que ela se agita de todos os lados, presa de uma espécie de febre, e como que movida por uma força invisível até que retorne seu assento sobre novas bases.
Quem a vir então, a encontrará bem mudada em seus costumes, seu caráter, suas leis, suas crenças, numa palavra em todo o seu estado social.
O mundo dos Espíritos que vos rodeia sofre o contra golpe de todas essas comoções que agitam o mundo dos encarnados. Os Espíritos e a Humanidade não deixam de ser um todo; que eles dela saem, e nela devem reentrar; é natural que se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Quando uma revolução social se realiza sobre a Terra, ela agita igualmente o mundo invisível; todas as paixões boas e más ali são excitadas.
Tudo o que se relaciona na natureza, as perturbações dos elementos físicos; dá-se uma verdadeira confusão geral, que passa como um furacão, depois do qual o céu volta a ser sereno, e a humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuídas de novas idéias, percorre nova etapa de progresso.
Em conseqüência de seu movimento de translação através do espaço, os corpos celestes exercem, uns sobre os outros, uma influencia maior ou menor, conforme sua aproximação e sua posição respectivas; que essa influencia pode ser causa de uma perturbação momentânea em seus elementos construtivos, e modificar as condições de vitalidade de seus habitantes; que a regularidade dos movimentos deve resultar da volta periódica das mesmas causas e dos mesmos efeitos; que a duração de certos períodos é bastante curta para ser apreciável pelos homens, outras vêem passar gerações e raças que dela não se apercebem, e para as quais o estado de coisas é normal; as gerações, ao contrário, contemporâneas da transição, dela recebem o contra golpe, e tudo lhes parece afastar-se das leis ordinárias. Elas vêem uma causa sobrenatural, maravilhosa, milagrosa, naquilo que na realidade nada é senão o cumprimento das leis da natureza.
Se, pelo encadeamento e a solidariedade das causas e dos efeitos, os períodos de renovação morais da humanidade coincidem, como tudo leva a crer, com as revoluções físicas do globo, elas podem ser acompanhadas ou precedidas de fenômenos naturais, insólitos para aqueles que não estejam habituados, de meteoros que lhes parecem estranhos, da recrudescência e intensificação desacostumadas, de flagelos destruidores. Tais flagelos não são causas, nem presságios sobrenaturais, mas sim uma conseqüência do movimento geral que se opera no mundo físico e no mundo moral.
Ao predizer a era de renovação que devia abrir-se para a humanidade e marcar o fim do velho mundo, Jesus pode dizer que ela seria assinalada por fenômenos extraordinários, tremores de terra, flagelos diversos, sinais nos céus; que não são outra coisa senão meteoros sem sair das leis naturais; mas o vulgo ignorante viu nessas palavras o anúncio de fatos miraculosos.
A previsão dos movimentos progressivos da humanidade nada tem de surpreendente para os seres desmaterializados que vêem o objetivo para o qual tendem todas as coisas, pois alguns deles possuem o pensamento direto de Deus, e são os que julgam, nos movimentos parciais, o tempo no qual se poderá realizar o movimento geral, como se estima o tempo que necessitará uma árvore para frutificar, como os astrônomos calculam a época de um fenômeno astronômico pelo tempo que um astro leva para realizar sua revolução.
A humanidade é um ser coletivo no qual se operam as mesmas revoluções morais que em cada ser individual, com esta diferença: que umas se realizam de ano para ano, e as outras de século em século. Se a seguirmos em suas revoluções através dos tempos, veremos a vida das diversas raças marcada por períodos que dão a cada época uma fisionomia particular.
A marcha progressiva da humanidade opera-se de duas maneiras: uma gradual, lenta, insensível, se consideram as épocas próximas, que se traduz por melhorias sucessivas nos costumes, nas leis, nos usos, e não percebe senão à distância, como as mudanças que as correntes d’água realizam na superfície do globo; outra, por movimentos relativamente bruscos, rápidos, semelhantes àqueles de uma torrente que rompe seus diques, que lhe fazem franquear em alguns anos o espaço que levou séculos a percorrer. É então um cataclismo Moral que traga em alguns instantes as instituições do passado, e ao qual sucede uma nova ordem de coisas que se assenta aos poucos, à medida que a calma se restabelece e se torna definitiva.
A humanidade, tornada adulta, tem novas necessidades, aspirações mais amplas, mais elevadas; ela compreende o vazio das idéias, a insuficiência das suas instituições, no tocante a sua felicidade, ela não encontra mais no estado de coisas as satisfações legítimas cujo apelo sente. A humanidade se encontra no jardim da infância com vontades e verdades relativas e limitadas, achando que é só isso o mundo; que ao morrer tudo acaba. Que idiotice!
O crescimento é moral. A revolução é humanitária.
O progresso intelectual realizado até hoje nas mais vastas proporções é um grande passo, e marca a primeira fase da humanidade; porém sozinho é impotente para regenerá-la; enquanto o homem for dominado pelo orgulho e pelo egoísmo, utilizará sua inteligência e seus conhecimentos para vantagem de suas paixões e seus interesses pessoais. Se aplica ao aperfeiçoamento dos meios de prejudicar os seus semelhantes, e os destruir.
Unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos homens sobre a Terra pondo um freio às más paixões; unicamente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a fraternidade.
O progresso moral derrubará as barreiras dos povos, que fará cair os preconceitos de casta e calar os antagonismos de seitas, ensinando aos homens a se considerarem como irmãos chamados a se auxiliar reciprocamente, e não a viver às expensas uns dos outros.
O ser humano infelizmente vive nos tempos de hoje com conceitos de posse, de vaidades ao culto do corpo, de poder e sofrem com o que criaram. Famílias destroçadas por vaidades; Instituições de ensino perdidas em crenças e dogmas sem ter condições de ensinar o que realmente é importante. Governo voltado ao poder, ganância e satisfação de seus desejos. O que vemos é puramente a destruição em massa!
A nova geração se constituirá à partir da derrubada de todas as verdades criadas pela humanidade. A própria humanidade comerá a si.
Os vícios de qualquer espécie  que os Espíritos Encarnados criaram e se alimentam, com o efeito degenerativo é puramente natural. Quer mudar essa realidade?
A Lei do Universo se cumprirá acreditando ou não e o sofrimento é o Efeito de tudo o que criamos. Observe a sua volta: a alimentação, a educação, conceitos de beleza, conceitos de trabalho, os políticos que comandam, os valores que colocamos para sermos felizes, o que fazer para mudar essa situação?
O sofrimento faz parte da Ignorância Humana. A humanidade pelo mal uso do livre arbítrio criou o sofrimento! Não se lamentar por algo que criaste e acreditar-se piamente.

Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata
e
Hipnóloga Condicionativa
      


domingo, 24 de junho de 2012

O SISTEMA NERVOSO E VOCÊ....








                                                              




O Cérebro é o cerne do nosso sistema nervoso central. Ainda que seus sintomas afetem todo o organismo, eles devem ser tratados em contexto com a central, que está localizada na cabeça. O sistema nervoso é o sistema básico de informação e de comunicação do corpo. Ele regulamenta as relações entre os mais variados níveis de emissão de ordens da central e a recepção das ordens na periferia. Juntamente com o sistema hormonal, ele é responsável por todas as transmissões de informação. Entretanto, as fronteiras entre as redes de comunicação do corpo não são rígidas. Elas se interpenetram, formando um sistema multidimensional. Dessa maneira, o sistema nervoso utiliza, em seus pontos de ligação, substâncias semelhantes a hormônios, tais como a adrenalina, a acetilcolina, a dopamina,etc., para transportar as informações através dessas pontes, chamadas de sinapses. Pode-se imaginar as sinapses como se fossem tomadas nas quais estão ligados diversos circuitos elétricos. O sistema nervoso trabalha sobretudo com eletricidade, enquanto o sistema hormonal pode ser comparado a um sistema de mensageiros que transporta a informação sob a forma de substâncias químicas. Nesse sentido, os nervos são os mais recentes e representam a variante que traz em si o futuro.
Diferencia-se um sistema nervoso voluntário ou sensomotor de um involuntário, ou autônomo. A parte que pode ser controlada pela vontade engloba, por exemplo, o padrão de movimentos deliberados da musculatura do esqueleto.A parte involuntária é responsável pelos nervos dos órgãos internos, que não dependem da vontade. Esse sistema nervoso das víceras, chamado de vegetativo,contém por seu lado dois pólos antagônicos: o simpático, que poderia ser chamado também de pólo masculino arquétipo, já que é responsável pelos modos de comportamento dirigidos para o exterior tais como a luta, a fuga, o trabalho e a concentração, e seu oponente, o parassimpático ou vago, que é responsável por um leque de atividades, dos processos regenerativos da digestão à sexualidade, e que portanto pode ser considerado como representante do pólo feminino arquetípico.
Os dois pólos do sistema nervoso vegetativo dispõem de diferentes substâncias químicas transportadoras que são responsáveis pela transmissão de informações entre fibras nervosas individuais. As substâncias transportadoras chamadas de adrenergênicas, tais como a adrenalina e a noradrenalina, pertencem ao sistema nervoso dos órgãos internos masculino ou simpático; no âmbito do cérebro, temos a dopamina. No sistema feminino ou parassimpático predominam as substâncias colinérgicas, sobretudo a acetilcolina.
Ao lado da subdivisão de acordo com o conteúdo, utiliza-se também uma subdivisão chamada de topográfica, de acordo com a localização espacial. Esta diferencia o sistema nervoso central, composto pelo cérebro e a medula espinhal, do sistema nervoso periférico, que consiste das sensíveis vias nervosas voluntárias e involuntárias que atravessam todo o corpo. O sistema periférico transmite ao central todas as informações que recebe do corpo e do entorno e realiza todas as reações que delas resultam. O sistema central, portanto, é responsável por tudo, mas em todos os casos conta com a colaboração dos nervos periféricos. Sem esse trabalho da periferia, a central estaria, por um lado, desconectada do fluxo de informações, e por outro, seria incapaz de expressar suas ordens.

Como a comunicação é a tarefa central do sistema nervoso, os problemas nervosos sempre ocultam problemas de comunicação atrás de si. Quem se sente com os nervos em frangalhos, fracassou em sua comunicação. A voz popular fala de um nó nos nervos. Os próprios afetados entretanto buscam refúgio na projeção e concluem que são proprietários de uma roupagem nervosa muito sensível e que os outros acabam com seus nervos. A expressão “você me dá nos nervos” o expressa. Assim como acontece com todas as outras funções do corpo, somente tomamos consciência dos nervos quando eles causam problemas. Quem mostra os nervos deixa claro que não está bem, agindo de maneira nervosa e sentindo o entorno e suas exigências como enervantes. Quem, ao contrário, tem nervos como arames, pode se dar ao luxo de viver de acordo com o tempo, ou seja, manter-se em contato com os temas do presente. Para ele, as exigências são um estímulo nervoso bem vindo e em vez de serem molestas, propiciam uma sensação de vitalidade. Uma tal “pessoa sem nervos” é alguém que não tem necessidade de mostrar os nervos porque está seguro de seu funcionamento até mesmo em situações de perigo. Ele tem realmente nervos de aço. É preciso separar aqui aquelas pessoas que não mostram os nervos porque estes, amortecidos e insensíveis, já não percebem o que realmente acontece a sua volta. A força nervosa típica reside em sua autoconfiança, e não em poupar os nervos ou tranqüilizá-los constantemente. Eles estão relaxados e calmos, até que são exigidos. Então, a tensão propicia uma ocasião para comunicar-se com o interior e também com o exterior. A pessoa nervosa é muito diferente. Em uma situação normal ela já está nitidamente tensa, e ao ser exigida chega rapidamente ao limite dos nervos.
Os biólogos sabem que o nervosismo ocorre igualmente no reino animal, e não somente em cavalos de corrida, independentemente das exigências naturais de sua vida. Quando uma determinada espécie atinge a superpopulação e, com isso, tem seu espaço vital limitado, os animais individuais desenvolvem nítidos sinais de nervosismo, a comunicação entra em colapso e ocorrem surtos de agressão sem qualquer motivo. A falta de espaço produz angústia (do latim angustus = estreito) que faz com que os fusíveis queimem. De maneira análoga, não é de admirar que cada vez mais pessoas sofram de males nervosos e angústia, especialmente nos aglomerados das grandes cidades.
Fundamentalmente, o tema da comunicação está por traz dos problemas nervosos, unicamente que nos males nervosos ele mergulhou menos profundamente na corporalidade que nos casos neurológicos. Uma pessoa nervosa não tem confiança em poder convencer o entorno de si mesma e de seu valor. A insegurança está presente buscando constantemente sinais que a reassegurem . Isso se torna especialmente claro quando se está diante de uma prova especialmente desgastante para os nervos, quando parece que os nervos vão arrebentar de tão tensos antes mesmo que tudo tenha começado. Tais situações são sentidas como mortais pelas pessoas de nervos delicados. A agitação nervosa atinge o auge pouco antes do resultado decisivo, e os afeitados agem de maneira totalmente enervante. Antes da prova dos nervos, o menor ruído ou um atraso mínimo, qualquer coisa lhe dá nos nervos. Justamente neste momento, em que tudo depende do bom funcionamento de seus circuitos, estes parecem não estar à altura da tarefa e dão a sensação de que vão saltar para fora da pele. Isso pode explicitar a desproteção que se sente e mostra como se está próximo de usar os nervos como desculpa.
No comportamento tipicamente nervoso, impregnado de inconstância e inquietação, mostra-se o desejo de estar em comunicação com tudo ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, a hierarquia que existe nas estruturas de comunicação entra em colapso e coisas relativamente pouco importantes passam para o primeiro plano enquanto outras coisas mais substanciais caem vítima da perseguição frenética. A pessoa nervosa corre atrás dos acontecimentos e não é raro que se sinta atropelada e superada por eles. Com seu ego e sua necessidade de que tudo gire a seu redor, encontra-se no meio desse círculo vicioso. Nessa situação de insegurança e com os nervos totalmente hipertensos, os afetados rodam e sofrem um colapso nervoso.
O colapso nervoso põe fim a um estado forçado, colapsando as comunicações com o entorno e isolando o paciente. Ao chegar ao estágio de emergir para o mundo exterior, ele sinaliza de maneira expressiva que isso não pode continuar assim em sua vida. Ele não pode manter tal quantidade de contatos externos e obrigações. Aqui, a tarefa torna-se muito nítida: Trata-se de abandonar a luta no exterior, encontra-se de novo consigo mesmo e estabelecendo contato com o próprio centro.
O estado precedente de desequilíbrio nervoso devido à angústia de estar perdendo algo e não estar participando de algo em algum lugar mostra, àqueles que querem dançar em todos os casamentos, seus limites, mas também oportunidades. A tarefa de aprendizado é estabelecer contatos não somente com o exterior, mas consigo mesmo!
Se o afetado está permanentemente à procura daquilo que é mais importante no exterior de um determinado momento, sua tarefa é contatar aquilo que é mais importante no interior, com o próprio coração, portanto, os sintomas da taquicardia à síncope, surgindo nesse contexto, apontam nessa direção. Mais contato com o comando central da “consciência de si mesmo”. Ter acesso à verdadeira “paz” e a “calma” que reina no centro de si mesmo.  A frenética busca de reconhecimento (pois não conhece a ti mesmo) é substituída pela  amabilidade interna, desenvolve-se o auto conhecimento, seus valores “verdadeiros” e suas “deficiências”. Somos motoristas que dirigem um corpo.
Portanto, entender e nos responsabilizar que somos nós mesmos que lesamos nosso corpo; com nossos “atos equivocados” do mal pensar, agir, sentir. Nossas intenções criam o sofrimento ou a alegria para nós mesmos. Temos uma maneira errônea de ver a vida e assim colocarmos todas as nossas frustrações, as nossas inseguranças, e os nossos “ditos problemas” no mundo, nas circunstâncias, nas pessoas e nunca e nós mesmos.
Não se está doente porque tem bactérias, vírus ou disfunções orgânicas e fisiológicas, tem-se bactérias, vírus ou disfunções orgânicas e fisiológicas porque VOCÊ! ESTÁ DOENTE”.
Outra condição que importa também não desprezar é a de curar-se o homem desse orgulho que acompanha inevitavelmente uma má educação científica e uma instrução especializada, incompleta, como são tão freqüentes em nossos dias. Pessoas muito esclarecidas em um pontinho especial dos conhecimentos humanos julgam poder decidir arbitrariamente sobre todas as coisas e repelem sistematicamente toda novidade que lhe choque as idéias, quase sempre por este único motivo – que em geral não confessam – que se aquilo fosse verdade, elas não podiam ignorar! Por minha parte, encontrei freqüentemente esse gênero de basófia entre homens cuja instrução e estudos deveriam preservá-los dessa deplorável enfermidade moral, se não tivessem sido especialistas, escravos da sua especialidade. É sinal de inferioridade relativa uma pessoa julgar-se superior!
Enfim, o número de inteligências que sofrem de lacunas é maior do que se julga geralmente. Do mesmo modo que determinados indivíduos são totalmente refratários ao estudo da música, das matemáticas, etc., a outros muitos estão interditas certas investigações do pensamento. Uns, que se distinguiram nesta ou naquela classe de ocupações: na medicina ou na mercearia, na literatura ou na arte de fabricar panos, segundo toda a probabilidade, teriam lastimosamente falhado se houvessem escolhido – como outros tantos que abarrotam o mundo – uma carreira situada fora do que chamarei a zona lúcida, à semelhança da ação dos refletores que, durante a noite, transmitem a luz a uma zona de feixes luminosos, fora dos quais só há sombra e incerteza.
Coisas existem que não estão ao alcance da concepção de certas inteligências: estão fora de sua zona lúcida.
E o homem aprende a não se admirar! Ou somente a admirar de Fora para Dentro e pouquíssimas vezes ou quase nunca de Dentro para Fora.
É o Sistema Nervoso que comanda o corpo? São as células?
Se aceitarmos as conclusões naturais da teoria segundo a qual as manifestações da vida em geral, e as da inteligência em particular, são apenas o modo de ação de certas propriedades da matéria organizada, devemos admitir que no momento da morte tudo volta ao nada, esse nirvana do materialismo.
Aceitando, com a ciência moderna, que, assim como a matéria, outro ser real, estudado sob o nome de energia, constitui um elemento do Universo, nem por isso se modificam os resultados da análise. Com efeito, se nos apegarmos à existência exclusiva da matéria, cujas propriedades variariam com seus aspectos e diferentes grupamentos moleculares, admitiremos que no momento da morte as propriedades da substância organizada desaparecem, ao mesmo tempo em que sobrevém esta mudança de estado caracterizado pela cessação da vida: a matéria organizada, viva, atingindo como matéria o seu mais alto grau evolutivo de complexidade, é subitamente arrastada sobre o declive que ela acaba de galgar, e onde descreve uma curva descendente, de mais em mais rápida, para o estado inorgânico do qual partiu. Nesses períodos sucessivos suas propriedades modificam-se, com as mudanças de estado, sobre o ciclo eterno figurado no Ouroboras simbólico dos antigos sábios.
Mas, teremos avançado muito para a solução do problema, se admitirmos a existência autônoma da energia “como ser real, elemento constitutivo do Universo”? Assim não penso; a energia coexiste ao lado da matéria, admita-se. Como a matéria, que, do estado cósmico ou radiante (W. Crookes) passa às formas gasosa, líquida, sólida e às suas combinações infinitas, a energia torna-se luz, movimento, calor, magnetismo, eletricidade, conforme o modo pelo qual opera sobre a matéria ou une-se a ela. Associada à substância organizada, a energia se transformaria em vida, em inteligência, etc. E do mesmo modo que a matéria em movimento tende ao repouso, em conseqüência do que se chama em mecânica a degradação da energia, e perde sua energia dinâmica, do mesmo modo a matéria organizada e viva, sob a influência de uma lei análoga à da degradação, perderia, por sua vez, a energia dinâmica, isto é, vital, que, assim como o elemento motor do qual acabamos de falar, voltaria ao grande reservatório comum da energia potencial para onde, como já vimos, tendem, “no fim dos tempos”, todas as forças do Universo: seria sempre o aniquilamento imediato para a consciência; seria, como se diz ainda,sem saber exatamente porquê; o regresso ao Inconsciente.

“Eis a doutrina interior que Fot (Buda), no seu leito de morte, revelou pessoalmente a seus discípulos:
Todas estas opiniões teológicas – disse ele – não passam de quimeras; todas estas narrativas da Natureza dos deuses, de seus atos, de suas vidas, são apenas alegorias, emblemas mitológicos, sob os quais se escondem idéias engenhosas de moral e o conhecimento das operações da Natureza, no jogo dos elementos e na marcha dos astros.
A verdade é que tudo se reduz ao nada; que tudo é ilusão, aparência, sonho; que a metempsicose moral não é mais que o sentido figurado da metempsicose física, desse movimento sucessivo, pelo qual os elementos de um mesmo corpo, que não perecem, passam, quando ele se dissolve, para outros meios e formam outras combinações. A alma não é mais que o princípio vital, resultante das propriedades da matéria (isto foi escrito em 1820, 7ª edição) e do jogo de elementos existentes no corpo, onde elas criam um movimento espontâneo. Supor que este produto do jogo dos órgãos, nascido com eles, adormecido com eles, subsiste quando os órgãos não mais existem, é um romance talvez agradável, mas realmente quimérico, fruto de imaginação iludida. O próprio Deus não é senão o princípio motor, a força oculta espalhada nos seres, a soma de suas leis e propriedades, o princípio animador, em outras palavras, a alma do Universo, a qual, em razão da infinita variedade de suas relações e operações, considerada ora como simples e ora como múltipla, agora como ativa e logo como passiva, apresentou sempre ao espírito humano um enigma insolúvel. Tudo quanto ele pode compreender de mais claro, nisto, é que a matéria não perece nunca; que ela possui essencialmente propriedades pelas quais o mundo é regido como um ser vivo e organizado; que o conhecimento dessas leis, em relação ao homem, é o que constitui a sabedoria; que a virtude e o mérito residem na observância delas, e o mal, o pecado, o vício, em sua ignorância e infração; que a felicidade e a infelicidade resultam delas, pela mesma necessidade que faz as coisas pesadas descerem e as coisas leves subirem, e por uma fatalidade de causas e de efeitos cuja cadeia vai do último átomo até aos mais elevados astros. Eis o que foi revelado no leito de morte pelo nosso Buda-Sidarta Guatama.”
Sabemos hoje, de boa fonte, que a doutrina tão brilhantemente enunciada, e em tão poucas frases, constitui o hermetismo de numerosas seitas orientais; mas julgo não me enganar dizendo que Volney, nesta magnífica tirada, descobriu seus próprios sentimentos. Seja como for, as concepções, bem como as expressões, são exatamente as mesmas encontradas hoje na exposição de doutrinas filosóficas, que certos homens modernos imaginam talvez ter inventado.
Sem falar dos filósofos gregos, eu poderia escrever um volume inteiro de citações semelhantes, provando a remota antiguidade das doutrinas materialistas.
O aniquilamento com que, no fim de contas, as diferentes filosofias ou teosofias fazem fechar mais ou menos cedo, ou tarde, o destino da consciência humana é uma conseqüência do Panteísmo, aonde vai ter quem começa a raciocinar, tomando por base e por guias não os sentimentos de ocasião, mas os dados científicos, positivos e estabelecidos.
Não devemos repelir uma teoria só porque ela é contrária às nossas aspirações: as coisas nem sempre correm na medida dos nossos desejos. Exemplos: Nós nunca desejamos adoecer, e sofremos; não queremos envelhecer, e caímos na decrepitude; não desejamos absolutamente morrer, e nenhum de nós escapa absolutamente da morte; e assim por diante. E se, como pensava Candide, tudo no fim dá certo..., talvez seja necessário e bom que todas estas contrariedades nos sucedam, bem como outras que desejaríamos poder evitar! O Panteísmo era a grande doutrina hermética dos antigos laboratórios e institutos (templos). Acreditando em Strabão, eis, a esse respeito, quais eram as idéias de Moisés. Segundo o citado geógrafo grego, o grande legislador hebreu professava o puro Panteísmo. Além disso, teria ele escrito,se é que escreveu: “Deus fez o homem à sua imagem” se isto não tivesse acontecido? Strabão diz isto (Georg., livro XVI):
“Moisés, que foi um dos sacerdotes egípcios, ensinou que era um erro monstruoso representar a divindade sob a forma de animais, como o faziam os egípcios, ou sob traços humanos, como é costume de gregos e africanos. Só é divindade – dizia ele – o que compõe o céu, a Terra e todos os seres, o que chamamos mundo, a universalidade das coisas, a Natureza... Eis por que Moisés quis que essa divindade fosse adorada sem emblemas e sob sua própria natureza.”
Vergílio também disse:
“O Espírito conserva a vida dos seres, e a alma do mundo, espalhada em seus vastos membros, agita sua massa (mens agitat molem) e constitui um corpo imenso.”

Fica, pois, provado que espíritos profundos e sutis, cujo gênio em nada é inferior aos pensadores modernos, discutiram entre si os mesmos pontos obscuros, sobre os quais ainda hoje se discute, e isto pela mesma razão imanente: os filósofos de todas as épocas observaram que, desde o momento em que os homens discutem sobre objetos colocados fora do alcance de seus sentidos, cada um deles julga desses objetos segundo seus caprichos, ou tendências do seu espírito, ou ainda, como se costuma dizer, com o sentimento próprio; ao passo que acabam sempre chegando a um acordo em suas apreciações, quando observam coisas que podem ser submetidas aos seus sentidos. Mas a Ciência tem progredido; maravilhosas descobertas vieram à luz, instrumentos admiráveis e preciosos permitir-nos-ão empreender, com a certeza da ciência experimental, estudos que nossos avós, exceto raras iniciativas, não podiam abordar senão com auxílio do método a priori.
Os filósofos não estarão longe de modificar e identificar as suas opiniões, no dia em que puserem em evidência e estudarem, com seus sentidos e instrumentos, o terceiro princípio a que mais acima aludi ou, pelo menos, suas manifestações; o terceiro termo do trinômio do qual já estudam duas expressões sob os nomes de matéria e energia.
Neste momento, veremos o que à primeira vista parece paradoxal que espiritualistas e materialistas, buscando honestamente, embora por caminhos diversos, descobrir a verdade, não estão longe de se entenderem, como parece, em princípio. Assim sucede com os trabalhadores que perfuram os túneis. Vão, divididos em duas turmas, atacando cada qual um dos flancos opostos da montanha; um dia encontrar-se-ão em determinado ponto, do mesmo modo que as seitas filosóficas, mesmo antagonistas, ficarão, pela queda do véu que as separa, reunidas em uma comunhão de idéias primordiais e fecundas.
Importa antes de tudo fixar um ponto: está bem demonstrado que a matéria componente do corpo humano é absolutamente a mesma matéria ambiente: nenhum elemento químico se encontra no corpo do homem, que não exista no solo que nos alimenta, no “limo” que nos formou. Conforme disse mais acima: o corpo do homem é uma emanação material do planeta, onde ele, homem, faz a travessia do espaço. Como exigirmos que essa matéria se comporte de modo diferente da outra e tenha propriedades distintas?
Deve-se estabelecer, em princípio, que os movimentos executados pelo homem, seu calor animal, a circulação do sangue e fluido nervoso, as vibrações da matéria cerebral, etc., não são absolutamente propriedades da matéria de que ele é formado, porém modos da energia universal, manifestando-se segundo os fins da vida, por intermédio da matéria agenciada molecularmente, de uma forma especial para esse fim.
Um fato lhe impressiona imediatamente o olhar: existe alguma coisa; esta alguma coisa é a matéria.
Um segundo fato lhe atrai quase logo a atenção: essa matéria move-se. Mas, logo o homem percebe que ela não se move por uma virtude própria, visto como é inerte, e que, sendo assim, não pode mover-se; o exame mostra-lhe que esse movimento, todas as suas conseqüências e transformações, são manifestações da energia.
Depois de ter verificado que tudo, até este ponto do exame, se reduz a mostrar dois princípios aos quais podem ser referidos todos os fenômenos de que ele é testemunha, o homem detém-se espantado e desiludido. A energia pode dar-lhe a razão da existência da matéria; mas, que é a energia e donde vem, que encerra ela?
Em vão ele dirige longamente seu olhar para os mundos, os quais continuam majestosamente trilhando o caminho que uma sábia e invisível mão parece ter-lhes traçado nos céus. Desespera de nada aprender desse grande Universo solene, mudo para ele, e, todavia, animado. Por mais que interrogue as estrelas, a Lua e o Sol e os planetas, todos esses gigantes das profundezas inabordáveis permanecem surdos à sua voz.
Então, só resta ao homem regressar à sua própria natureza, auscultar o seu viver e analisar-se a si mesmo.
Vê, em si, a princípio, um corpo feito de matéria emprestada da matéria ambiente: esse corpo emprestado não lhe pertence, pois que deve ser privado dele um dia; restitui-lo-á à Terra, da qual o recebeu e o formara, no dia do vencimento da letra, que chegará inevitavelmente a cada qual por sua vez. Quanto mais ele se analisa, mais acha a sua matéria semelhante à outra.
Depois, ainda encontra em si, sob aspectos tão variados como os da matéria, essa energia, cujos efeitos viu nas coisas que o cercam.
Até aí, compreende que é feito de matéria e de energia universais; mas, como foi que ele compreendeu todas essas coisas? com o auxílio da matéria, com o da energia, ou com o de ambas? Mas, então, a matéria e a energia universais seriam, porventura, inteligentes?
Vendo os efeitos da morte e a inércia de um cadáver, ele deduz do fato que a matéria insulada não compreende nem pensa.
Analisando as variedades de energias e vendo que elas não servem senão para entreter as funções da matéria organizada, ou para executar as ordens da vontade consciente e inteligente, concluiu daí haver compreendido o que queria compreender, com alguma coisa que não é nem a sua matéria nem a energia, e dá a isso o nome de inteligência.
Conhecendo sua própria natureza, o filósofo prossegue logicamente do conhecido ao ignoto e diz consigo mesmo que, sendo a sua matéria e energia tiradas da ordem universal, a inteligência deve ter a mesma origem: adivinhou o terceiro elemento do Universo; viu e compreendeu que, simultaneamente com a matéria e com a energia, existe a inteligência do mundo.



Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata

terça-feira, 19 de junho de 2012

EIA AGORA!!!!


Depois de nos libertarmos pelo pensamento da ação do peso, a fim de nos emanciparmos da servidão que nos liga à Terra, seguiremos esta com os olhos do espírito e examinaremos ligeiramente a sua superfície. Tomaremos, depois, uma parcela da substância de que ela é formada e buscaremos compreender-lhe a constituição; partiremos do átomo, em uma palavra, e, por degraus enormes, tentaremos escalar as alturas da imensidade, a fim de obtermos, caso possa ser, uma idéia do Macrocosmo.
“Lançai os olhos sobre o globo terrestre – dizem os partidários dessa teoria diluviana – e observai quanto difere o hemisfério sul do setentrional: neste último, só vereis terras; ao contrário, no Sul as águas dominam, e aí estão de alguma sorte acumuladas. Os elevados planaltos, os cimos das regiões montanhosas, sob a forma de ilhas, encontram-se aí copiosamente. Além disso, todos os continentes, as duas Américas, a África, a Índia, as grandes penínsulas indo-chinesas, terminam em ponta na direção do hemisfério para o qual correram as águas. Que significaria e que destino teria essa Atlântida, cuja reminiscência se transmitiu através das idades e foi ilustrada por Platão, se não a considerarmos um continente por aquela forma submergido?

O que indicam – acrescentam eles – estas camadas alternadas e superpostas de fósseis marinhos, depois de fósseis telúricos, depois marinhos, que ainda encontramos debaixo do solo dos nossos campos, e até sobre nossas montanhas, senão que o Sol alumiou ao nível do mesmo ponto o oceano e o continente habitado?”
O nosso pensamento voa livremente, desligado de todos os laços materiais, acima da superfície terrestre, acima das ilhas de gelo, colossais, que se entrechocam e enchem os ares de escuma e poeira de neve, acima destes continentes que se esboroam com toda a vida que encerram nos negros abismos dos novos oceanos: só temos a temer os grandes cataclismos periódicos. Que importa um dilúvio de mais ou de menos? Isto não poderia perturbar-nos em nossa indagação do absoluto e compreendemos muito bem Arquimedes, alheio às coisas que o cercavam, impávido, deixando-se matar pelos antropomorfos, cujo ferro assassino lhe cortou o êxtase científico.
Comecemos, pois, o nosso estudo do macrocosmo.

A teoria atômica, como a dos equivalentes químicos, ambas deduzidas de proporções determinadas e constantes, encontradas nas combinações dos corpos entre si, induzem-nos a considerar a matéria como sendo um composto de elementos extremamente sutis, grupados uns com os outros, de diferentes modos: dá-se o nome de moléculas a estes elementos. Mas, a análise vai mais longe: estas moléculas, por menores que as possamos imaginar, compõem-se de aglomerações de outros elementos “indivisíveis”, como o indica o seu nome; estes elementos da molécula são os átomos.
Se a esta pergunta: “que é a matéria” se respondesse: “é uma coisa que podemos ver e tocar, coisa formada de partes elementares, que, consideradas    como matéria, não existem        absolutamente”, suponho que muitas pessoas ficariam surpreendidas ouvindo tal definição. E, entretanto, isso é sustentado por personagens eminentes, tudo o que há de mais eminente, os partidários da Teoria do átomo inextensível.
Não sei com segurança se essa idéia foi discutida pelos antigos filósofos gregos; o certo é que ela existe simbolicamente expressa nas filosofias indostânicas. Em todo caso, por meados do século passado, ela foi apresentada pelo padre Boscowich. Sábios como Ampère, Faraday, Cauchy, etc., e filósofos quais Dugald-Stewar, Vitor Cousin, Vacherot (Revue des Deux Mondes, agosto de 1876), etc, constituíram-se campeões convencidos da idéia do átomo inextensível, que se não deve confundir com a Teoria sustentada por Hume, Berkeley, Hamilton, Stuart Mill, Coyteux, entre outros, e segundo a qual nada existe. Górgias, o célebre sofista de Leontinos, havia ensinado a doutrina de que nada existe, mais de 400 anos antes da nossa era.
Que seria o átomo então? uma ficção matemática? Certamente que não, mas os elementos da matéria parecem ser unos e semelhantes para todos os corpos; os alquimistas, apoiados nessa idéia, procuravam e ainda procuram a transmutação dos metais. Além disso, podia suceder que, nesse ponto, a força e a matéria se encontrassem e se confundissem; eis um assunto do qual nos tornaremos a ocupar.
Seja como for, em virtude da grande lei da conservação da matéria, que Lavoisier definitivamente estabeleceu, apesar de seus movimentos e migrações perpétuas, o átomo não varia nem se destrói: é indestrutível e invariável, constituindo apenas um elemento fluídico, cíclico, giratório do fluido universal de que a matéria é formada (Helmholtz, William Thomson, Tait, etc.).
A energia animal dos átomos, de um movimento tão rápido que a imaginação não pode fazer uma idéia dele, seria pois o agente real que fixa a molécula e esta por sua vez não será senão a energia condensada? Simples teoria!... A verdade é que os físicos estão hoje de acordo, considerando os corpos mais densos como representando apenas em aparência uma superfície contínua, como, por exemplo, uma esfera, oca, de prata, cheia de água e soldada hermeticamente. Colocando sobre uma bigorna esta bola e batendo-se-lhe com um martelo, a água escapa-se por todos os poros do metal a cada golpe do martelo e vem aljofrar a sua superfície, segundo experiências dos acadêmicos de Florença. Outros fatos nos demonstram que a idéia da impenetrabilidade da matéria dos corpos é absolutamente falsa. Sem falar da mistura de uma parte de álcool e outra de água, que dá um volume total inferior aos dois volumes primitivos dos dois líquidos separados – porque pode dar-se neste caso uma variedade de combinação –, os fatos persistentes de penetrabilidade produzidos sob a influência da força psíquica – como o anel de vidro e o anel de marfim, que subitamente aparecem enfiados um no outro quais elos de uma corrente, não guardando vestígio de solução de continuidade – estes fatos demonstram, não somente a penetrabilidade dos corpos, mas também a sua desmolecularização e reconstituição possíveis ad integrum, sob a influência de certas forças das quais a ciência futura vai fazer um dos objetos principais de observação.
O volume das moléculas pode ser, quando muito, avaliado por milionésimos de milímetros, e mesmo levando em conta o espaço relativamente considerável que as separa, é ainda por trilhões, quintilhões, sextilhões que devemos contá-las em um milímetro cúbico.
Elas estão em um estado contínuo de agitação, de projeção, de choques violentos, de atração, de repulsões enérgicas, das quais é sem dúvida um pálido reflexo o movimento browniano das partículas microscópicas. Fazemos uma idéia do seu tremendo turbilhão, quando vemos que no hidrogênio, em pressão e temperatura ordinárias, as moléculas deste gás estão animadas da velocidade mais ou menos de 2.000 metros por segundo (Joule) e que cada uma sofre de suas vizinhas cerca de 17 bilhões de choques no mesmo espaço de tempo (Clausius, Maxwell, Boltzmann). “É o bombardeio operado por essa multidão de pequenos projéteis contra a parede envolvente, que constitui a tensão dos gases”, diz M. E. Jouffret em notável trabalho, onde encontramos, a respeito da reconstituição da matéria, numerosas exposições desenvolvidas e claras, sabiamente estudadas (Introduction à l’étude de l’Énergie).
Cada molécula, formada por uma multidão de átomos-turbilhões, é hoje considerada por alguns sábios do modo pelo qual ela o foi antigamente por iniciados da Índia e do Egito, isto é, como um sistema planetário “com todas as complicações de movimento e de vida”, dirigida esta, segundo os pandits da Índia atual, por inteligências elementares inferiores (élémentals). Os corpos, que são aglomerações de moléculas, seriam assim os análogos das vias-lácteas e das nebulosas resolúveis.
Em resumo, tomando uma partícula microscópica de matéria qualquer, se a dividirmos em pensamento muitos milhares de vezes, chegaremos a obter uma molécula que só seria percebida por meio de nossos instrumentos mais poderosos, se o poder de aumento dos mais fortes microscópios crescesse cerca de mil vezes. E esta molécula é por sua vez uma aglomeração de átomos, que podemos considerar como turbilhões, círculos de energia, produzindo, por movimentos variados, as aparências da matéria, tal como a percebemos. Uma parcela de dinamite, onde se acumulasse enorme quantidade de energia mecânica, poderia representar uma imagem grosseira da molécula considerada segundo as mais sábias teorias, comparando a energia mecânica da dinamite à energia condensada na matéria, e os gases, condensados indiretamente pelas manipulações químicas na dinamite, ao Éter arranjado sob a forma de átomos na molécula. A matéria não passaria, pois, de uma aparência da energia.
Em presença desta análise da matéria e dos resultados a que ela conduz, não estaríamos autorizados a admitir, com Hume, Berkeley, Hamilton, Stuart Mill, Coyteux, etc., que nada existe realmente? Sim, se só houvesse matéria e energia (força) no mundo, porque a própria energia, assim como veremos mais adiante, tende, não a desaparecer, mas a repousar “no sétimo dia”, e o dinâmico tende a tornar-se puramente potencial. Em outras palavras, o Universo tende ao repouso absoluto.
Precisamos, pois, por meio das luzes da ciência moderna, tratar de esclarecer-nos sobre os símbolos hieroglíficos da ciência antiga, os quais nos foram conservados. Por que razão todos os antigos escritores sagrados – pagãos, judeus-cristãos, etc. – empregaram tanto cuidado e unanimidade em repetir que “Deus fez o homem à sua imagem”, ou que “o homem é um microcosmo” – o que, sob o ponto de vista hermético, significa exatamente a mesma coisa? É que a maior parte desses escritores, versados em uma ciência que, sem dúvida, os homens vulgares ainda não merecem conhecer, haviam surpreendido a analogia de composição do homem e do Universo; haviam aprendido experimentalmente que os elementos da “tétrade sagrada” se encontram no homem. Eles não tinham esperado F. Bacon para inventar o método experimental, mas não divulgavam a todo mundo os segredos que arrancavam à Natureza: sagrado para eles, significava aquilo que o vulgo não devia saber; como, porém, não quisessem que ficassem perdidas as suas descobertas, assinalaram-nas em expressões obscuras, velaram-nas sob figuras simbólicas que servissem de guia à memória de seus discípulos, ou provocassem a atenção do observador não vulgar e bom, em cuja inteligência eles devessem reviver um dia.
Não, para compreender-se a essência da vida não é inútil fazer-se o exame comparado do Universo e do homem, do macrocosmo e do microcosmo.
E depois, só podemos ter concepções claras das coisas elevando nossa alma acima das operações ordinárias do pensamento, de onde nascem, quase sempre, os preconceitos, as idéias errôneas, as ilusões a respeito do que nos cerca. É mister libertarmos, embora momentaneamente, o nosso espírito do quadro estreito da vida cotidiana, a cujas exíguas dimensões ele tende a amoldar-se. A concepção da natureza do homem é daquelas.





Que nos habituemos a considerar tudo em relação com o espaço e o tempo, com a imensidade e a eternidade. Quão minúsculos nos apareceriam grandes acontecimentos e altas situações, se os sujeitássemos ao cálculo desta regra de proporção? Mas, é esta uma operação que não está ao alcance de toda gente; non licet omnibus...
Outra condição que importa também não desprezar é a de curar-se o homem desse orgulho que acompanha inevitavelmente uma má educação científica e uma instrução especializada, incompleta, como são tão freqüentes em nossos dias. Pessoas muito esclarecidas em um pontinho especial dos conhecimentos humanos julgam poder decidir arbitrariamente sobre todas as coisas e repelem sistematicamente toda novidade que lhe choque as idéias, quase sempre por este único motivo – que em geral não confessam – que se aquilo fosse verdade, elas não podiam ignorar! Por minha parte, encontrei freqüentemente esse gênero de basófia entre homens cuja instrução e estudos deveriam preservá-los dessa deplorável enfermidade moral, se não tivessem sido especialistas, escravos da sua especialidade. É sinal de inferioridade relativa uma pessoa julgar-se superior!
Enfim, o número de inteligências que sofrem de lacunas é maior do que se julga geralmente. Do mesmo modo que determinados indivíduos são totalmente refratários ao estudo da música, das matemáticas, etc., a outros muitos estão interditas certas investigações do pensamento. Uns, que se distinguiram nesta ou naquela classe de ocupações: na medicina ou na mercearia, na literatura ou na arte de fabricar panos, segundo toda a probabilidade, teriam lastimosamente falhado se houvessem escolhido – como outros tantos que abarrotam o mundo – uma carreira situada fora do que chamarei a zona lúcida, à semelhança da ação dos refletores que, durante a noite, transmitem a luz a uma zona de feixes luminosos, fora dos quais só há sombra e incerteza.
Coisas existem que não estão ao alcance da concepção de certas inteligências: estão fora de sua zona lúcida.
É inútil insistir mais: algum crítico mal disposto poderia reconhecer-se nestas observações e acusar-me, em represália, de haver escolhido um assunto fora da minha própria zona. Queiram os deuses preservar-me de semelhante infelicidade!...

Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata

quarta-feira, 23 de maio de 2012

NÃO CRIE MAIS DOR NO PRESENTE









A maior parte da dor humana é desnecessária. Cria-se a si própria enquanto for a mente inobservada a dirigir a sua vida.
A dor que você criar agora será sempre uma certa forma de não aceitação, uma certa forma de resistência inconsciente àquilo que é. Ao nível do pensamento, a resistência é uma certa forma de julgamento. Ao nível emocional, é uma certa forma de negatividade. A intensidade da dor depende do grau de resistência ao momento presente, e essa resistência por seu lado depende de quão fortemente você estiver identificado com a sua mente. A mente procura sempre recusar o Agora e fugir a ele. Por outras palavras, quanto mais identificado você estiver com a sua mente, mais sofrerá. Ou poderá colocar a questão deste modo: quanto mais você honrar e aceitar o Agora, mais livre estará da dor, do sofrimento, e da mente egoica.
Porque é que a mente recusa ou resiste habitualmente ao Agora? Porque ela não consegue funcionar nem permanecer no poder sem o tempo, que é passado e futuro e, por conseguinte, para ela o Agora representa uma ameaça. De fato, o tempo e a mente são inseparáveis.
Imagine a Terra desprovida de vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Teria ela ainda um passado e um futuro? Poderíamos nós falar de tempo de maneira que fizesse sentido? As perguntas "Que horas são?" ou "Que dia é hoje?" Se houvesse quem as fizesse, não fariam qualquer sentido. O carvalho ou a águia ficariam estupefactos com tais perguntas. "Que horas são?" perguntariam. "Bem, é claro que é agora. Que mais poderia ser?"
Sim, é certo que precisamos da mente assim como do tempo para funcionarmos neste mundo, mas a certa altura eles tomam conta das nossas vidas, e é aí que a disfunção, a dor e o desgosto se instalam.
 A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente. Um fardo de tempo, cada vez mais pesado, tem vindo a acumular-se na mente humana. Todos os indivíduos sofrem sob esse fardo, mas também o tornam mais pesado a cada momento, sempre que ignoram ou recusam esse precioso Agora ou o reduzem a um meio para alcançarem um determinado momento futuro, o qual só existe na mente e nunca na atualidade. A acumulação de tempo na mente humana, coletiva e individual, contém igualmente uma enorme quantidade de dor residual que vem do passado.
Se quiser deixar de criar dor para si e para os outros, se quiser deixar de acrescentar mais dor ao resíduo da dor passada que continua a viver em si, então deixe de criar mais tempo, ou pelo menos crie apenas o tempo necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de criar tempo? Compreendendo profundamente que o momento presente é tudo o que você algum dia terá. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Atendendo a que antes você vivia no tempo e fazia curtas visitas ao Agora, estabeleça a sua morada no Agora e faça curtas visitas ao passado e ao futuro quando precisar de lidar com os aspectos práticos da sua situação de vida. Diga sempre "sim" ao momento presente. Que poderia ser mais fútil, mais insensato do que criar resistência interior a algo que já é? Que poderia ser mais insensato do que opor-se à própria vida, que é agora e sempre será agora? Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida — e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si cm vez de contra si.

O momento presente é por vezes inaceitável, desagradável ou terrível...

É aquilo que é. Observe como a mente classifica esse momento e como esse processo de classificação, esse permanente ditar de sentenças, cria dor e infelicidade. Ao observar os mecanismos da mente, você sai para fora dos seus padrões de resistência e então poderá permitir que o momento presente seja. Isso dar-lhe-á um vislumbre do estado interior livre de condições exteriores, do estado de verdadeira paz profunda. Depois veja o que acontece, e tome providências se for necessário ou possível.
Aceite — e depois atue. Seja o que for que o momento presente contenha, aceite-o como se fosse escolha sua. Trabalhe sempre com ele, não contra ele. Faça dele um amigo e um aliado, e não um inimigo. Milagrosamente, isso transformará toda a sua vida.
Enquanto você for incapaz de ceder ao poder do Agora, todas as dores emocionais que experimentar deixarão atrás de si um resíduo de dor que continuará a viver em si. Ela mistura-se na dor do passado, que já lá existia, e aloja-se na sua mente e no seu corpo. É evidente que isso inclui a dor que você sofreu em criança, provocada pela inconsciência do mundo em que nasceu.
Essa dor acumulada é um campo de energia negativa que ocupa o seu corpo e a sua mente. Se a considerar como uma entidade invisível autônoma, estará bem próximo da verdade. É o corpo de dor emocional. Tem dois modos de ser: latente e ativo. Um corpo de dor poderá estar latente durante 90 por cento do tempo; no entanto, numa pessoa profundamente infeliz, poderá estar ativo até 100 por cento do tempo. Algumas pessoas vivem quase inteiramente no seu corpo de dor, enquanto que outras o sentem unicamente em determinadas situações, como por exemplo no caso de um relacionamento íntimo, ou em situações ligadas a uma perda ou a um abandono passados, a sofrimentos físicos ou emocionais, e assim por diante. Qualquer coisa o pode desencadear, principalmente se estiver em ressonância com um padrão de dor do seu passado. Quando está pronto a despertar do seu estado dormente, basta um pensamento ou um reparo inocente feito por alguém próximo de si para o ativar.
Alguns corpos de dor são irritantes, mas relativamente inofensivos, como por exemplo uma criança que não pára de choramingar. Outros são monstros perversos e destrutivos, verdadeiros demônios. Alguns são fisicamente violentos; muitos mais são emocionalmente violentos. Alguns atacarão as pessoas que o rodeiam ou lhe são íntimas, enquanto que outros o atacarão a si, seu hospedeiro. Os pensamentos e os sentimentos que você tem a respeito da sua vida tornar-se-ão então profundamente negativos e autodestrutivos. Doenças e acidentes são muitas vezes criados desta forma. Há corpos de dor que levam os seus hospedeiros ao suicídio.
Quando você pensa que conhece uma pessoa e de repente se vê confrontado com uma criatura estranha e maldosa pela primeira vez, isso choca-o bastante. No entanto, é mais importante que observe isso em si próprio do que em qualquer outra pessoa. Fique atento a qualquer sinal de infelicidade dentro de si, tome ele a forma que tomar — poderá tratar-se do despertar do corpo de dor. Poderá tomar a forma de irritação, de inquietação, de um estado de espírito melancólico, de um desejo de magoar, de ira, de raiva, de depressão, de uma necessidade de fazer um drama do seu relacionamento, e outras coisas semelhantes. Agarre-o assim que ele sair do seu estado de latência.
O corpo de dor quer sobreviver, exatamente como qualquer outra entidade, mas só poderá sobreviver se conseguir que você se identifique inconscientemente com ele. Poderá então erguer-se, tomar conta de si, "tornar-se você" e viver através de si. Precisa de obter "alimentos" através de si. Alimentar-se-á de qualquer experiência que esteja em ressonância com a sua própria energia, com tudo o possa criar mais dor, seja sob que forma for: ira, poder de destruição, ódio, pesar, drama emocional, violência, e até mesmo doença. Deste modo, o corpo de dor, ao tomar conta de si, criará uma situação na sua vida que refletirá a sua própria frequência de energia para ele se alimentar. A dor só se pode alimentar de dor. A dor não se pode alimentar de alegria. Acha que esta última é bastante indigesta.
Assim que o corpo de dor tomar conta de si, você vai querer mais dor. Tornar-se-á uma vítima ou um agressor. Vai querer infligir dor, ou sofrer dor; ou ambas as coisas. Na realidade não há grande diferença entre sofrer e infligir dor. É claro que você não terá consciência disso e afirmará com toda a convicção que não quer dor. Mas olhe atentamente e verá que o seu pensamento e o seu comportamento estão destinados a perpetuar a dor, para si e para os outros. Se você estivesse verdadeiramente consciente, o padrão seria desfeito, porque querer mais dor é insensatez e ninguém é conscientemente insensato.
Na verdade, o corpo de dor, que é a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da sua consciência. Tem medo de ser descoberto. A sobrevivência dele depende da sua identificação inconsciente com ele, assim como do seu medo inconsciente de enfrentar a dor que vive dentro de si. Mas se você não a enfrentar, se não lançar a luz da sua consciência sobre a dor, será forçado a revivê-la constantemente. O corpo de dor poder-lhe-á parecer um monstro perigoso para o qual não suporta olhar, mas eu garanto-lhe que ele é um fantasma insubstancial que não pode vencer o poder da sua presença. Alguns ensinamentos espirituais afirmam que, em última análise, toda a dor é uma ilusão, e isso é verdade, mas a questão é: isso é verdade para si? Uma mera convicção não a torna verdadeira. Quer ter a experiência da dor para o resto da sua vida e continuar a dizer que é uma ilusão? Isso libertá-lo-á da dor? Aquilo que nos preocupa aqui é a maneira de o fazer entender essa verdade – isto é, torná-la real na sua própria experiência.
Ora bem, o corpo de dor não quer que você o observe atentamente e reconheça aquilo que ele é. No momento em que o observar, em que sentir o campo de energia dele dentro de si e lhe prestar atenção, a identificação rompe-se. Você atinge uma dimensão mais ele-vada de consciência. Eu chamo-lhe presença. Você passa a ser a testemunha ou o observador do corpo de dor, o que significa que ele vai deixar de o poder usar, identificando-se consigo, e vai deixar de se alimentar através de si. Você terá descoberto a sua própria força interior; ao poder do Agora.

É a inconsciência que o cria: a consciência transmuta-o em si própria. S. Paulo exprimiu magnificamente este princípio universal: "Tudo é revelado quando exposto à luz, e tudo o que for exposto à luz tornar-se-á luz." Da mesma maneira que não se pode lutar contra as trevas, também não se pode lutar contra o corpo de dor. Tentar fazê-lo provocaria um conflito interior e portanto mais dor. Basta examiná-lo. Examiná-lo significa aceitá-lo como parte do que é nesse momento.
O corpo de dor consiste em energia de vida aprisionada que se separou do seu campo de energia total e se tornou temporariamente autônoma através do processo artificial de identificação com a mente. Virou-se para dentro e voltou-se contra a vida, à semelhança de um animal que tenta devorar a própria cauda. Porque é que acha que a nossa civilização se tornou tão destrutiva, ameaçando a própria vida? Mas até mesmo as forças que destroem a vida continuam a ser energia de vida.
Quando começar a deixar de se identificar com ele e se tornar o observador, ainda assim o corpo de dor continuará a funcionar durante algum tempo e tentará levá-lo a identificar-se novamente com ele. Se bem que você tenha deixado de lhe fornecer energia através da sua identificação com ele, ele tem um certo ímpeto, tal como uma roda de fiar que continua a rodar durante algum tempo depois de deixar de ser impulsionada. Nesta fase, o corpo de dor também lhe poderá provocar mal-estar e dores em várias partes do corpo, mas estas não serão prolongadas. Continue presente, continue consciente. Seja o guardião sempre alerta do seu espaço interior. Você precisa de estar suficientemente presente para poder observar diretamente o corpo de dor e sentir a sua energia. Dessa forma, ele não poderá controlar o seu pensamento. No momento em que o seu pensamento estiver alinhado com o campo de energia do corpo de dor, você identificar-se-á com ele e voltará a alimentá-lo com os seus pensamentos.
Por exemplo, se a ira for a vibração predominante da energia do corpo de dor; e se você tiver pensamentos irados, pensando obsessivamente no que alguém lhe terá feito ou no que você lhe fará, então é porque você se tornou inconsciente e o corpo de dor tomou posse de si. Onde houver ira, haverá sempre dor subjacente. Ou quando você se sentir melancólico e começar a seguir um padrão mental negativo e a pensar que a sua vida é terrível, tal acontece porque o seu pensamento ficou alinhado com o corpo de dor e você se tornou inconsciente e vulnerável ao ataque do corpo de dor. Por "inconsciente"quero dizer estar identificado com determinado padrão mental ou emocional. Significa uma completa ausência do observador.
Uma atenção consciente e constante corta o elo entre o corpo de dor e os seus processos de pensamento e provoca o processo de transmutação. É como se a dor se transformasse em combustível para a chama da sua consciência que, como resultado, arde então com mais intensidade. É este o significado esotérico da antiga arte da alquimia: a transmutação do metal em ouro, do sofrimento em consciência. A divisão interior cura-se, e você fica novamente são. Depois, cabe-lhe a si a responsabilidade de não criar mais dor.
Resumindo: concentre a sua atenção no sentimento que tem dentro de si; reconheça que é o corpo de dor; aceite que ele esteja lá. Não pense nele – não deixe que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não faça dele uma identidade. Fique presente e continue a observar o que está a acontecer dentro de si. Tome consciência não só da dor emocional, mas também de "quem observa", do observador silencioso. É este o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. Depois, veja o que acontece. Para muitas mulheres, o corpo de dor desperta alguns dias antes da menstruação. Mais adiante falarei da razão de ser deste fato. Neste momento, deixe-me dizer apenas isto: se, nessa altura, você for capaz de ficar vigilante e presente e se observar atentamente tudo o que sente dentro de si, em vez de se deixar dominar pelo que sente, esta será uma oportunidade para uma poderosíssima prática espiritual, tornando-se possível uma rápida transmutação de toda a dor passada.

Patricia Jorge Alves
Terapeuta Homeopata







segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RUMO À MEDICINA DO ESPÍRITO


                                                     


O plano espiritual superior acompanha com entusiasmo todo trabalho sincero que visa a aproximação da ciência espírita com o saber médico. A medicina moderna, ainda eivada dos enganos do materialismo, necessita da urgente e decisiva orientação de novos conhecimentos para que não se perpetue somente na produção de confortos orgânicos, uma vez que ainda não sabe se fundamentar nos postulados do espírito imortal para edificar a verdadeira saúde no terreno humano.

Embora ela se esforce no louvável afã de sofrear o padecimento do homem, temos de admitir que todos os recursos terapêuticos até então desenvolvidos, desde que não atingiram a inquestionável origem espiritual da enfermidade, são transitórios e paliativos. Acreditando que a vida é produto aleatório da matéria e ignorando que a existência se presta a finalidades divinas, a medicina de nossos dias ainda não foi capaz de alcançar a verdadeira natureza dos males humanos. Operando erroneamente no “campo dos efeitos e não das causas”, termina por sofrear um impulso que retorna sempre ao seu sítio de atuação, muitas vezes agravado, se não é adequadamente conduzido ao caminho da própria cura.

O mundo maior assiste com pesar o dispêndio de tantos esforços em rumos ainda incertos. Condoído por ver a nobre ciência carente da sabedoria do vitalismo e contagiada por renitente materialismo, movimenta recursos para a sua reforma, semeando idéias que se voltem para a realidade do espírito. Urge socorrê-la com os conhecimentos espirituais, influenciando decisivamente o seu profícuo empenho em tornar mais feliz e saudável o estágio do ser na ribalta terrena. Como conquistar a saúde na carne sem atender aos imperativos da Lei de Deus? Como combater os tormentos do corpo sem dominar os males do espírito, de onde tudo se origina?

 

Nesse contexto, as luzes do espiritismo e da homeopatia despontam como os faróis imprescindíveis para iluminar a medicina em voga na Terra. É indispensável convencê-la de que a vida na matéria é mero palco de expressão do espírito imortal e que os fenômenos patológicos da carne guardam precípua função espiritual no concerto da Criação. É premente ensiná-la que a doença, sendo força da alma, fluindo de dentro para fora, somente pode ser erradicada por impulso de mesma natureza. Que toda atuação impondo acalmia fisiológica ao carro orgânico, sem o necessário sustento do equilíbrio espiritual-energético, é conquista fugaz, destinada a bem estar provisório. E que, persistindo as causas, a dor continuará incidindo no ser até que este conquiste a ciência do bem viver.

 

A Homeopatia, trazendo ao conhecimento contemporâneo provas irretorquíveis da existência do organismo vital, onde se estacionam os sutis desequilíbrios do espírito antes de aflorarem em moléstias físicas, é ciência estabelecida na Terra para sanar as chagas do materialismo médico, edificando a verdadeira Medicina do Espírito. Hahnemann, arauto do Cristo, foi por Ele encarregado, com tamanha antecipação, de fixar na Terra os pilares dessa nova medicina, a vigorar no terceiro milênio, fundamentando-a com conceitos de elevado alcance espiritual.

Como não nos curvarmos diante das sábias lições do missionário de Meissen, ao apregoar que todos os males humanos encontram no espírito a sua peremptória origem? Afirmou-nos o mensageiro, acertadamente, que os distúrbios da carne são meros efeitos de perturbações energéticas, imiscuídas em nossa intimidade perispiritual. Que os compostos físicos carreiam energias formadoras que podem ser suscitadas pelo genial método das dinamizações, tornando-se suscetíveis de atuar vigorosamente na psicosfera humana. E que o seu emprego, mediante o princípio de semelhança, ativa reações curativas na unidade dinâmica do ser. São ensinamentos que encantam o raciocínio médico de todo aquele que já se inteirou das verdades espirituais. Por isso, as grandes vozes do Além, em todos os tempos de difusão do espiritismo, manifestaram-se a favor da medicina dos semelhantes, destacando o seu imenso valor em propiciar soluções definitivas para que a patologia da alma encontre seu verdadeiro roteiro de cura.

 

Assim é que, desde que Benoit Mure, o famoso médico francês, aportou à Terra do Cruzeiro ainda no século dezenove, trazendo junto com seu botequim homeopático os primeiros livros espíritas, ambas as ciências aqui se abraçam, em obediência a desígnios superiores, utilizando os postulados do espírito a benefício do homem que sofre nas pragas terrenas.

 

A homeopatia, alicerçando seus princípios no Corpus Hippocraticum lançado com a antecedência de tantos séculos na Grécia antiga, revive e revigora-os, solidificando bases seguras para o sustento da Medicina do Espírito. Alegremo-nos, todos que buscamos a verdade, pois essa nova medicina, fundamentada na Lei de Deus, já desponta no horizonte do saber humano. Ela já está delineada nos preceitos homeopáticos e não tarda a se incorporar em definitivo à ciência do mundo, pois estamos certos de que em breve o espírito será oficialmente descoberto pelas pesquisas científicas em vigor na Terra. E então a medicina terá de se curvar diante da inequívoca realidade espiritual da vida, admitindo a ascendência da alma imortal sobre todos os fenômenos da carne.

 

E assim veremos nascer na Terra uma nova medicina, a Medicina da Lei, estabelecendo uma prática médica orientada pela Sabedoria Divina e não pela vontade humana. Fazendo da alma o seu campo de pesquisas, ela compreenderá, enfim, as razões últimas da dor, para atuar no reino das causas espirituais, auferindo meios seguros para erradicar definitivamente o sofrimento de nossas paisagens interiores.

Enquanto estes alvissareiros dias não chegam, tratemos nós, antecipadamente, de beber dessa fonte divina de saúde oriunda da fusão dos conceitos homeopáticos e espíritas, recolhendo a mancheias os seus luminares preceitos capazes de nos curar, desde que convenientemente aplicados na construção de nossos destinos.

 

Conosco seja a paz do Senhor.

Bezerra de Menezes 

INSTITUTO CULTURAL IMHOTEP